31 de março de 2008
28 de março de 2008
27 de março de 2008
26 de março de 2008
RADIO HABANA CUBA – ONDAS CORTAS
No tempo em que o 25 de Abril’74 carregava o andor da ressuscitada Liberdade em Portugal, na comunidade portuguesa da Venezuela, avessa à cor vermelha das camisolas partidárias, havia pelo menos um ouvinte assíduo da Rádio Havana, com a qual chegou a trocar correspondência.NB reproduz em 1ª mão o memorando enviado pela Rádio Havana ao emigrante de então , actualmente cidadão eleitor de Bustos, vinculado a um partido local da direita e com a côngrua em dia.
‘… até gostava do que a Rádio Havana dizia’, afirmou.
Um obrigado do NB por ter autorizado a divulgação do memorando.
25 de março de 2008
CRUCIFIXOS ESCOLARES – (Um Monopólio de Salazar em nome da sua Constituição?!) - permanecem esquecidos
Do envelope do correio-e. saltaram algumas imagens recentes de crucifixo esquecido nas paredes da escola do corgo.
A existência deste crucifixos nas escolas primárias remonta aos primórdios da Constituição de 1933, esta desenhada e cerzida com a bitola ajustada por Salazar.
« A introdução do crucifixo nas escolas é decretada pelo Lei n° 1941, 11 de Abril de 1934: mandava que "em todas as escolas públicas do ensino primário infantil e elementar existisse, por detrás e acima da cadeira do professor, um crucifixo, como símbolo da educação cristã[1] determinada pela Constituição." [2].
Aquele pormenor da colocação do crucifixo ‘por de trás e acima da cadeira do professor’ mostra que Salazar sabia criar engodos para seu proveito político e, um deles era o de acelerar o processo de massificação da religião católica, a coberto do cumprimento da Constituição de 1933.
Até a escolha do crucifixo normalizado partiu de Salazar, conforme a autora citada:
«O modelo [de crucifixo] oficialmente aprovado, "uma pequenina obra de arte concebida pelo génio do insigne estatuário Sr. Teixeira Lopes",…»[3].
A igreja de então não pregou prego nem estopa na 'operação crucifixo na sala de aula'.
Na mesma determinação, Salazar, a fim de combater a falsificação dos crucifixos ou de impedir a livre concorrência, ou ... , impõe que o crucifixo da catequisação de Salazar "teria de ser adquirido numa empresa muito recomendável, a União Gráfica (propriedade da Igreja católica)." [4].
Mas a indústria da manipulação de Salazar não ficou por aqui.
O decreto n.º 25:305/1934, de 9 de Maio, destinado a fixar “o mobiliário mínimo para o funcionamento de cada lugar de professor” primário, no seu determinava no seu
A propósito de Jesus estar ladeado por Salazar (o bom) e por Carmona (o mau), um distinto funcionário superior da administração pública fora demitido por ter proferido em voz alta que Jesus estava entre dois ladrões.
…
O conúbio de feição política existente entre a Igreja Católica e o Estado Novo permitido pela Constituição de 1933 que deveria ter terminado com o 25 de Abril ainda se manteve até à Constituição laica de 1976.
A concordata entre Estado do Vaticano e a República Portuguesa (2004) afirma no seu ‘preâmbulo’ “ a Igreja Católica e o Estado são, cada um na própria ordem, autónomos e independentes”.
Os crucifixos das escolas primárias que ainda estão lá. foram colocados por obra do Governo e não de qualquer instituição católica.
A Constituição Portuguesa ao inscrever a liberdade de culto, não está a perseguir a religião católica, mas sim a estender o direito de opção ou não-opção religiosa a todo o cidadão nacional, sem qualquer discriminação..
Em Bustos, está enterrado o estigma da perseguição anticlerical, tanto mais que tendo uma Junta de Freguesia laica, não tem parado a construção de capelas, de altares e de “cruzeiro-altar” ou o apoio a obras ou remendos no condomínio Igreja+Banco+Junta. Contudo, permanece viva a prepotência da Igreja Católica demonstrada no bloqueio intempestivo da marcha de um funeral civil ocorrido a 4 de Junho de 2006, na via pública.
