31 de julho de 2008

FÓRUM 2009 JÁ MEXE

Aproveitando um convite do Carlos Alberto, filho do saudoso Pompeu dos Frangos, um pequeno grupo de bustuenses viajou ontem à noite até ao famoso restaurante da Malaposta.
Fez-se um pequeno balanço do encontro do passado domingo, que registou o recorde de 161 presenças. Este ano, a limitação do espaço impediu a adesão de mais pessoas, razão porque teremos de pensar num local mais amplo e melhor adequado ao número crescente e cada vez mais abrangente de adesões.
Já agora: seria agradável aproveitar o espaço do antigo Bustos Sonoro Cine, bem ali no centro da nossa terra, assim dando o nosso contributo para reavivar um espaço com grandes tradições recreativas e culturais. Um espaço que parece ter morrido, de tal forma ali jaz esquecido e abandonado, bem no centro histórico da nossa freguesia. E que tal dar-lhe um pouco de vida, passando por cima (ou ao lado, se preferirem) do facto de 2009 ser ano de eleições autárquicas? Se calhar até dava jeito, sabida que é a gana com que todos os partidos aproveitam as campanhas eleitorais para prometer para Bustos mundos e fundos…

O “notícias de bustos” e o seu antecessor “do passado e do presente” têm-se referido ao espaço - que foi único, no tempo e no espaço - e, sobretudo, a esse homem de grande visão que foi António Ferreira da Silva, um conterrâneo emigrado no Brasil que nos princípios dos anos 30 do séc. XX apostou no progresso de Bustos duma forma inédita para a época. António Ferreira da Silva chamou a esse espaço Centro Recreativo de Instrução e Beneficência.
Sobre o Centro e o grande bustuense que lhe deu vida, podem consultar textos
AQUI, ALI e mais ALÉM.

Vá lá: haja ideias e gente com vontade de fazer do Fórum de Bustos / 2009 um marco histórico do encontro com as nossas RAÍZES!
*
oscardebustos

29 de julho de 2008

BUSTOS ENSAIA REGRESSO À MÃE ROSA?

A proposta do programa “Agir para Ligar” que tem na Associação dos Municípios da Ria [AMRia] a entidade principal da sua gestão, privilegia o investimento no capital social da região e na [manutenção do] rumo para a “Qualificação das Pessoas e das Organizações”.

“Pela dinâmica de qualidade e confiança criada na Região através das iniciativas Aveiro Digital e pela rede de agentes territoriais que se representam a [AMRia] apresenta-se como o melhor promotor público desta proposta cuja operacionalização exige a cooperação de todos os agentes regionais com especial destaque para a Universidade de Aveiro.”

A Junta de Freguesia [do cantão] de Bustos entendeu ou defendeu (e defende?) os «seus computadores» de cela, qual cavaleiro das grandes figuras dos romances medievais.

Foi uma opção, confortavelmente tida como bem fundamentada.

Só que …
… em Bustos há (houve) interessados em frequentar os “cursos oferecidos pela novas oportunidades”,

… em Bustos há monitor preparado para apoiar os candidatos aos benefícios da valorização académica

… em Bustos há um espaço preparado pela Câmara para receber computadores do ‘ping-pong’ (CDS-PSD).

… em Bustos há cidadãos que tiveram de se deslocar à capital de Oliveira do Bairro em horário pós-laboral para receberem formação que poderia ter sido recebida na sua terra.

… em Bustos há uma Junta que não ajuda a valorização dos seus concidadãos, porque está no direito de não poder autorizar a transferência dos computadores.
___
Uma proposta para o jogo terminar no ping:
Já que é na biblioteca que eles deveriam estar - salvaguardada a condição de segurança - a Câmara não terá verba para adquirir novos computadores para a "biblioteca fixa" mais antiga do concelho?
Nota do editor:

E “paciânsia” para os candidatos beneficiários dos programas das “novas oportunidades” - a Mamarrosa vai ter condições para receber a vizinhança ávida da obtenção dos diplomas.
[será o prenúncio do regresso às origens ou estará a ser dado o primeiro passo para a revisão administrativa que já tarda, mas que ninguém lhe quer pegar por trazer perca de votos? Entretanto o contribuinte vai desembolsando para sustentar o funcionamento da máquina do enxame da administração pública de uma população concentrada numa estreita faixa do litoral.]

