16 de julho de 2016

A. C.Arrais - Portugal na Eurocopa – 2016 (O orgulho de ser Português). MARÉ ALTA – 12.07.2016



                                                        




Foi um final emocionante. Vi brasileiros meus amigos chorarem de emoção, ao me verem igualmente emocionado ouvindo e cantando o Hino Nacional português. Não existem estatísticas, mas penso que a seleção portuguesa teve como seus torcedores 90% de brasileiros.

Heróis do mar, nobre povo, / Nação valente, e imortal! / Levantai hoje de novo, / O esplendor de Portugal! / Entre as brumas da memória, / Ó Pátria, sente-se a voz / Dos teus egrégios avós, / Que há de guiar-te à vitória!

Resido há mais de 20 anos no Nordeste do Brasil que dista cerca de 2450 km de São Paulo, onde morei desde que cheguei a esta pátria irmã (1951/1994). Após a memorável conquista do caneco da Eurocopa pela seleção portuguesa, recebi telefonemas e e-mails de amigos e parentes, daquela cidade brasileira(SP) cumprimentando-me pelo importante feito da seleção lusa, como se eu tivesse alguma participação em tal façanha futebolística. Tudo isto, claro, se deve a uma simples curiosidade: Embora seja eu, detentor de dupla nacionalidade, ao vir para o Brasil eu passei a ser, para sempre, brasileiro em Portugal; enquanto no Brasil, nunca deixei de ser considerado português.
“Dois países do meu coração” - ACA
Pensando mais tarde sobre o feito da epopeia impensável do selecionado português, senti-me possuído por um filme de pequenos momentos desse universo do esporte das multidões – pequenos momentos, porém sempre tristemente lembrados - que envolveram ao longo dos tempos, a história do futebol dos dois países do meu 
coração:


Veio-me à lembrança a copa de 1966 disputada na Inglaterra. Naquela ocasião, Portugal surpreendeu o mundo com uma seleção preciosa que teve onze pérolas raras que só não foram campeões pela sacanagem inglesa (sacanagem usurpadora, aliás, sempre presente em todas as suas relações históricas com Portugal, em todos os tempos). Pois, nesta Eurocopa, eu me senti gratificado com a eliminação daquela prepotente Inglaterra, enquanto o meu Portugal caminhava a passos firmes rumo à conquista de seu objetivo, com uma determinação bem focada.

Grande feito: Terceira Colocada na Copa do Mundo de 1966. Conquistou a melhor colocação na história da seleção portuguesa em mundiais. Time base: José Pereira (Carvalho); Morais, Baptista, Vicente e Hilário; Jaime Graça e Mário Coluna; José Augusto, Eusébio, Torres e Simões. Técnico: Otto Glória.

O outro pedaço de filme envolveu a seleção brasileira: Num primeiro momento abriu-se-me a mente para o desastre recente da última copa mundial disputada no Brasil, na qual a seleção brasileira foi derrotada e eliminada pela Alemanha por um humilhante placar de 7 x 1. E na sequência meus pensamentos me levaram até à Copa de 1998, na França, cuja final foi disputada entre Brasil e França, quando a seleção francesa conquistou seu primeiro troféu da Copa Mundial de Futebol.
 A história desta copa nos dá conta que o craque da seleção brasileira, Ronaldo, então recém eleito o melhor jogador do mundo, naquela fatídica madrugada de 12 de julho de 98, havia sido acometido de uma mal súbito, jamais convincentemente esclarecido, o que determinou psicologicamente a derrota antecipada da seleção canarinho.






Meus amigos, me questionavam, sobre a minha preferência de adversário para a final, com a seleção portuguesa já classificada com a primeira inquestionável vitória de Portugal nas quartas de final. Eu preferi, e assim me manifestei sempre, ter como adversária para a derradeira disputa, a seleção francesa. E desta forma a seleção brasileira estaria sendo vingada, primeiro pela eliminação da seleção alemã. Depois, certamente, viria a vingança afrontosa para a seleção francesa, numa final que se me afigurava, resultaria na maior conquista do meu Portugal.

