25 de Novembro de 2014

AOS POUCOS VAI CAINDO O PALACETE DE BUSTOS/ABC

Aí está mais um inverno para ajudar a complicar os problemas do "abandonado" palacete da ABC. Desta vez a derrocada aconteceu no alpendre como podem ver nas fotografias de Sérgio Pato. 





Entretanto o torreão, que já foi identificado como o "mais grave problema", vê a situação a piorar e a olhar pelas janela escancarada ninguém se parece preocupar com o assunto...
Passaram-se meses sobre a promessa de que se iriam desenrolar negociações com a Câmara Municipal em busca de um projecto que permitisse reabilitar o edifício.  Passaram-se meses e nada aconteceu.  Mas o inverno, seguramente,  não deixará de acrescentar novas páginas a esta história que começa a tornar-se humilhante para o povo de Bustos.


NATAL É NO COMÉRCIO TRADICIONAL!


Iniciativas de Natal da ACIB para o Comércio Local

A ACIB – Associação Comercial e Industrial da Bairrada vai promover, durante o mês de Dezembro, várias iniciativas com o objectivo de promover o comércio local, durante a época natalícia.

De 01 a 31 de Dezembro, iremos realizar o Sorteio de Natal do Comércio Tradicional dos Concelhos de Anadia e Oliveira do Bairro, que pretende promover e dinamizar o comércio tradicional, incitando os consumidores a fazerem compras no comércio local. Este sorteio consiste na entrega de uma senha, num máximo de cinco senhas por compra, ao cliente, por cada 10€ de compras efectuadas durante o mês de Dezembro, nas lojas aderentes, que o habilitará ao sorteio. Os estabelecimentos não associados da ACIB poderão inscrever-se no Sorteio, devendo, contudo, formalizar a sua adesão à Associação. Para tal, devem contactar a ACIB.

A ACIB vai promover também mais uma edição do Concurso de Montras de Natal, de 15 a 25 de Dezembro, em colaboração com as Câmaras Municipais de Anadia e de Oliveira do Bairro. O objectivo desta iniciativa é tornar o comércio tradicional mais apelativo durante a época natalícia e embelezar as ruas do concelho no decorrer deste período. Os resultados do concurso serão divulgados publicamente na semana de 22 a 26 de Dezembro. O concurso está aberto a todos os espaços comerciais dos concelhos de Anadia e de Oliveira do Bairro

A inscrição no Sorteio e no Concurso deve ser formalizada na sede da ACIB ou na delegação de Anadia. As inscrições estão abertas até ao dia 26 de Novembro para o Sorteio e até ao dia 05 de Dezembro para o Concurso de Montras, de acordo com os regulamentos, que se encontram disponíveis na Associação. Os estabelecimentos aderentes às iniciativas estarão devidamente identificados com um dístico, sendo feita divulgação dos nomes nos meios de comunicação locais.

Brevemente, a ACIB irá divulgar o programa da animação de rua durante o mês de Dezembro.

Estas iniciativas têm o apoio das Câmaras Municipais de Anadia e de Oliveira do Bairro, bem como o patrocínio do Grupo Tavares (Vila Verde), Intermarché (Oliveira do Bairro), Supermercados Ponto Fresco (Mamarrosa/Oiã), Hotel Paraíso (Oliveira do Bairro), ElectroSilvério (Bustos), Lavandaria Bela Oiã (Oiã), Casa do Sargento (Malaposta), Brigotintas (Oiã), Mãos Sábias (Bustos), Quinta do Ortigão (Anadia), Restaurante Stop (Oiã), Lojas Hello (Anadia), Churrasqueira Brasão (Anadia), Óptica Ribeiro (Oiã), Perfumaria Pó D’Arroz (Anadia), Perfumaria Naturadélia (Oliveira do Bairro), Natur Nuá (Oiã), Medicértima (Oliveira do Bairro), Minigolfe da Costa Nova, Piratas da Ria, Caixas de Crédito Agrícola de Anadia e de Oliveira do Bairro, Rádio Província e Jornal da Bairrada

21 de Novembro de 2014
Contactos:
Responsável pelo Departamento de Relações Públicas
Nome: Joana Costa
Telefone: 234 730 320
Telemóvel: 932 303 280

23 de Novembro de 2014

“BUSTOS EM CUECAS”, A RÉCITA QUE NUNCA ACONTECEU

Entre os papéis da falecida professora Zairinha encontrava-se um livro de contas com uma única folha escrita. Mas, nas colunas de deve e haver, em vez dos números encontra-se a ata de uma reunião da direção da Revista “Bustos em Cuecas”. Estávamos em 10 de janeiro de 1938, passavam nove dias sobre a última apresentação do espetáculo no Centro Recreativo de Instrução e Beneficência de Bustos, a última de que há notícia. Nessa reunião para além de outras questões decidiu-se “Que será dada uma récita em benefício das raparigas em Bustos, em dia determinado pela direção.” Tal acabou por nunca acontecer mas da vontade então expressa aqui fica  a recordação.