E siga a rusga
sérgio micaelo ferreira

28 de julho de 2008

COMPUTADORES DO PING-PONG

Os serviços da biblioteca de Bustos vão para banhos em Agosto. É da tradição.

É menos um sítio para afiar a tesoura indispensável ao corte apurado e para “bisbilhotecar” [1] jornais, revistas, que a super-gerência camarária e alguns amigos têm abastecido o escaparate das novidades.

Sem pretender ser exaustivo, estão à disposição para consulta os jornais ou revistas, indicados na devida desordem:
Diário de Notícias; Público; Diário de Aveiro; Litoral Centro; Região Bairradina, Região de Águeda; Jornal da Bairrada; National Geographic; Pais& Filhos; Exame; Saúde e Lar; Bustos à Lupa; Auto Magazine; … um apreciável número de publicações para uma terra ultra-periférica e toponimicamente desconhecida.

A retirada do serviço de internet marca o abandono da biblioteca. A instalação do serviço do projecto Averiro Digital no edifício da Junta de Freguesia de modo algum veio colmatar a falta do serviço da internet na «bibiblioteca».

A instalação de pontos para tomadas de energia eléctrica criou esperança que a sala pequena da biblioteca seria dotada do serviço da internet, mas eis que respeitáveis engulhos burocráticos poderão estar a impedir que computadores do “projecto digital” sejam transferidos para a ‘biblioteca’.

O suposto bloqueio da Junta de Freguesia até está ser benéfico para a Câmara, já que poupa em consumo de energia, de material e até no seguro pois a sala não oferece condições de segurança.

(E se os computadores ‘da Junta’ estiverem avariados, o melhor é continuarem onde estão, sempre dão para uma fotografia de propaganda).
[1] - termo frequentemente usado pelo 'cronista da vila', Ulisses O Crespo.
sérgio micaelo ferreira

27 de julho de 2008

UDB [2008/2009] - COMISSÃO ADMINISTRA


A UDB PREPARA O LX ANIVERSÁRIO
A União Desportiva de Bustos vai comemorar com pompa o sexagésimo aniversário (1948 – 2008). O programa está a ser a ser delineado com minúcia. Segundo fonte oficiosa, haverá um evento exterior ao “Estádio Dr. Manuel dos Santos Pato” a prometer grande impacto na população.
Será o momento da grande confraternização dos unionistas, de recordar todos os que contribuíram para manter viva a chama do futebol em Bustos e ... a oportunidade para angariar os tão necessários fundos.

O primeiro fim-de-semana de Outubro vai falar “UDB”.

COMISSÃO ADMINISTRATIVA DIRIGE A UDB (2008/2009)
Os destinos do clube são dirigidos por uma Comissão Administrativa em que participam duas senhoras que já fizeram tirocínio em várias funções do “união”.
NB deseja uma época sem sobressaltos financeiros e desportivos.
Eis a composição da Comissão Administrativa:
PresidenteBeatriz Costa
Vice-PresidenteEduarda Vieira
SecretárioJosé Espadilha
TesoureiroNoé Vilar
VogalDr. Fernando Vieira.

Presidente da Mesa da Assembleia-Geral … Jó Duarte
Presidente do Conselho Fiscal … Fernando Luzio.

26 de julho de 2008

Recordações da Escola

Poema do coração

Eu queria que o Amor estivesse realmente no coração,

e também na bondade,

e a Sinceridade,

e tudo o mais, tudo estivesse realmente no coração.

Então poderia dizer-vos:

"Meus amados irmãos,

falo-vos do coração",

ou então:

"com o coração nas mãos".

Mas o meu coração é como o dos compêndios.

Tem duas válvulas (a tricúspida e a mitral)

e os seus compartimentos (duas aurículas e dois ventrículos).


O sangue ao circular contrai-os e distende-os

segundo a obrigação das leis dos movimentos.


Por vezes acontece

ver-se um homem, sem querer, com os lábios apertados,

e uma lâmina baça e agreste, que endurece

a luz dos olhos em bisel cortados.

