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25 de março de 2010

POESIA PASSEOU POR BUSTOS

.. Tarde do dia 19 (sexta-feira), 15H00, Biblioteca de Bustos. Na transição dos botões de inverno para as flores da primavera, Rosinda de Oliveira, autora e dinamizadora do Grupo Cultural da Mamarrosa, deu voz e calor à Poesia. Uma tarde diferente para os amigos que puderam partilhar os momentos proporcionados pela programação da “Semana de Poesia” Municipal.



Merecem ser assinalados os contributos de Prazeres Duarte na organização e decoração emprestada ao evento; e de Clara Aires Guitas, porque lá de longe, endereçou convites de Seca a Meca.

Soube a pouco, ressoou o eco.
*

SOLIDÃO COM VIDA

Há quilos e quilos de solidão
em cada metro do teu olhar …
Há rios e rios de escravidão
em cada fluir do teu pensar…
Mas vem, as estrelas escorrem
ouro
nas pétalas da nossa rua por
desvendar
e as papoilas cobrem de prata
as raízes d’açucenas aqui aos
pares…
Vem, não tenhas medo,
não fujas da solidão,
o sol ainda vai brilhar
e as pedras ainda vão dar pão!

in Rosinda de Oliveira, VIAGEM DENTRO DE MIM, (UNIDADES DE INCIDÊNCIA. SUFOCOS.), Edição da Câmara Municipal de Oliveira do Bairro, 2001.




(imagem composta pelo editor)


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SOLDADO – 2

Pesadas eram as botas
Que o soldado trazia
E o capote cinzento
Nas noites de invernia.
Alguém gozava
Enquanto ele sofria.
E quando ele chorava
Alguém ria.
Um dia o destino o levou
Para onde ele não queria
Para uma guerra que sonhava
Mas não via.
Uma bala trespassou
O soldadinho que gemia
O soldadinho que morrera
Com as botas que trazia …

Bustos
20. Maio.1969

in Carlos Luzio, Pescador de Sonhos – Poemas de Guerra, edição póstuma, 2005.
---


CONFISSÃO (a)

Poesia, és o grito que em mim corre
Sobressalto de sonhos e fantasia
Faz de mim o teu refúgio
E eu te darei a voz e um coração que sente
Para pintares o que se estende em meu redor
Tornar-me-ei tua serva se quiseres
Porque sei que sem ti eu sou vazia.
*

- Marineide Simões dos Santos\Canto e Amanhece\Poemas\Edição da Câmara Municipal de Oliveira do Bairro\1ª Edição\Março 2009,

(a) Copiado de
http://noticiasdebustos.blogspot.com/search?q=Marineide

16 de fevereiro de 2010

POEMA


FILHA EMANCIPADA



Bustos, és filha emancipada
De uma mãe vizinha chamada Mamarrosa,
És solo de terra seca, solo de terra molhada,
Com cheiro a milho, uvas e rosas.
Certo dia quiseste deixar o ninho de tua mãe,
Porque os filhos crescidos querem sozinhos voar,
Pediste-lhe um pouco de terra para teu lar
E um povo destemido que te ajudasse a ser livre,
Lavradores e criados para quem tu eras o bem
Que possuíam, a terra que calcavam com os pés
Desejada, e num 18 de Fevereiro, quem sabe
De madrugada, disseram-te voa sozinha
Filha inconformada, já que grande te vês,
Que te levem as próprias asas, terra sonhada;
E tu lá foste e amadureceste, chão tão íntimo,
Hoje és livre em cada passo, em cada traço,
Terra de meus pais, e casa adoptiva te sinto!


Segunda-feira, 15 de Fevereiro de 2010

Marineide Simões dos Santos


Foto de Oscar Santos

20 de setembro de 2009

BUSTOS - BANCO QUE "NÃO MERECEU FAVORES" DA JUNTA DE FREGUESIA


(...)
"Ninguém te dá importância, pressentes a arrogância
Debaixo do fraco escudo que protege um ser tão surdo."

in Marineide Simões dos Santos,
canto e amanhece
(Relógio do Mundo Perdido)
edição da Câmara Municipal de Oliveira do Bairro, 2009.
**
Nota -
Distracção, teimosia ou excesso de trabalho ou por quaisquer razões ainda não esclarecidas o executivo autárquico abandonou o banco. E hoje são visíveis vestígios de apodrecimento da madeira.
Quando a Junta de Freguesia, pelo seu livre arbítrio, fez deslocar a placa toponímica da Rua do Cabeço para encurtar o Largo da Igreja Velha, bem poderia ter reparado no estado de conservação do banco, que estava mesmo nas barbas da placa.
Enfim.

