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13 de outubro de 2005

'PESCADOR DE SONHOS' NA HOMENAGEM A CARLOS LUZIO


O MEU DESERTO

Sou um pescador de sonhos
Num mar sem praias,
Sou um caminhante cansado
Sem caminhos para andar,
Sou um delinquente que, de tanto abusar
Talvez nunca seja castigado,
Sou um rude camponês
Que espera colher pão
Sem nunca ter lançado sementes,
Sou um vagabundo sem destino
Pisando terras de outros donos
Sem que me mordam os seus cães,
Sou a mansarda sem tecto
A perfumaria sem essências,
Um pecador dando golpes de peito
Carregando cem anos de penitências,
Sou um relógio sem tempo
Esquecido num salão vazio,
Sou o menino travesso
Que sentindo o calor de um beijo
Se sente tremendamente frio,
Sou um jovem prematuramente ancião
Que já só pode andar ajudado
Mas que, se tentam dar-lhe a mão,
Se sente humilhado,
Sou um pássaro quase louco
Que canta sem solfejo,
Um bote sem remos, perdido,
Que naufraga pouco a pouco
E isso não o entendo.
E, por muito tempo que eu viva
E me encha de fé a cada momento
Continuo a ser louco à deriva
Neste deserto que invento…

27 MAI 86
in Carlos Luzio, “Pescador de Sonhos”,
capítulo “Os Desertos do Amor”, edição 2005

*
Apresentação
“Apesar dos pontos comuns existentes entre aqueles que escolhem o caminho da poesia, não estará correcto falar de uma experiência poética universal. Relembramos aqueles, que à semelhança de Pessoa, transformam a realidade através do poema. Para estes, o poema é espaço de transfiguração da memória, reinvenção do “eu”. Por outro lado, existem aqueles para os quais a fronteira entre o mundo poético e o universo pessoal se revela muito ténue, quase inexistente.
A experiência poética de Carlos Luzio enquadra-se neste último modelo, onde os planos da vida e da poesia se fundem e se confundem.”
...
Excerto de “Pescador de Sonhos – Uma Análise”, de Michele Mota

25 de abril de 2007

25 de Abril - do Antes

DOA
Andam cavalos à solta,
Loucos, em correrias sem destino,
Duendes do presente
Sem passados,
Mortos-vivos que não gritam
E que transitam …
Cavalos alados,
Ciganos de várias tribos,
Animais civilizados
Que regressam a estados primitivos,
Testemunhas de vários sóis,
Navegantes dos sertões,
Agonizando a ração,
Pasto para feras
Com bocas sujas e dentes cariados,
Coitados!...
Mandados por carniceiros com galões,
Carne para canhão
Metida num vagão …

Doa (Moçambique), 1972
in, Carlos Luzio, pescador de sonhos – POEMAS DE GUERRA, edição póstuma, Bustos, 2005
*

Poemas de Guerra...[1]
«Há tantas histórias para contar, tanta que não se contou. Está uma página por escrever, algures dentro de nós. É o grau zero da escrita. Mas vós, ó cúmplices pelo silêncio e pela hipocrisia, calai-vos de uma vez por todas »[2]

O conjunto de poemas em torno da questão da guerra, inicia-se, curiosamente (ou propositadamente) com um hino à liberdade. Ainda escrito em Bustos, antes da partida para Moçambique, «Liberdade» é um retrato da despreocupação, da espontaneidade e da inocência de um mundo que o poeta observa e ao qual parece já não pertencer. Existe uma clara oposição entre um estado de liberdade associado à infância, vivida de forma despojada mas feliz, e as prisões a que estão submetidos os adultos, vítimas de destinos traçados por mãos desconhecidas.
Poesia intervencionista e panfleto pacifista? Talvez não fosse essa a intenção ! No entanto, é certo que a palavra aparece como uma tentativa de compreensão de uma situação absurda, já que ultrapassa o domínio da vontade própria.

No leque de poemas que integram a temática da guerra deixa transparecer uma consciência da tragicidade daqueles anos. Composições como «O Soldado» (1 e 2), escritas ainda em Bustos, retratam o desalento e a tristeza de todos aqueles que, demasiado jovens, viram um dia a sua vida transformada numa teia tecida por mãos alheias ao sofrimento e ao medo:

«Um dia o destino o levou
Para onde ele não queria
Para uma guerra que sonhava
Mas não via»

Com a partida quase sonâmbula, rumo a essa prisão cuja «janela nunca se abriu », viria também a inevitável confrontação, ainda que demasiado precoce, com a morte e com todos os sentimentos a ela associados. Neste sentido, é importante salientar a forte consciência de Carlos Luzio face às transformações que o convívio quer com a morte, quer com o acto de matar para não ser morto, operam naqueles que outrora carregavam no peito uma imensidão de sonhos e de esperança. Na guerra parece não sobejar espaço para o sonho. Talvez porque a realidade seja tecida de um medo paralisante que reconduz o homem ao seu estado mais primitivo. No poema “Doa”, o campo de batalha é comparado a “um pasto para feras / com bocas sujas e dentes cariados” onde os homens são “animais civilizados / que regressam a estados primitivos. Mandados por carniceiros com galões, / Carne para canhão/ Metida num vagão”. Ao longo de todo o poema ecoa um profundo grito de revolta e de indignação que com o passar dos anos se torna menos contundente porque o distanciamento temporal ameniza as memórias mais sombrias.