Parece então que o coração estremece.

Mas não.

Sabe-se, e muito bem, com fundamento prático,

que esse vento que sopra e que ateia os incêndios,

é coisa do simpático.

Vem tudo nos compêndios.


Então, meninos!

Vamos à lição!

Em quantas partes se divide o coração?

*

António Gedeão, “Linhas de Força”, 1967, edição do autor

*

Este poema de António Gedeão faz-nos lembrar os tempos de aprendizagem da escola primária. O nome verdadeiro deste poeta era Rómulo (Vasco da Gama) de Carvalho e foi professor de físico-químicas no que então se chamava liceu. Ainda me lembro bem do compêndio de físico-químicas, da sua autoria. Guardo religiosamente este seu livro de poemas, que comprei no meio da crise académica de 1969.

*

oscardebustos

22 de julho de 2008

JORGE MICAELO (Dr.) NA PRIMEIRA PESSOA -2

3-Futebol



Nos meus tempos de estudante, era eu, o Neo Pato, o irmão, o Sérgio e outros, o pessoal de bustos… e queríamos, nas férias, jogar futebol

Era director o Manuel Tavares da Silva, então um rapaz novo, quando fundámos os Azuis de Bustos, que se inscreveram logo nos campeonatos oficiais e ajudaram Bustos a desenvolver-se no campo desportivo. Quando me formei entendi que era chegada a altura de fundar a União Desportiva de Bustos, porque sempre me preocupou a união do povo da minha terra.”

4-Associação de Beneficência e Cultura (ABC)



Todos os anos se faziam as comemorações do 18 de Fevereiro e havia duas comemorações, a oficial e a popular. Agora há a oficial. Este ano, por exemplo, não houve sequer um jantar. Entristeceu-me muito e vou dizer porquê: É que em 1978 houve um jantar do 18 de Fevereiro esteve o vice-presidente da Câmara, o Dr. Alberto da Palhaça que no final fez um discurso onde nos disse reparem nos votos do povo de Bustos, eles votam em todos os Partidos. Eu senti aquelas palavras como um sinal de desunião e foi que comecei a pensar em fazer qualquer que fosse a favor da união de todo o povo. A ideia de criar o ABC começou com as palavras do Dr. Alberto…

Andei a pensar em fazer uma reunião e em quem é que deveria convidar para essa reunião. havia um dia em que ninguém iria negar vir a minha casa, era o 1 de Novembro, o dia de ir ao cemitério. Convidei o Rodolfo, o falecido Tenente José Coelho, o Miguel Barbosa, o Manuel Pernagorda, o Fernando Luzio, o José Luís, o Alcino Caetano da Rosa, o Hilário Costa, o Padre Teixeira, o Liberal e todos vieram.
Eu comecei assim: Tenho muita pena meus senhores mas em Bustos nós temos dinheiro, não temos mais nada! Vocês fizeram alguma coisa por Bustos pelo desenvolvimento de Bustos, pela união do povo de Bustos? Disse isto para os espicaçar. E fomos reunindo em segredo, avançando a ideia de comprarmos o Palacete do Visconde.

Eu conhecia a família do Cura Mariano e fui com uma comissão, foi num domingo de Páscoa e a família estava reunida em Águeda. Antes tínhamos feito uma reunião em minha casa e tínhamos chegado à conclusão que conseguíamos reunir seis mil contos. Comecei por perguntar se estavam dispostos a vender. Vendemos sim senhor, disseram, e eu apresentei a proposta dos seis mil contos, que foi aceite. não falámos nas condições de pagamento. Mas na segunda-feira de Páscoa telefonei a perguntar se tinham mudado de opinião. Disseram que não e eu respondi que também nós mantínhamos a intenção, mas que não tínhamos falado nas condições de pagamento. Pagam isso em 3 anos, dois mil contos por ano… e nós, sim senhor, aceitámos.”

21 de julho de 2008

JORGE MICAELO (Dr.) NA PRIMEIRA PESSOA


1-Estudos

“Fiz a Escola Primária aqui na casa ao lado da minha casa. Fui para a Escola aos sete anos, o meu pai foi-me levar. A professora sentou-me numa cadeira ao fundo da sala e não mais me dirigiu palavra. Ao intervalo voltei para casa e o meu pai perguntou-me, “o que é que estás aqui a fazer?”, respondi que me tinha vindo embora porque não estava na Escola a fazer nada. me obrigou a voltar… Esta é uma história de que me lembro bem.