Às armas, às armas! / Sobre a terra, sobre o mar! / Às armas, às armas, / Pela Pátria lutar! / Contra os canhões marchar, marchar!

Atento ao caminho percorrido pela seleção portuguesa, eu tinha uma observação preocupante de ordem tática: A seleção estava muito dependente de um jogador notável, sem dúvida, mas do qual dependia exclusivamente o sucesso ou o fracasso da respectiva seleção: O finalização de todas as jogadas estavam demasiadamente centralizadas nesse único jogador.

Desfralda a invicta bandeira, / À luz viva do teu céu! / Brade a Europa à terra inteira: / Portugal não pereceu. / Beija o sol teu jucundo / Ó Oceano a rugir d’amor, / E teu braço vencedor / Deu novos mundos ao Mundo!

Todavia, quis o destino que esse fabuloso super homem se machucasse. Para mim, esta ocorrência foi determinante para o desfecho positivamente desejado:





Retirado das quatro linhas, Cristiano Ronaldo passou a ser fundamental longe do esférico. Seu assessoramento técnico, foi marcante, servindo-se magistralmente de sua influência e capacidade de liderança para com os demais jogadores.

Saudai o sol que desponta, / Sobre um ridente porvir; / Seja o eco de uma afronta, / O sinal do ressurgir. / Raios dessa aurora forte / São como beijos de mãe, / Que nos guardam nos sustêm, / Contra as injúrias da sorte

 “(O título) É uma resposta para nós mesmos, para continuarmos a acreditar que não há nada impossível" (De Éder, autor do gol do título português)

Éderzito António Macedo Lopes, mais conhecido como Éder é um futebolista luso-guineense. Atualmente joga como atacante, pelo Lille, uma equipe francesa. Nascimento: 22 de dezembro de 1987 (28 anos), Guiné-Bissau.
 A luva branca evidenciada pelo jogador Eder, é um símbolo de paz muito apregoado pelo atleta.

Uma simples promessa para o futebol, Éder – colocado em campo pelo técnico numa substituição de raro tato – numa perfeita jogada de ginga de corpo e arranque, culminou com o chute certeiro transformado em gol... Logo depois, o apito final e a encontrável emoção de um delírio total, com o meu orgulho de continuar sendo português.

9 de julho de 2016

BUSTOS - Humberto Reis Pedreiras, O CHICO... E vão 82

Humberto Reis Pedreiras... E vão 82
O Chico, sempre atento, não dispensa a leitura do jornal
Chico, caminheiro atento às “andanças e contradanças” da vida comunitária, ergueu o padrão no dia 8 (ontem) a assinalar o octogésimo segundo aniversário.
in CHICO HUMBERTO tem curriculum invejável
Os próximos garantiram que continua a ser “o Chico” que nós conhecemos.

Um aplauso! 
rossio da póvoa, sérgio micaelo ferreira 

28 de junho de 2016

Escola Pública - Armando Humberto (Professor Universitário)

Escola Pública (*)



“os principais problemas da escola pública do estado (…) não se resolvem eliminando a concorrência”
Existe hoje um grande consenso sobre a importância do estado manter uma rede pública de escolas que garantam a todos o acesso a educação de qualidade. A questão que se tem vindo a colocar é se as escolas que fazem parte desta rede têm que ser obrigatoriamente do estado, ou não.