No entanto, «há guerras que não acabam nunca»[3]. Há conflitos que a memória não apaga porque ficaram, para sempre, tatuados no mais íntimo de quem as viveu e a elas sobreviveu. Prova incontornável destas memórias que perduram, são os poemas escritos longos anos após o fim da guerra, deixando adivinhar uma necessidade de verbalizar e de compreender um passado que tantas vezes se tenta declinar! As viagens ao passado são parte integrante daqueles que lá deixaram partes de si e funcionam como uma tentativa de busca de um tempo perdido. E para tal, a palavra sempre se revelou um excelente veículo, apesar de nem sempre ser a salvação, como disse Marguerite Duras!
...
[1]Extraído de «Uma análise» ao livro de poemas “Pescador de Sonhos», de Carlos Luzio.
[2] Manuel Alegre, Rafael
[3] Manuel Alegre, Rafael, p.65.

17 de fevereiro de 2014

"….PORQUE É QUE NÃO ÉS COMO O NATALINO?" (1)


foto de arquivo da Família

 Natalino dos Santos Rodelo
19.01.1941 – 29.11.2013
Póvoa (Bustos) – Boliqueime (Loulé)

Filho de Adriano dos Santos Rodelo e de Caurina Mota
Casado com Irene Silva Ferreira Rodelo.
Os filhos, Dean Ferreira Rodelo e  Diana Ferreira Rodelo (e aqui),  são professores de Matemática 

“A minha paz
residia debaixo daquele tecto (2)
[na alfaiataria do Ti Adriano]
(Carlos Luzio)

Natalino Rodelo foi um cidadão exemplar da diáspora de Bustos, dedicado *a Família, profissional com nome firmado, autodidata em busca do saber e do belo, dirigente associativo, … a sua presença em atos públicos  era marcada pela discrição. Desde muito cedo revelou aptidões para a escrita e para o desenho.  
Casa de Bustos  –  Adriano Rodelo e Caurina Mota com o «Lorde» (5) (sentado)
A ponta de cigarro tenta passar camuflada   foto de arquivo da Família
O professor Manuel Pires, extraordinário preparador dos alunos para enfrentar o exame de admissão aos Liceus, elogiava amiudadas vezes as suas redações.
Ouçamos o loquaz Élio Freitas, companheiro e testemunha privilegiada do então vizinho e amigo Natalino:
Memórias da Rua da Póvoa






De toda a rapaziada 
da Rua da Póvoa, 
o Natalino 
era o mais escravo,
mais sacrificado de todos.

Desde que me lembro, o Natalino e a sua irmã Marlene trabalhavam todos os dias ao lado dos seus pais, Adriano e Caurina, na alfaiataria…
Caurina Mota  e  Adriano dos Santos Rodelo
foto de arquivo da Família

Enquanto a malta brincava e fazia trinta por uma linha, o nosso amigo Natalino lá estava todos os dias a ajudar na alfaiataria.

O Sr. Adriano era muito restrito com os filhos. A solução era simples:
Nós íamos ter com ele à alfaiataria. Quando eu e outros queríamos ler uma revista como o Mundo de Aventuras, ou Revistas de filmes, a nossa biblioteca era a alfaiataria Adriano. O Natalino assinava as melhores revistas juvenis e isso atraía os colegas para ler e visitar o amigo…
Rua da Póvoa – Alfaiataria antes da remodelação da casa (actual casa de Milton Luzio)

O local de encontro diário para muitos jovens da zona era a alfaiataria por causa da leitura das revistas…e o Natalino sabia que isso era uma maneira de compensar o facto de ele ter de estar sempre amarrado ao trabalho e não poder sair a brincar com e resto dos amigos da Rua.



foto de arquivo da Família

O Natalino era o modelo de rapaz que todas as mães da Rua da Póvoa usavam para exemplo dos filhos…."Porque é que não és como o Natalino?" E todos os que o conheciam tinham-lhe muito carinho e respeito, porque sabiam o sacrifício que ele fazia para obedecer ao pai Adriano…
Aos Domingos lá vinha a oportunidade de uma festa ou baile, e os colegas da Rua da Póvoa aí estavam todos contentes por acompanhar o modelo amigo Natalino a passar umas horas alegres como qualquer jovem da sua idade. 
Memórias que nunca morrem, dum amigo de sempre, dum jovem educado e totalmente dedicado á sua família(Élio Freitas, Califórnia) 

Um aparte: A “escola” dos seus Pais (Caurina e Adriano) deu frutos sãos e merece uma reflexão a ser feita pelos educadores de hoje.

