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26 de maio de 2006

‘BUSTOS EM CUECAS’ ALAMEDA – SE

Posted by Picasa
No tempo em que políticos “davam o litro” para que o seu torrão almejasse de benfeitorias que os seus concidadãos pudessem usufruir, a juventude de então levou à boca de cena a revista ‘Bustos em Cuecas’ que em vários quadros retratou o quotidiano local.

Porque a criação da “Avenida”, “Rua“ou “Alameda[1]”,” do Corgo à Rua 18 de Fevereiro (no centro de Bustos) actualmente inscrita no bloco de intenções das medidas a cumprir pelo novo-velho executivo freguês, traz à memória um episódio contado por alguém que acompanhou a revista e me transmitiu a sua versão:

"A Junta de Freguesia pretendia abrir uma avenida – realmente larga – entre o centro de Bustos e o Sobreiro.
A Revista “Bustos em Cuecas” leva ao palco um breve diálogo entre um rapazola de Bustos (A) e uma mocinha da Gândara (B) vestida com saia demasiado curta:

(o rapazola – A) – Tu vieste passear a Bustos?
(B) – Sim, quero ver uma avenida bonita … sem árvores!

(A) – Vem cá …

(a mocinha aproxima-se do interlocutor, estica a mão sobre o sobrolho, dobra-se ligeiramente de modo que os olhares são atraídos pela exibição de um ligeiro prenúncio das nádegas)

(B) – Apenas existem marmeleiros?!!
(A) – São apenas marmeleiros!?

(B) – Eu fui lá … e vi!
(Acto contínuo)

(A) – “isconde”, menina…. “isconde” …

(Uma clara alusão ao Visconde de Bustos, por ter recusado a venda do terreno onde hoje está implantada a casa Augusto Simões da Costa «Augusto Serafim».
Com este impedimento, a ligação do centro de Bustos ao Sobreiro ficou-se por um caminho agrícola estreito que mais tarde sofreu alargamentos e que hoje é a conhecida Rua Jacinto dos Louros.)

Cena recolhida de Florinda Barreiro «Rouxinol».
O Orfeão de Bustos já representou a Revista. A divulgação da letra e da música forneceria alguns dados que ajudariam a compreender a vida social de ontem.

.“Bustos em Cuecas”[2] foi um projecto colectivo que levou mais de um ano a preparar. Se um dia houver a tal alameda, avenida ou rua proponho que “Revista Bustos em Cuecas” esteja na sua toponímia.


Notas:

[1] Alameda – Por exemplo: “Passeio flanqueado por duas ou mais filas de árvores, presente nos parques e jardins de acesso a palácios. As árvores mais comuns nas alamedas são os álamos, as tílias, os castanheiros e os plátanos.” Lexicoteca, Círculo de Leitores, 1984

[2] “Bustos em Cuecas” já foi abordado nos blogues Bustos – do passado e do presente e Notícias de Bustos.
(sérgio micaelo ferreira)

21 de dezembro de 2013

AS CRÓNICAS DE “BUSTOS DO PASSADO E DO PRESENTE”

EM CUECAS

 Óscar Santos
 
A Revista “Bustos em Cuecas” subiu ao palco em 1937, depois de três anos de ensaios. O ensaiador era David Pessoa, alfaiate e comerciante, o diretor musical Emitério Fernandes, da Palhaça, e o compére, Manuel Sérgio.
O elenco incluía dez homens e nove mulheres tendo o espetáculo sido levado à cena por nove vezes, sempre com lotação esgotada. O texto e as músicas ter-se-ão perdido, mas seria interessante tentar recuperar esse espólio.
Segue uma letra que terá sido destinada a uma cégada, ou integrado a Revista "Bustos em Cuecas". É uma recolha do Eng. Neo Pato, que indica Manuel João Moleiro com sendo o autor:
 
"Bustos, terra santa,
Cercada de pinheirais
Onde toda a ave canta
Melros, Rouxinóis e Pardais
Há Patos e há Carriços,
E também há Piscos
Que não levam bordoada
Por não andarem metidos
Com outra passarada."
 
Este cartaz original é propriedade de Manuel Simões Luzio Júnior, ao qual agradecemos, por o ter cedido a título de empréstimo a fim de ser divulgado neste blog.
Foi no dia 1 de Janeiro, do longínquo ano de 1938, que no Centro Recreativo de Instrução e Beneficência, se deu a última representação da peça "Bustos Em Cuecas", anunciada em cartaz, com tiragem de 1000 exemplares, impressos na tipografia S. Tavares Alves, em Anadia.
Logo depois da hora do espetáculo, 21 horas, pode ler-se: “Última representação com 4 números novos da Revista Regional Fantasia, que tanto sucesso tem alcançado nas representações anteriores BUSTOS EM CUECAS.”
Com letras de David Pessoa e 26 músicas originais de Emitério Fernandes, também maestro da orquestra que acompanhou o espetáculo, a Revista era composta por dois actos. O primeiro incluía a Abertura e 12 quadros (Mocidade/Recepção/Regedor e Seus Cabos/O Homem do foguete e a sua Música/As Papoilas/ O Vagabundo “Fado”/As Saias Curtas/Zé e Rosalina/Os Cavadores/A Luta de S.Pedro-S.Lourenço/O Telefonista/ As Ceifeiras - apoteose). Do segundo acto faziam parte 14 quadros (Ao Amanhecer/O Mercado/Tremoceiras/Broa e Pão de Trigo/Bombeiros/Tango/Tabernas e Seus Frequentadores/Os Homens das Aflições/Foot-Ball/As Leiteiras/O Operado a Carteirótomia/O Vaidoso/A Desfolhada/O Trabalho - apoteose).
Os atores:
David Pessoa (Bustos), Manuel da Cruz Sérgio (O Engenheiro), Clarinda de Oliveira (O Regedor), Maria Rosa da Silva Tarrafo, Ercilia Simões da Silva, Cilia Silva, Maria Micaelo Aires, Maria Rosa Tarrafo, Estrela Simões Pessoa, Labinia Correia, Clarinda Pedro, Maria dos Anjos Martins, Maria Mota, José Valério, João Pedro, Laurindo Capão, David Correia, Manuel Aires, João Sérgio, Manuel Tarrafo, António Tarrafo, Manuel da Silva, Manuel Simões Luzio, Manuel Barroco, Virgilio Silva e Manuel Simões Micaelo.
Outros participantes:
Ponto: Jorge Nelson Micaelo
Contra Regra: David Ferreira da Silva
Caracterizadores: José Vieira e José de Pinho de Aveiro
Guarda-roupa: Propriedade da Revista e da Casa Valverde do Porto


