22 de abril de 2007

BUSTOS - UVAS FORA DO BRASÃO?

“A agricultura, mesmo a brincar, faz-nos sentir bem; mas não vejo salvação. O que seremos e como seremos dentro de mais uns anitos?” Óscar de Bustos, comentário das 17H46, a OsKar APELA …, de 20.04.07

“Vinhedo já foi chão que deu uvas.” Óscar de Bustos, comentário das 00:34 na peça de bc, Vindimas, 20.09.06

Comentário:
A colocação dos cachos no brasão da ‘vila de Bustos’ é contrariada pela realidade.
Ao tempo em que foi desenhado o actual brasão, a vinha estava vastamente abandonada.
Podendo acontecer haver publicidade enganosa no símbolo oficial da Freguesia, coloca-se a questão de os cachos terem de sair do brasão.
Fica a dúvida.
sérgio micaelo ferreira, 22.04.2007

20 de abril de 2007

OsKar APELA… Amanhã, 21 – Podadores ou ‘Podadores’ … ao Portinho!

foto de Pedro Loureiro, Poda, Quinta de Pedralvites, Óis do Bairro, 2002 - extraída (com a devida vénia) de 'Topografias da Vinha e do Vinho', organização José Maçãs de Carvalho, edição Assírio &Alvim e Comissão Vitivinícola da Bairrada (2002). Imperdível, bem como outros títulos publicados sobre a pré-extinta região da Bairrada
*

O apelo com destinatário está em comentário de Oscar de Bustos:

“estou a precisar de mão de obra para este sábado. Afinal, resolvi não abandonar a vinha do Portinho (ali ao pé do campo de futebol da Mamarrosa) e vou tentar uma espécie de poda à talicão, só que atrasada 3 meses.Voluntários, precisam-se, para amanhã [dia 21], com direito a prémio lá para o meio da tarde e partilha do vinho que vier a render.É favor trazer tesoura de podar e serra para as varas mais difíceis[1]

OsKar Santos continua enleado à vinha do Portinho pelos sarmentos espiralgados pelo seu pai, Manuel Joaquim dos Santos.

Sem ter à porta a tabuleta de ‘eno’, ‘vini’ ou ‘viti’…o OsKar pertence à plêiade dos amantes da vinha e ao vinho. Ocorre citar António Augusto Aguiar, figura pública, apaixonado pela vinha:

“Eu tenho uma sympathia sem exemplo pelos trabalhos vinícolas. Amo a videira, como a melhor planta, que a natureza creou, embora os inimigos d’ella, se é que os há, zombem d’esta paixão platónica por um vegetal.”
(…)
aprendi, na vinha, a amar o meu semelhante, quando a mão do homem é carinhosa com a videira. Aprendi, com a vinha a soccorrer os desgraçados, que ella ampara e proteje, com maior sollicitude, do que eu! Respeito na vinha a família rural, que ella, por toda a parte, representa, na sua expressão mais santa e consoladora; ajudando hoje a mãe a amamentar os filhos e a faze-los homens, para depois ajudar os filhos a ampararem a mãe na velhice, na doença e no infortúnio.
A vinha é, para mim, em tudo que sabe fazer, a philantropia em acção.”
[2]

Amanhã, dia de eventos, os podadores, imitadores e outros falsos artistas faltarão ao V Encontro Ibérico de Bandas (no Troviscal). Um palpite, o Silas Granjo (que deixa o ‘Prof. Dr.’ no seu gabinete da Universidade de Aveiro) só justificará a falta ao evento com uma prova das pomadas saídas da colheita’2007.

Sem pretender ceifar em terreno alheio, a vinha do Portinho do OsKar Santos irá ser explorada em comandita? Uma novidade ou estarei errado sobre a figura jurídica?

sérgio micaelo ferreira, 20.04.2007
...

Nota: para possível esclarecimento de OsKar Santos. A vinha está implantada no território de Bustos, ou no da freguesia da Mamarrosa ou em zona raiana?
***

[1] Óscar de Bustos, comentário 04.42, a “+ COMBATENTES DA 1ª GUERRA MUNDIAL (em fotos)”, de 10.04.07

[2] António Augusto de Aguiar, ‘As balsas dansantes’, Carta ao Ill.MO e Ex. MO Sr. João Ignacio
Ferreira Lapa, Typographia da Academia Real das Sciencias, Lisboa, 1871.