sérgio micaelo ferreira

2 de abril de 2009

Este livro que vos deixo

Este pequeno livro de poemas, do qual seguidamente se apresentarão alguns textos, não é mais do que a minha primeira viagem através da criação literária. E como primeira viagem que é, certamente que carece de muito aperfeiçoamento.
No entanto, servi-me dele para fazer perceber o que de mais importante me marcou nesse tempo, as personagens e os factos históricos, as pessoas, a minha relação mais ou menos pacífica com a natureza, e porque não dizê-lo como último aspecto mas não o menos relevante, os textos em que falei de mim como alguém que, se por um lado sabe desde cedo que a vida nem sempre é assim tão cor-de-rosa, por outro lado nunca deixou que os maus momentos lhe roubassem o optimismo e a esperança.
Escrever este livro foi um desafio e uma descoberta, porque percebi que embora o meu corpo de pessoa com deficiência física não me permitisse ter grande mobilidade, através das palavras o meu espírito e o meu pensamento se libertaram, levando-me para espaços e limites que jamais julguei alcançar, e tudo isto sem esquecer o quanto ele foi importante para me ajudar no conhecer-me melhor, na procura de mim mesma.
Por último quero agradecer à Câmara Municipal de Oliveira do Bairro, nas pessoas da Exma. Sra. Vereadora da Cultura Dra. Laura Sofia Pires, e do Exmo. Sr. Presidente da Câmara, Mário João Oliveira, pela oportunidade que me deram de poder concretizar o sonho de editar o meu primeiro livro, quero também agradecer à Exma. Sra. Dra. Cristina Calvo, ao Gabinete de Comunicação na pessoa da Dra. Isabel Roça e ao escritor Armor Pires Mota por todo o empenho demonstrado.
À minha família, sobretudo aos meus pais, irmã e cunhado, dirijo também um especial agradecimento, por me terem ajudado a chegar até aqui, sem esquecer os meus professores, colegas e amigos.
A todos o meu muito obrigado carinhoso e bem hajam.

Marineide Simões dos Santos
*
- Texto da intervenção da Marineide na apresentação do seu 1º livro de poemas "Canto e Amanhece", no Salão Nobre do edifício dos Paços do Concelho, em 21.3.2009.
- Fotos do Telmo Domingues, bustuense, fotógrafo e prof. do IPSB.
oscardebustos

24 de março de 2009

MARINEIDE SANTOS "ESTEVE" NA BIBLIOTECA DE BUSTOS


Mal a notícia do lançamento de ‘canto e amanhece’ de Marineide dos Santos, que chegou com atraso de uns bons sete anos, a preocupação foi passar a palavra. E que melhor chamada do que a imagem?
Enxó de um lado, podão do outro, mais papelão, cartão tesoura e cola e eis que na Biblioteca de Bustos aparece o anúncio do momento do lançamento.
Houve uma falha. O Warhol de Bustos (Telmo Domingues) não passou pela «nossa» Biblioteca, para memória futura, a recolher algumas imagens do trabalho arquitectado e construído por Prazeres Duarte a publicitar o Dia da Poesia.
Fica para o próximo evento.

23 de março de 2009

Cidadão do mundo (Arsénio Mota)



Quando a neura o* invadia, largava para onde, no café habitual, tinha círculo de relações. Ali acabou por divulgar pelos amigos duas obrinhas como quem, de cabeça ainda submersa na placenta materna, anseia por respirar as brisas do planalto para botar plena figura. Ensinaram-lhe algo que nunca mais esqueceu: o texto literário não é apenas lido pelo leitor, também o leitor é «lido» pelo texto. Na medida em que sobre ele se pronuncie.
A experiência era sem dúvida o maior salário que poderia guardar para durar. Mas uma interrogação tornava-se para Tumim crucial: Se não vives na verdade, na verdade vives? Enfático mas convicto decidia: Só vivendo na verdade, na verdade se vive.

Por fim abalou para a cidade definitiva de que fora visita na sua primeira juventude, pois Tumim acabou por entender: pode-se chegar a ser cidadão do mundo até num esconso buraco sertanejo. Recebera a lição das pessoas que, deslocadas em viagem, lhe garantiam que os sítios exactos onde moravam, algures no mapa, ficavam afinal «perto de tudo», numa localização indiscutivelmente privilegiada. Aprendeu assim que a gente faz do lugar onde vive o «centro do mundo». Quando viaja, não sai – apenas gravita em torno.
__________________
in Arsénio Mota, Quase Tudo Nada, (prémio literário Carlos Oliveira, 2005), IV cidadão do mundo´(excerto), Edição Campo das Letras, com Patrocínio da Câmara Municipal de Cantanhede, 1ª edição. 2006.