O ambiente da Alfaiataria transposto por Carlos Luzio em dois poemas “Ti Adriano – Alfaiate” e “Entre Panos e Linhas” “oferecem-nos um retrato comovente daquele que fora noutros tempos, um importante ponto de encontro desta aldeia, …” (3) (Michel Mota).
Bustos - Casa do Sr. Adriano -  A Alfaiataria foi "um importante ponto de encontro" (Michele Mota)
foto de arquivo da Família 

É naquele primeiro poema que o Natalino fica a ser registado com o atributo de o «Linhas», conforme o excerto de “Ti Adriano-Alfaiate (4) …:

Recordo as tardes a ouvir música num velho gravador
Não era música do teu tempo, não senhor
Eram canções que ouvia como se fossem minhas
Que gostavam ao “Lorde” (5) e ao “Linhas” .
(Carlos Luzio, Pescador de Sonhos)

 Com naturalidade e muito trabalho, gosto e dedicação, o Natalino fez-se à vida.
Um vivo agradecimento às informações prestadas pela Irene Rodelo que vão preencher uma parte do seu invejável  

28 de setembro de 2005

HOMENAGEM A CARLOS LUZIO

Livro de Carlos Luzio, “Pescador de Sonhos”
Dia 2.10.2005 (Domingo) – 17H00
Bustos – Palacete do Visconde

CONVITE

O nosso conterrâneo Carlos Luzio faleceu inesperadamente, no dia 27 de Setembro de 2004.
O Carlos era conhecido de todos, mas poucos sabiam que era poeta.
Um grupo de amigos prometeu-lhe financiar a publicação de um livro que as circunstâncias não permitiram que viesse ser publicado em vida.
O livro de poesia “Pescador de Sonhos”, com gravura na capa de (João) Martins Oliveira, agora editado, será apresentado em sessão pública, no próximo dia 2 de Outubro (Domingo).
Será igualmente evocado o primeiro aniversário do seu falecimento.
Convidam-se os amigos do Carlos Luzio e todos aqueles que gostam de desfrutar momentos de poesia a participar nas cerimónias.

Programa do próximo dia 2 de Outubro

(17H00) – Concentração junto à Biblioteca de Bustos (Adro da Igreja Velha)
(17H10) – ROMAGEM AO CEMITÉRIO
Será descerrada uma placa em homengem ao Carlos Luzio na sua sepultura e deposição de uma coroa de flores.

(18H00) – LOCAL: Palacete do Visconde – Auditório da Associação de Beneficência e Cultura de Bustos (ABC)
APRESENTAÇÃO DO LIVRO “Pescador de Sonhos,
Uma análise, por Michelle Mota.
***

Emília Aires, Milton Costa, Óscar Santos, Sérgio M. Ferreira

1 de outubro de 2005

HOMENAGEM A CARLOS LUZIO COM LANÇAMENTO DO LIVRO “PESCADOR DE SONHOS”

A gravura da capa (talvez um dia!...) é da autoria de João Martins Oliveira


CARLOS LUZIO
10.08.1947 – 27.09.2004



CONVITE

Convidam-se os amigos do Carlos Luzio e todos aqueles que gostam de desfrutar momentos de poesia a participar nas cerimónias de HOMENAGEM A CARLOS LUZIO.


Amanhã 2.10.2005 (Domingo)
Bustos – Palacete do Visconde


PROGRAMA
(17H00) – Concentração junto à Biblioteca de Bustos (Adro da Igreja Velha)
(17H10) – ROMAGEM AO CEMITÉRIO
Será descerrada uma placa em homenagem ao Carlos Luzio na sua sepultura e deposição de uma coroa de flores.
(18H00) – LOCAL: Palacete do Visconde – Auditório da Associação de Beneficência e Cultura de Bustos (ABC)[1]

APRESENTAÇÃO DO LIVRO “Pescador de Sonhos,
Uma análise, por Michelle Mota.
***
Organização de Amigos do Autor – Emília Aires, Milton Costa, Óscar Santos, Sérgio M. Ferreira
Nota:
[1] Agradecimentos antecipados ao “ABC” e ao Orfeão de Bustos pelo apoio logístico.

10 de novembro de 2008

O Ti Manuel Luzio partiu

Manuel Simões Luzio Jr. nasceu no Barrôco da Póvoa em 6/6/1919.(a)
Faleceu hoje, 10 de Novembro’08, em Aveiro.
O Funeral está marcado para amanhã, dia 11 de Novembro, sendo às 16H00 o início das exéquias na Casa Mortuária de Bustos.

Um abraço de condolências ao reduto familiar
Sília da Silva Santos
António Feliciano dos Santos Luzio
Élia Santos Luzio
Paulo e Diana.

(a) NB em 29.08.05 pela mão de Oscar Santos, trouxe Manuel Luzio à galeria dos homenageados. Justifica-se entre outras, uma visita a “MANUEL SIMÕES LUZIO JR: A HOMENAGEM QUE FALTAVA - 1”.

