23 de novembro de 2014
“BUSTOS EM CUECAS”, A RÉCITA QUE NUNCA ACONTECEU
25 de junho de 2014
O CHÃO QUE PISAMOS
Teatro de revista, cinema desde 1937, com direito a assinatura à moda dos cineclubes que só apareceriam mais tarde, danças e contradanças [vejam AQUI e espantem-se], vários cafés e um restaurante afamado (o Pompeu dos Frangos da sua fase bustuense), farmácia, posto da GNR, estação telégrafo-postal, colégio, talho, peixaria e muito comércio e indústria pujantes, até com nome firmado no mercado nacional.
E, vejam só:
Ainda nos sobrava tempo para trabalhar os campos no duro, emigrar à fartazana para não morrer à fome e viver outras diversões, que os tempos de fome e miséria eram uma festa, a bem da Nação e nada contra a Nação. Excepto em Bustos, porque por cá
Até tempo nos sobrava para lutar contra a ditadura.
querem acabar com tudo o que nos liga às nossas raízes,
querem queimar a sal o chão que pisamos,
querem arrasar tudo,
para que nada reste.
Qualquer dia
roubam-nos a luz que nos alumia.
Qualquer dia
roubam-nos o chão que pisamos.
Mas, quem sabe?
Pode ser que qualquer dia acordemos.
E voltemos a
Enfim, ligar as pessoas ao seu património.”
*
21 de dezembro de 2013
AS CRÓNICAS DE “BUSTOS DO PASSADO E DO PRESENTE”
Os ensaios da banda de música, sob a batuta do maestro Emitério Fernandes, decorriam no sótão da demolida casa da minha avó (aqui mesmo), banda que incluía, além doutros, os seguintes músicos: Zé Valério, Figueiredo e Manuel Tarrafo (irmão da Rosa). O meu tio Figueiredo também fazia o papel do Sebastião da Reizinha (bêbado), tal como o Zé Valério desempenhava a figura do Abílio Crespo, a “andar à bosta”, dizendo a célebre frase, quando perguntado sobre o que andava a fazer: ”vou à bosta para tapar a boca à minha mãe”.
14 de novembro de 2011
JOSÉ CID NO TEATRO AVEIRENSE (24 Novembro) - SOLIDÁRIO COM OBRA FREI GIL (Praia de Mira)
Do Cabeço, o pimentão.
– “Feira”, Bustos em Cuecas
(recolhido de Florinda Barreiro)
21 de setembro de 2010
Inocêncio Caldeira: deixou-nos um dos últimos “Gavetas”
Fazem jogo limpinho;
- Baseado no texto do Serginho Inocêncio Caldeira treinou com o Hernâni, publicado em 11/4/2005 no antecedente “Bustos – do passado e do presente”, AQUI (o link não é directo, abrangendo todo o mês de Abril).
21 de novembro de 2009
BUSTOS EM CUECAS - [1ª exibição] 20.11.1937

... o elenco incluía ao todo dez homens e nove mulheres em cena. O espectáculo foi apresentado nove vezes, sempre com lotações esgotadas e grande êxito. Ditos em palco ficaram gravados na memória colectiva e passaram a fazer parte do refraneiro local.
Transcrito de Arsénio Mota e de NB, em 17.7.09
FERREIRA DA SILVA - «O BRASILEIRO» QUE MUDOU BUSTOS aqui
Bustos em Cuecas tem surgido no NB ou no blogue anterior, por exemplo:
em NB, a 29.8.05 MANUEL SIMÕES LUZIO JR: A HOMENAGEM QUE FALTAVA - 1 aqui
Memória: “Bustos em Cuecas”, de Paulo Alves aqui
Mas há uma nota que tem passado despercebida.
Manuel Sérgio foi o grande activista para levar à cena a Revista. Os seus vastos conhecimentos junto das tertúlias lisboetas do espectáculo e a troco de uns avantajados cobres trouxe material escrito que serviu de apoio ao «Bustos em Cuecas».
Nada está registado.
Os testemunhos não existem.
O pó nada diz.