Esta é certamente uma questão que merece reflexão, e por motivos que procurarei explicar entendo que não só faz sentido como é importante que haja na rede pública escolas geridas por outras entidades que não o estado. Mas entendo também que as escolas da rede pública não podem ser um negócio, e por isso devem ser propriedade do estado ou de entidades privadas que não visam o lucro. Pois o que está em causa é um serviço público, que deve ser prestado a todos com qualidade e de forma indiscriminada. Dito isto, qual é então a razão pela qual faz sentido termos escolas geridas por outras entidades que não o estado na rede pública. Desde logo para garantirmos a diversidade. A rede pública de escolas é um sistema complexo que pode melhorar, estagnar ou até regredir. A existência de escolas com modelos de gestão diferente colocam no sistema uma pressão, uma concorrência, que se for salutar, contribui para a evolução do sistema como um todo. E não se minimize este aspeto. A escola pública do estado evoluiu muito nos últimos anos, não só em condições materiais, mas acima de tudo no seu funcionamento. Mas as escolas com contrato de associação continuam a ter a vantagem de poderem constituir e manter um corpo docente estável. A verdade é que na maioria das escolas públicas do estado a precaridade do seu corpo docente, com constantes mudanças de escola, com constantes incertezas, com viagem diárias de muitas horas, origina um desgaste enorme nos professores. E este é hoje um dos principais problemas da escola pública do estado, que não se resolve eliminando a concorrência.
Mas há a questão demográfica que não podemos ignorar, e que no imediato obriga os políticos a agirem com bom senso e a perceberem o que é que está envolvido em cada caso. Desde logo a perceberem qual é o projeto educativo de cada município, a importância de cada instituição neste projeto educativo, a perceberem qual é a história que está por de trás de cada instituição, qual é o sentir de cada comunidade e também qual o impacto da escola no próprio desenvolvimento de cada concelho. Olhemos para o caso de município de Oliveira do Bairro, hoje constituído por 4 freguesias, que num passado recente eram 6. Temos duas freguesias, Oliveira do Bairro e Oiã, que fruto de melhores acessibilidades, se industrializaram mais, tendo as outras permanecido mais rurais. O IPSB surge em Bustos, na década de 1960, para responder às necessidades da população local e evoluiu ao longo dos anos, essencialmente com investimento público e com o envolvimento da comunidade. É hoje um pólo de atração da zona poente do nosso Concelho, trazendo movimento e ajudando a fixar pessoas. Ao querer retirar-se, na secretaria, o IPSB da rede de escolas públicas, está a destruir-se um projeto de sucesso, com alunos, acarinhado pelas populações, e que prestou um enorme serviço durante décadas às nossas populações. Mas está também a amputar-se um projeto educativo Concelhio alicerçado nas escolas do agrupamento, e no IPSB. 

Um projeto que até pela distribuição geográfica das escolas, dá coesão ao nosso Concelho. Será que todos os alunos que sairão do IPSB irão para o agrupamento? Muitos irão para Aveiro, Anadia, e Vagos, contribuindo para uma desagregação cada vez maior do nosso Concelho e para um sentimento de um certo abandono que progressivamente se vai instalando na União de Freguesias de Bustos, Troviscal e Mamarrosa, que tem vindo a perder vários serviços de proximidade, e corre o sério risco de perder mais um, a sua Escola. Já não vou aqui falar do facto do IPSB ser um dos maiores empregadores e dinamizadores da freguesia, e de haver o sério risco de se estar também a criar um problema social muito grave. Será que tudo isto foi equacionado? Será que alguém com bom senso e conhecimento da realidade acredita que aquilo que se vai ganhar é mais do que aquilo que se vai destruir?
________
(*) Artigo editado no Jornal da Bairrada, 16.06.2016. p6

27 de junho de 2016

Dr. ASSIS FRANCISCO REI FALECEU. ..FUNERAL Hoje, DIA 27, pelas 18H00 em Bustos na Casa Mortuária.

dr. assis francisco rei
faleceu

O Funeral realiza-se hoje (segunda-feira), dia 27 de junho’2016, pelas 18H00, na Casa Mortuária, junto à Igreja de Bustos.
O féretro seguirá para o Cemitério de Bustos.