A foto revela um friso de jovens bustuenses, em 1937, na Revista “Bustos em Cuecas”. Da esquerda para a direita: David Pessoa (o “compère”, juntamente com o Manel Sérgio); Rosa do Tarrafo (ou do Campolargo); Ercília do Herculano (irmã da prof.ª Zairinha); Célia do Caçalho; Estrela Carradas (mulher do David Pessoa); Maria Mota (do Sobreiro); Clarinda do João Pedro; Lavínia do Correia; Maria Figueiredo (minha tia); Maria Rosa do Tarrafo (mulher do Mário da Barroca) e o Manuel Micaelo (pai do Vasco).
Acrescentando algo à história da revista, aliás relatada a págs. 31 do livro do Arsénio Mota: “Bustos – elementos para a sua história":
Os ensaios da banda de música, sob a batuta do maestro Emitério Fernandes, decorriam no sótão da demolida casa da minha avó (aqui mesmo), banda que incluía, além doutros, os seguintes músicos: Zé Valério, Figueiredo e Manuel Tarrafo (irmão da Rosa). O meu tio Figueiredo também fazia o papel do Sebastião da Reizinha (bêbado), tal como o Zé Valério desempenhava a figura do Abílio Crespo, a “andar à bosta”, dizendo a célebre frase, quando perguntado sobre o que andava a fazer: ”vou à bosta para tapar a boca à minha mãe”.

21 de novembro de 2009

BUSTOS EM CUECAS - [1ª exibição] 20.11.1937


... o elenco incluía ao todo dez homens e nove mulheres em cena. O espectáculo foi apresentado nove vezes, sempre com lotações esgotadas e grande êxito. Ditos em palco ficaram gravados na memória colectiva e passaram a fazer parte do refraneiro local.
Transcrito de Arsénio Mota e de NB, em 17.7.09
FERREIRA DA SILVA - «O BRASILEIRO» QUE MUDOU BUSTOS aqui
Bustos em Cuecas tem surgido no NB ou no blogue anterior, por exemplo:
em NB, a 29.8.05 MANUEL SIMÕES LUZIO JR: A HOMENAGEM QUE FALTAVA - 1 aqui
Merece uma consulta o trabalho editado em Bustos - do Passado e do Presente em abril 26, 2005
Memória: “Bustos em Cuecas”, de Paulo Alves aqui

Mas há uma nota que tem passado despercebida.
Manuel Sérgio foi o grande activista para levar à cena a Revista. Os seus vastos conhecimentos junto das tertúlias lisboetas do espectáculo e a troco de uns avantajados cobres trouxe material escrito que serviu de apoio ao «Bustos em Cuecas».
Nada está registado.
Os testemunhos não existem.
O pó nada diz.

Caneca e adepto e contribuinte líquido de Os Belenenses, Manuel Sérgio patrocinou convívios, “estágios” em Bustos de jogadores dos Azuis de Lisboa.
Quando houve a fusão da União Desportiva de Bustos (designação atribuída a Manuel Tavares da Silva), Manuel Sérgio tudo fez para que a UDB fosse filial de ‘Os Belenenses’.

Este pormenor pode ser polémico. Os gavetas podem não aceitar. Mas até agora não há conhecimento da UDB ser filial do Futebol Clube do Porto.
Seja qual for a descoberta, não vai retirar a influência que Manuel Sérgio teve na construção da equipa de futebol de Os Azuis de Bustos.
apesar do esquecimento a que foi votado.

23 de novembro de 2014

“BUSTOS EM CUECAS”, A RÉCITA QUE NUNCA ACONTECEU

Entre os papéis da falecida professora Zairinha encontrava-se um livro de contas com uma única folha escrita. Mas, nas colunas de deve e haver, em vez dos números encontra-se a ata de uma reunião da direção da Revista “Bustos em Cuecas”. Estávamos em 10 de janeiro de 1938, passavam nove dias sobre a última apresentação do espetáculo no Centro Recreativo de Instrução e Beneficência de Bustos, a última de que há notícia. Nessa reunião para além de outras questões decidiu-se “Que será dada uma récita em benefício das raparigas em Bustos, em dia determinado pela direção.” Tal acabou por nunca acontecer mas da vontade então expressa aqui fica  a recordação.

Publicamos cópia da referida ata, e as notas de Sérgio Ferreira quanto à lista dos subscritores.



A direção da Revista Bustos em Cuecas na sua reunião de 10 de janeiro de mil novecentos e trinta e oito deliberou o seguinte:
Primeiro
Que não sejam considerados sócios até esta data para a divisão de lucros os senhores David Pessoa, Rodrigues Cosme e Emitério Fernandes, por os julgar pagos dos serviços prestados com o produto das suas receitas dadas em seu benefício.
Segundo
Que são de facto considerados sócios nas receitas futuras ficando o senhor Emitério Fernandes com o direito de opção pelos seus honorários como sócio ou como músico.
Terceiro
Que todos os sócios sem distinção de sexo compartilhem igualmente dos lucros da mesma sociedade.
Quarto
Que o encarregado de dar o ponto, senhor Jorge Nelson Simões Micaelo não seja considerado sócio até esta data, mas sim ser remunerado dos seus serviços prestados por quantia estipulada pela direção d’acordo com o grupo em geral.
Quinto
Que o senhor Manuel Simões Micaelo, d’acordo com as suas declarações não é considerado sócio até à presente data, mas podendo ser de futuro se assim o desejar, sendo actualmente remunerado pela direção dos serviços prestados nas récitas anteriores.
Sexto
Que será dada uma récita em benefício das raparigas em Bustos, em dia determinado pela direção:
#Único. Aquele que sem motivo justificado abandonar o grupo após a dita récita perde o direito aos honorários que lhe couberem, sendo mesmo acrescido de multa de cincoenta escudos (50$00).
Bustos aos 13 de Janeiro de 1938


O presidente
Heitor Ferreira
O secretário
Herculano da Silva
O grupo e membros da direção
Manuel Sérgio
João Francisco Pedro Júnior
António Silva Tarrafo
Vergilio Simões da Silva
A rogo-Manuel dos Santos
David Pessoa
Manuel da Silva Tarrafo
Manuel Simões Micaelo
Manuel Augusto da Silva
Laurindo S. Capão
David Correia
Manuel Simões Luzio Júnior
João da Cruz
Sérgio
Emitério Fernando
José Valério Ferreira, filho Francisco…
Ercilia Simões da Silva
Por Estrela Simões: David Pessoa
Por Maria de Jesus Aires: David Pessoa
Clarinda de Oliveira Mota
Maria de Jesus Mota
Maria Rosa Simões
Célia da Silva
Rosa Simões
Lavínia da Silva Correia
Maria Clarinda Martins
Maria dos Anjos
____________________
Notas do Sergio:
Heitor Ferreira, suponho tratar-se do Dr. Heitor.
Tipo de letra.
A  seguir a
‘O O Grupo e Membros da Direcção’ vem o nome do principal responsável da revista ‘Manuel C(ruz) Sérgio & F (Filhos?)’. Quereria dizer que era a Família do Sr.Sérgio (filhos) que apoiavam a peça, inclusive a execução do adereços. Daí surgir o nome do Dr. Heitor,em representação da d. Palmirinha.   
A Firma, então, deveria ter o nome do Pai, o Sr. Manoel Joaquim de Oliveira Sérgio. Caso a estudar, junto do Dr. Rui.

