7 de agosto de 2005

MAMARROSA: FESTEJOS EM HONRA DE S.SEBASTIÃO

S. Sebastião
Autor: Vasco Fernandes (Grão Vasco) (1501 - 1540)
Local: Museu de Grão Vasco (Viseu)
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O povo da Mamarrosa (a par dos nossos vizinhos da Palhaça) tem um especial carinho pelo mártir S. Sebastião; este Santo de tantas devoções é uma constante em nome de ruas, cidades, praças e outros sítios de Portugal e Brasil. Talvez porque gostamos de sofrer e fazer sofrer, sentimento que a terra da “MAMOARÁSA” - assim chamada em documento de 1020 – também quis chamar a si.

Pois as festas em honra do martirizado Santo começaram a 5 e hão-de acabar na próxima 3ª feira.
Chamo a especial atenção para a 2ª Mostra de Gastronomia, que os petiscos e pratos são variados e aliciantes e nem a desajustada obra em curso da futura sede da Sra. Junta nos faz perder o apetite. A sede não nasceu para aquele sítio, pensado para espaço de lazer, mas os políticos têm certamente razões que os nossos martirizados corações desconhecem.

As tendinhas, essas, pertencem às muitas associações locais, onde só me parece faltar o Rancho das Vindimadeiras: estão lá a ADASMA, o Mamarrosa Futebol Club, a Associação Beneficente Cultura e Recreio (criada para manter viva a chama da Banda Filarmónica da Mamarrosa), a Casa do Povo, o Grupo de Animação Cultural, o Rancho Folclórico de S. Simão (este, o orago da nossa Freguesia/Mãe), a Associação Progresso e Desenvolvimento da Quinta do Gordo e a tenda da Comissão das Festas, que todas as ajudas são poucas para cobrir os encargos.

Sobrou ainda sítio para a “Trabuqueta” e para o “Cantinho das Relíquias”, este a lembrar-nos as duas rodas em que se faziam transportar os nossos avoengos a partir de 1900. Gostei especialmente desta moto “Matchless/1945”, a lembrar os finais da 2ª Grande Guerra.
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A Banda ensaiava e tocava no salão construído em frente à igreja pelo seu grande artífice, o muito lembrado Prof. Jaime de Oliveira Pinto de Sousa, irmão do Prof. José de Oliveira da Banda do Troviscal. O famoso Maestro tocava na “Tuna dos Malhadeiros” da Amoreira da Gândara e terá sido o casamento a trazê-lo para a Mamarrosa, onde se instalou na casa do sogro, casa esta que mais tarde veio a funcionar como clínica pelas mãos do querido mamarrosense Dr. Manuel dos Santos Pato. A criação da Banda data de 1916, então com a designação de Banda Escolar da Mamarrosa e na sua génese estiveram também filhos da terra, como o Ti Neves e o Zé do Pedro.

Mas antes do salão das nossas recordações (lembram-se, ó raparigas do meu tempo?), a Banda ensaiava na sede da tal “Trabuqueta”, uma espécie de clube virado para os bailaricos, festas, teatro e que também funcionou como escola. O espaço pertenceu a Manuel Francisco dos Brózios e foi engolido pelas exigências do mundo moderno, que a vida não pára e as nossas RAÍZES são difíceis de preservar, qualquer dia servem-nos cimento e asfalto às refeições, mas disso não como, não senhor:
Prefiro, de há uns tempos a esta parte, a costela de carne marinhoa, feita à “bafo de boi” pelo Rui Rodelo, da Associação Progresso e Desenvolvimento da Quinta do Gordo, como só ele sabe fazer.

E se querem saber mais, interroguem esse poço de conhecimento da sua terra que é o Prof. Costa. É amigo que sabe de tudo e mais dumas coisitas.
Se acharem escassa a informação, comprem “A Banda Filarmónica da Mamarrosa - Música na batuta do tempo”, essa obra grande da Dra. Rosinda de Oliveira e a quem a Mamarrosa, o concelho e o país devem tanto. A direcção da Banda agradece e sempre é uma ajudita para os instrumentos.

Há outros recordares da nossa terra/mãe, mas esses subiram ao céu com o Plácido, o Dr. Pato, o Hilário Costa e o meu Pai, entre outros: imagino-os lá em cima, à mão esquerda de Deus (que a direita não era com eles), em divertida brincadeira com a Pintadinha, a Cigana e a Rosa dos Limões. Os malandros…
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Oscar de Bustos

3 comentários:

  1. ... e os encontros no "Vulcão" ?! ...

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  2. Anónimo22:13

    Dia 10.(A)gosto. Conselho de Notáves vai reunir-se. Darão algumas dicas para serem inscritas nos programas de promessas? Aguarde-se. Oxalá não proponham o "Palacete" como edifício de interesse municipal. A não ser que seja por haver(?) um tesouro escondido, segundo Óscar ... Haverá mais uma propsota de homenagem ao sr. Visconde?
    É salutar que Bustos pense projectos.

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  3. Anónimo18:28

    É de salutar como é que a srª. da Quinta do além também lá não esteve....... ela costuma estar em " cima " de todos os acontecimentos...!

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