Uma solicitação: “Era vontade [do Dr. Assis Rei] que no seu funeral as pessoas, se assim o desejassem, oferecessem um donativo a uma instituição, em vez de  um ramo de flores”.
Funeral Dr. Assis Francisco Rei
 Os nossos sentidos pêsames  a seus Filhos: Adília Maria da Silva Rei Costa, Norberto Assis da Silva Rei e Margarida Rosa da Silva Rei, Nora, Genros e demais Família.

23 de maio de 2016

Fundamentalismo, Oportunismo e Burrice (1) - Governo de Costa versus Ensino Privado

Fundamentalismo, Oportunismo e Burrice (1), artigo de Armando Humberto - PS Oliveira do Bairro 

[Governo de Costa versus Ensino Privado -  contratos de associação]


Nas recentes comemorações do 25 de Abril tive a oportunidade de proferir um discurso, na Assembleia Municipal de Oliveira do Bairro, onde defendi a opção clara que o PS fez em 1974 pela da defesa “de um regime democrático de inspiração europeia, um regime de base parlamentar. Um regime solidário, solidário entre gerações, solidário entre classes sociais, com aqueles que mais podem a financiar um serviço de saúde para todos, e um sistema de educação integrador e capaz de aproveitar e estimular as potencialidades de todos”. Disse também que “temos vivido tempos dominados por radicalismos, sejam eles de direita liberal ou de esquerda radical.”





E como homem de esquerda tenho a certeza que a melhor forma de combater os radicalismos da direita não é com radicalismos, nem fundamentalismos de esquerda. A recente intenção do governo de cortar a direito nos contratos de associação é um desses fundamentalismos em que não me revejo de todo.
Não será de mais salientar a importância de mantermos e aprofundarmos uma escola integradora, uma escola que perceba que o ponto de partida das crianças é diverso e por isso as respostas também têm que ser diversas, e que é uma aberração querermos logo no final do primeiro ciclo realizar exames para avaliar e começar a seriar. De resto o mesmo se aplica à saúde, temos que ter um sistema de saúde que permita o acesso a cuidados de saúde a todos com qualidade. Escola e saúde de qualidade para todos são de resto dois dos pilares mais fundamentais da utopia de Abril, que temos todos a obrigação de aprofundar. 
A escola e a saúde são tão importantes que o estado deve ter uma posição dominante nestes setores, daí a importância de zelarmos pela escola pública e pelo serviço nacional de saúde, mas a nossa escola e a nossa saúde foram construídas em diversidade, num regime de coexistência entre público e privado, porque se entendeu que os privados podem trazer investimento que é necessário para dar resposta às necessidades das pessoas, e porque se entendeu que os privados podem trazer novos métodos, inovação ao nível da organização e gestão que pode melhorar o sistema como um todo. De resto a introdução do regime fundacional no ensino superior, por um governo do PS, é exatamente um passo claro neste sentido. E de resto, este foi o entendimento dominante no Portugal de Abril. Um entendimento que hoje por mero fundamentalismo e oportunismo se quer colocar em causa. Aquilo que se passa no ensino é em tudo análogo ao que se passa na saúde, com a existência de operadores públicos e privados ambos a prestarem serviços e a serem financiados pelos impostos de todos nós. Mas ninguém propõe, pelo menos para já, acabar com essa situação na saúde. Porque para o fazer o estado teria que construir dezenas de novos hospitais e não tem meios para isso. No ensino é diferente, fruto da redução do número de alunos, o estado pode descartar os privados sem ter que realizar qualquer investimento. Mas nortear a política assim é puro oportunismo, e a política deve ser norteada por valores. E o valor fundamental é o da escola e da saúde de qualidade para todos, e isso é uma tarefa gigantesca e de enorme importância, que precisamos de aprofundar todos os dias, e para a qual precisamos de mobilizar a nossa sociedade. Não precisamos de colocar público contra privado, isso foi aquilo que o anterior governo fez, foi colocar privado contra o público, funcionários dos privados contra funcionários público, pessoas no ativo contra reformados. Daí a burrice!