Manuel da Silva Micaelo … Manuel Simões Micaelo Júnior,
 pai de Pompílio Micaelo e outros. O Óscar Micaelo, do Restaurante Micaelo, Sobreiro, único sobrevivente da Família, no massacre de 15 de Março de 1961,é um dos seus netos.
Foi Presidente da Junta da Freguesia de Bustos.
(Escapou à epidemia de ter o nome pendurado na toponímia, graças à contestação promovida pelo Chico em defesa do nome de Rua do Cabeço)
Teve polémica no JB com Hilário Costa, caso da Criação da Feira do Sobreiro, pois esqueceu-se de referir certos nomes que trabalharam para a execução de tal empreendimento.

João Francisco Pedro Junior
Tvz seja o João Pedro, publicado no NB ---JOÃO PEDRO, DE BUSTOS - " UM MÚSICO SINGULAR", 22 de Janeiro de 2010

José Valério Ferreira  “Filho” Francisco ….
É o mesmo José Valério Ferreira, meu Pai.
Francisco Sapateiro, ou Chico Sapateiro, como era conhecido. Tanto que na sepultura apôs ao seu nome Francisco Ferreira, o atributo da sua profissão… Sapateiro.
O Francisco Ferreira Sapateiro, ou Chico Sapateiro, foi registado em Arrifana, foi encontrado no Cruzeiro de Arrifana... Era, portanto um enjeitado. Pai e Mãe incógnitos,
No prolongamento da linha da assinatura do meu Pai, (reconheci a tendência da letra da assinatura),
A inscrição «Filho» Francisco Sapateiro, seguramente, não foi escrita pelo meu Pai.
Explicação? Seria para identificar o Zé Valério, que na altura cumpria a ronda do 25 anos?

O meu Avô Chico Sapateiro  parou de querer mais filhos quando nasceu um rapaz, o Pai Zé Valério.. Teve 5 filhos. A minha Avó foi sempre acarinhada pelo meu Avô, mesmo que ele gostasse de sair das balizas estabelecidas... 

17 de julho de 2009

FERREIRA DA SILVA - «O BRASILEIRO» QUE MUDOU BUSTOS

Manuel Ferreira da Silva
Caneira (Mamarrosa) - Bustos
27.09.1901 - 16.01.1990


Arsénio Mota[1] no seu e desde 1983 nosso livro “Bustos – elementos para a sua história” faz um registo de iniciativas acontecidas na freguesia e que lhe mereceu o sub-título “Anos 30: uma «explosão».

Sem passar a pente fino lá encontraremos:

.«a construção da sua primeira escola pública»,
.«a feira bi-mensal»,
.«o cinema»,
.«a União Liberal de Bustos»,
.«a electrificação»
.a pavimentação com paralelepípedos das estradas nacionais de 3ª que a servir Bustos e Sobreiro.
.a passagem de «carreiras regulares de camionagem».
.o aparecimento do “«Ford» de Manuel Nunes Pardal” e a provocar espanto.

Apesar da sua população ter baixado para 1625 habitantes[2], Bustos transformara-se num estaleiro recheado de realizações.


E porque o VII Fórum de Bustos (2009) evoca Manuel Ferreira da Silva, aliás, vai concretizar uma aspiração de Mário Reis Pedreiras acalentada nas comemorações do Dia de Bustos’1990, “que, no próximo ano, lhe seja prestada digna homenagem” conforme o JB[3], considero oportuno divulgar o texto que Arsénio Mota dedica a Manuel Ferreira da Silva.

«Brasileiro» aposta no Cinema


Coube a Manuel Ferreira da Silva, de Quinta Nova, que se fixara no Brasil e onde fizera fortuna, a honra de introduzir o Cinema em Bustos, A sua aposta máxima teve o nome de Centro Recreativo de Instrução e Beneficência, fundado em 1936.
Foi um sonho, temerário, sim, mas coroado pelo melhor êxito, graças à visão rasgada, ao saber pioneiro e ao dinamismo de que deu amplas provas.
Manuel Ferreira da Silva criou no povo bustuenses e dos arredores, desde os «anos heróicos» iniciais, o gosto pelo Cinema, levando-o a frequentar semanalmente aquela casa de espectáculos. Lançou inclusive um sistema muito simples e aliciante, porque era económico, de «assinatura mensal», espécie de cineclube avant la lettre - algo de espantoso numa localidade rural e naquela época.
Bustos orgulhou-se, nos anos 30 e 40, e mesmo depois, quando tantas cidades de província ainda não podiam dispor de sala com cinema sonoro, de ser uma simples aldeia e possuir - mais: merecer! - a sua excelente casa de espectáculos.
No seu palco se representou, nomeadamente, a revista à Parque Mayer «Bustos em Cuecas», que deixou fama a perdurar muitos anos, e se realizaram assíduos bailes e outros actos públicos.
Em 4 de Setembro de 1977 reabriu após um interregno para obras de beneficiação, que de novo a colocaram na vanguarda das casas do seu género. Mudou então de nome, passando a designar-se Bustos Sonoro Cine e a exibir por norma três filmes por semana, com matinée ao domingo e baile à noite.

Voltando ao espectáculo que os bustuenses realizaram brilhantemente, anota-se que os respectivos ensaios se alongaram de 1934 até 1937, - ano em que «Bustos em Cuecas» subiu ao palco. O ensaiador (director) era David Pessoa, alfaiate e depois comerciante e emigrante; o director musical era Emitério Fernandes, da Palhaça; o compère, Manuel Sérgio. Mas o elenco incluía ao todo dez homens e nove mulheres em cena. O espectáculo foi apresentado nove vezes, sempre com lotações esgotadas e grande êxito. Ditos em palco ficaram gravados na memória colectiva e passaram a fazer parte do refraneiro local.