Fui fazer a 4ª classe a Oliveira do Bairro. Estive dois anos no colégio de Oiã e depois fui para o Liceu de Aveiro, onde estive cinco anos e fiz sempre parte do orfeão.

Dos 120 alunos que em Julho de 1939 fizeram exame de admissão à Universidade eu fui um dos 50 que passei. Tinha 18 anos.

Aos 20 anos fiz a inspecção militar e fiquei apurado. Se reprovasse um ano sabia que seria incorporado. fiz o meu curso sem sobressalto e terminei em 1945.”



2-Medicina

Em 1946, como podia frequentar o Hospital da Universidade até Fevereiro o que é que eu fiz? Pensei: Eu vou ser médico da aldeia, vou é aproveitar estes meses e vou para a maternidade praticar partos. Assim fiz, o que me deu um novo alcance na minha vida profissional. Fiz centenas de partos

Comecei a fazer medicina por aqui, por Ouca, depois Palhaça e Nariz. Estive também em Oliveira do Bairro. Mais tarde o Dr. Pato pediu-me para me especializar como a anestesista, que precisava de um. voltei para Coimbra para aprender. E aprendi.

Tive uma vida sempre muito ocupada.

Sempre gostei de ser médico mesmo no tempo das avenças. Agora toda a gente pensa em dinheiro, naquele tempo não. Havia uma ligação com as famílias que agradeciam o meu trabalho com milho, galinhas e outros bens.”

Depoimento recolhido por Belino Costa
(continua)

18 de julho de 2008

JORGE NELSON: A ORIGEM DO NOME

Jorge Nelson Simões Micaelo, filho de António Simões Micaelo e Rosa dos Santos Silva, nasceu em Bustos pelas duas horas da madrugada do dia 10 de Fevereiro de 1921.

As referências que encontramos no livro de fim de curso (aqui publicado no passado dia 14) dizem-nos que, pelo menos em Coimbra, o nome de Jorge Nelson era associado ao do grande almirante inglês que, em 1805, comandou a frota inglesa na batalha naval de Trafalgar.

“Ao Micaelo do Trafalgar” escreve o colega e amigo José Maria Atentista, enquanto Ramos Lopes dedica os versos que escreveu ao “ao velho Almirante”. A esta natural associação de nomes veio Ulisses Crespo contrapor uma nova explicação, num texto aqui publicado em 11 de Novembro de 2006.

Segundo o “cronista da vila” foi o padrinho, Manuel Reis Pedreiras, que escolheu o nome do petiz em homenagem ao Tenente George Nelson Smith. Vale a pena voltar a recordar esse interessante texto ainda que até agora, e apesar das muitas consulta realizadas, não tenhamos encontrado documentação ao qualquer referência que comprove a existência do referido tenente, alegado membro do exercito inglês durante a 1ª Grande Guerra.


Foto de Benoliel/Arquivo Municipal de Lisboa


MANUEL REIS PEDREIRAS & ANTÓNIO OLIVEIRA CRESPO

PRISIONEIROS EM LA LYS

Relato de uma história, narrada por um dos seus protagonistas [1] na esplanada da Cervejaria Imperial, no Alto Mahé, em Lourenço Marques (Maputo).

Soavam os clarins a anunciar às nossas tropas que iriam participar com as forças aliadas na primeira Guerra Mundial em França. Do contingente faziam parte pessoas de Bustos. A saber, Manuel Simões Mota, Manuel António Martins, Manuel António Ferreira, Álvaro de Oliveira Canão, António de Oliveira Crespo e Manuel Reis Pedreiras os quais foram distribuídos por diversas companhias.

Acontece que, António de Oliveira Crespo e Manuel Reis Pedreiras, são destacados para La Lys, onde a 9 de Abril de 1918 teve lugar um cruento combate com as forças alemãs. As tropas portuguesas sofreram grandes baixas. Enquanto os que puderam, fugiram em debandada, o Manuel Reis Pedreiras e o António de Oliveira Crespo, foram feitos prisioneiros.