Esta medida poderá ter um enorme impacto, na nossa região, onde ao longo de décadas quatro projetos educativos cooperativos se enraizaram nas nossas comunidades: o IPSB em Bustos, o Colégio Salesiano em Mogofores, o Colégio da Nossa Senhora da Assunção em Famalicão, e o Colégio de Calvão em Vagos. Querer acabar com estes projetos educativos, ou querer coloca-los em causa desta forma, é puro fundamentalismo ideológico, oportunismo e burrice. Esta gente, que hoje quer avançar com este disparate, desconhece a realidade, ou melhor só conhece a realidade vista de um gabinete de Lisboa. E para que fique desde já bem claro, não contem comigo para prestar servilismos a Lisboa.
Armando Humberto
…………………

(1) Armando Humberto Pinto, “Fundamentalismo, Oportunismo e Burrice”, artigo publicado Jornal da Bairrada, 2016.05.12.Sub-título e ilustração da responsabilidade de sérgio micaelo ferreira.

18 de maio de 2016

Sessão Municipal Comemorativa do 25 de Abril, INTERVENÇÃO de Armando Humberto (PS-Oliveira do Bairro) (*)

Sessão Municipal Comemorativa do 25 de Abril, INTERVENÇÃO de armando Humberto (líder de bancada do PS-oliveira do bairro) (*)

Abril de 74 foi uma época de crise, a revolução colocou em causa os alicerces da sociedade de então.
A revolução colocou em causa a guerra colonial, a política colonial, o regime politico, e toda uma estrutura social onde a pobreza era passada de geração em geração, e onde havia muito pouca mobilidade social.
A revolução colocou tudo em causa, a revolução fraturou a sociedade.
Havia aqueles que não acreditavam na utopia revolucionária e defendiam que o nosso povo não se saberia governar em liberdade.
Havia aqueles que não queriam deixar pedra sobre pedra e queriam transformar por completo o regime, transforma-lo num regime de inspiração soviética.
E ainda havia os outros, aqueles que queriam ver Portugal com um regime democrático de inspiração europeia, um regime de base parlamentar. Um regime solidário. Solidário entre gerações. Solidário entre classes sociais, com aqueles que mais podem a financiar um serviço nacional de saúde para todos, um sistema de educação integrador e capaz de aproveitar e estimular as potencialidades de todos. Este não era o caminho mais fácil, mas foi aquele que os portugueses souberam escolher.
De uma ou de outra forma, com mais ou menos erros, todos os governos desde então procuraram aprofundar este caminho, e a verdade é que ajudado com fundos comunitários, Portugal sofreu uma transformação profunda. A democracia foi consolidada, criaram-se infraestruturas, melhoram-se todos os indicadores de saúde pública, desenvolveu-se o ensino, a investigação, internacionalizou-se a indústria, enfim, deixámos de estar condenados ao Portugal pobre e triste e tornamo-nos num país mais aberto e mais apto para competir numa economia global.
Mas nem tudo foi perfeito, cometeram-se erros, não fizemos tudo aquilo que poderíamos ter feito e ficámos vulneráveis.
E a crise de 2011, com a consequente vinda da Troika, veio novamente abalar os alicerces na nossa sociedade. Por ventura não de forma tão violenta como a revolução o fez, mas de forma igualmente profunda.
Temos de um lado o pacto de estabilidade e do outro o estado social.
Armando Humberto Nolasco (PS-Oliveira do Bairro) na Sessão da Assembleia Municipal comemorativa do 25 de Abril