…
Caneca e adepto e contribuinte líquido de Os Belenenses, Manuel Sérgio patrocinou convívios, “estágios” em Bustos de jogadores dos Azuis de Lisboa.
Quando houve a fusão da União Desportiva de Bustos (designação atribuída a Manuel Tavares da Silva), Manuel Sérgio tudo fez para que a UDB fosse filial de ‘Os Belenenses’.
Este pormenor pode ser polémico. Os gavetas podem não aceitar. Mas até agora não há conhecimento da UDB ser filial do Futebol Clube do Porto.
Seja qual for a descoberta, não vai retirar a influência que Manuel Sérgio teve na construção da equipa de futebol de Os Azuis de Bustos.
apesar do esquecimento a que foi votado.
21 de julho de 2009
VII Fórum de Bustos: recordar ideias humanistas - I
Como não podia deixar de ser, a decoração interior evocou Manuel Ferreira da Silva, de resto representado ao vivo pelo Joãozito no fato de emigrante de passagem pelos EUA e que o NB já reproduziu. Não faltaram memórias dos tempos do cinema sonoro, dos trajes dos anos 30 e 40 e dos bailes desses tempos (eu e o Jaime até fomos “desapertar” duas moçoilas que dançavam entre si, como que a pedi-las).Muito lembrado e melhor documentado foi também o teatro de revista, de que foi paradigma a peça Bustos em Cuecas. Bem a propósito e porque se tratava de recordar, foi reconstituída (graças ao precioso trabalho de recolha da Clarita Aires) uma cena dos anos negros da II Grande Guerra, por sinal também recordada por Mário Reis Pedreiras:
Pois acreditem se quiserem: até uma gravação original dos noticiários do Fernando Peça foi ouvida junto ao Bustos Sonoro Cine e, logo a seguir, no agradável espaço exterior do Rafael. Nem o cavador com a sua enxada faltou a compor a cena viva. Um mimo!
Só mesmo a Clarita do nosso sofrer seria capaz de tais pormenores etnográficos!A regressada Irene Micaelo lembrou que o Fórum bebeu as suas raízes nos bancos das nossas escolas: “Estamos a falar de Cultura e estamos a falar de Afectos, porque este é também um encontro de amigos.”
Isso e muito mais nos disse a Irene dos meus tempos de rapaz namoradeiro. Em remate sublime, trouxe-nos “pela mão a jovem professora de 21 anos que, no início da sua carreira, se deslocava de Ílhavo à Quinta Nova para, também ela, nos abrir as fronteiras do conhecimento.”. Bem merecido foi o lindo ramo de flores que entregou à Prof.ª Maria Leonor Branco Marques.
E mais não conto por hoje, que o espaço e o tempo são curtos em demasia.Felizmente, é longa a memória de quem sente e vive as Raízes de Bustos.
17 de julho de 2009
FERREIRA DA SILVA - «O BRASILEIRO» QUE MUDOU BUSTOS
Sem passar a pente fino lá encontraremos:
.«a construção da sua primeira escola pública»,
.«a feira bi-mensal»,
.«o cinema»,
.«a União Liberal de Bustos»,
.«a electrificação»
.a pavimentação com paralelepípedos das estradas nacionais de 3ª que a servir Bustos e Sobreiro.
.a passagem de «carreiras regulares de camionagem».
.o aparecimento do “«Ford» de Manuel Nunes Pardal” e a provocar espanto.
…
Apesar da sua população ter baixado para 1625 habitantes[2], Bustos transformara-se num estaleiro recheado de realizações.
E porque o VII Fórum de Bustos (2009) evoca Manuel Ferreira da Silva, aliás, vai concretizar uma aspiração de Mário Reis Pedreiras acalentada nas comemorações do Dia de Bustos’1990, “que, no próximo ano, lhe seja prestada digna homenagem” conforme o JB[3], considero oportuno divulgar o texto que Arsénio Mota dedica a Manuel Ferreira da Silva.
Coube a Manuel Ferreira da Silva, de Quinta Nova, que se fixara no Brasil e onde fizera fortuna, a honra de introduzir o Cinema em Bustos, A sua aposta máxima teve o nome de Centro Recreativo de Instrução e Beneficência, fundado em 1936.