Ora, naqueles campos irregulares, lamacentos e escabrosos era impossível o acesso, quer a ambulâncias quer de qualquer carro ligeiro, o inimigo resolveu utilizar os prisioneiros como transporte humano dos seus feridos.

A guerra e o instinto de sobrevivência aguçam o valor e a astúcia dos homens, levando-os a cometer actos heróicos. Assim aconteceu com os nossos conterrâneos. Assim, o primeiro a ser submetido foi o António que, debilitado e faminto, além do fardo do inimigo, levava também o armamento e a marmita atestada de comida.

Durante o trajecto, o ingrato ferido, não cessou de golpear na cabeça o seu transporte e de o buzinar com "Durch deine schuld feizer', como quem diz, "é por tua culpa que estou aqui ferido". O Crespo, extenuado e irritado com a ingratidão da sua humana carga, perdeu a cabeça e, ao passar por uma ribeira com um pontiIhão formado por três troncos de árvore, lança o infame à ribeira.

A FUGA

Acto contínuo, liberta-o do armamento e víveres, abandona-o sem olhar para trás e parte em busca do companheiro. Caminha ao acaso, a fome e o medo são a sua única companhia. Pouco tempo depois, avista o Reis Pedreiras submetido ao mesmo suplício. Aproxima-se sorrateiramente e, com a arma em riste, ordena ao amigo que se alije da sua carga. O Manuel, ainda o tenta dissuadir do seu intento e fazer-lhe ver as consequências que daí poderiam advir. Inabalável, o Crespo, repetiu a ordem com cara de poucos amigos e, contundentemente, rematou, "É tempo de viver ou morrer, vamos optar pela primeira." Quando isto ouviu, o Reis Pedreiras, liberta-se do abominável fardo, apodera-se do seu armamento e provisões e encaminharam-se para o abrigo da mesma fatídica trincheira. , enquanto saciam a fome, são surpreendidos pelo barulho dos blindados inimigos que inspeccionavam os terrenos circundantes juncados de cadáveres.

Os dois intrépidos camaradas, guiados pelo medo, lançam mãos das armas e correm tresloucados ao longo da trincheira disparando ao acaso simulando, deste modo, vários atiradores. Assim o supôs o inimigo que, receando um ataque do contingente, optou pela retirada.
Os dois camaradas, viram com júbilo a retirada do inimigo e congratularam-se pelo êxito da sua estratégia. Fortalecidos pelo êxito e com o moral em alta, deixaram a execrável trincheira tal bravos leões saídos da espessura da floresta.

"Oh, Crespo, acelera o passo! Não venham por os Teutões em nosso encalço”.

Longo foi o tempo que caminharam sem destino através de campos devastados pela guerra. Caminhavam resolutos em busca de libertação, animados com a esperança de encontrar os camaradas ou algum sítio onde pudessem descansar.

Como prémio da sua constância, tiveram a felicidade de serem interceptados por uma patrulha militar inglesa, comandada pelo tenente George Nelson Smith o qual lhes deu todo o apoio. Depois, foram levados para o acampamento português onde, após o expediente de rotina, relataram a sua epopeia.
Em Portugal, as famílias soçobravam com falta de notícias.
Quando as partes litigantes acordaram terminar a guerra, os audazes combatentes regressaram à sua terra na qual foram recebidos com festa, não pelo seu heroísmo ou pela extraordinária epopeia vivenciada, mas com a alegria de terem voltado com vida de tão sangrento conflito.


JORGE MICAELO (Dr.) AFILHADO DE MANUEL REIS PEDREIRAS
Manuel Reis Pedreiras, oriundo de família mais abastada, foi recebido com outros e melhores atavios. Algum tempo depois, a sua irmã Rosa, casada com António Simões Micaelo (António Simão) dava à luz um filho e convidou o Manuel para padrinho (no registo civil). Convite que prazenteiramente aceitou. Ao infante foi posto o nome de JORGE NELSON em homenagem ao comandante inglês do mesmo nome.
Eis, pois, explicada a origem de JORGE NELSON, de família SIMÕES MICAELO o qual viria a ser, dezenas de anos mais tarde, o primeiro médico formado em Bustos.