[Fim de transcrição]

(pg.s 30 e 31 )
______________
[1] Arsénio Mota, “Bustos – elementos para a sua história”, edição da Associação de Beneficência e Cultura de Bustos, 1983
[2] idem
[3] Jornal da Bairrada, 23.02.1990

21 de julho de 2005

Subiu ao céu mais uma das Estrelas da Revista "Bustos em Cuecas"


Apagou-se uma das 3 grandes sobreviventes deste friso de jovens bustuenses da Revista “Bustos em Cuecas” (1937).
Ainda de pé, agarradas ao chão da terra/mãe, restam a Clarinda, que vive em Fermentelos, terra do marido e a Lavínia, que vive perto do Barrilito, na Rua de S. João.
A Família estava à espera (e como custa esperar...) e é hoje que vai a enterrar, pelas 19 horas, Maria Rosa Simões Pedreiras - a Maria Rosa do Tarrafo, mulher do Ti Mário da Barroca e mãe da Dorinda Capão, gente boa da Póvoa.
Sou do tempo em que os meus Pais, o meu tio Figueiredo e a minha Avó, traziam à lembrança na lareira grande os tempos que marcaram Bustos e fizeram dele a Terra que ninguém nos roubará. Imagens e usanças que nos moldaram os corpos, as almas e as inquebráveis RAÍZES.
Um abraçado beijo à Dorinda, mulher de armas, de luta pelas festas de Bustos e pelo associativismo local, solidária até dizer chega, guerrilheira mor da Guerra que o Povo moveu contra o aterro de resíduos tóxicos, em 1994, que aquilo doía mais às mães, era vê-las a cuspir na Ministra do Governo da Nação, que o resto não digo e o momento é de recato e luto.
Este blogue, pela mão do que o antecedeu http://bustos.blogs.sapo.pt, já lembrou o Ti Mário da Barroca (29/12/2004) e a indelével revista (29/4/2005 e 11/12/2004).
Ainda me ardem os olhos do fogo vivo que o fole de ferreiro do Ti Mário jorrava no carvão.
Quem os lembra bem, aos costumes e pilares, é o Arsénio de Bustos, em obra farta.
*
E as mães
onde estão elas?
As mães rezam as mães
cosem farrapos de dor
as mães gritam
choram
uivam
no espesso rio de um sono
já quase só animal
(Alexandre O'Neill, que foi casado com a sofredora ministra)
*
Oscar de Bustos

29 de agosto de 2005

MANUEL SIMÕES LUZIO JR: A HOMENAGEM QUE FALTAVA - 1

Manuel Simões Luzio Jr. nasceu no Barrôco da Póvoa em 6/6/1919. Aprendeu as primeiras letras (1ª e 2ª classe) na casa do avô, Manuel Simões Luzio, que disponibilizou uma sala para o ensino primário. Foi seu professor Manuel Martins, de Perrães. A 3ª classe fê-la no Sobreiro, na casa onde veio a funcionar o restaurante Ti Maria, ali onde recentemente nasceu a ampla rotunda. A 4ª classe, essa, já decorreu na Escola Primária de Bustos, então ainda em obras e que em 1929 foi rebocada e pintada por dentro para receber os primeiros alunos.

Só que aos 8 anos o Ti Manuel Luzio já mostrava inclinação para as artes: pela mão de sua mãe, Maria Ferreira (a “Ti Maria dos Ovos”, que ainda conheci) entrou numa peça teatral que foi representada no espaço da serração do Ti Sebastião Fabiano, entretanto encerrada por força da grande crise que assolou muitos pequenos empresários da região e levou à falência alguns estabelecimentos de Bustos.
O Ti Manuel Luzio representou um monólogo, “O Vaidoso” e foi essa a alcunha que o haveria de acompanhar nos anos da sua juventude.

As peças de teatro sucederam-se, sempre sob a batuta da mãe e, entre outros que não recorda, faziam também de actores: o Ti António Serralheiro, da Póvoa, o Ti Carradas (Manuel Augusto Simões), o João Camarneira, do Cabeço e o Balsas carpinteiro, que trabalhava cá mas era dos lados de Montemor-o-Velho, da terra que lhe deu o nome.
Aos 14 anos já andava metido nas famosas “contradanças” (1), uma bem articulada forma de dança popular de salão e de rua, em moda a par das afamadas “cégadas”. Também não admira: Bustos era terra de progresso e intervenção cívica e política, com dois jornais editados na terra, “Farol da Liberdade”, publicação republicana e regionalista que saiu na Quinta Nova em 1916 e 1917 e “Alma Popular” (1918-41), uma revista literária e científica,“Esperança”(1925/26), do Padre Agostinho Pires e Estação Telégrafo-Postal (1928). (2)

Aos 18 anos tinha por companheiros de contradança Manuel da Barroca, Augusto Micaelo, Manuel Serafim, o irmão António, Adelino Pardal, Rodolfo Reis, Aniano Martins, António Maria Barreira (da Malhada), grupo que se apresentou à população com uma encenação intitulada “Como é linda a nossa Terra”.
Até que chegou a saudosa revista “Bustos em Cuecas”, esse ex-libris das manifestações teatrais e revisteiras de Bustos. Estava-se em 1937 e um dos quadros rezava assim:
Sou dos filhos de ninguém
Que Deus fadou na aventura
Minha Mãe, se eu tive Mãe
Foi de certo a noite escura.

[Refrão]
A sina que hei-de cumprir
Esta sina a caminhar
Se chego penso em partir
Se parto penso em voltar
*
Assentei praça em menino
Fui sempre soldado raso
Minha bandeira é o destino
Meu capitão o acaso


Claro que o amigo Manuel Luzio Jr. não ficou de fora e entrou em vários quadros. Nem se ficou pela célebre revista, pois voltou ao teatrinho de aldeia e bem acompanhado: Rodolfo, irmão António, tia Cremilde, Nina Fabiano (mulher do Pompeu), Irene do Rodolfo, Carmindo Rodrigues da Palhaça (irmão dum futuro seu sócio na Venezuela) e os irmãos Luís e Justino Branco, estes da Malhada.
Só que agora as peças teatrais passaram a ter assento bem no centro de Bustos, no recém inaugurado Centro Recreativo de Instrução e Beneficência (1936). “As Duas Gatas”, “Visconde da Ribeira Branca”, “Almas do Outro Mundo”, “Um Erro Judicial”, a par de cançonetas, duetos e monólogos, eram ali representados no período do inverno, quando era menor o desassossego das lides do campo.
As peças, todas de “Theatro Escolhido, Proprio para Amadores e de Agrado Certo”, essas eram mandadas vir de Lisboa pelo Ti Albertino Luzio e já vinham com as encenações explicadas.