Foi um sonho, temerário, sim, mas coroado pelo melhor êxito, graças à visão rasgada, ao saber pioneiro e ao dinamismo de que deu amplas provas.
Manuel Ferreira da Silva criou no povo bustuenses e dos arredores, desde os «anos heróicos» iniciais, o gosto pelo Cinema, levando-o a frequentar semanalmente aquela casa de espectáculos. Lançou inclusive um sistema muito simples e aliciante, porque era económico, de «assinatura mensal», espécie de cineclube avant la lettre - algo de espantoso numa localidade rural e naquela época.
Bustos orgulhou-se, nos anos 30 e 40, e mesmo depois, quando tantas cidades de província ainda não podiam dispor de sala com cinema sonoro, de ser uma simples aldeia e possuir - mais: merecer! - a sua excelente casa de espectáculos.
No seu palco se representou, nomeadamente, a revista à Parque Mayer «Bustos em Cuecas», que deixou fama a perdurar muitos anos, e se realizaram assíduos bailes e outros actos públicos.
Em 4 de Setembro de 1977 reabriu após um interregno para obras de beneficiação, que de novo a colocaram na vanguarda das casas do seu género. Mudou então de nome, passando a designar-se Bustos Sonoro Cine e a exibir por norma três filmes por semana, com matinée ao domingo e baile à noite.
Voltando ao espectáculo que os bustuenses realizaram brilhantemente, anota-se que os respectivos ensaios se alongaram de 1934 até 1937, - ano em que «Bustos em Cuecas» subiu ao palco. O ensaiador (director) era David Pessoa, alfaiate e depois comerciante e emigrante; o director musical era Emitério Fernandes, da Palhaça; o compère, Manuel Sérgio. Mas o elenco incluía ao todo dez homens e nove mulheres em cena. O espectáculo foi apresentado nove vezes, sempre com lotações esgotadas e grande êxito. Ditos em palco ficaram gravados na memória colectiva e passaram a fazer parte do refraneiro local.
[Fim de transcrição]
(pg.s 30 e 31 )
______________
[1] Arsénio Mota, “Bustos – elementos para a sua história”, edição da Associação de Beneficência e Cultura de Bustos, 1983
[2] idem
[3] Jornal da Bairrada, 23.02.1990
9 de julho de 2009
CENTRO RECREATIVO: DO PRIMEIRO BAILE À INAUGURAÇÃO OFICIAL

Fomos encontrar a resposta num jornal que, em 1918, começou por ser editado em Bustos, o “Alma Popular”.
No ano de 1936 o quinzenário era publicado em Oliveira do Bairro, sendo dirigido por Manuel dos Santos Pato e Tiago A. Ribeiro. Ao tempo tinha uma coluna intitulada “Notícias de Bustos” onde o correspondente local, que assinava com o pseudómino Xis ( na verdade era Manuel dos Santos Pato), dava nota dos acontecimentos da aldeia.
Pouca coisa escapava ao “nosso” Dr. Pato que no dia 3 de Maio de 1935, na página dois, assinalou o nascer do projecto:
“Club - O nosso amigo, sr Manuel Ferreira da Silva, acada de adquirir um terreno no centro desta localidade destinado à construção dum club.
Que a ideia não fracasse – e não deve fracassar - como já aconteceu doutra vez, são os nossos desejos.”
Ao descobrir esta notícia fiquei optimista quanto à possibilidade de o jornal assinalar o grande momento da abertura. Eventualmente a minha expectativa tinha mais a ver com a realidade dos nossos dias do que com os hábitos dos anos trinta. Mas sempre me pareceu que, ontem como hoje, uma casa destas características, a precisar de ser conhecida e cativar públicos, não podia deixar de abrir portas com um acontecimento marcante. E continuei a consultar o jornal.
(clique sobre a imagem para a ampliar)Já o pescoço se queixava, farto de se manter na mesma posição, quando abro a edição do “Alma Popular com data de 5 de Outubro de 1936. Numa local intitulada “Bailes” descubro novas informações:
“Bustos, 28 – Promovido por um grupo de tricanas realizou-se, a noite passada, o primeiro baile no Centro Recreativo (ainda em construção), que foi bastante concorrido e animado assistindo os três jazzs locais.
