12 de dezembro de 2009

BUSTOS - ARSÉNIO MOTA NA 'SUA' BIBLIOTECA

5 de Dezembro – Arsénio Mota tem encontro marcado na sua biblioteca. Recebe-o a Exposição fotográfica sobre os ‘anos dourados’ do malogrado Carlos Luzio e uma legião de confrades perfilados em formatura pelas estantes.
A secção dos velhos e cansados computadores na sala anexa, ocupada a cem por cento, não desvia o olhar do silêncio.
É o Arsénio Mota! Conheces?
Estive no jantar comemorativo dos 50 anos de escrita editada e até tenho o livro…
Leste?

Mais à frente, sobre a secretária, exemplares de ‘Bustos – elementos para a sua história’ indiciam que estão a ser consultados …
Há alunos que estão a fazer um trabalho sobre Bustos.

Prazeres Duarte conduz Arsénio Mota.
A exposição sobre Carlos Luzio merece olhar atento – o expositor foi oferecido pelo Licínio Mota. As fotos foram trabalhadas laboratorialmente pela especialista, Michel Mota.

‘E o trabalho e concepção da exposição foi de Prazeres Duarte’, ouve-se de lado.
Há falta de espaço e de mobiliário adequado… ‘desde que haja boa vontade’…
Arsénio Mota passa ao de leve pelo apoio que deu desde o início ao projecto que criou a Biblioteca Municipal de Oliveira do Bairro…




A Biblioteca Fixa da Fundação Calouste Gulbenkian de Bustos, oficialmente suportada pela Comissão de Melhoramentos, é uma realidade desde o dia 18 de Fevereiro’1961. Até ser instalada no Palacete do Visconde foi apoiada por voluntários – que não será demais citar Arsénio Mota, Dr. Assis Rei (que pagou a renda durante vários anos), os irmãos Abel e Manuel Martins ….
‘Não se pode esquecer o percurso da Biblioteca de Bustos. Vive em sítio emprestado mas a ameaça de despejo já tem pairado.
Ninguém a quer?!!
Para quê a biblioteca em Bustos? Pessoa não pôs em verso que Jesus Cristo não tinha biblioteca?

Arsénio Mota também falou de si no tempo futuro.
Brevemente haverá novidades. Há negociações em curso e propostas em estudo.
Continua a receber convites de escolas, algumas bem próximas do concelho.
O espólio de Arsénio Mota e outro à sua guarda estão a ser considerados. Um trabalho que requer muita paciência.
Uma indiscrição.
Sabemos que Arsénio Mota recebeu um convite para doar o seu espólio ao Museu do Neo-Realismo, criado há uns anos em Vila Franca de Xira, onde já foram entregues uns 25 espólios de escritores como Urbano Tavares Rodrigues, Arquimedes Gomes dos Santos e Baptista-Bastos. Há mais de quinze anos que fora feito o contacto ao autor natural de Bustos.
A totalidade ou apenas parte do espólio para onde irá? E o outro, de António de Cértima?
Bustos - Oliveira do Bairro - Bairrada passam ao lado.
Com naturalidade.

sérgio micaelo ferreira

11 de dezembro de 2009

UDB - Os primeiros 15 associados (1)

União Desportiva de Bustos (2)

Sócio nº.1 - Dr. Jorge Nelson Micaelo
Admitido em 5 de Novembro de 1948
Localidade - Bustos

Sócio nº.2 - Lino Francisco Rei
Admitido em 5 de Novembro de 1948
Localidade - Cabeço

Sócio nº.3 - Teófilo Simões Mota
Admitido em 5 de Novembro de 1948
Localidade - Bustos

Sócio nº.4 - Manuel Simões Aires
Admitido em 5 de Novembro de 1948
Localidade - Bustos

Sócio nº. 5 - Augusto Simões da Costa
Admitido em 5 de Novembro de 1948
Localidade - Bustos

Sócio nº.6 - António Martins
Admitido em 5 de Novembro de 1948
Localidade - Bustos

Sócio nº.7 - Manuel Tavares da Silva
Admitido em 5 de novembro de 1948
Bustos

Sócio nº.8 - Manuel Simões dos Santos
Admitido em 5 de Novembro de 1948
Póvoa

Sócio nº.9 - Manuel Augusto Fontes
Admitido em 5 de Novembro de 1948
Cabeço

Sócio nº.10 - Antero Pires Novo
Admitido em 5 de Novembro de 1948
Sobreiro

Sócio nº.11 - Severiano Fontes
Admitido em 5 de Novembro de 1948
Barreira

Sócio nº.12 - Manuel Augusto Simões Aires
Admitido em 5 de Novembro de 1948
Bustos