Publicamos cópia da referida ata, e as notas de Sérgio Ferreira quanto à lista dos subscritores.



A direção da Revista Bustos em Cuecas na sua reunião de 10 de janeiro de mil novecentos e trinta e oito deliberou o seguinte:
Primeiro
Que não sejam considerados sócios até esta data para a divisão de lucros os senhores David Pessoa, Rodrigues Cosme e Emitério Fernandes, por os julgar pagos dos serviços prestados com o produto das suas receitas dadas em seu benefício.
Segundo
Que são de facto considerados sócios nas receitas futuras ficando o senhor Emitério Fernandes com o direito de opção pelos seus honorários como sócio ou como músico.
Terceiro
Que todos os sócios sem distinção de sexo compartilhem igualmente dos lucros da mesma sociedade.
Quarto
Que o encarregado de dar o ponto, senhor Jorge Nelson Simões Micaelo não seja considerado sócio até esta data, mas sim ser remunerado dos seus serviços prestados por quantia estipulada pela direção d’acordo com o grupo em geral.
Quinto
Que o senhor Manuel Simões Micaelo, d’acordo com as suas declarações não é considerado sócio até à presente data, mas podendo ser de futuro se assim o desejar, sendo actualmente remunerado pela direção dos serviços prestados nas récitas anteriores.
Sexto
Que será dada uma récita em benefício das raparigas em Bustos, em dia determinado pela direção:
#Único. Aquele que sem motivo justificado abandonar o grupo após a dita récita perde o direito aos honorários que lhe couberem, sendo mesmo acrescido de multa de cincoenta escudos (50$00).
Bustos aos 13 de Janeiro de 1938


O presidente
Heitor Ferreira
O secretário
Herculano da Silva
O grupo e membros da direção
Manuel Sérgio
João Francisco Pedro Júnior
António Silva Tarrafo
Vergilio Simões da Silva
A rogo-Manuel dos Santos
David Pessoa
Manuel da Silva Tarrafo
Manuel Simões Micaelo
Manuel Augusto da Silva
Laurindo S. Capão
David Correia
Manuel Simões Luzio Júnior
João da Cruz
Sérgio
Emitério Fernando
José Valério Ferreira, filho Francisco…
Ercilia Simões da Silva
Por Estrela Simões: David Pessoa
Por Maria de Jesus Aires: David Pessoa
Clarinda de Oliveira Mota
Maria de Jesus Mota
Maria Rosa Simões
Célia da Silva
Rosa Simões
Lavínia da Silva Correia
Maria Clarinda Martins
Maria dos Anjos
____________________
Notas do Sergio:
Heitor Ferreira, suponho tratar-se do Dr. Heitor.
Tipo de letra.
A  seguir a
‘O O Grupo e Membros da Direcção’ vem o nome do principal responsável da revista ‘Manuel C(ruz) Sérgio & F (Filhos?)’. Quereria dizer que era a Família do Sr.Sérgio (filhos) que apoiavam a peça, inclusive a execução do adereços. Daí surgir o nome do Dr. Heitor,em representação da d. Palmirinha.   
A Firma, então, deveria ter o nome do Pai, o Sr. Manoel Joaquim de Oliveira Sérgio. Caso a estudar, junto do Dr. Rui.

Manuel da Silva Micaelo … Manuel Simões Micaelo Júnior,
 pai de Pompílio Micaelo e outros. O Óscar Micaelo, do Restaurante Micaelo, Sobreiro, único sobrevivente da Família, no massacre de 15 de Março de 1961,é um dos seus netos.
Foi Presidente da Junta da Freguesia de Bustos.
(Escapou à epidemia de ter o nome pendurado na toponímia, graças à contestação promovida pelo Chico em defesa do nome de Rua do Cabeço)
Teve polémica no JB com Hilário Costa, caso da Criação da Feira do Sobreiro, pois esqueceu-se de referir certos nomes que trabalharam para a execução de tal empreendimento.