Temos aqueles que nos dizem que para defender o pacto de estabilidade temos que reduzir ao mínimo o serviço nacional de saúde, o sistema de ensino e a segurança social. Dizem-nos que temos que abandonar tudo aquilo em que alicerçamos a nossa coesão social, o nosso desenvolvimento no pós-25 de abril. Dizem-nos que temos que voltar ao Portugal pobre e triste, onde o berço determinava em grande medida o quanto longe se podia chegar. Onde a dureza da vida levava ao desperdício do talento de muitos.
Temos também os outros, aqueles que nos dizem que temos que mandar o pacto de estabilidade para as urtigas, para salvar o estado social. Como se, hoje, fosse possível, para um economia pequena e periférica como a nossa, sair da zona Euro sem com isso provocar um enorme empobrecimento de todo o nosso povo.
Tenho para mim que ambas as soluções, sacrificar o estado social para salvar o pacto de estabilidade, ou sacrificar o pacto de estabilidade para salvar o estado social, nos iriam conduzir ao mesmo sítio, a um Portugal pobre e triste, desertificado e reduzido a ser o Algarve da europa.
Mas há ainda outro caminho, que é o de não prescindirmos nem do pacto de estabilidade nem do estado social. É um caminho difícil? Por ventura será, mas é aquele que temos que seguir. E só o conseguiremos seguir se estivermos unidos, se recuperarmos os consensos sobre aquilo que é o essencial.
Temos vivido tempos dominados por radicalismos, sejam eles de direita liberal ou de esquerda radical. Temos perdido demasiado tempo a salientar aquilo que nos divide em vez de nos unirmos para defender aquilo que nos une.
Temos todos, os pelo menos aqueles que acreditam em Abril, de nos unirmos para garantir que colocamos a nossa economia a crescer, porque só produzindo, e nós não estamos disponíveis para abdicar disso, é que será possível salvar o pacto de estabilidade e o estado social.
Nós não vamos abdicar de nenhum deles, porque não estamos disponíveis para abdicar de um Abril que nos leve a sermos um país europeu de corpo inteiro, um país que permita que cada um aqui nascido, possa aqui desenvolver todo o seu potencial, todo o seu talento, com orgulho no seu país.
Viva o 25 de Abril, Viva Portugal
Armando Humberto
(Membro da Bancada do PS na AM de OB)
………………….
(*) Armando Humberto Nolasco pronunciou o seu discurso perante as seguintes entidades
:Exmo. Sr. Presidente da Assembleia Municipal
Exmo. Sr. Presidente da Câmara
Exmos. Srs. Vereadores
Exmos. Srs. Presidentes de Juntas de Freguesia
Exmos. Colegas desta Assembleia
Exmos. Srs. Presidentes das Assembleias de Freguesia, membros das juntas e assembleias de freguesia
Exmos. Srs. Representantes de Entidades Religiosas, Civis e Militares
Exmos. Representantes das Associações Concelhias
Exmo. Sr. Presidente [do Núcleo de Oliveira do Bairro] da Liga dos Combatentes
Exma. Sr.ª Diretora do Agrupamento de Escola de Oliveira do Bairro,
Exma. Sr.ª Diretora do IPSB
Exmo. Sr.º Diretor do IPB
Exmos. Srs. Ex-Autarcas
Exmos. Srs. Jornalistas
Ex.mo. Público
Minhas Senhoras e Meus Senhores
Minhas Meninas e Meus Meninos



...é urgente que sejam os educadores a falar para os economistas!