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[1] Provavelmente pretendia dizer católica
[2] [In MÓNICA, M.F. (1978) Educação e Sociedade no Portugal de Salazar. Lisboa: Editorial Presença], citada por New Page 1, Margarida Belchior e … «Tudo no seu lugar» 5. A sala de aula -
http://web.educom.pt/margaridabelchior/Ed_Est_Novo/s_aula.htm
[3] idem in Mónica. M. F. (1978) ... citada por por New Page 1, Margarida Belchior e … por New Page 1, Margarida Belchior e …
[4] idem in Mónica. M. F. (1978) ...por New Page 1, Margarida Belchior e …
24 de março de 2008
Judas Iscariotes
Judas foi um dos 12 apóstolos de Cristo, todos o sabemos. Segundo os evangelhos, em especial o de Mateus, Judas traiu Jesus a troco de 30 moedas, entregando-o à assembleia dos 23 juízes da comunidade judaica de Jerusalém. Antecipando-se a Pilatos, o sinédrio judaico lavou as mãos do embaraço que seria julgar aquele que se apresentava como Messias e entregou-o às autoridades romanas.
O resto da história todos a conhecemos, até aqueles de nós que viam a catequese como um pesado frete. Para muitos de nós o verdadeiro clímax estava no que então chamávamos de “santo sacrifício da saída da missa”, aquele momento mágico em que as moças saíam da velha igreja de Bustos sob os olhares da nossa cobiça de rapazolas a tresandar a testosterona. Não havia mandamento capaz de nos libertar do desejado pecado da carne.
A Páscoa era então vivida com mais empenho do que o Natal. Era o tempo das nossas mães darem o seu melhor na limpeza e arrumação da casa, preparando-a para a visita pascal. No meu caso, que vivia e vivo no lugar de Bustos, esse dia era e é ainda a 2ª feira de Páscoa.

A descoberta em 1978 do chamado “Evangelho de Judas” veio contrariar a tese da traição.
O documento, composto de 26 páginas de papiro escrito em linguagem cristã primitiva (copta), revela as relações de Judas com Jesus Cristo sob uma outra perspectiva: Judas não teria traído Jesus e sim, cumprido os desígnios deste, denunciando o Mestre a seu pedido.
A tese da traição serviu e serve os interesses da hierarquia cristã, desejosa de encontrar um bode expiatório para o anti-semitismo que cedo começou a assolar a igreja católica. Dava jeito ter alguém a quem diabolizar, numa espécie de prenúncio da caça às bruxas e da perseguição dos judeus que assolaram toda a idade média e se mantiveram até ao séc. XIX através do braço cruel da Inquisição.
Entre nós, a expressão dessa diabolização anti-semita residia no verdadeiro auto de fé que era a queima de Judas no sábado de Páscoa. Quem não se lembra da orgia da queima do feio boneco de palha pendurado numa forca? A queima de Judas, precedida de pauladas, fogo de artifício e do seu “julgamento” público, não passava dum festim bárbaro, só justificado porque vivíamos ainda no reino das trevas.
A liberdade tem isso de bom: faz de nós seres mais humanos e tolerantes e afasta os contornos bárbaros das tradições pagãs e judaico-cristãs.
*
23 de março de 2008
ABC de BUSTOS ENCERRA 2007 EM ASSEMBLEIA-GERAL
Ponto um - Leitura e aprovação da acta da reunião anterior;
Ponto dois - Apresentação, discussão e votação do Relatório de Actividades e Contas de Gerência do ano de 2007;
Ponto três - Outros assuntos de interesse para a associação.
De acordo com os mesmos Estatutos, e ao abrigo do nº5 do artigo 28º, se à hora marcada não houver número legal de associados, a Assembleia funcionará uma hora mais tarde com qualquer número de associados.
Bustos, 9 de Março de 2008
O Primeiro Secretário da Mesa de Assembleia
(Mário Rui Belinquete Vieira Rodrigues)
21 de março de 2008
SÃO POETAS ... & DEPORTAÇÂO SEM JULGAMENTO
Pois é, pois é só agora
Que a gente isto crê!...
Uma pessoa que ninguém vê
Que eu nem dizer me atrêvo,
Matou-se, perdeu noites estudar
Álgebra e matemática
E a maneira mais pratica
De nos limpar o cêbo …
E não perdeu o tempo,
Que esta muito bem instalado!
Foi até muito, muito falado
Essa coisa do Estar … de Novo.
Piramidal bem estar,
Obra de inteligência sua,
Que pôs em farrapos na rua
O famigerado Zé povo …
Agora canta contente,
Sosinho lá no poleiro
E até no estrangeiro
É escutado o figurão!
Dorme em camas fofas;
Lê descansado os jornais,
Enquanto a gente aos ais,
Fossa duro no chão …
(…)
in António Maria da Silva Barreiro, Extravagancias poéticas (excerto). Hospital Militar de Coimbra, 19.12.1935 (inédito)
Notícias de Bustos pretende contactar descendentes do poeta para fazer um trabalho que acompanhe a divulgação deste manuscrito.