João Francisco Pedro Junior
Tvz seja o João Pedro, publicado no NB ---JOÃO PEDRO, DE BUSTOS - " UM MÚSICO SINGULAR", 22 de Janeiro de 2010

José Valério Ferreira  “Filho” Francisco ….
É o mesmo José Valério Ferreira, meu Pai.
Francisco Sapateiro, ou Chico Sapateiro, como era conhecido. Tanto que na sepultura apôs ao seu nome Francisco Ferreira, o atributo da sua profissão… Sapateiro.
O Francisco Ferreira Sapateiro, ou Chico Sapateiro, foi registado em Arrifana, foi encontrado no Cruzeiro de Arrifana... Era, portanto um enjeitado. Pai e Mãe incógnitos,
No prolongamento da linha da assinatura do meu Pai, (reconheci a tendência da letra da assinatura),
A inscrição «Filho» Francisco Sapateiro, seguramente, não foi escrita pelo meu Pai.
Explicação? Seria para identificar o Zé Valério, que na altura cumpria a ronda do 25 anos?

O meu Avô Chico Sapateiro  parou de querer mais filhos quando nasceu um rapaz, o Pai Zé Valério.. Teve 5 filhos. A minha Avó foi sempre acarinhada pelo meu Avô, mesmo que ele gostasse de sair das balizas estabelecidas... 

11 de Novembro de 2014

CARLA MARTINHO (ADERCUS) VENCEU EM VAGOS

O fim-de-semana desportivo da ADERCUS foi marcado pela participação em competições de estrada, em Vagos e Nazaré, e de corta-mato, na Amora, com prestações que continuam a colocar as cores da equipa de atletismo bairradina em lugares de destaque.

Decorreu em Vagos no sábado à tarde o 1º Grande Prémio de Atletismo de S. Martinho, que foi uma organização levada a cabo pela Câmara Municipal e Centro de Educação e Recreio, com o apoio técnico do GRECAS. A corrida teve a distância de 8.000m, aberta aos atletas dos escalões de Juniores, Seniores e Veteranos, na qual a ADERCUS marcou presença com um trio de atletas.
Carla Martinho e Paulo Ferreira. ADERCUS em VAGOS.

Carla Martinho foi a atleta que brilhou, tendo sido a vencedora destacada de seniores femininos, superiorizando-se à sportinguista Anália Rosa, 2ª classificada, e a Edna Neves, GRECAS, 3ª.

No sector masculino, Vitor Hugo Ramalho também foi premiado, tendo alcançado o 7º lugar e Paulo Ferreira obteve a mesma classificação nos Veteranos 1, para atletas de 40 a 49 anos.

No domingo de manhã, Gil Ferreira subiu ao pódio da 40ª meia-maratona da Nazaré, tendo sido o 2 classificado do escalão de Veteranos M40 e o 6º da classificação geral, tendo cortado a meta com o registo de 1h13min00seg.

No Seixal, no Parque do Serrado, os atletas da equipa de atletismo da Serena, de Oliveira do Bairro, também marcaram mais uma presença, no 25º corta-mato Cidade de Amora, prova que foi o primeiro momento de observação para o apuramento dos atletas que irão constituir a selecção nacional que irá competir no campeonato da Europa.

Entre os participantes, os atletas que mais se destacaram e que entraram no top-20 foram a Sofia Almeida, 5ª classificada na corrida de Infantis, Beatriz Rodrigues, 4ª nas Iniciadas, Salomé Sousa, 20ª Iniciada, Érica Matos, 15ª em Benjamins, Ana Rodrigues, 17ª nas Juvenis, Débora Santos, 8ª em Sub-23, e Elisabete Azevedo, 10ª em Seniores.








  (ADERCUS)

6 de Novembro de 2014

SARA CARVALHO VENCEU na “XV Carrera Grutear" (Espanha)


Sara Carvalho (ADERCUS) vence em Espanha 
O fim-de-semana desportivo da ADERCUS ficou marcado pela participação de Sara Carvalho em Madrid, numa corrida de estrada, e na maratona do Porto, por um grupo de 5 atletas. Uma semana antes, Gil Ferreira subiu ao pódio dos 20km de Almeirim.