Mas o gosto pelo teatro e contradanças era para as horas livres. Entretanto e como era próprio de filho de lavradores, ajudava os pais nas lides do campo e trabalhava “de fora”, à jorna. Queria seguir os passos do avô e dos tios Eusébio e Amador, na arte da carpintaria, mas acabou por ser aprendiz de barbeiro com mestre António Alves, no local onde hoje é a casa dos herdeiros do João Augusto Pedro, ali em frente ao cemitério. Ainda se lembra bem da navalha “Bismark” que usava e de ir à loja comprar uns tostões de aguardente para desinfectar a cara dos clientes.
Ao fim de 2 anos estabeleceu-se na casa do pai, por conta própria, onde acabou por ensinar 4 dos seus irmãos: António, Arménio, Virgílio e Mário, que o João, esse, não sentia o gosto pela arte. Os clientes, claro, eram avençados e recebia-se em géneros; chegou a fazer 6/7 mil quilos de milho por ano, a par da batata, feijão, abóboras e cebolas.
Acabou por mudar a salinha da barbearia para a casa da Ti Joana do Fabiano, no princípio da Póvoa e daí seguiu para a tropa, deixando a barbearia aos irmãos.
Quando regressou do Regimento de Cavalaria 5, de Aveiro, já a barbearia funcionava na casa que foi do Veiga e onde existiu a farmácia de Bustos antes da mudança desta bem para o centro do lugar. Foi o 1º a comprar (no Porto) espelhos e cadeiras rotativas, com que recheou a “Barbearia Luzios”.
Enquanto esteve na tropa cuidou de fazer o 1º ano de Comércio na Escola Fernando Caldeira, em Aveiro, que o brindou com uma classificação (18 valores) que lhe haveria de ser muito útil nas tarefas que o esperavam na vila de Oliveira do Bairro, a tratar das senhas e cadernetas para o sulfato, criadas pela Junta Nacional de Vinhos e Grémio da Lavoura por via do racionamento imposto pela 2ª grande Guerra.

A ida para a Venezuela veio logo a seguir (22/9/48) a ali se manteve ligado a actividades sociais e recreativas, que retomaria com a criação do Orfeão de Bustos após o seu regresso definitivo no 1º dia do ano de 1981.
É do que falaremos mais tarde.

Mais do que o autarca, deveria ter sido este o cidadão de Bustos a receber no passado dia 26 a Medalha Municipal de Mérito – Autarca, Grau Prata.
Porque não nos faltam os autarcas e muito menos os candidatos a autarcas.
Falta-nos, sim, é recuperar a Escola de Artistas que à luz das velas ou do luar encheu as noites de Bustos durante toda a 1ª metade do Séc. XX.
*
(1) de “country dance” ou “contredanse”, dança campestre explicada em
http://attambur.com/Recolhas/Estremadura/Dancas/contradanca.htm.
(2) ler “Bustos – Elementos para a sua história”, de Arsénio Mota, ed. da ABC de Bustos, 1983, a págs. 28 e seguintes.

*
Oscar de Bustos

21 de janeiro de 2008

VISCONDE CRIA 1ª PADARIA DE BUSTOS



Duarte Rocha Branco, esteve na sua terra. As fisionomias estão bem presentes e a vivacidade ressaltava ao viajar no tempo do Bustos em Cuecas. Isso ficará para outro espaço.

O Duarte “Padeiro”, filho de Teresa Rocha, de Samora Correia, mas com origem em Ílhavo, e de Duarte Nascimento Branco [1], natural de Ançã, contou que os progenitores vieram para Bustos pela mão do Sr. Visconde, com destino a montar uma padaria onde hoje está a Padaria Flor de Bustos. Passados alguns anos de actividade, o Pai compra a Padaria ao Sr. Visconde e que foi paga ... em pão. Um dia o Visconde diz-lhe mais ou menos isto: 'Já pagaste a padaria!'
O acto de compra e venda nunca foi legalizado o que facilitou a posterior transacção 'os herdeiros do Visconde passaram directanente para os sócios Fontes & Belo', comentou o Duarte Padeiro.
O Duarte é um livro de memórias de Bustos, no entanto lamenta que Manuel Sérgio não tenha o seu nome numa das ruas de Bustos.
...
Acompanhar ao Lugar da Memória o companheiro da escola primária, Manuel Martins Rodrigues, impunha-se.

Ficou prometida uma viagem às estórias de Bustos.
sérgio micaelo ferreira
_____________
[1] - Também ensaiou a Revista'Bustos em Cuecas'

27 de julho de 2005

‘BUSTOS EM CUECAS’ PATEADO NA MAMARROSA …



Arsénio Mota, Vitorino R. Pedreiras, Óscar Santos bem mourejaram com o aparo ‘Vasco da Gama’ no aido da revista «fabricada» nos ensaios alongados desde 1934 até 20.11.1937. para que conste.
Alfaiate de profissão e mais tarde comerciante, David Pessoa (da Pocariça?) era o ensaiador, Emitério Fernandes* (da Palhaça), primeiro tuno de Bustos, estava encarregado da direcção musical. Manuel Sérgio, o esquecido mecenas dos Canecas e de “Os Belenenses”, cumpriu a função de compère com rara aptidão.
O elenco dos (e das) artistas de “Bustos em Cuecas” já foram largamente referenciadas.

“O espectáculo foi apresentado nove vezes, sempre com lotações esgotadas e grande êxito” (1).
Mas a quarta apresentação da revista no Salão da Mamarrosa redundou em fracasso, conforme está espelhado na notícia do Ideia Livre, de Anadia, “que atacou o espectáculo”(2).

A guerrilha alimentada pela fragmentação da freguesia-mãe da Mamarrosa poderia explicar a pateada. Mas, Manuel Luzio, homem para todo o serviço da Junta de Freguesia de Bustos, e que já palmilhava as andanças da revista, justifica o insucesso da digressão.
“Bustos e Mamarrosa desejavam fazer a pazes”... E, fomos apresentar o teatro-revista “com gosto”...
Mas, “para nossa surpresa, os cenários eram mais altos que o salão, … os candeeiros Bisar (?) – a gasolina – não podiam ser pendurados”. A iluminação era fraca, 'mal se via'. Além disso, os (as) artistas não tinham espaço para actuar “porque o palco era estreito … era muito pequeno …”
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Explicação dada, Manuel Luzio, que ainda se orgulha de ser natural da antiga freguesia da Mamarrosa, associa um dos ensaios da revista no Centro Recreativo de Instrução e Beneficência a um grave acidente que envolveu Ferreira da Silva.
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Ao tempo, o “recreativo” era iluminado por candeeiros a gasolina, tipo Petromax. Alguém vai à arrecadação e deixa aberto um garrafão de gasolina. Mais tarde, Ferreira da Silva vai buscar combustível. Acende um fósforo e, qual Plutão, um chama irrompe pelo corpo todo.
Ferreira da Silva (3) passou meses sentado num cadeirão sem se poder mexer. Valeram-lhe os cuidados médicos de António Vicente (4).

