Mudam-se os tempos, mas não muda a vontade das aldeias de Portugal renovarem a tradição da Páscoa, de longe a festa religiosa mais enraizada na alma portuguesa. A Páscoa é a mais antiga celebração católica com referências documentais que remontam ao Concílio de Niceia (ano 235 depois de Cristo).
Por mais profanos que reclamemos ser, as festividades da Semana Santa entram-nos casa adentro nem que seja para o copioso almoço de domingo ou segunda feira de Páscoa.
Embora sem a intensidade de outros tempos, os bustuenses continuam a abrir as portas à cruz de Cristo crucificado, onde todos (ou quase todos) participam no acto solene de "beijar o Senhor". Atenta a dimensão humana da freguesia e pelo menos no caso dos que vivem no lugar de Bustos, a festa é mais hoje, 2ª feira de Páscoa. Já no vizinho Montouro de Covões a Páscoa é celebrada no próximo domingo, dito da pascuela ou 8ª da Páscoa.
Por cá e renovando uma tradição que se perde na noite dos tempos, o dia de ontem foi dedicado à visita pascal ou da Cruz do Senhor.
Como ontem o Padre Arlindo teve de ir pregar a mensagem para outra freguesia, a comitiva foi dirigida pelo acólito prof. Nelson Figueiredo, acompanhado por sete membros da Confraria da Cruz do Senhor, a saber: Lupério da Silva (Juíz), Alípio Santos (escrivão), os gémeos Carlos e Mário Canão, Emitério Alves, Manuel Romão e Alberto Santos, sem falar no rapaz do sino avisador.
Acompassei a visita pelo Sobreiro e Azurveira e entrei nalgumas casas: engalanadas e de mesa farta, eram o espelho dos seus donos e das visitas de amigos, familiares e vizinhos, às vezes aos verdadeiros magotes; e ainda bem que a malta jovem continua a marcar presença, o que faz crer que a tradição da visita pascoal está para durar.
Se calhar também porque ambos integram a Comissão de Festas de S. Lourenço - 2009 e esta se propõe mudar a face das festividades locais.
Se calhar porque a fome apertava e o preparar da chanfana e do cabrito assado no forno cá de casa me tirou o apetite para o almoço.
Se calhar porque é tempo de sacudir as consciências e reavivar as nossas referências culturais e patrimoniais. Se calhar, se calhar...
Por tantos calhares, houve um outro que me marcou quando regressava a casa e encheu de justificado júbilo. Deste calhar se fará luz a seu tempo, porque
Cada coisa a seu tempo tem seu tempo.
Não florescem no Inverno os arvoredos,
Nem pela Primavera têm branco frio os campos.
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- 1ª estrofe de "Cada coisa a seu tempo tem seu tempo", de Ricardo Reis / Odes.
oscardebustos
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