-Para o próximo dia 3 está anunciada uma soirée dançante, no mesmo club, iniciativa de uma comissão de senhoras e cavalheiros, a mesma que no ano passado promoveu o baile de beneficência.
Consta-nos que devem assistir muitas das famílias mais distintas desta região.- X.”
Ainda em obras o Centro recebeu o primeiro baile na noite de 27 de Setembro de 1936. O segundo baile aconteceu logo a 3 de Outubro seguindo-se, dois dias depois, o primeiro grande momento cívico e político da sala com a comemoração do 26º Aniversário da Implantação da República.
Escreve o correspondente do “Alma Popular” na edição de 16 de Outubro de 1936:
“Aniversário da República. O cinco de Outubro foi aqui ruidosamente festejado. Durante todo o dia a Bandeira Nacional tremulou no edifício dos Correios e no Centro Recreativo. Salvas de foguetes e morteiros se fizeram ouvir de manhã, ao meio-dia e à noite. De tarde o Floresta Jazz percorreu algumas ruas da freguesia juntando-se, à noite, no Centro Recreativo muito povo que entusiasticamente aclamou a República ao som da Portuguesa.
O Sr. Ferreira da Silva, proprietário do Centro Recreativo, declarou à numerosa assistência que, de futuro, a data da proclamação da República será todos os anos comemorada naquela casa com uma festa de Beneficência.
Esta atitude foi justa e calorosamente aplaudida.”

Um pouco mais abaixo, na mesma coluna, encontramos a tão procurada notícia da inauguração, que afinal aconteceu a 18 de Outubro de 1936.
“Duas inaugurações – Está anunciada para o próximo domingo a inauguração do Centro Recreativo Instrução e Beneficência. O Programa é deveras atraente – música, teatro baile, e outras manifestações de regozijo. (…)”
Na edição seguinte do “Alma Popular” nenhuma referência é feita à inauguração “oficial” do Centro porque o destaque vai para outro grande acontecimento local, a inauguração da Feira. Mas a actividade a artística do “Clube” não deixa de ser referida:
“Teatro – No Centro Recreativo tem sido muito apreciados os trabalhos de Madame Friorenza .Para domingo, 8 de Novembro, além de um número de variedades por aquela artista, está anunciada uma récita de amadores desta localidade. Xis.”
Visconde comemora a República
O ano de 1937 começou com um baile de beneficência:
“Beneficência – O proprietário do Centro Recreativo, nosso amigo, Sr. Manuel Ferreira da Silva , distribuiu em 6 do corrente, pelos pobres desta freguesia, o produto liquido duma récita dada em seu favor no dia de Ano Novo." (“Alma Popular” 15-01-1937).

“Aniversário da República – Como anunciámos, o 5 de Outubro teve aqui festiva comemoração no Centro Recreativo efectuou-se uma sessão solene, a que presidiu o sr Visconde de Bustos, tendo usado da palavra os académicos Manuel Augusto dos Santos Pato, Mega Fontes e António Almeida Pato e os Srs Vitorino Reis Pedreiras e dr. António Vicente.
Todos os oradores fizeram a apologia do regímen Republicano, tendo sido muito aplaudidos e a República entusiasticamente aclamada pela enorme assistência.
Três Jazzs – “Os Melros”dos Covões; “O Lúcifer” da Mamarrosa; e os “Galitos” de Bustos – abrilhantaram as festas que terminaram por um animado baile, cujo produto reverteu em favor dos pobres” (“Alma Popular”, 21-10-1938).
Alguns filmes
12 de Março de 1939: É exibido o primeiro filme colorido, “O Jardim de Alah”.
19 de Março de 1939: É exibido “Os Fidalgos da Casa Mourisca” ,realizado por Duarte Cruz.
2 de Março de 1940: A exibição do filme “O Rei dos Reis” provoca a maior enchente de que há notícia. Mais de duas mil pessoas lotaram a sala tendo muitos desistido de assistir à sessão.