Por André Moreira
Mais importante do que os economistas falarem para educadores, é urgente que sejam os educadores a falar para os economistas
Um projecto educativo, à escala nacional ou ao nível de escola, exige meios e isso envolve questões económicas. Por isso mesmo a economia deve ser o meio – e a educação o fim; nunca o contrário. Numa sociedade que quer ser civilizada, o desenvolvimento económico deve ser pensado como uma estratégia útil e necessária para que as pessoas possam dedicar mais tempo à cultura, ao conhecimento e à interacção humana. E ao prazer estético e à capacidade de transcendência. Se pensarmos nos intervenientes políticos actuais, tudo poderia estar a bater certo. Mas não está.
Ao longo da história, a espécie frágil que somos (não somos especialmente velozes nem fortes, não vemos no escuro) aprendeu a contornar as ameaças externas – as condições atmosféricas, os predadores, a necessidade de se alimentar - ao ponto de elas já quase não a ameaçarem. Para fazer isso, desenvolveu sua racionalidade técnica. Um indivíduo por si só, quando colocado em frente de um urso ou um de leão, pouco pode fazer; no entanto, se carregar consigo a técnica adequada, derrota-o sem dificuldade. Assim, o risco que corremos hoje em dia não é o de sermos destruídos por causas externas: é o de sermos destruídos por nós mesmos. E, para enfrentarmos esse risco, a racionalidade técnica não vale de nada. Pelo o contrário: frequentemente, ela volta-se contra nós.
Uma sociedade que enfatize excessivamente a técnica é uma sociedade que se destruirá. Hoje, dependemos muito menos da racionalidade técnica, já bastante desenvolvida, e muito mais de consolidar a nossa capacidade de estabelecer regras e normas para uma convivência civilizada. E é este o papel insubstituível da educação e dos educadores. Neste nosso mundo, os sistemas de educação são um dos últimos espaços que podem ser essencialmente comunicativos, voltados para trabalhar valores e fins, para valorizar a dialéctica e a própria linguagem centrada na palavra. Espaços privilegiados para a interacção humana, portanto. E não para meras operações para subtrair números e somar preconceitos e confusões avulsas.
Se queremos desenvolvimento, a economia e a técnica têm de ser usadas olhando para as pessoas, porque são elas o centro de qualquer projecto (cá está o "nosso palavrão" outra vez!) sustentável. E são os educadores que sabem disto. Por isso, mais importante do que os economistas falarem para educadores, é urgente que sejam os educadores a falar para os economistas.
Só merecerá ser chamada de civilizada uma sociedade que trate a educação efectivamente como um direito das pessoas, como uma prática voltada para alargar os seus horizontes humanos – como um fim em si e não como um instrumento para adequar as pessoas à voracidade de um mercado cada vez mais enlouquecido e dominado pelo fetiche da posse ou da falta dela e pela constante necessidade de pagar as crises que outros geram e onde, depois, proliferam, justificando tudo. E já cansa.

André Moreira é professor no IPSB, é de Aveiro, mas está, desde criança, ligado a Bustos, onde passava dias a brincar no largo da feira. Hoje faz parte do corpo docente no âmbito das Artes, é responsável pela IPSBTV e co-responsável pelo Grande Prémio Frei Gil de protótipos solares desde a primeira edição. Músico por devoção, ainda encontra tempo, entre os inúmeros projetos que impulsiona, para ser, a título completamente gracioso, baixista no Grupo de Cantares de Bustos, há mais de meio ano.

16 de maio de 2016

ADELINO GOMES TRAZ MEMÓRIAS DE ABRIL AO IPSB



Pela mão do jornalista Belino Costa, nosso conterrâneo, com a coordenação do Grupo de História do IPSB, veio até nós um dos repórteres de Abril, possivelmente aquele que mais intensa e espontaneamente viveu Abril na peugada de Salgueiro Maia, seu amigo da escola. Falamos de Adelino Gomes que conseguiu trazer, até aos nossos alunos, gritos de vitória, gritos que ainda hoje, não sendo onomatopeias, fazem lembrar correntes a partir-se, janelas a abrir!...
A sessão começou como uma encenação de alunos e professores com textos alusivos à Liberdade de Abril. Cantou-se o "E depois do Adeus" que desbloqueou as janelas de Abril e ouviu-se o Grândola Vila Morena que as escancarou. Tivemos uma certa impressão de que os nossos ilustres convidados foram apanhados de surpresa por esta iniciativa e que gostaram da plataforma que lhes estendemos para motivar ainda mais os nossos alunos para a importante mensagem que nos trouxeram.
Adelino Gomes trouxe-nos Abril como até agora o não tínhamos escutado: na primeira pessoa, da primeira linha, do topo de uma guarita da guarda onde Francisco Sousa Tavares proferiu um discurso improvisado que marcou a revolução portuguesa na História das revoluções de todo o mundo.
E, bem ao jeito daqueles que vêem ao longe, Adelino Gomes levou-nos até bem lá atrás, às Crónicas de D. João I de Fernão Lopes, para compreendermos melhor as pistas que o passado nos dá para, de forma mais livre e informada, aprendermos a fazer escolhas no futuro.
Gritou-se Liberdade! "Ensinou-se" Liberdade!