**
(De Joaquim Pessoa)
O último romântico acomoda-se por aí
preocupado com os próximos futuros. Não tem cartões nem
habilitações técnicas. Nem é doutor que baste. Demasiado
………………………………………………...................……artificial,
é naturalmente vulnerável a exigências e rigores, tem
o discurso marcado pelos outros, um discurso quase sempre
para ele próprio uma surpresa.
(…)
que não gosta por aí além do romantismo. Mas o brilho de
……………............................uma moeda na palma da mão
fá-lo acreditar que agarrou uma estrela.
(…)
in Joaquim Pessoa, VOU-ME EMBORA DE MIM, (excerto),Hugin Editores, L.da, 2000
**
(De António Aleixo)
O pão negro, onde ele é raro,
Faz sempre melhor figura
Do que o pão alvo e mais claro
Na mesa onde há com fartura
in António Aleixo, este livro que vos deixo, notícias editorial, Vol. 1, 15ª edição, Maio 1999.
…
A NÃO ESQUECER …

21 de Março de 1968 – Salazar em Conselho de Ministros decreta a deportação de Mário Soares para S. Tomé, sem ter havido julgamento ou sequer ' julgamento'.
Respigado de "Foi há 40 anos", 19 de Março de 2008:
... “Vamos mandá-lo para São Tomé, por tempo indeterminado." (...) Sacchetti sentenciou: "nos próximos dias haverá uma pequena agitação de superfície. Mas rapidamente tudo esquece. Como uma pedra que se lança a um poço... Dentro de meses ninguém se lembrará que houve um advogado chamado Mário Soares”. in Fundação Mário Soares, http://www.fmsoares.pt/
sergio micaelo ferreira
18 de março de 2008
17 de março de 2008
SENHOR DOS AFLITOS - crucifixos à la mode
Entretanto surgem mudanças e mais mudanças…
e hoje, constata-se que o Senhor dos Aflitos da Paróquia de São Lourenço de Bustos, para além das capelas enumeradas por Belino Costa tem a honra de ter o seu nome inscrito duas vezes na toponímia: a Rua Nosso Senhor dos Aflitos, no lugar da Quinta Nova e o Largo Nosso Senhor dos Aflitos, na Póvoa.
…Bem, mas isso é assunto para historiadores e contadores.
Observando os crucifixos do Senhor dos Aflitos (1818, 1972 e 2004) recentemente editados por Belino Costa[1] são evidentes as divergências da sua representação.
O pano que cobre as partes podengas acompanha a moda. De uma cobertura espessa (1818) passa para uma não discreta abertura da anca (2004). Sendo a crucificação a pena mais infame, cruel e humilhante, Jesus teria (?) sido pregado na cruz sem qualquer peça de roupa.
Na crucificação, o condenado era atado ou pregado, de mãos e pés a uma cruz formada por dois paus sujeitos a carpintaria tosca. Jesus foi fixado aos dois lenhos com 4 pregos. Entretanto a modernidade do Séc. XIII criou uma imagem nova do crucifixo com a aplicação de um cravo nos pés.
A cruz era um símbolo das religiões solares pré-cristãs e actualmente, as suas variantes tornaram-se o símbolo de religiões com origem em Jesus de Nazaré. As religiões emanadas do tempo da Reforma simplificaram o símbolo da religião, adoptando apenas a cruz para o não vexarem. A religião católica não entendeu assim.
A disseminação das cruzes com fins decorativos, mereceu de Eça de Queiroz a apreciação:
“Até a cruz, a forma suprema, tem perdido entre os homens a sua divina significação. A cristandade, depois de ter usado como lábaro, usa-a com enfeite. A cruz é broche, a cruz é berloque; pende nos colares, tilinta nas pulseiras; é gravada em sinetes de lacre, é incrustada em botões de punho – e a cruz realmente, neste soberbo século [séc. XIX], pertence mais à ourivesaria do que pertence à religião …”[2]
O símbolo da Cruz torna vivo o julgamento iníquo de Jesus que jamais se apagará da História, mas o Peixe, o sinal clandestino dos cristãos da igreja primitiva, esse, quase desapareceu da montra do marketing.
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[1] Belino Costa, SENHOR DOS AFLITOS : A MULTIPLICAÇÃO DOS CRISTOS E DAS CAPELAS , Notícias de Bustos, 10.3.08.
[2] Eça de Queiroz, A Relíquia, Edição «Livros do Brasil». 9ª edição, Lisboa
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Brevemente
“O Estado Novo financiou a produção de crucifixos”
Em tempo: O Estado Novo não financiou, mas sim criou o monopólio da venda de determinado modelo de crucifixos.
sérgio micaelo ferreira