Belino Costa
28 de maio de 2008
"CHÉ MACANUDO, VÓS ESTAIS VIVO!"
UM CASO DE EMIGRAÇÃO
Neste rectângulo enclausurado entre o Atlântico e Espanha, a emigração tem sido sonho, anseio de vida melhor, modo de saciar a necessidade de aventura e uma maneira de conhecer novos espaços e gentes.
As motivações para deixar o torrão natal têm variado ao longo do tempo, mas a emigração alargou os horizontes e foi uma escola de vida para milhares de portugueses.
Ora, para António Bolo, bustoense de larga nomeada, o desejo de aventura nasceu cedo e a esse desejo tudo sacrificou e muitos sacrifícios passou para cumprir o seu destino.
Da escola nem queria ouvir falar e, não raras vezes, a trocava pela prática da natação na "bala do Sardo". Quem por lá passava não deixava de o repreender, mas este logo ripostava: "Más vále sabêre nâdáre que sabê lêre. Pôque se caira à máre se agarra à salguêra!"
Jovem adulto, parte com Pedro Crespo para a Argentina, destino pouco frequente dos nossos conterrâneos. Lá conseguiram facilmente emprego. Enquanto Pedro Crespo, que aprendera o ofício de Ferreiro com o velho Aires da Azurveira, se emprega nas oficinas da "Ferro Carril da Argentina, o António Bolo arranjou trabalho em "Las Pampas" e, mais tarde, dedicou-se ao comércio ambulante.
Embora separados, os dois aventureiros, passavam juntos o fim-de-semana para matar saudades e falar da terra e dos amigos que tinham deixado, tomar um copo e a banquetear-se com a divina parrilha argentina que se vendia pelas ruas da Buenos Aires.
Contudo, os ares argentinos foram contaminados por grave endemia febril, que prostrou o António no hospital.
Quando disso soube, o Pedro passou a visitar o amigo todos os dias à noite. Mas, certo dia, levado por um estranho pressentimento, foi visitar o amigo. Contudo, nem o pressentimento o preparou para a surpresa que o aguardava.
A emigração também é conhecida pela sua fertilidade em episódios rocambolescos, um deles protagonizado por António Bolo.
Na noite anterior, o António, debilitado pela febre, tresloucou quando a "irmã de caridade", lhe quis dar um "caldito". Delirante, supôs que aquela lhe queria dar o "caldo da meia-noite". Sem delongas, pontapeia a malga do fervente líquido que se derrama sobre o peito da "alma caritativa" e, sem papas na língua, exaspera-a com quantos filha sabe- se lá de quem... conhecia e, cai num profundo desmaio.
As pessoas que ocorreram aos gritos da escaldada "irmã" tiraram-no, sem contemplações, para a morgue para acabar com a pouca vida que lhe restava.
Todavia, a fria laje, para onde o arremessaram, teve o condão de lhe baixar a febre e acordar o "galo" que ganhara quando foi despejado na morgue, depois da sua proeza.
Na manhã seguinte, Pedro Crespo, é informado que o amigo falecera durante a noite. Consternado, pede para o ver. Chegado à morgue, para prestar a última homenagem, quase desmaia de susto ao verificar que o seu amigo estava vivo e lança esta expressão aprendida na Argentina: "Ché macanudo, vós estais vivo!"
Depois de se refazer do susto e de se exultar pelo facto de o amigo estar vivo, transporta-o para outro hospital até este se restabelecer.
Tempos depois, ambos regressam à terra natal. Pedro volta às lides agrícolas. António Bolo envereda pelo comércio da batata, jactando-se de ser muito rico.
Tanto se pavoneou com a sua riqueza que, os autores da revista ‘Bustos em Cuecas’, o satirizaram num dos seus quadros, deste modo:
«Quando eu vim do estrangeiro
trouxe muito dinheiro.
Não há ninguém comamim
Quando eu faço os meus comprados,
São logo pagados,
Porque trouxe muito pilim.»
Infelizmente, hoje já não é assim, porque todos querem ser grandes antes de serem humanos.
Ulisses de Oliveira Crespo, cronista da vila.