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Sérgio Micaelo Ferreira

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(1) in Arsénio Mota, Bustos – elementos para a sua história, edição ABC, 1983.
(2) in Arsénio Mota, Recordações do Berço, 2003
(3) Tarda a homenagem.
(4) da Plêiade Bairradina

30 de setembro de 2005

E VÃO 57 ... UDB EM FESTA

«Canecas e Gavetas
Fazem jogo limpinho;
Cuidado com os Canecas
– estão cheios de vinho!»
de ‘Bustos em Cuecas’, recolha de Arsénio Mota,
Bustos – elementos para a sua história, edição ABC, 1983
***
Em reacção à apatia provocada pelo encerramento imposto aos clubes de futebol, ‘Os Gavetas’ e seu mano-rico ‘Os Canecas’, o magma da alma de Bustos exsudou ‘União Desportiva’. As discussões e bulhas tantas vezes acontecidas entre irmãos deram lugar a um aperto de mão franco, consistente e duradouro. A fusão dos clubes partiu de gente nova, Dr. Assis Rei, Mário Reis Pedreiras, também conhecido por «Mário Vitorino»[1], Jorge Micaelo (1º médico do clube), …, Manuel Tavares da Silva [“o barateiro”, por parte do seu Pai) teria sido o principal artífice na construção do “União”[2].
À época, uma colectividade desportiva, para se constituir, tinha de ter um padrinho notoriamente grande. Herdeiro do Bustos Foot-Bool Club, o Futebol Clube de Bustos, [“Os Gavetas”], era filial do Futebol Clube do Porto e “Os Canecas” (Clube de Futebol Os Azuis de Bustos) era afilhado de “Os Belenenses”. Acontece que Manuel da Cruz Sérgio[3], um mecenas de mãos largas do clube de Belém e dos Canecas e compagnon de route dos plutónicos da fusão puxou a brasa para os Azuis das Salésias e a UDB ficou sua filiada.
As datas da fundação do “União” variam. Não deve ser alvo de contestação. Portugal, Reino independente, também não tem data da efectiva criação de reino independente. E se a tem, não é data muito importante para merecer a inerente celebração festiva.
O programa da passagem do testemunho do LVII Ano da UDB dedica a tarde do próximo dia 4 a uma confraternização desportivo-gastronómica e o “5 de Outubro” está reservado a um evento lúdico-cultural pela costa de prata e por terras do clube-padrinho, onde serão disputados dos jogos. Os benjamins – alvo da programação – por certo não esquecerão este aniversário O Dr. Fernando Vieira, presidente-director-treinador-médico e homem-dos-sete-ofícios, timoneiro da galera está de parabéns .
E a UDB merece ser acarinhada e apoiada para desenvolver o projecto de formação das classes jovens e manter a equipa de seniores na disputa do Campeonato distrital da 2ª divisão, na senda dos êxitos.
Sérgio Micaelo Ferreira
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PROGRAMA DO 57º ANIVERSÁRIO
UNIÃO DESPORTIVA DE BUSTOS

4 Outubro (terça-feira)
19H00 – Recepção das associações co-irmãs (ADNARIZ e GDAZURVA)
19H10 – Inauguração da placa alusiva à data
19H20 – Entrega de diplomas de mérito (ao pai do ano, ao treinador do ano, a adeptos por merecido reconhecimento, aos patrocinadores da UDB)
20H00 – Festa de confraternização com bolo e espumante

5 de Outubro – Dia de Feriado (Implantação da República)

06H00 – Partida dos Autocarros para Lisboa
09H30 – Visita turística a Cascais e Sintra
14H30 – Jogo de Iniciados entre “Os Belenenses” e a UDB
15H45 – Jogo de Juvenis entre Belenenses e Bustos
18H30 – Viagem de regresso.
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Outras informações:
1) A ocupação dos autocarros obedecerá ao seguinte escalonamento das prioridades: atletas das camadas de iniciados e juvenis, familiares dos atletas, outros atletas da UDB, que pretendam participar e finalmente a população em geral.
2) O preço da viagem 5,00€ para familiares dos atletas e associados da UDB; os restantes, 7,00€.
3) A UDB contactou o Hotel Marriott, em Lisboa, e o Hotel Atlantis, ao lado do autódromo, para local das refeições para os atletas.
4) Há ainda a possibilidade dos participantes também poderem almoçar no Hotel, num bufett preparado para a ocasião.
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Notas de rodapé

[1] Mário Reis Pedreiras é um dos grandes beneméritos da Freguesia, por exemplo: a) Desde há vários anos paga integralmente a renda do Campo de Futebol, via Junta de Freguesia. b) Comparticipou com avultada importância para a construção da Casa Mortuária implantada na "Praça Vermelha"- verba dividida em duas tranches. Acontece que até ao momento o senhor Presidente da Junta de Freguesia de Bustos não se dignou apor a sua assinatura em ofício de agradecimento dirigida a este benfeitor. L’État c’est Moi.
[2] Sendo escassos os registos escritos, já tarda a recolha de depoimentos de um período vivo desta passagem de Bustos na construção da sua História.

[3] Manuel da Cruz Sérgio, apesar de ter apoiado financeiramente os Azuis de Belém e de Bustos, pode ser considerado o “Mecenas Esquecido”. E há mais nomes a figurar ... Um trabalho para o Jó Duarte desenvolver ou outro(s) .

9 de julho de 2009

CENTRO RECREATIVO: DO PRIMEIRO BAILE À INAUGURAÇÃO OFICIAL


Afinal em que dia foi inaugurado o Centro Recreativo de Instrução e Beneficência?

Fomos encontrar a resposta num jornal que, em 1918, começou por ser editado em Bustos, o “Alma Popular”.

No ano de 1936 o quinzenário era publicado em Oliveira do Bairro, sendo dirigido por Manuel dos Santos Pato e Tiago A. Ribeiro. Ao tempo tinha uma coluna intitulada “Notícias de Bustos” onde o correspondente local, que assinava com o pseudómino Xis ( na verdade era Manuel dos Santos Pato), dava nota dos acontecimentos da aldeia.

Pouca coisa escapava ao “nosso” Dr. Pato que no dia 3 de Maio de 1935, na página dois, assinalou o nascer do projecto:

Club - O nosso amigo, sr Manuel Ferreira da Silva, acada de adquirir um terreno no centro desta localidade destinado à construção dum club.
Que a ideia não fracasse – e não deve fracassar - como já aconteceu doutra vez, são os nossos desejos.”


Ao descobrir esta notícia fiquei optimista quanto à possibilidade de o jornal assinalar o grande momento da abertura. Eventualmente a minha expectativa tinha mais a ver com a realidade dos nossos dias do que com os hábitos dos anos trinta. Mas sempre me pareceu que, ontem como hoje, uma casa destas características, a precisar de ser conhecida e cativar públicos, não podia deixar de abrir portas com um acontecimento marcante. E continuei a consultar o jornal.


(clique sobre a imagem para a ampliar)

O Primeiro Baile e Sessão Política

Já o pescoço se queixava, farto de se manter na mesma posição, quando abro a edição do “Alma Popular com data de 5 de Outubro de 1936. Numa local intitulada “Bailes” descubro novas informações:

Bustos, 28 – Promovido por um grupo de tricanas realizou-se, a noite passada, o primeiro baile no Centro Recreativo (ainda em construção), que foi bastante concorrido e animado assistindo os três jazzs locais.
-Para o próximo dia 3 está anunciada uma soirée dançante, no mesmo club, iniciativa de uma comissão de senhoras e cavalheiros, a mesma que no ano passado promoveu o baile de beneficência.
Consta-nos que devem assistir muitas das famílias mais distintas desta região.- X
.”