17 de abril de 2007

TRÊS ANOS A CELEBRAR BUSTOS!


Foi no dia 17 de Abril de 2004 que surgiu o blogue “Bustos do Passado e do Presente”. Cumprem-se hoje três anos. Iniciou-se então uma caminhada feita de diálogo, debate, informação e divulgação. Para a comunidade de bustuenses espalhados pelo país e pelo mundo tem sido uma oportunidade de manterem um contacto quase diário com a sua terra, uma forma de irem recordando episódios, histórias e personagens marcantes da nossa comunidade, de tomarem conhecimento das últimas novidades, dos eventos que vão marcando os dias de Bustos.

A “Bustos do Passado e do Presente” sucedeu o actual “Notícias de Bustos” que iniciou publicação em 11 de Maio de 2005. Mas nem por isso o blogue inicial morreu já que, mesmo inactivo, continua a receber uma média de 600 visitas mensais das mais diversas origens. (Portugal 78,4 %; USA, 7,9%; Brasil, 6,3% , França 2%, etc).
Dados mensais (de Abril de 2006 a Abril de 2007)
O “Notícias de Bustos” nestes quase dois anos de publicação ampliou de forma significativa a comunidade dos seus leitores, mantendo uma média superior a 70 visitantes diários, tendo já ultrapassando os 2.100 visitantes mensais.
Aveiro, Estoril, Pedrouços, Ferrol (Galiza), Rocklin (Califórnia), Guarda, Senhora da Hora (Porto), Eixo, Sangalhos, Coimbra, Moscavide, Carnaxide, Faro, Viseu, Ovar, Almada, Varsóvia (Polónia), Lisboa, Langley (Canadá), Edimburgo (Escócia), S. Paulo (Brasil), são alguns exemplos dos locais de origem dos mais recentes visitantes deste blogue. Uma amostra significativa de uma comunidade espalhada por todo o Portugal e por todo o mundo.
A todos eles o nosso obrigado. Que voltem sempre!

BC

Momento para António Almeida Ferreira dos Santos Pato (16.09.1919 – 16.04.1989)

António dos Santos Pato[1]
António Almeida Ferreira dos Santos Pato, de seu nome completo, é talvez um dos autores literários locais que menos atenção tem obtido. Dever-se-á isso à escassez do seu espólio e à modéstia intrínseca do seu génio. Ainda assim, vale a pena conhecer mais de perto este conterrâneo desaparecido.

António dos Santos Pato nasceu a 16 de Setembro de 1919 e faleceu a 16 de Abril de 1989 com 70 anos de idade. Era filho do dr. Manuel dos Santos Pato, da Barreira, Bustos, e portanto irmão do eng. Manuel dos Santos Pato, o conhecido e estimado eng. Neo. Herdou, por sinal, a casa familiar nos últimos anos habitada pela sua viúva, D. Maria Máxima Calisto.

A produção literária que se conhece de António resume-se a 37 composições líricas que remontam, ao que nos consta, a um caderno manuscrito por ele oferecido, em 1942, à sua então namorada (irmã da mulher do dr. António Vicente), com pais em Portomar, Mira. Esse caderno foi (desajeitadamente) passado a limpo e composto em computador em 1995, por um neto do autor, que lhe deu título: «Poemas do Avô». Assim nos chegou às mãos.

São, portanto, versos muito sentimentais e românticos, com evidentes marcas da época e da intenção. Escritos nos anos ’40, parecem postos em álbum de juventude a folhear com melancolia e alguma ponta de emoção. Mas que, apesar de tudo, revelam o pulsar lírico e o gosto pela poesia daquele bustuense.

António dos Santos Pato cegou[2], de uma vista em pequeno. Era de feitio calmo e calado. Estudou aplicadamente no Instituto Industrial do Porto mas desgostou-se com as notas que lhe atribuíam, suspeitando de motivos políticos derivados do seu pai (republicano e figura grada em Bustos, da oposição a Salazar) e desistiu do curso. Um emprego no Banco de Portugal, prometido e sempre adiado, manteve-o à espera até aos 25 anos de idade. Entretanto montou oficina de galvanoplastia em Aveiro, na zona da Nª Sª das Barrocas. O negócio correu-lhe mal, pois muitos clientes «ferravam-lhe o cão». Resolveu emigrar para o Brasil (onde ingressou na Volkswagen) com a mulher e uma filha de dois anos, que por lá morreu. Veio passar férias a Portugal e, devido aos seus conhecimentos em galvanoplastia, a Sachs de Malaposta contratou-o. Manteve-se ali vários anos, mas a sorte parece que nunca lhe sorriu. Reformou-se com 58 anos e morreu doente de cancro.