Sara Carvalho correu no domingo de manhã em Espanha os 10.230m da “XV Carrera Grutear” em Alcalá de Henares, Madrid, tendo cortado a meta com o registo de 36min29seg, superiorizando-se às atletas espanholas Irene Gallego (Atletismo Catalunha), que foi a 2ª classificada, e a Beatriz Francos (Canal Isabel II), 3ª. No dia 26 de outubro, a atleta da ADERCUS também esteve em plano de evidência, tendo competido em Lisboa a “corrida do Montepio”, na qual foi a 4ª classificada, tendo sido vencedora da prova a atleta Jéssica Augusto (American Nike), recentemente medalhada na maratona dos campeonatos da europa.
 
No Porto, a ADERCUS esteve em competição com 5 atletas na “Maratona do Porto EDP”, prova que bateu o record de participantes, com 4.042 atletas chegados à meta dos 42.195m de corrida. Joana Nunes estreou-se da melhor forma, tendo sido a 3ª melhor atleta portuguesa, tendo cortado a meta no 5º lugar da classificação geral feminina, com a marca de 2h50min23seg. António Moreira, também estreante, seguia aos 30km como o 3º melhor atleta nacional, mas pouco depois viu-se obrigado a abrandar por má disposição, tendo depois seguido em ritmo de treino até ao fim, acompanhando a companheira de equipa Joana Nunes. Paulo Miguel foi outro atleta que alcançou uma classificação cimeira, tendo sido o 3º classificado Veterano M50 e 30º da geral, com a marca de 2h40min28seg que passou a ser a sua melhor marca pessoal. Seguiram-se Rodrigo Silva, 13º classificado Veterano M50, também com melhor marca pessoal, de 2h54min55seg, e por fim cortou a meta o José Oliveira, 57º Veterano M45, com 3h13min09seg.


Gil Ferreira foi o 4º classificado dos 20km de Almeirim, a 26 de outubro, tendo sido o vencedor da classificação de Veteranos M40. O atleta da ADERCUS seguiu na maior parte da competição integrado num grupo perseguidor do trio de atletas que ocuparam os lugares de pódio da classificação geral, tendo-se isolado aos 16km para cortado a meta com o registo de 1h08min.
(ADERCUS)

4 de Novembro de 2014

Câmara prossegue aposta escolar criticada pelo CDS


Oliveira do Bairro, 03 nov (Lusa) - A Câmara de Oliveira do Bairro (PSD) anunciou hoje a aprovação, por maioria, do Plano e Orçamento para 2015, que apresenta um valor próximo dos 23,5 milhões de euros.
Segundo o presidente da Câmara, Mário João Oliveira (PSD) é "um orçamento de rigor e contenção (inferior a 2014 em cerca de 4,4 milhões de euros), que coincide com a fase final do Quadro de Referência Estratégico Nacional (QREN) e que vai colocar o Município na linha da frente para cativar verbas" do novo Quadro (2014-2020).
"A Câmara de Oliveira do Bairro continuará em 2015 a apostar na área da Educação, que tem levado o Município a ser reconhecido como um "território educativo de excelência", bem como na Ação Social, intervindo nos grupos sociais mais carenciados e no Desporto, com a promoção de estilos de vida saudáveis e a gratuitidade de aulas de natação para todas as crianças em idade pré-escolar".
Para a Cultura, estão previstas ações de dinamização da Biblioteca Municipal, do Quartel das Artes Alípio Sol e do Museu de Etnomúsica da Bairrada. Quanto ao apoio ao tecido económico concelhio, passa por incentivos fiscais e pela promoção do empreendedorismo, através do polo de Oliveira do Bairro da Incubadora de Empresas da Região de Aveiro.
O CDS, principal partido da oposição, com três vereadores, e que já liderou a Câmara de Oliveira do Bairro, absteve-se na votação, sendo a principal razão a discordância com a política educativa seguida.
Segundo disse à Lusa o vereador do CDS Jorge Pato, "a grande referência dos orçamentos dos últimos anos da maioria PSD foram as escolas", num investimento que para o CDS é um exagero.
"Este executivo fez oito novas escolas e sempre dissemos que era um número exagerado e hoje há escolas no concelho que custaram três milhões de euros e que têm cinquenta alunos. Este orçamento continua esse processo, com uma escola em construção numa localidade que tem hoje pouco mais de 40 alunos e vão lá ficar três milhões de euros em paredes", criticou.
A abstenção do CDS é também justificada por ser "um Orçamento de indefinição", com opções "que deveriam ser prioritárias, que continuam sem data definida, como o quartel da GNR, a passagem superior sobre a Linha do Norte entre Vilaverde e Oliveira do Bairro, onde há um estrangulamento por resolver, ou a compra de terrenos para industrializar.
MSO // JGJ
Lusa/fim