"E hoje... mais uma pétala caiu"
(Vanda Rafeiro, "Manolo", ONTEM - HOJE - AMANHÃ, 10.11.08) aqui

Ouçamos o Carlos Luzio (10.08.1947 - 27.09.2004) na dedicatória que fez a seu Pai recolhida em ‘Pescador de Sonhos’

MANOLO, PAI, AMIGO
Manuel Simões Luzio Júnior

Manolo, o melhor dos meus comandantes
Meu velho amigo de tantas batalhas
Meu instrutor sempre abnegado
Dizendo sempre que o caminho é em frente
Tu, pai amigo, admirado por tanta gente
Marchas pela vida como o melhor soldado
Sem equivocações embora com algumas falhas
Mas que corriges apenas em instantes
Tu que me ensinaste que a vida é uma doutrina
Tu que deixaste a tua terra à procura de fortuna
E que não encontraste mais que conhecimentos
Porque a riqueza que procuravas era pura ficção
E a vida é quem mais nos ensina
Que o mais importante é a educação
E o cultivo dos bons sentimentos
Estar sentados à lareira num grato serão
Todos juntos por uns momentos
Tu, meu velho Manolo, que não me viste crescer
Mas que onde estivesses nunca me ias esquecer
Que pena que juntos foram tão poucos os anos vividos
Sendo ambos tão parecidos!
Velho Manolo que não poderás jamais ocultar
As cicatrizes que a vida dura te deixou
Tu que jamais pudeste enganar
A um amigo que algum dia te ajudou
Tu que me ensinaste a ver o lado belo da vida
E que choras como eu numa despedida
Lágrimas que enchem de amor
Como as minhas que têm o mesmo sabor
Tu que abres o teu coração como um abanico
Que nunca pensaste se o amigo era pobre ou rico
Nós, Manolo, nunca nos sentiremos sós
A nossa maior riqueza é a que levamos dentro de nós
Tu, meu velho amigo, a quem a vida não pode ainda levar
Porque tens ainda muito que me ensinar
Cuida-te muito, velho soldado,
Pois quero ter-te muito tempo a meu lado.
(Caracas)
Colinas de Bello Monte Mansion Suiza
(entre 14 e 20 Novembro.1991) (1)

(1)Mensagem manuscrita pelo Carlos fecha a folha:
Para o Manolo, aliás Manuel Luzio, com todo o carinho do Mundo. Cuida-te que eu quero ver-te como um “figo” em Setembro (01-01-01 se Deus quiser.
Um beijo grande para a mãe Sília.
Vosso
a) Segue a assinatura


in Carlos Luzio, “Pescador de Sonhos”, (Manolo, Pai, Amigo, pg.s 8 e 9), edição póstuma, Bustos-2005
*
até qualquer dia

25 de março de 2010

POESIA PASSEOU POR BUSTOS

.. Tarde do dia 19 (sexta-feira), 15H00, Biblioteca de Bustos. Na transição dos botões de inverno para as flores da primavera, Rosinda de Oliveira, autora e dinamizadora do Grupo Cultural da Mamarrosa, deu voz e calor à Poesia. Uma tarde diferente para os amigos que puderam partilhar os momentos proporcionados pela programação da “Semana de Poesia” Municipal.



Merecem ser assinalados os contributos de Prazeres Duarte na organização e decoração emprestada ao evento; e de Clara Aires Guitas, porque lá de longe, endereçou convites de Seca a Meca.

Soube a pouco, ressoou o eco.
*

SOLIDÃO COM VIDA

Há quilos e quilos de solidão
em cada metro do teu olhar …
Há rios e rios de escravidão
em cada fluir do teu pensar…
Mas vem, as estrelas escorrem
ouro
nas pétalas da nossa rua por
desvendar
e as papoilas cobrem de prata
as raízes d’açucenas aqui aos
pares…
Vem, não tenhas medo,
não fujas da solidão,
o sol ainda vai brilhar
e as pedras ainda vão dar pão!

in Rosinda de Oliveira, VIAGEM DENTRO DE MIM, (UNIDADES DE INCIDÊNCIA. SUFOCOS.), Edição da Câmara Municipal de Oliveira do Bairro, 2001.




(imagem composta pelo editor)


--
SOLDADO – 2

Pesadas eram as botas
Que o soldado trazia
E o capote cinzento
Nas noites de invernia.
Alguém gozava
Enquanto ele sofria.
E quando ele chorava
Alguém ria.
Um dia o destino o levou
Para onde ele não queria
Para uma guerra que sonhava
Mas não via.
Uma bala trespassou
O soldadinho que gemia
O soldadinho que morrera
Com as botas que trazia …

Bustos
20. Maio.1969

in Carlos Luzio, Pescador de Sonhos – Poemas de Guerra, edição póstuma, 2005.
---


CONFISSÃO (a)

Poesia, és o grito que em mim corre
Sobressalto de sonhos e fantasia
Faz de mim o teu refúgio
E eu te darei a voz e um coração que sente
Para pintares o que se estende em meu redor
Tornar-me-ei tua serva se quiseres
Porque sei que sem ti eu sou vazia.
*

- Marineide Simões dos Santos\Canto e Amanhece\Poemas\Edição da Câmara Municipal de Oliveira do Bairro\1ª Edição\Março 2009,

(a) Copiado de
http://noticiasdebustos.blogspot.com/search?q=Marineide

27 de setembro de 2009

CARLOS LUZIO - Quero que nasça rápido o dia ...