Sócio nº.13 - Heitor Rodrigues Alferes de Carvalho
Admitido em 5 de Novembro de 1948
Bustos

Sócio nº.14 - Mário Francisco Rito
Admitido em 5 de Novembro de 1948
Cabeço

Sócio nº.15 - José da Silva Roque
Admitido em 7 de Novembro de 1948
Azurveira

(1) Informação extraída do Livro de Registo dos Sócios - União Desportiva de Bustos - 1948
(2) Símbolo da União Desportiva de Bustos extraído de Gimas Cup 2008

10 de dezembro de 2009

DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS DO HOMEM [10.12.1948]

da Declaração Universal dos Direitos do Homem

Artigo Primeiro
Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos.
Dotados de razão e de consciência, devem agir uns para com os outros em espírito de fraternidade.

"VEJAMOS AGORA TODA A FRENTE DA IGREJA" DE BUSTOS


As imagens editadas aqui em 09.12.09 por Alberto Martins sobre a simbologia dos ‘raios’ da fachada da igreja de S. Lourenço de Bustos, considero-as como uma prenda de aniversário da consagração do templo.
Muito oportuna a intervenção de Alberto Martins. Porque espera para fazer um trabalho de fundo sobre a construção da igreja de Bustos?
Há material a merecer estudo. Venham as vontades.
A aventura da construção da igreja deve ser conhecida. Por si.

A fachada da igreja mereceu algumas linhas do correspondente de Bustos no Jornal da Bairrada, o P.e Vidal, que em 1963 (?) escrevia: «foi através das páginas do «Jornal da Bairrada» que fomos mentalisando e pedindo a ajuda de todos…» para a conclusão da obra que teve um início aos solavancos.

A apreciação do efeito da luz, o P.e Vidal traduziu nestes termos: “Como era linda a arcada em frente da igreja, na estrada de Bustos ao Sobreiro e como era linda a igreja iluminada” (1)

A simbologia inscrita na fachada pelo projecto da obra mereceu ao P.e Vidal duas intervenções, espaçadas no tempo:

- Vejamos, agora, toda a frente da igreja.
Os sete dons do Espírito Santo, riscados na grelha da frontaria, dão um tom majestoso ao edifício. A pomba, que simboliza o Espírito Santo, tem já o seu lugar marcado no cimo da grelha”
(2)

E a segunda intervenção, a propósito do elogio ao trabalho do Mestre Júlio Resende:

“- (…)
Os raios e a frente da igreja estão a gosto, finalmente.
A grelha fica a cor diluída e os raios num vermelho alaranjado.
De Deus, simbolizado no círculo cimeiro, descem os sete dons do Espírito Santo que fortalecem o mártir S. Lourenço para se deixar queimar na grelha que a frente da igreja apresenta.”
(3)

O Arq. Rocha Carneiro, autor do trabalho, fez uma obra onde acomodou com minúcia, sensibilidade e profundidade a simbologia da Igreja comunitária e coeva.
Também não deve ser esquecida a intervenção – ocasional – de Mário Martins que veio trazer ainda mais leveza ao edifício, para além de ter contribuído para a única igreja construída com fusos cerâmicos. Nota: há uma igreja precursora, consultar aqui 
E, em consequência da aplicação destas ‘garrafas’ o Eng.º Santos pato (Néu Pato) teve de estudar como no tempo da Universidade para redesenhar o projecto, “com uma simples partitura, conseguiu executar uma notável sinfonia!” (4)
________________________
(1) in P.e Vidal, Correspondente de Bustos, Jornal da Bairrada, JB 24 08 1963
(2) in P.e Vidal, Correspondente de Bustos, Jornal da Bairrada, 30 11 1963
(3) in P.e Vidal, Correspondente de Bustos, Jornal da Bairrada, 02 01 71.
(4) In Neftali Sucena (Eng.º), Resenha do Processo que tornou possível a construção da Igreja de Bustos, - V Fórum de Bustos (2007).
sérgio micaelo ferreira

8 de dezembro de 2009

IGREJA [DO S. LOURENÇO] DE BUSTOS ANIVERSARIA (8 DEZ'1964)


A inauguração da igreja já está à distância de quarenta e cinco anos.
Em 8 de Dez'1964 houve festa que foi sentida por quase todos os cantos da diáspora de Bustos.
O Senhor Bispo de Aveiro, D. Manuel de Almeida Trindade, chegaria pelas 14H30 “à igreja velha, vindo pelos lados do Albergue – Azurveira – Barreira – Bustos”. (JB)
“Ao ofertório da missa, cada um dos bustuenses vai levar mais uma ajuda para o termo das obras”. (JB)
A igreja foi construída à imagem do sonho da época. Moderna, mas sem ostentação, sem ouros, sem brilhos supérfluos. A tentar regressar às origens da civilização cristã.