Ainda em obras o Centro recebeu o primeiro baile na noite de 27 de Setembro de 1936. O segundo baile aconteceu logo a 3 de Outubro seguindo-se, dois dias depois, o primeiro grande momento cívico e político da sala com a comemoração do 26º Aniversário da Implantação da República.
Escreve o correspondente do “Alma Popular” na edição de 16 de Outubro de 1936:

Aniversário da República. O cinco de Outubro foi aqui ruidosamente festejado. Durante todo o dia a Bandeira Nacional tremulou no edifício dos Correios e no Centro Recreativo. Salvas de foguetes e morteiros se fizeram ouvir de manhã, ao meio-dia e à noite. De tarde o Floresta Jazz percorreu algumas ruas da freguesia juntando-se, à noite, no Centro Recreativo muito povo que entusiasticamente aclamou a República ao som da Portuguesa.
O Sr. Ferreira da Silva, proprietário do Centro Recreativo, declarou à numerosa assistência que, de futuro, a data da proclamação da República será todos os anos comemorada naquela casa com uma festa de Beneficência.
Esta atitude foi justa e calorosamente aplaudida
.”




Inauguração em 18 de Outubro de 1936

Um pouco mais abaixo, na mesma coluna, encontramos a tão procurada notícia da inauguração, que afinal aconteceu a 18 de Outubro de 1936.

Duas inaugurações – Está anunciada para o próximo domingo a inauguração do Centro Recreativo Instrução e Beneficência. O Programa é deveras atraente – música, teatro baile, e outras manifestações de regozijo. (…)”

Na edição seguinte do “Alma Popular” nenhuma referência é feita à inauguração “oficial” do Centro porque o destaque vai para outro grande acontecimento local, a inauguração da Feira. Mas a actividade a artística do “Clube” não deixa de ser referida:

Teatro – No Centro Recreativo tem sido muito apreciados os trabalhos de Madame Friorenza .Para domingo, 8 de Novembro, além de um número de variedades por aquela artista, está anunciada uma récita de amadores desta localidade. Xis.”


Visconde comemora a República

O ano de 1937 começou com um baile de beneficência:

Beneficência – O proprietário do Centro Recreativo, nosso amigo, Sr. Manuel Ferreira da Silva , distribuiu em 6 do corrente, pelos pobres desta freguesia, o produto liquido duma récita dada em seu favor no dia de Ano Novo." (“Alma Popular” 15-01-1937).



No dia 20 de Novembro de 1937 a sala assinala um outro grande momento da sua existência com a estreia do teatro de revista “Bustos em Cuecas”. Nesse ano não houve qualquer comemoração do 5 de Outubro (“Faltou o Hilário que com o seu fervor organizava alguma coisa” (Diário de V.R.P), mas no ano seguinte o improvável aconteceu com o Sr. Visconde de Bustos a presidir à comemoração republicana:

Aniversário da República – Como anunciámos, o 5 de Outubro teve aqui festiva comemoração no Centro Recreativo efectuou-se uma sessão solene, a que presidiu o sr Visconde de Bustos, tendo usado da palavra os académicos Manuel Augusto dos Santos Pato, Mega Fontes e António Almeida Pato e os Srs Vitorino Reis Pedreiras e dr. António Vicente.
Todos os oradores fizeram a apologia do regímen Republicano, tendo sido muito aplaudidos e a República entusiasticamente aclamada pela enorme assistência.
Três Jazzs – “Os Melros”dos Covões; “O Lúcifer” da Mamarrosa; e os “Galitos” de Bustos – abrilhantaram as festas que terminaram por um animado baile, cujo produto reverteu em favor dos pobres”
(“Alma Popular”, 21-10-1938).

Alguns filmes

12 de Março de 1939: É exibido o primeiro filme colorido, “O Jardim de Alah”.
19 de Março de 1939: É exibido “Os Fidalgos da Casa Mourisca” ,realizado por Duarte Cruz.
2 de Março de 1940: A exibição do filme “O Rei dos Reis” provoca a maior enchente de que há notícia. Mais de duas mil pessoas lotaram a sala tendo muitos desistido de assistir à sessão.

Belino Costa

21 de setembro de 2010

Inocêncio Caldeira: deixou-nos um dos últimos “Gavetas”

Faleceu hoje Inocêncio Simões Caldeira. Nascido no Sobreiro em 3 de Outubro de 1922, o Inocêncio, filho de Manuel Catroxo Capela (natural do Montouro) e de Maria Augusta Simões, do Sobreiro, foi um dos ases do Futebol Clube de Bustos, os “Gavetas”, um dos clubes precursores da União Desportiva de Bustos, a par do rival Futebol Clube os Azuis de Bustos, filial do Belenenses e conhecidos por “Canecas”.

«Canecas e Gavetas
Fazem jogo limpinho;
Cuidado com os Canecas
– estão cheios de vinho!»

O Inocêncio foi um dos grandes craques do futebol bustuense e só não foi jogador do padrinho Futebol Clube do Porto porque tinha 17 anos quando foi treinar no então Campo da Constituição.
Apesar das insistências do olheiro do FCP, no ano seguinte o pai proibiu-o de se mudar para o Porto, por achar que o futuro dele estava na arte de alveitar que abraçou durante uma vida e não na prática do futebol, profissão de vagabundos, como lembrou AQUI o Aristides Arrais.
Bustos deve-lhe ainda a sua participação no nascimento da união dos dois clubes rivais, que em 2/10/1948 deram lugar à União Desportiva de Bustos e cuja camisola ainda vestiu. Arrumadas as chuteiras, foi dirigente da UDB e esteve ligado ao alargamento e arranjo do piso do campo do Sobreiro, que até então não passava dum poisio adaptado à prática do futebol.
Inocêncio Caldeira foi também dirigente da Casa do Povo de Bustos durante vários mandatos.

A partir de hoje, o pequeno/grande jogador tem lugar reservado na 1ª divisão celestial.

O seu funeral realiza-se às 17H00 de amanhã, com saída da Capela Mortuária.
___
- Quadra da revista “Bustos em Cuecas” (1937), recolhida por Arsénio Mota no seu livro “Bustos – Elementos para a sua história, edição ABC, 1983.
- Baseado no texto do Serginho Inocêncio Caldeira treinou com o Hernâni, publicado em 11/4/2005 no antecedente “Bustos – do passado e do presente”, AQUI (o link não é directo, abrangendo todo o mês de Abril).

24 de março de 2006

BUSTOS? ... NÃO EXISTE

Posted by Picasa
De vez em quando a sinalética de e para Bustos vem à baila. Pelas mais variadas razões. Até dá jeito quando se está na oposição.
A falta da informação da A17 para Bustos - via Ouca - já vem do tempo do consulado da dupla Acílio Gala-Manuel Pereira. E alertas houve, qb.