Carlos Manuel dos Santos Luzio (10.08.1947 - 27.09.2004) ‘… como tantos artistas, escritores e filósofos, vivia num mundo vedado à maior parte das pessoas’ (escreveu Milton Costa no Prefácio de “Pescador de Sonhos”).


NB evoca Carlos Luzio, editando três fotos cedidas por Vanda Rafeiro, o poema 'Noite' (22junho1986) incluído na temática 'Os Desertos do Amor', que Michele Mota na sua Análise diz:

"Os poemas de amor e abandono constituem a parte mais substancial da criação poética de Carlos Luzio, permitindo-nos concluir que esse sentimento ocupava um lugar central na sua vida".


NOITE
Quero que nasça rápido o dia
Que se me faz longa esta escuridão
Quero apagar a imagem dos pesadelos
Quero sair desta cama fria
Para ir aquecer-me nos teus braços
Quero ir beber dos teus lábios a paixão
Que sonhos maus nunca quero tê-los
Deixa-me embriagar na doçura do teu olhar
Ainda que seja por momentos escassos
Deixa-me embarcar nesta loucura que me desgasta
Um minuto do teu amor é quanto me basta
Acende-me no teu fogo, afasta-me a noite
Cicia-me qualquer coisa sem sentido
Deixa que o teu regaço me acoite
Nesse abrigo onde sempre quis estar escondido
Leva-me pelo caminho por onde agora vais
Mas leva-me contigo
Que a noite já não a suporto mais.
22.Junho.1986
in Carlos Luzio, "Pescador de Sonhos", (os desertos do amor), 2005



E também é publicado «Sueños» englobado em 'Otra Orilla, Un Mesmo Sueño' .

A Vanda Rafeiro ficou a dever-se organização dos poemas e título desta secção.




SUEÑOS

Veo, claramente, como el agua besa tus pies
En esa playa de cocoteros y arena
Y como el mar mira, con malicia, tu figura,
Pienso que es un sueno y no lo es
Al verte disfrutar de esa noche tan amena
Coqueteando con las olas tan segura.
Quisiera quedarme en esa playa que no es mía,
Pisando la misma orilla que tu pisas
Para decirle a la mar que no sea tan atrevida
Al querer refrescar tu cuerpo con el agua fría
Y alborotar tu cabello con saladas brisas,
Robando algo que es parte de mi vida.


Caracas, 13 Junio.1986


*

23 de julho de 2007

MULHERES


Só mesmo as mulheres de Bustos poderiam ter organizado o V Fórum de Bustos da forma como o vivemos.
É certo que andava sem dormir e estava ainda dominado por uma letargia que procurei disfarçar. Mas deu para perceber.
A Dina, a Dorinda e a Ditosa foram as principais autoras dum trabalho a todos os títulos notável. Concedo: o Manelzito Cataluna (parece que ainda há dias saiu da escola) deu uma ajuda e o Serginho esteve no seu melhor (excelente, a “Resenha do Processo que Tornou Possível a Construção da Igreja de Bustos”, texto da autoria do Eng.º Naftali Sucena, mas trazido à luz em opúsculo pelo sempre atento nosso Sérgio).
Foram as MULHERES DE BUSTOS - tinham de ser elas - a chegar tão longe e com tanto esmero. Esmero que só Mulher sabe ter.
Não esqueceram, sequer, de nos lembrar através das imagens nas paredes da sala de convívio que estávamos ali por causa da Escola da nossa infância, da Escola que nos forjou para a vida
e para o mundo. Que nos forjou, sobretudo, para os laços de amizade e companheirismo que nem a morte do Carlitos Luzio é capaz de separar.

O que significa que a morte não consegue tudo e que, se calhar, até consegue muito pouco.
Por isso, continuam bem vivos aqueles Bustuenses que marcaram para todo o sempre a nossa Terra e as nossas memórias. Os seus legados são o melhor dos testemunhos e deixo-vos aqui 4 (quatro) exemplos, entre muitos outros:
- O 1º, na pessoa desse grande bustuense que foi Jacinto dos Louros, a quem devemos o que somos como freguesia;
- O 2º, na pessoa do Dr. Manuel dos Santos Pato, a quem devemos o que Bustos é como paróquia, essa espécie de freguesia dos crentes;
- O 3º, na pessoa do Eng.º Néo Pato, pela grande obra que é a demasiado esquecida Igreja de Bustos.
- O 4º, o Carlitos Luzio, porque é a memória da Escola da minha geração e porque nos deixou um outro legado: o de que precisamos de ser e agir como ele, que foi a vida inteira um

Pescador de Sonhos

Resta-me falar doutras duas Mulheres que estiveram no Forum: a minha Mãezinha, que acertou na mouche quando decidiu inventar-me (dizem que o meu Pai ajudou muito à missa, que ele não brincava em serviço). Esta Mulher personifica a mãe de cada um de vós, que eu não sou rapaz para puxar a brasa só para a minha sardinha.