NOTA À MARGEM
Se este episódio tivesse ocorrido com militares de alta patente, em vez de obscuros soldados rasos, talvez tivessem sido condecorados. Todavia, na vida sempre houve "dois pesos e duas medidas" e o povo anónimo, faz a história, mas dela é excluído.
Estes tiveram a glória de contar a sua história a este modesto cronista que, aqui a relata em sua homenagem.


Em homenagem À GENTE DE BUSTOS.

Ulisses de Oliveira Crespo, cronista da vila.

[1] António Crespo

17 de julho de 2008

As nossas fichas da Escola

Durante o convívio do FORUM 2008 serão distribuídos pequenos quadros com a reprodução da ficha escolar dos interessados.
A Comissão agradece que os pedidos sejam feitos até 5ª feira da próxima semana (24 de Julho), de forma a dar tempo para imprimir cada uma das reproduções.
*

- Contactar qualquer dos elementos do grupo de trabalho de casa, ou pedir por correio electrónico, telefone, ou outro método visível (são permitidos sinais de fumos).
oscardebustos@gmail.com;
belinoc@gmail.com;
alberto_martins_@hotmail.com
Telemóveis: oscar (962 074 219); alberto (914 288 847); romão da azurveira (912 361 612); belino (919 944 222)
*
A dificuldade em agrupar as imagens levou-me a retirar várias do texto primitivo. Ficou a ficha mais antiga (1941/47).
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oscardebustos

15 de julho de 2008

Dr. Jorge Micaelo,... um abraço!

Lição por Lição

… E assim, lição por lição

Que a pouco e pouco aprendemos

De outros – a outros daremos,

Que a muitos outros darão!

António Aleixo este livro que vos deixo … (vol.2), Notícias editorial, 10ª edição. Lisboa, 1999

O Fórum bustuense já pertence ao calendário anual da diáspora de Bustos.

A sua origem pode ser entroncada nos convívios de participação muito restrita de bustuenses, conforme a matriz delineada por Arsénio Mota., entretanto em 2003 a comissão ad hoc entreabriu as portas para alargar a participação aos antigos alunos da escola do Corgo.

O apartheid do sexo desmoronou com o anúncio do “Fórum” 2005, uma “iniciativa aberta a toda a gente” [1].

Despido de preconceitos, os convívios proporcionam uma revisita às raízes de vários ontens de Bustos e permite uma espreitadela ao Futuro, visto através do telescópio do imaginário.

De ano para ano as comissões organizadoras vão apurando a qualidade do evento. Um claro sinal de pujança.

PAINÉIS DA ESCOLA – apelam à escolaridade obrigatória

O Fórum Bustos’2008 traz à montra principal duas personalidades pintadas nos azulejos decorativos da escola velha (Célia Simões Ferreira e Mário Simões Aires 28.06.1925 * 5.09.1950 [A] - este, falecido prematuramente)

Para além da arquitectura do edifício e da arte da azulejaria, os painéis, onde os alunos se mostram cuidadosamente vestidos, equipados de sacola recheada, e de semblante alegre, em minha opinião, representam um cartaz de propaganda a favor da escolaridade obrigatória, tão acarinhada pelo ideal republicano.

Recorde-se que a escola, pensada por Jacinto dos Louros e seus correligionários, foi construída no tempo da Ditadura e já concluída no Estado Novo, segundo a supervisão da Junta de Freguesia de Bustos. A Comissão Administrativa da Junta era formada por Homens que partilhavam da preocupação republicana em combater o analfabetismo, daí entender que os painéis da Célia e do Mário teriam o objectivo de apelar aos pais que mandassem os filhos à escola…

[A] informação Óscar Santos inserta em comentário FÓRUM 2007: UMA RECRIAÇÃO A ABRIR, editada em NB a 7.7.08

“ESPECIAL SAUDAÇÃO DE HOMENAGEM” PARA O DR. JORGE MICAELO

A 27 de Julho, as setas da sinalização irão convergir para a antiga “Zona Azul” do Sobreiro, próximo da fronteira com a Palhaça.