Obrigado Belino Costa!
A nossa escola não é um mundo fechado. Muito antes pelo contrário! Obrigado por acreditar que vale a pena partilhar connosco este sal da nossa "portugalidade"!








3 de abril de 2016

Governo prevê “Verão escaldante” na revisão do mapa das freguesias



JORGE TALIXA 
03/04/2016 - 00:24
Reforma da reforma operada pelo Governo PSD/CDS deve entrar em vigor a tempo de os órgãos autárquicos a eleger em 2017 entrem em funções já no novo quadro.
O secretário de Estado das Autarquias Locais, Carlos Miguel, revelou este sábado que a revisão do mapa das freguesias está na “agenda” do Governo e antecipa polémica. “Vai ser um tempo escaldante, muito possivelmente para este Verão. O que o Governo tem na agenda é avaliar e revisitar a questão do mapa das freguesias e só há duas certezas: nem tudo vai voltar ao que era e nem tudo vai ficar como está. Não voltaremos às quatro mil e tal freguesias, mas não ficaremos só com as actuais três mil e tal.”
Em Alenquer, onde assistiu à apresentação do Plano Estratégico de Desenvolvimento Territorial municipal, o governante acrescentou que a nova revisão do mapa das freguesias, uma iniciativa do Governo PSD/CDS que ditou fusões que implicaram o desaparecimento de 1168 freguesias,  “é uma matéria da Assembleia da República, na qual o Governo vai ter iniciativa”. “Tudo se conjuga para que seja proposta uma lei-quadro, que fixe os parâmetros para juntar ou desagregar freguesias ou municípios. É importante que haja critérios e condições definidas. O Governo está empenhado nessa situação”, garantiu Carlos Miguel, frisando que, quer na descentralização de competências quer na revisão do mapa das freguesias, o objectivo do executivo é ter boa parte destas questões definidas até ao início de 2017, para que os novos órgãos autárquicos que resultem das eleições locais do próximo ano entrem em funções já no novo quadro.
O secretário de Estado anunciou ainda que o Governo pretende aprofundar o programa de modernização administrativa Aproximar, lançado pelo anterior Governo, e criar condições para que todas as freguesias do país tenham a funcionar na sua sede um “balcão do cidadão”. Segundo Carlos Miguel este caminho vai avançar já este ano e o Governo vai apresentar, em Maio, uma proposta alargada de descentralização de competências às associações nacionais representativas dos municípios e das freguesias e às comunidades intermunicipais.
No entender de Carlos Miguel é preciso fomentar equilíbrios entre as zonas urbanas e as rurais e criar condições para que as populações das freguesias tenham acesso a serviços nos seus próprios territórios.


Jornal  Público

22 de março de 2016

MANUEL RUIVO (Natural de Covões) é Diretor do Centro Distrital de Aveiro - Segurança Social


Manuel Ruivo foi nomeado Diretor do Centro Distrital de Aveiro do Instituto de Segurança Social E. P.
Manuel Ruivo - diretor do Cenro Distrital de Aveiro (Instituto de Segurança Social, EP)

 Personalidade que conhece a instituição, será uma mais valia, dado o seu relacionamento afável em todos os graus da hierarquia que tão bem conhece.  
Sendo natural de Covões (Cantanhede, Coimbra), Bustos continua a ter um vizinho diretor na mega instituição que apoio social.
Bons êxitos nas novas funções.

créditos: foto colhida em
https://www.facebook.com/photo.php?fbid=819172948094143&set=a.219730024705108.64134.100000043367256&type=3&theater

sérgio micaelo ferreira