Há outra Mulher, que também esteve connosco no passado sábado. Parece que estava ali de propósito e bem ao vivo para nos lembrar a Escola das nossas infâncias. Digo-o porque foi a primeira Mulher a dar aulas na Escola Primária de Bustos, quando as paredes interiores de adobo ainda nem estavam rebocadas. Terá sido ainda antes da inauguração, datada de 1937, que a pressa em ensinar os filhos de Bustos era grande.
Esta Mulher chama-se Benilde Simões Guerra e terá 86 anos.
Nasceu em Bustos como as suas irmãs e é uma das três filhas ainda vivas do Pai de Bustos, Jacinto dos Louros.
Nem de propósito!
*
Bendito Fórum, que serve para lembrar que Bustos existe e tem gente de valor.
Cabe-nos continuar a obra. Vou mais longe: cabe-nos lutar por uma nova Bustos, de mudança, de intervenção, de crítica atenta, construtiva e profunda. É preciso sair da letargia.
O resto, que será o desenvolvimento sério, equilibrado e sustentado, virá parar às mãos de Bustos como a fruta madura.
*
Inté, diz o
oscardebustos

2 de setembro de 2008

Ti Cremilda: um grande amor por detrás das tardes do Piri-Piri

Foi ontem a enterrar Cremilda Martins da Silva, exactamente no mesmo dia em que fazia 4 anos que falecera o marido, o Manuel Aires das bicicletas.
Então ainda à frente dos destinos do seu café e restaurante, o Manuel Aires e a Ti Cremilda foram os patronos dos nossos tempos de juventude. Tempos das famosas tardes do Piri-Piri de que falava o saudoso Carlos Luzio e que o Milton Costa soube tão bem interpretar no prefácio do livro de poemas do Carlitos que editámos em 2005 -
Pescador de Sonhos.
É impossível esquecer o carinho que o casal sentia por nós, a bondade com que punham à nossa disposição o assador do restaurante para ali prepararmos as nossas patuscadas.
Mas a Ti Cremilda e o Manuel Aires viveram aquela que terá sido uma das mais lindas histórias de amor que Bustos conheceu.
Em 1938 o Manuel Aires era um jovem de 16 anos, filho duma família mais abastada. Ao contrário, a jovem Cremilda – então apenas com 13 anos - era uma rapariga filha de pais menos afortunados. Contrariando as regras da época, o Manel e a Cremilda apaixonaram-se, o que os obrigou a esconder o amor puro e inocente que os unia.
E como o amor tem pressa e não conhece barreiras nem fronteiras, os jovens enamorados seguiram os usos da época: fugiram de casa dos pais, apanharam o comboio na estação de Oliveira do Bairro e apareceram de surpresa na cidade da Guarda, já então conhecida pelos cinco “efes” - farta, fria, formosa, fiel e forte. Mas porquê a longínqua Guarda? Porque ali vivia um tio materno da Cremilda, de seu nome Vicente Tavares da Silva e porque lhes terá parecido que ali encontrariam boa guarida, ainda por cima tão longe dos mexericos da aldeia.
A história foi até lembrada por Vitorino Reis Pedreiras, a págs. 99 do seu livro Memórias de Outros Tempos: “Dia 29 – Semeando um pinhal. Um rapto[o autor reportava-se ao dia 29 de Dezembro de 1938].
Um pormenor interessante: os apaixonados apresentaram-se em casa do tio Vicente como estando em lua-de-mel. Claro que a tia Idalina era senhora daquela argúcia que só as mães têm e logo tratou de preparar duas camas em quartos bem separados, avisando-os solenemente que não admitiria que dormissem juntos. - Nem pensar!
Ladinos, responderam-lhe: - Não vale a pena, porque já está
O desfecho não poderia ser outro: avisados, logo no dia seguinte os envergonhados pais da Cremilda foram à Guarda buscar o ousado casal de fugitivos.
E como quase sempre acontece nos grandes romances de amor, a Cremilda e o Manuel casaram no ano seguinte e viveram uma felicidade cúmplice durante 65 anos. Amaram-se e respeitaram-se a vida inteira.
…E tiveram uma linda menina, a nossa muito querida Milita do Aires.

Texto conjunto de
sãododomingos,
vandarafeiro
oscardebustos

*
- NOTA FINAL: à data dos factos e como rezava solenemente o artigo 392º do Código Penal de 1866, “aquele que, por meio de sedução, estuprar mulher virgem, maior de doze e menor de dezoito anos, terá a pena de prisão maior celular de dois a oito anos, ou, em alternativa, a pena de degredo temporário.”
Como nos contos de fadas, um providencial § único do artigo 400º daquela lei propunha uma saída airosa para o criminoso: "casar com a mulher offendida”. Foi a melhor notícia que aquele apaixonado casalinho poderia ouvir! O que explica terem casado em 1939 não por iniciativa dum qualquer pároco ou das leis do registo civil, mas por força da decisão dum tribunal.