Vem à memória os jantares de convívio da União Desportiva de Bustos, no então Rafael e a primeira grande homenagem prestada ao Dr. Jorge Micaelo por ter atingido a Reforma. O almoço acontecia no Salão de Baile da GAFOL e mais tarde salão Duarte Nuno – Palhaça. Para o êxito deste evento contribuíram muitos bustuenses, a que não foi alheia a estratégia desenhada pelo Humberto «Chico».

Curiosamente, do local de Homenagem vislumbra-se a Palhaça onde o Dr. Jorge também exerceu o seu mister, terra onde talvez tenha aprendido a jogar à sueca...

“TERÁ BUSTOS UMA NOVA IGREJA?”

Trintanava o Dr. Jorge e ei-lo a fazer um para a construção de “uma nova igreja em Bustos [seria] uma necessidade não só religiosa mas ainda social e por isso entendemos que todo o povo deve colaborar activamente na sua realização[2]

Mais tarde integra a Comissão de Melhoramentos/60 - grupo de pressão - onde pontifica Arsénio Mota.

O Dr. Jorge com o Eng.º Santos Pato (Néu) e outros solicitam à Junta de Freguesia o alargamento da estrada municipal no limite do Sobreiro, junto ao aqueduto da Feiteira. Os peticionários comprometem-se a pagar o “terreno a expropriar” [3]

...PARA A FIGUEIRA, … Já!...

A completar estas nótulas não posso deixar passar em claro o convívio regular, mantido durante largos anos, entre os três compagnos de route – Eng. Santos Pato (Néu) [23.10.1924 * 01.10.2006]; Dr. Assis Rei e Dr. Jorge Micaelo.

Um trio que tinha carta branca na Figueira da Foz.

*

Até ao próximo abraço marcado para o dia 27 de Julho nos “2 Telheiros”.

________________

[1] in «FÓRUM DE BUSTOS», 2005 - ESPERA POR NÓS

[2] in Jorge N. Micaelo, Terá Bustos uma Nova Igreja? Jornal da Bairrada, 12.05.1951

[3] in Acta da sessão extraordinária da Junta de Freguesia de Bustos “Aos desoito dias do mês de Dezembro do ano de mil novecentos e sessenta. …

“Foi esta convocação feita para deliberar o pedido do Sr. Dr. Jorge Nelson Simões Micaêlo, Engenheiro Manuel Pato e outros, para dar cumprimento ao alargamento numa via pública próximo ao limite entre Troviscal e Bustos, junto ao aqueduto da Feiteira. Visto estes senhores se comprometerem ao pagamento do terreno a expropriar, esta Junta deliberou fazer o alargamento que se efectua quando estiver pago todo o terreno a expropriar”.

sérgio micaelo ferreira

___________________________

Fórum Bustos’2008

(Comissão promotora operária):

Alberto Martins

António Romão

Belino Costa

Óscar Santos

___________________

14 de julho de 2008

Dr. JORGE MICAELO: ANOS DE COIMBRA


Os anos de Coimbra (1939- 45) valeram ao jovem Jorge Nelson Simões Micaelo bem mais do que o curso de medicina. No convívio estudantil ele descobriu a importância do associativismo e o prazer do canto. “Orfeonista e futebolista”, nos dizeres do livro de fim de curso que hoje aproveitamos para aqui recordar:


Jorge Simões Micaelo

Nem é loiro nem moreno,

Desde a pele à côr do pêlo,

Todo ele é caroteno.

É menos magro que gordo,

Nem é baixo, nem é alto;

Canta, assobia e ao falar,

O “R” tem um ressalto.

Tem processos infalíveis

P’ra nos fazer afinar;

Certos ditos, certas graças

Tudo … p’ra chatear.

No cinema, às matinées

Sempre escolhe as vizinhanças:

Umas lindas outras feias

Umas bravas…outras mansas.

É orfeonista e futebolista

Uma boa peça

Menina, aqui para nós:

- Interessa?

Ao velhoAlmirantecom um abraço oferece

Ramos Lopes



É de Bustos. Da Bairrada

Este doutor;

Mas nada de embusteiro,

Sem favor;

É franco, bom rapaz e com piada,

Falador

Mas desde que o conheço, com artes de matreiro

Nas lides do amor.