3 de Novembro de 2014

30 ANOS DE DEDICAÇÃO TERMINAM COM “DESPEDIMENTO”

Depois de ter sido “despedido” da Fabriqueira da Igreja de Bustos  pelo Padre Arlindo, Manuel Romão escreveu um texto onde se despede do povo de Bustos, apresenta contas e dá a entender que havia quem, por razões pessoais, exigisse o seu afastamento. Aqui fica o seu depoimento:


 Manuel Romão

“Venho por este meio manifestar o meu descontentamento com o Sr. Padre Arlindo. Retirou-me de uma forma arbitrária e sem me dar qualquer explicação. Retirou-me de todas as funções da Fabriqueira da Igreja, dando essas funções a outra pessoa, que chegou a Bustos há pouco.
Durante estes 30 anos sempre estive do lado do Sr.Padre Arlindo e, juntamente com o meu primo Fernando Nunes, demos os primeiros passos para a compra dos terrenos para o Salão Paroquial. Na Venezuela contactei o Manuel Ferreira e a sua esposa Rosa para a compra dos terrenos. Acompanhei também na compra do último terreno, Ana Rosa, filha do Manuel Ferreira e Rosa.
Acompanhei sempre o projecto da obra e a venda do local para o Banco Santander Totta. Dei a volta à freguesia com os colegas da Fabriqueira a pedir dinheiro para as obras se realizarem. Para além da obra paroquial, acompanhei o Sr. Padre a Coimbra por causa da sua doença.

Só porque sou porta-voz nas reuniões de coisas que o povo me reclama, tais como a ocupação do salão por uma Associação que não dá qualquer contribuição para as despesas de luz e água, sou acusado por um membro da comissão, que me queria ver fora da fabriqueira, e que mistura assuntos pessoais que nada têm a ver com a Igreja. Essa pessoa acusa-me de ter prejudicado o filho no caso da averiguação junto do Ministério Público do que se passava na ABC. Na última reunião esse membro disse que se eu ficasse na próxima direção ele se retiraria.

 Carlos Alves e Padre Arlindo ladeando D. Ximenes Belo, em 2009

Também não posso esquecer que na vinda do Sr. Bispo a Bustos, o Sr. Padre Arlindo só agradeceu o trabalho das obras sociais a duas pessoas, esquecendo-se dos restantes membros que tanto trabalharam e que ficaram ofendidos acabando por abandonar a comissão da Fabriqueira da Igreja.

Como fui retirado da comissão, neste momento tenho a obrigação de apresentar contas ao povo. No Banco encontra-se depositado 23.545,79 Euros. Brevemente será feita a escritura da venda das instalações do Banco e serão mais 25.000 euros que darão entrada nas contas. E as obras estão praticamente concluídas.
Também quero aqui dizer que pedi uma reunião ao Sr. Padre Arlindo para esclarecer os problemas e este me respondeu que eu só servia para contar o dinheiro e levá-lo ao Banco.
Com isto me despeço do povo de Bustos que sempre me atendeu quando lhes ia bater à porta a pedir dinheiro!
Será isto que o povo de Bustos merece?

Manuel Romão


31 de Outubro de 2014

FILHO DO MANUEL DO SERAFIM

Crónica de
BELINO COSTA


Maria dos Santos Silva, Manuel Simões da Costa (ao colo) Serafim Simões da Costa e Augusto Simões da Costa