27 de setembro de 2011

Carlos Luzio - E num segundo Como se fosse o fim do mundo Uma terrível explosão ... (Pescador de Sonhos)

Carlos Manuel dos Santos Luzio

10.08. 1947 – 27.09.2004

MOCÍMBOA DO ROVUMA

(11.Janeiro.1971)

O capim está prestes a estalar

O suor ácido a nublar-nos o olhar

O medo a fermentar

No silêncio fúnebre que paira no ar

O olhar cansado de estar atento

Um tique doloroso em cada movimento

Um gole de água a matar a sede

Por um breve momento

E nem uma pontinha de vento

Para nosso desalento

Um alto para comer o que sobra da ração

Para enganar a fome na última migalha de pão

Num descanso no regaço da inquietação

E num segundo

Como se fosse o fim do mundo

Uma terrível explosão

Pedaços de um corpo espalhados na picada

Um fumo negro e espesso

A esconder ferros torcidos

Um castigo que não mereço

Gritos a abafar o ruído da metralha

Vindo da emboscada

Um morto e tantos feridos

O preço desta guerra canalha

E chorei desalentado

Como se fosse eu o culpado

Daquele corpo mutilado

Lamentei não ter desertado

E até perdi a fé

Por Deus não estar do nosso lado.

16. Maio.2004

in Carlos Luzio,

Pescador de Sonhos (POEMAS DE GUERRA),

(edição póstuma) 2005

3 de janeiro de 2006

2005 EM RELANCE

Em 2005 Bustos assinalou o seu 85º aniversário. Os festejos oficiais não tiveram o brilho que a data justificava ( ver texto do blogue) e nenhum acontecimento de índole cultural ou recreativa foi oferecido à população. Mas à falta de iniciativa e dinamismo dos políticos respondeu a sociedade marcando o ano com múltiplas iniciativas.

Vamos lá segundo as folhas do calendário.
Janeiro começou com a entrada em laboração da Labicer, uma indústria inovadora e tecnologicamente evoluída num parque industrial muito tradicional e demasiado dependente do barro. Cantou-se as Janeiras e chegou a internet gratuita à Junta de Freguesia, mas nada foi feito para se dinamizar e rentabilizar este novo equipamento.
Fevereiro foi o Mês de Bustos (aqui assim chamado e celebrado) e o mês das eleições legislativas que deram ao Partido Socialista a maioria absoluta no Parlamento. Março foi mês de franca acalmia, com as eleições do ABC a serem adiadas. Da associação ambientalista “Chão Verde” houve notícia no mês de Abril quando da eleição do novo presidente, Fernando Silva, que logo depois desapareceu nunca mais dando novas ou opinião.
Em Maio tudo voltou a animar com a realização do festival de música popular Cantabus e a eleição da nova direcção do ABC presidia por João Oliveira Martins. O momento político do ano aconteceu em Junho quando o Presidente da UDB, Fernando Vieira, entrou em conflito com o CDS e o Presidente da Junta, chegando a falar de traição. Iniciou-se uma “guerra” em defesa da construção do novo parque desportivo da União Desportiva.
Com o reencontro de amigos no Fórum, os tradicionais festejos do S. Lourenço e demais santidades lá se passaram as férias de Agosto. Os 57 anos da UDB foram assinalados com festa e jogos em Lisboa contra Os Belenenses, num mês de Setembro assinalado ainda pela divulgação da fotografia de Jacinto dos Louros. Outubro começou com a homenagem e lançamento do livro póstumo de Carlos Lúzio, “Pescador de Sonhos,” e acabou por ser dominado pelas Eleições Autárquicas com o consequente regresso do PSD à liderança do município. De uma só penada o Presidente Pereira perdia a protecção e apoio político da Câmara e via esfumar-se a ampla maioria absoluta que antes o apoiara.
Depois da disputa política ter estado ao rubro (até surgiu um blogue de gente anónima com o único intuito de participar na campanha), Novembro foi o mês do reencontro, do encerramento do ciclo eleitoral. No sábado, dia 19, todos os adversários se encontraram no almoço-homenagem que celebrou os 50 anos da vida literária de Arsénio Mota. Fechou-se o ano com uma bela prova de maturidade política e cívica. Uma celebração de bairrismo.

BC

10 de agosto de 2014

CARLOS LUZIO continua a pescar sonhos.

Carlos Manuel dos Santos Luzio 
10.08.1947 - 27.09.2004   
foto cedida por Vanda Rafeiro

És o oásis onde campeia a minha liberdade,
Paraste o tempo para que eu tivesse sempre a mesma idade
20.11.1990,
Carlos Luzio, (Oásis).
 in Pescador de Sonhos


Lançamento do livro de poesia  'Pescador de sonhos'  (02.10.2005)
" ...a fronteira entre o mundo poético e o universo pessoal se revela muito ténue, quase inexistente" ( Michelle Mota).