Ao passar o quadragésimo quinto aniversário, será oportuno recordar que foi uma obra amplamente participada pela generosidade da população e amigos de Bustos, com o mínimo de dispêndio em mão-de-obra. Dentre os inúmeros e dedicados colaboradores, destaco:
- Os e as que deram a cara no seu dia-a-dia de labuta [e que não puxavam dos galões];
- P. António Vidal, Manuel dos Santos Vieira, Manuel Simões Ferreira Júnior, Amaro Simões Ferreira, Manuel Francisco Júnior, Manuel António Pereira – da Comissão da Obra;
- Dr. António Vicente; Dr. Jorge Nelson Micaelo; Dr. Manuel dos Santos Pato; Dr. Assis Francisco Rei; Manuel dos Santos Vieira; Manuel Simões Luzio; P.e Vidal – Comissão de Honra.
- Executantes e criativos - Eng.º Manuel dos Santos Pato (Néu Pato); Arq. António Rocha Carneiro; Engº Neftali Sucena; Evaristo Pinto; Mário Martins; José Maria Dias; Manuel do Carmo,e outros nomes que de momento não é possível compulsar. - (a ordem não é arbitrária)
- Decoração Júlio Resende, X Costa, C. Figueiredo (?); Monsenhor Nunes Pereira; Guilherme Tedim; ...
Também estão na lista interminável:
Manuel Micaelo – electricidade
Manuel Marco – marcenaria e carpintaria
Os irmãos Silvério e Jofre Pedreiras com a prestação de serviço das suas camionetas.
Diamantino Caldeira
Manuel Simões dos Santos (Manuel da Barroca)
Manuel António Caldeira
Manuel Alves
...
...
- E à Comissão de Arte Sacra e ao Eng.º Cunha Amaral que impuseram condições para a implantação e aprovação da obra em sítio adequado, conforme já foi publicado.
Hoje, dia de parabéns, poderá voltar a esperança da residência paroquial ser brevemente demolida para ver desafogado o mural do artista açoreano e da Escola do Porto, X Costa, que a parede sul da igreja ostenta. Bem mais complicado será retirar a 'escada do celeiro' que dá acesso ao pórtico da igreja.

Nota: fica para outra oportunidade a fase do encanamento da 'vala da fonte' que um dos protagonistas - Mário Pinto - ainda se recorda com algum pormenor.
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(0s dados foram recolhidos do Jornal da Bairrada -JB-, através do serviço BibRia)
(em constução)
sérgio micaelo ferreira

MAIS UM DOS NOSSOS

Por vezes chegam-nos mensagens que nos alegram e incentivam. Desta vez recebemos notícias de alguém ausente há 58 anos. A vida levou-o de Bustos, mas nem por isso deixou de ser bustuense. Diz na sua mensagem:

“Senhores Editores
Há dias, navegando um pouco por essa fabulosa e ilimitada ferramenta tecnológica da comunicação, fui acometido de emocional nostalgia, que de imediato me transportou aos meus tempos de infância. Deparei-me com notícias frescas de minha terra natal: Bustos. Maravilhosa ideia, a dessa criação noticiarista. As pessoas que nunca saíram de suas origens, jamais conseguirão aperceber-se do que significa, para quem fica assim ausente (lá se vão 58 anos), o que seja ler um noticiário dessa grandeza. Meus parabéns inclusive pelo foco que estão dando ao registro da memória dessa nossa nunca esquecida terra de berço.”


Chama-se Aristides Correia Arrais e vive no Brasil, para onde emigrou com 14 anos.

“Possuo dois arquivos “cerebrais”: um, cheio de minúcias, que vai do meu nascimento aos 14 anos incompletos quando o destino me arrancou desse pedaço de chão. O outro registro inicia-se aos 14 anos quando começou para mim uma nova vida: A brasileira. ”- escreve, admitindo assim duas existências, duas terras.
Aristides Arrais usa também o pseudónimo jornalístico Arico Siarra, e tem entre mãos um livro onde narra memórias da infância portuguesa. Para já enviou-nos o texto que, gostosamente,  publicamos mais abaixo.