“De quem és filho, meu menino?” Naquele tempo não me era reconhecida identidade própria ou uma existência autónoma. Como ainda não era considerado uma pessoa chamavam-me criança que, o mesmo era dizer, aspirante a ser gente. Aos adultos pouco interessava o meu nome, essa irrelevância.
“De quem és filho, meu menino?” A pergunta vinha lá do alto e o instinto aconselhava-me a responder sem mostrar arrelia, “Sou filho do Manuel Costa”. A ver se assim se resolvia a questão e me deixavam em paz, que é o mesmo que dizer, se esqueciam da minha existência. Engano meu, na verdade tal resposta só ajudava a multiplicar as dúvidas e as irritantes perguntas. Fiquei assim a saber que Manuel Costa não era nome exclusivo. Havia outros, familiares ainda, com a mesma designação, pelo que a minha resposta não permitia uma inequívoca identificação.
Espantava-me aquilo. Era confuso imaginar diferentes pessoas com o mesmo nome, vivendo perto umas das outras. Pobre carteiro!
Vergado perante a complexidade do mundo adulto, fixei o olhar nos sapatos. Foi quando me inquietaram com nova interrogação, “E quem é o pai do teu pai, o senhor teu avô?”
Como se eu não soubesse que o pai do meu pai é meu avô! Apesar de ser tomado por estúpido e só para evitar mais aborrecimentos, respondi sem tirar os olhos do chão, “Serafim…”
Não foi preciso acabar a frase porque, a avaliar pela reação, o único Serafim que havia lá na terra era o meu avô. Só assim se explica a convicção com que o meu interlocutor exclamou, “Ah! És filho do Manuel do Serafim!”
No início com alguma indiferença e depois com algum entusiasmo compreendi que a minha identidade se confundia com a do meu pai, da mesma forma que a dele se confundia com a do meu avô.
A partir de então passei a responder tendo em conta o laço geracional, “Sou o filho do Manuel do Serafim”. Tanto bastava para me assegurar um lugar à mesa de café, mas só no caso de sobrar alguma cadeira depois de todos os outros se terem sentado. O que constituiu um admirável progresso.