1 de agosto de 2012

S. Lourenço de Bustos

faltam 8 dias para o início dos festejos deste S. Lourenço muito especial.
Especial, porquê, perguntarão os mais distraídos?
As respostas são 3 e simples de dar:
1ª - A imagem do S. Lourenço de Bustos é diferente das demais imagens com que o Santo da Igreja é retratado por esse mundo fora. 
A nossa é a mais bonita de todas, pois claro, mas gostos é coisa que não se discute. Muito menos se discute a fé de cada um, crente ou nem por isso.
2ª - No dia 10 de Agosto de 1947 nasceu um poeta de Bustos, um Pescador de Sonhos.
3ª - Porque o S. Lourenço de Bustos é mesmo especial, ponto final, mesmo que a hierarquia católica se mantenha equidistante, longe das paixões dos povos por onde o padroeiro se divide.
Como o S. Lourenço também é do povo, cada comunidade tem direito a achar que o seu S. Lourenço é venerado num único lugar do mundo cristão: aquele onde vive cada devoto do Santo.

Resta-me lembrar-vos que o então diácono Lourenço foi assado na grelha  em 10 de Agosto do ano de 258.
Cerca de 54 anos depois, o imperador romano Constantino converteu-se ao cristianismo. Poucos anos depois, convenhamos, para os tempos que se viviam.
Se o suplício de S. Lourenço ocorresse nos dias de hoje, a comunidade internacional demoraria uma eternidade a julgar e punir o vil e cruel imperador Valeriano, autor moral da morte do nosso Santo.
A explicação também é simples: embora as roupagens sejam outras, o mundo mudou muito pouco desde 258 depois de Cristo.
Só encontro uma explicação: os poderosos de hoje são discípulos dos cruéis imperadores romanos.
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Imagem do cartaz do programa das festas, cedida pelo Tony da Artser, a quem o NB agradece.
A imagem voltará ao altar do NB, já com a publicidade dos generosos patrocinadores.

21 de março de 2009

LA COGYDA Y LA MUERTE (Federico García Lorca) e MOCÍMBOA DA PRAIA-11Jan71 (Carlos Luzio)

LA COGYDA Y LA MUERTE
(um excerto)


A las cinco de la tarde.
Eran las cinco en punto de la tarde.
Un niño trajo la blanca sábana
a las cinco de la tarde.
Una espuerta de cal ya prevenida
a las cinco de la tarde.
Lo demás era muerte y sólo muerte
a las cinco de la tarde.
(…)
A las cinco de la tarde.
¡Ay qué terribles cinco de la tarde!
¡Eran las cinco en todos los relojes!
¡ Eran las cinco en sombra de la tarde!
(Federico García Lorca,

Fuente Vaqueros (Granada), 1898 – Granada, 1936, fuzilado com mais 29 republicanos pelos nacionalistas de Franco no Cemitério de Granada)
Poema integrado em ‘Pranto para Ignacio Sánchez Mejías’.
Com a devida vénia foi xtraído de ‘Federico García Lorca’,
Antologia Poética, org. por José Bento,
Relógio D’Água,
1993

*






MOCÍMBOA DO ROVUMA - 1971

(excerto)

(...)

E num segundo
Como se fosse o fim do mundo
Uma terrível explosão
Pedaços de um corpo espalhados na picada
Um fumo negro e espesso
A esconder ferros torcidos
Um castigo que não mereço
(...)

16.Maio.04

Carlos Luzio
(Bustos, 10.08.1947 - 27.09.2004)
Pescador de Sonhos
editado por um Grupo de Amigos de Carlos Luzio,
2005

3 de outubro de 2012

SÍLIA DA SILVA SANTOS - FALECEU. Era viúva de Manuel Simões Luzio Júnior

a
SÍLIA DA SILVA SANTOS
(Viúva de Manuel Simões Luzio Júnior)
24.03.1923 - 3.10.2012

FALECEU

ADEUS, MÃE

Queria que nascessem flores
No teu regaço
Como nasci eu,
Para pores na minha campa
Se eu morrer …
Queria sonhar
Ter sonhos inocentes
E sentir o amor
Das tuas finas mãos
A afagar-me os cabelos
Se eu morrer …
Só não te quero ver chorar
Quando partir …
Cuida as flores do teu jardim
Que se também morreres
Algum dia, alguém as há-de apanhar …

                       Funchal, 04.Agosto.1970

 (in Carlos Luzio, “Pescador de Sonhos”,
 Dedicatória à Mãe,
edição póstuma, Bustos-2005).

Sília da Silva Santos – viúva de Manuel Simões Luzio Júnior – faleceu hoje, com 89 anos de idade.

O Corpo estará amanhã – 4 de Outubro.2012 – na Casa Mortuária da Freguesia de Bustos, onde as exéquias do funeral terão início pelas 18H00, com ‘Missa de Corpo Presente’.

Um abraço de condolências a
António Feliciano dos Santos Luzio
Élia Santos Luzio
Paulo e Diana

E demais Familiares.
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foto enviada por sérgio pato