Nos anos ’40 publicou diversas poesias no jornal «Alma Popular» que o pai dirigia. Terão sido as únicas que deu à imprensa em vida. Compôs a letra da cantiga de apresentação da orquestra Aliança[3], na qual tocava bateria e cantava por volta de 1946.

As desventuras da sua existência espelham-se no que dele podemos ler postumamente. Canta, «sofrendo sempre», a saudade, o amor e o destino, ou seja, a tristeza e os desenganos que empanam o fulgor dos dias. Transcrevemos em amostra alguns dos seus versos. – Arsénio Mota

Sofrendo sempre

Quisera alegre ser uma hora, um dia!
Mas para mim a vida é um tormento
Porque não pode ter nunca alegria
Quem nela só encontra sofrimento!

Desconheço a ventura, a f’licidade,
Que o destino p’ra sempre me roubou!
A vida é p’ra mim uma tempestade,
Que ao nascer contra mim se revoltou!

Bem cedo conheci a desventura,
As lágrimas, as dores, os tormentos…
Logo ao nascer a Vida foi-me escura,
E nela apenas vejo sofrimentos.

É bem cruel e triste o fado humano,
A sorte que o Destino nos fadou!
De que nos serve a Vida, triste engano,
Se vem a morte e tudo nos levou?


Quadras soltas

Diz um ditado que a gente
Vê rostos, corações não:
- E eu quisera, francamente,
Pôr o meu na tua mão.

Eu passo toda a semana
Com o domingo na mente:
Se ao domingo te não vejo,
Seis dias fico doente.

Olha que nuvens tão lindas
Como antigas caravelas,
Quem me dera andar contigo
Numa barquinha daquelas!

Já me fiz velho dez anos
Desde a hora em que te vi:
Já tenho a vista cansada
De tanto olhar para ti.

Os dias à tua beira
São momentos de alegria,
De modo que a vida inteira,
Nos teus braços era um dia.

Nunca te pude dizer
O meu amor à vontade;
Pois, diga quanto disser,
Não digo nem a metade.

Uns olhos como os teus olhos,
Inda não pude encontrar.
Vistos de noite dão Sol,
Vistos ao Sol dão Luar.

Tudo o que ti procede
Me dá celeste prazer
Até gosto do desgosto
Que sinto por te não ver.

[1]Texto já editado. Um obrigado a Arsénio Mota pela reposição (N.E.)
[2] O Eng. Manuel dos Santos Pato (Neo) apelidava-o de ‘Camões’ pela coincidência de ser poeta e cego de uma vista. (N.E.)
[3]A orquestra Aliança exibia-se no salão de baile da Costa Nova do Prado a fim de angariar fundos para apoiar os «Gavetas». Certa vez, o Amaral Reis Pedreiras foi o primeiro a comprar bilhete para o ingresso no salão. Pagou e de imediato foi «cravado» para desempenhar o serviço de porteiro. (N.E.)

15 de abril de 2007

ORFEÃO ORGANIZA RALLY PAPER


O Orfeão de Bustos organiza o seu 1º "Rally Paper".
O evento terá lugar no próximo dia 28, com concentração às 13H junto à sede do Orfeão, ali no largo da igreja velha e prevê-se que termine às 17H.

As inscrições, que podem ser feitas na sede da Junta, na Mamarrosa (pastelaria 2 Torres), Palhaça (café S. Pedro), na Junta do Troviscal e na Câmara, custam 15€ (condutor + pendura), com acréscimo de 5€ por cada pendura a mais.
As inscrições terminam no dia 24.
Para contactos, é ligar para a sede do Orfeão, mas os associados Duarte (918438062) e Raquel (964138153), também estão contactáveis.

Divirtam-se e apoiem o Orfeão de Bustos, que bem o merece.
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A propósito: de quem é o Chevrolet de 1953?
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oscardebustos