Quando chegou o tempo de ir para a escola e se começaram a interessar pelo meu nome decidi manter a versão. E quando me perguntavam, “Como te chamas?” respondia, “Sou filho do Manuel do Serafim”.
Não havia nisso razão profunda ou filosofia infantil, dizia-o para poupar tempo e explicações. Assim não me via constrangido a ter que soletrar o meu nome. Eu dizia Belino e eles entendiam Avelino, Celino, Plino, e mais uma catrefada de nomes acabados em Lino, coisa que acabou por se transformar em verdadeira arrelia. Foi para acabar com esse constante constrangimento que optei por assumir a definitiva condição de “Filho do Manuel do Serafim”, esse porto seguro. Por um lado simplificava e por outro percebia que isso me valorizava, fazia de mim gente aos olhos dos “mais grandes”. Foi o que pude confirmar no dia em que de visita à Feira de Março, em Aveiro, me perdi.
Rodavam os carroceis sonoros e luminosos, borbulhava o óleo onde ganhavam formas as farturas, espalhando um cheiro doce pelo ar. As cores, as músicas e os odores e a correria das gentes saltando de diversão em diversão, ou aboletando-se nas barracas de comes e bebes constituíam um espetáculo de imparável sedução. Perdi-me pois, de tão atento às novidades, de tão curioso. Por causa do rodopio de cheiros e sons, do saltitar dos cavalinhos nos carroceis me esqueci da mão familiar e avancei sem perceber que me afastava. Afinal só queria aproveitar uma nesga para espreitar o que se escondia por detrás das paredes pintadas com bruxas e Dráculas onde rolava o comboio fantasma. Caminhei chamado por uma voz convidando “o estimável público para uma viagem ao susto.”
Pumba! Foi um choque frontal, tal o impacto quando dei por mim a olhar em redor sem descobrir qualquer rosto familiar. Por um breve instante pararam os carroceis, silencioso ficou o comboio fantasma e tudo o que existe no universo se esvaiu num oceano de incredibilidade. Corri sem sentido. Virei à esquerda e, sem parar em frente do Poço da Morte, fui na direção das luzes anunciando Farturas. Ali estanquei, sem forças para fazer andar as pernas. Os olhos fixando as filas das lâmpadas brancas e amarelas brilhando, brilhando, brilhando sem parar. Não precisei de muito tempo para confirmar as minhas suspeitas, estava irremediavelmente perdido.
Tremiam as pernas, pulava o coração. O fio de uma lágrima bordejava-me os olhos e o rosto mostrava uma tão óbvia expressão de pânico que um senhor que por ali passava me interpelou:
“Estás perdido?
Acenei que sim.
“Onde estão os teus pais?”
Não sabia. Mas ganhando um novo alento logo me expliquei sem deixar margem para qualquer dúvida, “Sou filho do Manuel do Serafim. O senhor leva-me à casa do portão grande?”
Dera a informação necessária e fundamental. O homem colocou a mão direita sobre o meu ombro, era uma mão larga agarrando-me como uma pinça, e conduziu-me até à cabine de som onde um senhor gordo, muito encarniçado, interrompeu a programação habitual para fazer o anúncio que se espalhou pelos altifalantes do recinto, “Perdeu-se um menino que diz ser filho do Manuel do Serafim. Espera que o venham buscar à cabine de som.”
Não precisei de esperar muito para reencontrar a família e encerrar tão assustadora experiência. Depois dos abraços e das lágrimas incontidas só tinha um desejo, uma única vontade, voltar para a “casa do portão grande.”
Naquele tempo existiam dois mundos separados por um portão de ferro. A fronteira física era pequena mas aquelas duas portas fechadas sobre si mesmas podiam ser montanhas intransponíveis. Daí o portão me parecer gigantesco apesar de, na realidade, ter um porte modesto. Tudo o que eu conhecia, o meu mundo, o meu território, ficava portão adentro. Lá fora vivia o desconhecido e uma série de vizinhos com quem partilhávamos a rua e a vida.
A rua era de terra batida.  No inverno enchia-se de poças de água, no verão ondulava de pó. Os rodados das carroças e carros de bois ajudavam a formar os bordos e o fundo dos pequenos lagos castanhos pontuando o caminho em tempo de chuvas. Caminhar, ou andar de bicicleta, era uma brincadeira para mim e um desafio para quem pretendesse não molhar os pés ou os rodados.
Havia mais mulheres do que homens e eu era a única criança. As mulheres mais velhas vestiam de preto dos pés à cabeça. Usavam lenço a cobrir os cabelos e cheiravam a fumo e a panelas. A Rosa do Pardal cheirava ainda a mijo. Julgo que nunca terá tomado um banho completo em toda a sua vida, o que se compreende pois ainda não havia casas de banho ou água corrente. As necessidades faziam-se numa retrete estrategicamente situada nos fundos, depois da pocilga e do galinheiro. Mas a  Rosa do Pardal era conhecida por apenas usar a retrete para as urgências sólidas. Quando se tratava de aliviar a bexiga, fazia-o em qualquer canto ou valeta. Abria bem as pernas lá por debaixo da rodada saia preta, inclinava os tamancos para o lado de fora e libertava-se sem mais demora ou trabalho.
Nos dois lados da rua havia sete casas, o resto era campo. Do nosso lado, colando adega com adega ficava a casa do Ti Pedro e da Ti Glória, os meus diletos vizinhos que, à falta de netos e com o filho emigrado na Venezuela, de onde não chegavam notícias, me apaparicavam com pipocas. Logo depois, formando um pequeno gaveto, havia uma casa mais pobre, de adobo sem reboco. Ali vivia Maria Peralta uma mulher marcada com o ferrete de adúltera porque, em sinal de desafio, cometera o gravíssimo pecado de parir três filhos que nunca souberam o nome do pai. Talvez por ter pisado os terrenos do demo tivesse adquirido uma sabedoria tão especial, tão rara, uma força tão especial que até era capaz de espantar o mau-olhado e enfrentar forças maléficas. Uns chamavam-lhe feiticeira, outros, bruxa.