[ o* é o Tumim da novela, digo Arsénio Mota, em carne e osso.
Um obrigado a ASM pela informação e material fornecido. E como não há duas sem três, um bem-haja consolidado por teres enviado as primeiras notícias acerca da 'tua' apresentação do Livro de Poemas 'canto e amanhece' de Marineide (venezuelana-bustuense) Santos - notas de ‘altinod@poba’, com a responsabilidade do alto-revisor.]

22 de março de 2009

QUANDO AMANHECE É UM NOVO NOVO DIA (com adenda)

O ramo de flores do Notícias de Bustos

"Perdi um óptimo Pai e ganhei um excelente Anjo da Guarda"
*
As fotos da cerimónia de lançamento do Livro de Poemas da Marineide estão disponíveis AQUI.
- ADENDA (às 3H25 de 23/3): O NB passou a ter o dom da ubiquidade, pelo que agora também podemos ver o vídeo da cerimónia, acompanhado de música de fundo; basta lincar com o botão esquerdo do rato AQUI mesmo [chegados ao link, voltar a clicar na pantalha negra, com pena de que o peso do ficheiro descarregado para o PicasaWeb sob o título "Filmes - Marineide" não permita fazer melhor].
_
- Nota do relator: foram muitos os Bustuenses que lamentaram a hora do início da cerimónia - 9H30 da manhã de ontem.
Estão enganados: a cerimónia começou tarde. Deveria ter-se iniciado à 1H30, quando começa o meu dia.
[A ver se não me esqueço de alertar a Sra. Câmara no sentido de passar a ser mais razoável...]
[A crítica é feita por razões de humor/amor: é bom lembrar que a cerimónia se enquadrou no âmbito da Semana da Poesia\AO SABOR DA POESIA '09 e foi seguida de outros eventos no bonito e funcional edifício da Biblioteca Municipal ].

21 de março de 2009

Marineide: Canto e Amanhece

Confissão

Poesia, és o grito que em mim corre
Sobressalto de sonhos e fantasia
Faz de mim o teu refúgio
E eu te darei a voz e um coração que sente
Para pintares o que se estende em meu redor
Tornar-me-ei tua serva se quiseres
Porque sei que sem ti eu sou vazia.
*
- Marineide Simões dos Santos\Canto e Amanhece\Poemas\Edição da Câmara Municipal de Oliveira do Bairro\1ª Edição\Março 2009,
- O NB editará brevemente as fotos da cerimónia de apresentação do livro da nossa Marineide.
- A reportagem fotográfica, tal como a do Carlos Luzio na homenagem dos Amigos junto à sua última morada, é da autoria do Telmo Domingues, cuja dedicação e profissionalismo o colocam na galeria dos grandes bustuenses.

DIA 21 DE MARÇO - ARTE EM CONJUNÇÃO



MÃE
Teu rosto permanece em meus sentidos
O gesto sobre o brilho de uma flor
Tua voz renasce em mim a madrugada
Como se fosses o poder da vida
Que traz a cada prado o verde manto
Como se nessa eterna Primavera
Permanecesse o sonho em brando leito
E meus olhos sentissem a presença
Dessa intemporal fidelidade
Em teu ventre o mito se transforma
O breu já não preenche o claro dia
Levas a mudança ao horizonte
a ti devo amor e sentimento
Essência, magia, liberdade
És belo ser e doce saudade.

Marineide Simões dos Santos,
canto e amanhece, poemas;
capa: arranjo de Catarina Marques;
Edição da Câmara Municipal de Oliveira do Bairro;
1ª edição, Março 2009.
(com apresentação auspiciosa no Dia Mundial da Poesia'09
no Salão da Assembleia Municipal)


20 de março de 2009

HOJE A PRIMAVERA ABRE A PORTA - AMANHÃ A MARINEIDE ABRE O LIVRO EM OLIVEIRA DO BAIRRO

A minha conterrânea Marineide vai finalmente publicar (*) o seu 1º livro de poemas. É já neste sábado - dia mundial da poesia, no Salão Nobre da Câmara de Oliveira do Bairro (e não na Biblioteca Municipal), pelas 10H00 (**). Como é seu dever e propósito, o Notícias de Bustos vem lembrando o evento.A Marineide perdeu o pai que tanto adorava, a maior razão de ser da sua vida.O Mário ajudava-a estremosamente em tudo o que um filho carece quando as limitações físicas criam barreiras que parecem intransponíveis. Há mortes que deviam ser proibidas por decreto divino. A do bom amigo Mário era uma delas. Davam-me especial prazer os momentos de conversa, as mais das vezes à minha porta: tolerante ainda que empenhado política e religiosamente, o Mário era um cidadão duma postura, dignidade e abertura como pouco se vê.