A SOTELHA meteu-se a caminho e colmatou a atávica falha da(s) autarquia(s).
Bustos foi conhecido pelo Centro Recreativo de Instrução e Beneficência, Frangos à Heitor de Carvalho, leia-se Pompeu dos Frangos, Ti’Maria, ‘Piri-Piri’, ‘18 de Fevereiro’, Cortejo dos Reis Magos, Gavetas&Canecas, pelos Maximianos Grangeias (carreiros), pela pujante lavoura, pela extinta-biblioteca nº 26 (paulatinamente transformada em vulgar armazém de livros), ‘Bustos em Cuecas’, etc ...
Actualmente, parece ser claro a SOTELHA ser mais conhecida que Bustos, faltando apenas o reconhecimento oficial, de resto um pormenor de somenos importância. Oficiosamente, a sinalética (na gravura) mostra a evidência da SOTELHA ter absorvido o nome de Bustos. Hoje, a partir da saída da A17 (Fontão) basta seguir a informação das placas da SOTELHA. Um bem-haja àquela empresa cerâmica por mais um serviço cívico prestado à comunidade em benefício dos transeuntes que procuram Bustos.
Já a sinalética para o Cabeço de Bustos aposta junto ao Adro (da Igreja Velha) é um desenrascanço artesanal. Que resulta.
sérgio micaelo ferreira

25 de junho de 2014

O CHÃO QUE PISAMOS

Apesar dos meus 9/10 anitos, ainda recordo a inauguração da piscina, toda engalanada com luzes e papéis coloridos, como se fosse uma festa popular. O povo rodeava a sebe circundante e viveu entusiasmado a disputa dos nadadores (penso que do Galitos e Recreio de Águeda, pelo menos).
Com a piscina veio a Associação Académica de Bustos, cujos atletas ali praticavam e onde muitas provas foram disputadas. Um dos bons nadadores foi o James, retratado mais abaixo com aquele ar empinocado que a mãe californiana cultivava nele.
A par dele, tantos outros: o nosso Domingos alfaiate, bom nadador de “crawl”, mas que não atinava com os limites das pistas, o Vítor (bruços e mariposa) e o Gute (ambos filhos do Sr. Dário, fotógrafo e antigo pugilista, que vivia nos anexos da casa do Visconde), o Feliciano e o Carlos Luzio, o Beto do Dr. Assis, o meu irmão Rui Jorge, o Leão (prof. universitário em Lisboa), o Horácio Reis Pedreiras, o Rui Sérgio, o Zé Tribuna, eu - até eu, ó que pensam!
O Rui Sérgio e o Zé Tribuna, estudantes universitários em Lisboa, vieram a ser atletas de renome, tendo este último sido internacional de andebol, creio que pelo Sporting, mas também pela selecção nacional.
O empenho do Horácio (filho do grande lutador da vida que foi Vitorino Reis Pedreiras) foi determinante na dinamização da natação e doutros desportos, como foi o caso do lançamento do dardo e do peso. A ele se deve também a criação da efémera associação de que acima falei e cuja ação se perdeu com a ida dele para Angola. Dava direito a cartão de associado e tudo, como retrato acima. 
Foram tempos únicos, irrepetíveis, verdadeiras pedradas no triste e pobre charco que era este miserável país nos finais dos anos 50 e princípios de 60.
É bem verdade que esse estremeção contra o marasmo e a miséria social saiu das mãos da média e pequena burguesia rural de então; burguesia que, se tinha defeitos, também sabia ser virtuosa quando lhe dava nas ganas.
Nem podia ser de outra maneira! À grande maioria das gentes de Bustos nem uma côdea de broa sobrava para matar a fome, quanto mais para fazer piscinas!
A outra face dessa verdade é que essa piscina privada foi posta pelo lutador Vitorino ao serviço da população local - mediante regras de boa utilização, é certo - mas sem discriminar ricos e pobres, filhos de burgueses ou de malteses. Às vezes, eramos todos ao molho e fé em Deus. 
A nossa Aldeia deve ter sido um caso único no Portugal daqueles anos.

Teatro de revista, cinema desde 1937, com direito a assinatura à moda dos cineclubes que só apareceriam mais tarde, danças e contradanças [vejam AQUI e espantem-se], vários cafés e um restaurante afamado (o Pompeu dos Frangos da sua fase bustuense), farmácia, posto da GNR, estação telégrafo-postal, colégio, talho, peixaria e muito comércio e indústria pujantes, até com nome firmado no mercado nacional. 
E, vejam só:
Ainda nos sobrava  tempo para trabalhar os campos no duro, emigrar à fartazana para não morrer à fome e viver outras diversões, que os tempos de fome e miséria eram uma festa, a bem da Nação e nada contra a Nação. Excepto em Bustos, porque por cá
Até tempo nos sobrava para lutar contra a ditadura.
 
Em contraponto:
 
Os tempos de hoje não estão pelos ajustes:
querem acabar com tudo o que nos liga às nossas raízes,
querem queimar a sal o chão que pisamos,
querem arrasar tudo,
para que nada reste.
 
Qualquer dia
roubam-nos a luz que nos alumia.
Qualquer dia
roubam-nos o chão que pisamos.
 
Mas, quem sabe?
Pode ser que qualquer dia acordemos.
E voltemos a

ir à raiz das coisas. Ser solidários com as gerações passadas.
Criar diálogos. Encantamentos. Olhares inteligentes. Sentimentos de pertença. De identidade.
Enfim, ligar as pessoas ao seu património.
*
*
- O texto original deste post foi publicado em 17/6/2007 e pode ser lido aqui.
- As duas fotos seguidas (da malta a nadar na piscina e dum trecho da revista "Bustos em Cuecas") fazem parte dum conjunto de negativos, encontrados e recolhidos no edifício do Palacete pelo Alberto Martins.
- As palavras finais do post, em itálico, são da autoria do Licínio Mota, o Li, o Moncas, como queiram chamar-lhe.
A citação pode ser lida no prefácio do estudo sobre “A CAPELA DOS FERREIRAS DA BARREIRA”, da autoria do Li [editámo-lo a dois durante uma tarde e noite inteira sem parança nem dormir] e foi publicado em 9 de agosto de 2009 pela Comissão de Festas de S. Lourenço a que me orgulho de ter pertencido, como podem ver aqui.
O Li é um reformado do professorado, mas não é feito da areia pantanosa donde parecem ter sido paridos muitos dos membros deste governo e doutros que o antecederam, porque do que há-de vir só Deus e o dianho sabem.
O Li anda há vários anos à procura das nossas raízes.
O Li encontrou o seu modo de resistir, a sua G3, a sua granada de mão, a sua tática para defenestrar os miguéis de vasconcelos que pululam por aí.
Ele há muitas formas de resistir…