As casas do outro lado da rua tinham as frentes viradas a sul. À esquerda ficava a casa e a oficina do Manuel da Barroca, o ferreiro. Em frente viviam a Ti Palmira com a irmã, a Louca que tinha uma filha, a Vitalina. Eram duas mulheres de pouca sorte, uma por doença e outra por ter sido desonrada por um rapaz que depois a deixou, condenando-a ao celibato.
Depois de uma casa da palha, mais recuada, surgia a casa da Rosa do Pardal, uma viuva que partilhava a existência com pintos, patos, galinhas e gatos, muitos gatos. Fechando a minha área de influência, estabelecendo uma nova fronteira para um terceiro mundo ficava a casa dos meus avós, Maria e Serafim. Também tinha um portão grande, mas este era de madeira. e estava emoldurado por cantaria que no arco superior tinha esculpida uma data, 1916.
O avô Serafim foi o meu primeiro companheiro, o meu primeiro amigo. E nem poderia ter sido de outra forma porque ele era o único com tempo para isso. Ao contrário de todos os outros, principalmente dos meus pais que andavam sempre atarefados correndo de afazer em afazer, o avô Serafim, que caminhava apoiado numa bengala, passava muito tempo sentado. Não era grande falador mas a sua presença, o seu olhar, umas vezes perdido outras fixando-me enternecidamente, bastavam-me para companhia. Eu ia inventando brincadeias com paus, pedras e o que demais houvesse à mão de semear. Às vezes fingia de avô e punha-me a caminhar apoiado numa bengala de fazer de conta. E ele ria-se.
Tinha bigode como a maioria dos homens do seu tempo. Toda a vida foi agricultor, labutando de sol a sol em meia duzia de pequenos terrenos onde produziu  vinho, batatas, milho e o demais necessário para alimentar a família. Sabia ler e tinha um pequeno escritório na frente da casa, antes da adega, onde guardava papéis, livros e documentos.  No fundo da gaveta da secretária andavam perdidas algumas moedas do tempo dos reis.
“Isso não vale nada”, comentava ao ver o meu interesse na esfinge de. D. Luís e D. Carlos. Nem as moedas tinham valor, por isso estavam abandonadas numa gaveta, nem a monarquia era regime admirado. Bem pelo contrário, aquela era uma casa de republicanos. No alto da estante do escritório, Serafim Simões da Costa exibia com orgulho o busto verde rubro da República. E ao lado a esfinge de Eça de Queiroz.

Frequentava a terceira classe quando uma estranha doença começou a reter o meu avô no leito. No início não me preocupei. A ter em conta a minha experiência acreditava que tudo se resolveria tomando comprimidos ou xaropes, experiência que podia ser mais aterradora do que a picada de uma agulha. Odiava xaropes!
Fui multiplicando as viagens pelo carreiro da missa, a caminho da escola, depois entrei para o ensino secundário sem haver notícias de melhoras. Até que numa segunda-feira, dia 3 de março de 1967, me disseram que não ia às aulas, mas para casa do meu primo Luís, em Aveiro. Defendiam-me da dor, protegiam-me do trauma de uma experiência fúnebre.
Não foi assim que o entendi. Provavelmente porque era mais fácil alimentar a revolta por me tomarem por fraco, do que enfrentar a dor. Senti-me enganado e à tristeza juntou-se uma profunda desilusão. Perante os meus protestos e perguntas insistentes os meus pais falaram-me da multidão que se juntou para a cerimónia fúnebre, descreveram-me a emoção, o respeito de toda aquela gente a caminhar em duas filas paralelas enquanto a banda filarmónica marcava o compasso. Muitos levavam ramos de flores, muitas flores.



Os meus pais nunca me falaram da existência de um deus capaz de distribuir os mortos pelo céu, inferno ou purgatório. Nunca admitiram a existência de um senhor, poderoso e omnipresente, a dirigir os destinos do universo. Nunca veneraram santos ou cruzes. Explicaram-me, simplesmente, que tal como as plantas e os outros animais cumprimos um ciclo de vida que se renova e multiplica com o nascer de cada nova geração. Cada um de nós é importante, quando não mesmo decisivo, porque é um elo essencial no prolongar de uma cadeia  de vidas sucessivas. E de mortes.
Com eles aprendi o significado, a importância e a beleza dos cemitérios. Ensinaram-me a respeitar os mortos, os verdadeiros construtores do nosso mundo, e a olhar com carinho as suas campas sem mistério. Não precisaram de palavras, foi com gestos simples que me explicaram que misteriosa não é a morte, mas a vida.


Belino Costa

28 de Outubro de 2014

HASTA PÚBLICA



A Câmara Municipal de Oliveira do Bairro informa que vai realizar-se no dia 29 de outubro de 2014, pelas 14h30, na Sala de Reuniões de Câmara do Edifício dos Paços do Concelho, uma Hasta Pública para constituição do direito de superfície sobre o artigo urbano inscrito na matriz sob o número P3767 da freguesia da União das Freguesias de Bustos, Troviscal e Mamarrosa para construção de edificação destinada a exploração de bebidas e/ou atividade de comércio de jornais, revistas, livros, tabacarias, lotarias, lembranças regionais, entre outros semelhantes.
Mais informações aqui.

AMADEU MOTA EM NOITE DE HALLOWEEN

Na noite das bruxas, 31 DE OUTUBRO, há baile com Amadeu Mota Show, no salão do ABC, a partir das 21h00.
A entrada é gratuita.