NB

TÃO LONGE E TÃO PERTO: CARTA DO BRASIL

Caros conterrâneos:

Vi em repetidos momentos, alguns nomes familiares à minha infância: Um, o de Arsénio Mota, então um jovenzinho que ficava no centro de Bustos atrás de um balcão da venda do pai, morador na Barreira, a uns 50 metros da casa de esquina dos Sofias, consertadores de bicicletas. Outro nome é o de Micaelo (Sérgio): É da família dos Micaelos que moram ou moravam na rua principal (18 de Fevereiro) de Bustos? Lembro-me de uns Micaelos: Manoel Micaelo, electricista de profissão que tinha um irmão mais novo, que salvo falha de memória, chamava-se Emílio. Esta família ao tempo da guerra (a 2ª gg), tinha uma camioneta, que nos lados traseiros da cabine possuía uns tambores que eram abastecidos por carvão transformado em combustível ou coisa deste género, que fazia funcionar o pesado veículo, que segundo meus registros neurónios era o único existente em Bustos. Um dia fiz um comentário a respeito, numa palestra onde minha observação sobre tal fato, foi motivo de troça, posto que fui chamado de inventor de histórias. Guardo em minha memória esta curiosidade como verdadeira. Ainda sobre os Micaelos, todos fazem parte de uma árvore ramificada em que também desponta Dr. Jorge, cujo pai, ti Simão tinha um talho a poucos metros da casa de meus avós maternos, Correias. Os Micaelos de Manoel e Emílio surgem em minha mente, residindo mais tarde no Cabeço. Dr. Jorge casou com Teresinha Vieira e continuou morando no espaço que fora residência dos pais. Tomei conhecimento, pelo Jornal da Bairrada que Teresinha Vieira falecera.



Aliás, faz parte de meus registos de memória um baile no pátio do ti Simão, tinha eu, então, de 6 a 8 anos (algo em torno de 1944), em que foram tocadas algumas músicas dos carnavais brasileiros, tais como: Aurora>Se você fosse sincera, ôôôô, Aurora. Veja só que bom que era, ôôôô Aurora... E a Jardineira >Ó jardineira porque estás tão triste. Ai o que foi, o que aconteceu? Foi a camélia que caiu de um galho. Deu dois suspiros e depois morreu. Ai jardineira, ai meu amor. Não tenhas pena porque o mundo é todo teu...

E por falar em Jornal da Bairrada, li nele já há um bom tempo, que um grupo de jovens aí de Bustos, conseguiu se reunir e festejar seu tempo de estudantes, evento esse classificado como o primeiro no género. Não vi qualquer contestação. Mas o primeiro do género, ocorreu em 1992 quando em visita à santa terrinha, consegui reunir num laudo jantar, grande parte dos colegas que comigo concluíram o primário. De um grupo de vinte e tal, faltaram naquele ano, quatro, dois dos quais, ausentes do país. No ano seguinte (1993) voltamos a nos reunir, quando somente tivemos dois faltantes, os que continuavam fora do país. Pelo mesmo jornal, fiquei sabendo do falecimento de Assis Lourenço (Loureiro) e mais tarde, de Arcílio Barreiro, meus contemporâneos da primária.



Pelo Notícias de Bustos fiquei agora também sabendo que faleceu na Califórnia aos 95 anos de idade, Eugenia Fabiano. Pois esta senhora era prima em primeiro grau de minha mãe, Cândida Rosa Correia, que faleceu em Fevereiro deste ano, aos 94 anos de idade. Se viva, teria feito 95 anos em Novembro último. Luciano, esposo de Eugenia, já falecido há alguns anos, fora alfaiate sendo como tal, colega ao tempo de meu pai, Manuel Arrais. E Alcides, filho mais velho de Eugenia e Luciano fez o primário com um ano de diferença de mim, posto que ele é mais novo do que eu, um ano. Estes são alguns comentários que no momento me ocorreu destacar.


Gostaria de prestar minha colaboração a esse noticioso com outras tantas abordagens, tendo por fonte, partes do livro que estou escrevendo, onde destaco casos acontecidos e personagens folclóricas do meio, ao tempo de minha infância, onde descrevo com minúcias, por exemplo, jogos de pião (que foi tema recente de vosso noticiário), referindo-me a um senhor artista do Cabeço, que fazia peões de diversos modelos de qualidade e perfeição inigualáveis. Se quiserem se inteirar melhor sobre a minha coluna num blog regional aqui do Brasil, eu lhes forneço o endereço do mesmo, a saber: http://www.devaneiosatuais.blogspot.com/ – Maré Alta de Arico Siarra (Ari de Aristides; Co de Correia; e Siarra como resultado da inversão de Arrais). Atentem para o fato de que meus escritos são abordagens regionais na sua maioria de vezes, com forte toque político em muitos casos e outros tantos tópicos de assuntos diversificados. Concluo com os meus cumprimentos a todos os colaboradores desse óptimo divulgador.

Aristides Correia Arrais

UDB- Acta da Primeira Reunião Extraordinária (1)













Primeira Reunião Extraordinária- O nascimento da UDB
27/01/08 - Transcrição da acta (aqui)
(1) - Livro de Actas - União Desportiva de Bustos - 1948