OS PAIS QUE PERDEMOS E A POESIA QUE NASCE Quinta-feira, 19 de Março de 2009
______
(*) "Sete anos de pastor Jacob servia" (Luís de Camões)
Há sete anos o livro não mereceu o 'nihil obstat' de um "pro-consul" de Oliveira (Foral) do Bairro. Pela intervenção de Óscar Santos, "compreende-se" o motivo da rejeição.
É isso manelzito ... O Mário usava com garbo outro emblema.
(**) Óscar Santos, p.f. rectifica a agenda. A sessão foi antecipada para as 9H30.... A menos que pretendas justificar o atraso ...

18 de março de 2009

SÁBADO, DIA DA POESIA - "CANTO E AMANHECE" CEDO EM OLIVEIRA DO BAIRRO


Sábado, 21 de Março'09 - o Dia Mundial de Poesia em Oliveira do Bairro vai ser presenteado com o 'Canto e amanhece' de Marineide Santos.
Conforme NB já informou, Câmara Municipal & Armor Pires Mota apresentarão livro e a autora.
O evento tem início às 9H30 no Salão Nobre da Câmara Municipal e será decorado com um espectáculo orientado pela Marineide.
Para preparar o leitor, transcreve-se o poema 'Espelho Meu' que, de algum modo, "espelha a minha poética e os temas que constam deste livro", segundo afirma a poeta.
.
ESPELHO MEU

Espelhei nas palavras todo o meu Eu
Mesmo que as memórias me atormentassem
Viajei por Mundos cuja distância
Somente a Liberdade compreendeu
Recordei com meu profundo sentimento
Os feitos, os heróis, as afectivas ligações
Erguendo meu brado, que era ténue
Reflecti e amei cada momento

Vesti mil mantos, tive mil pensamentos
Voei, corri por vales e desertos
Chorei pela Dor que não era minha
Fui eu e o contrário de mim mesma
Foi meu templo o Sentimento, seu portal a Emoção
Ao seu lado jorrava a dura existência
Quebrou-se o cristal, sinto a vazia convivência
Mas no peito que é meu despertou o Coração.
*

Um pouco da autora:

Marineide Simões dos Santos nasceu a 28 de Outubro de 1976, em Caracas, Venezuela, onde então viviam seus pais, emigrantes de Bustos.

Mora há 24 anos com a família nesta localidade do concelho de Oliveira do Bairro.
Frequentou o ISPB [Instituto de Promoção Social da Bairrada] (Colégio de Bustos).

É licenciada em Línguas, Literaturas e Culturas percurso Português, Latim e Grego pela Universidade de Aveiro.

Participou em alguns encontros poéticos realizados na Bairrada.
"Canto e Amanhece" é o seu primeiro livro e, realmente, a sua estreia literária quase absoluta.
O altino agradece a Marineide Santos a informação pormenorizada e a C. Bolandas a colaboração na produção deste postal-e.

10 de março de 2009

MARINEIDE SANTOS: "CANTO E AMANHECE" às 10 Horas de Sábado, dia 21


Segundo informação recolhida (em 17.03.09), o início da sessão está remarcada para as 9H30 de sábado, 21, dia mundial da poesia, da árvore da floresta...
altino.

21 de outubro de 2005

A CULTURA NA «CIDADE»

António de Cértima (auto-retrato)
Um senhor natural de Oliveira do Bairro ofereceu um conjunto de 55 livros e uma colecção de 65 jornais à Biblioteca Municipal de Oliveira do Bairro. Não terá sido grande dádiva, aliás feita sob condições, mas o «Jornal da Bairrada», em 13-10-05, enalteceu o gesto anunciando-o com destaque, em título, como o «primeiro espólio» oferecido por quem assim passava a «ser mais um amigo da biblioteca». Insistiu: esta biblioteca, «pela primeira vez, recebe um espólio, ainda que disponha de algum (pouco) do escritor António de Cértima.»

Ora bem, o espólio recebido em 1994 por oferta da viúva de Cértima não foi nada, mesma nada, «pouco». E chega a maré de saber, onde pára ele? O pior, porém, está aqui: nem o título nem o texto citado correspondem à verdade factual, garante-o o signatário na qualidade de testemunha-participante do caso.