…………………

Perguntas de t’aceita, Japonesa?

Faz o enxoval, prepara as bodas!

Gosta muito de ti, tenho a certeza,

Pois que ele afinalgosta de todas.


Ao Micaelo do Trafalgar

Oferece o colega e amigo

José Maria Atentista


13 de julho de 2008

Manuel Barroco: chão que dá uvas

O Manuel Horácio de Almeida Barroco é dos meus tempos da escola primária. Nasceu em 1947 e, como todos nós, também passou pela escola das nossas aflições de miúdos. Ainda fez 2 anos de liceu em Aveiro (1959/60), mas cedo emigrou para a América, como era dos usos entre os filhos da emigração.
Acabou por concluir o liceu na Califórnia, em Richmond e Sonoma. Este último condado é vizinho do famoso Napa Valley, a mais conhecida região dos vinhos americanos.
Mas era tempo de garantir a cidadania americana, o que passava por bater com os costados na guerra do Vietnam. Foi o que aconteceu ao sargento artilheiro Barroco em 1967/68, altura em que o James também se passeou pelos arrozais vietnamitas até levar com os estilhados duma granada que quase o fazia subir aos céus. A malta que passou pela Escola de Bustos nos anos 40 e 50 andava a perder a vida e a razão pelas guerras de África e do Vietnam, a soldo das bestas que nos governavam.
Quis a sorte que o Manel regressasse aos States, onde continuou os estudos, até que em 1971 por lá conhece uma rapariga de Anadia (Maria Isabel Ferreira Rangel), com a qual junta os trapinhos. Por lá lhes nasceram os 2 filhos, o Gabriel e o Daniel, acabando a família por regressar de vez a Portugal em 96, assentando arraiais na casa do Ti Agostinho Barroco, ali na rua baptizada de David Pessoa.
Antes de regressar à terra-mãe o Manel já produzia umas uvas numa quinta de 40 acres (cerca de 18 hectares) que o avô Manuel Almeida tinha em Orlando, metade plantada a oliveira e metade a vinha onde predominava a casta “zifandel”.
A partir de 1999 e com a preciosa ajuda dos filhos passou a dedicar-se à vitivinicultura, acrescentando terrenos aos que o quintal já comportava e plantando 3 castas francesas: cabernet sauvignon e merlot (tintos) e chardonnay (branco). O Manuel já vai nos 28.000m2 de vinha, ali no sítio que os antigos chamavam de Juncal e onde predominam os solos de textura franco argilosa, com declives orientados a sul.
Com o apoio do PAMAF (Programa de Apoio à Modernização Agrícola e Florestal) passou a constar do Registo Central Vitícola e inscreveu-se como vitivinicultor/engarrafador sob o n.º 4036, o que significa que apenas comercializa o que produz.
A 1ª produção de tinto é de 2005 e foi classificada como DOC/Bairrada. Deu-lhe o nome de Valejo (que significa pequeno vale e lembra a cidade onde vivia – Vallejo).
Num tempo de crise e do cada vez maior abandono da vinha, o Manel Barroco arriscou ser o 1º vitivinicultor de Bustos a classificar e comercializar os seus próprios vinhos.
Mas ficam desde já a saber que Bustos teve em tempos um produtor e engarrafador, de que falarei um dia destes. Aqui vai uma achega: quem se lembra do vinho da marca "Cepal"?
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No FORUM 2008 teremos 2 vinhos de prova: o Valejo do Manuel Barroco e o Ponte da Pedra, um excelente Bairrada tinto da colheita de 2001, saído da Adega Pompeu, que o Carlitos não é pessoa de deixar os seus créditos por mãos alheias. À mesa teremos outro excelente tinto de 2006, do Manel.
Outra surpresa estará à nossa espera, com direito a reprodução da ficha escolar de cada um dos presentes. A colaboração vem do premiado fotógrafo que escolheu Bustos para local do seu estúdio. Falo do Adriano Felipe, já
AQUI lembrado.
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NR - Os nossos tonéis eram a internet do antigamente: permitiam-nos viajar no espaço e ficar sábios sem sair do mesmo "sítio".
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oscardebustos