O texto era assinado por Armor Pires Mota, o que é estranho dado este jornalista conhecer os factos (relembrara-lhos até recentemente). Tornei a contactá-lo e, mais uma vez, o assunto ficou embrulhado em nicles. Armor responsabilizou a Câmara pela afirmativa, ficando ele de ombros encolhidos e sem vestígio de memória.

Deste modo, que pensar da «cultura» que a Câmara faz reinar na «cidade» do nosso concelho – autodeclarado no pulsar do dinamismo! - e da regra deontológica seguida pelo jornal?

O Jornal. A linha ideológica de um jornal pode admissível e respeitavelmente ser de direita, ser CDS, mas, para que não tenha que receber lições de ninguém, o jornal terá que saber reconhecer os factos objectivos e sempre com a máxima isenção. Se é este ou não é o caso do «Jornal da Bairrada», os seus leitores que o digam!
Por outro lado, a qualidade do jornalismo que exibe não pode ser considerado exemplar a não ser pela boca de quem não saiba o que diz ou queira mostrar-se tão tendencioso quanto o que enaltece. E tudo isto contribui para empanar o ambiente cultural da «cidade».

A Câmara. A acção cultural desenvolvida pela Câmara presidida pelo dr. Acílio Gala na parte final do seu mandato mostra-o a correr para publicar todos os livrinhos dos amigos em tempo útil, ou seja, enquanto havia tempo. O orçamento municipal pagará o luxo, mas fica a dúvida: até que ponto a «cultura» oliveirense aumenta o brilho com essas (muitas) edições? Haverá no concelho assim tantos escritores dignos de publicação (o que faz lembrar a rejeição draconiana de editar a primícia poética de uma jovem bustuense, a Marineide)?

O caso. A oferta da viúva, ainda bastante «escondida» e nunca agradecida, tem que ficar exposta para que conste. Até hoje, foi tabu. Na sequência das comemorações do centenário de nascimento do escritor e diplomata António de Cértima, nascido em Giesta, Oiã, em 1894, organizei um programa que se estendeu por seis meses apoiado pela Câmara Municipal.
Estabeleci contacto pessoal prévio com a viúva, D. Maria Arminda, visitando-a amiúde em Lisboa, de modo que publiquei um estudo biográfico a ele dedicado e reuni material para exposição biobibliográfica, vídeo, estátua, etc. Entusiasmado, Acílio Gala pensou então na biblioteca municipal, projecto que a seguir acompanhei muito de perto. E foi no meio de tudo isto que incentivei a viúva a oferecer à biblioteca concelhia, então em projecto, as colecções de livros que enchiam as estantes da sua casa. Gala aplaudiu e combinei tudo. Um dia, manhã cedo, viajei do Porto até Oliveira, Gala meteu-me na viatura presidencial e, acompanhados por um espaçoso furgão, partimos. Trabalhámos todo o dia, rodeados de poeira, a encher caixotes e a metê-los no furgão até o encher. Livralhada em português, espanhol, francês, até árabe, de cambulhada! E, com missão cumprida, em Oliveira peguei no meu carro e regressei à Invicta, cansado, para jantar a desoras.

Talvez duas semanas depois, confirmei: Acílio Gala, que recebera em mãos aquela importante oferta, não enviara ofício de agradecimento à viúva! E logo me fez sentir que, na sua ideia, eu é que deveria agradecer a D. Maria Arminda! Fiquei varado, sem comentários.
A seguir invalidou uma «sala memorial» dedicada ao escritor e diplomata, prometida e prevista para uma dependência da biblioteca e para a qual eu ainda hoje tenho, como fiel depositário, o espólio literário mais significativo do autor da «Epopeia Maldita» e «Soldado, Volta!». Não vejo destino condigno a dar-lhe.
Já com a Biblioteca Municipal a funcionar e com as minhas relações com Acílio Gala a complicarem-se gravemente, obtive ali umas respostas evasivas para o que perguntava: a livraria de Cértima ia ser classificada e posta em público mais tarde. E mais tarde, já de relações estragadas, ainda tive o descoco de ir colocar nas mãos rotas de Gala 50 exemplares do meu «A Última Aposta». Oferecidos, claro.

É verdade que o dr. Acílio Gala andou estes anos todos a repetir o seu pessoal apego à cultura, aos livros. Vê-se finalmente quanto valiam na realidade afirmações proferidas por mera política engana-tolos. A esperança que nos resta agora é a de que os caixotes com esses livros, e serão milhares (suponho sem os ter contado), não tenham sido atacados pelos ratos dos armazéns camarários! Ou não terão sido eles os únicos beneficiários de tanta «cultura» CDS?!

Arsénio Mota