
Conta-nos o Sr. Hilário que nasceu a 12 de Março de 1907 e que aos 19 anos já estava nos Estados Unidos da América a lutar pela vida.
Emigrante durante quase uma vida, foi um português de torna viagem. Sempre com um pé na sua terra natal, aqui regressava para retemperar o amor pela terra-mãe, pela liberdade, pela democracia e pelo progresso.
Foram esses os seus valores de sempre: valores de defesa e enaltecimento da Família, da Pátria, da Liberdade, da Democracia, do Desenvolvimento e da Instrução dos seus concidadãos.
Esteve nas grandes iniciativas ligados ao progresso e ao lazer de Bustos: os primeiros passos no futebol, então praticado pelo Luzitano Foot-Ball Club no local da futura feira do Sobreiro, a cuja criação também esteve ligado em 1937; movimentos associativos nos Estados Unidos ligados à colónia de emigrantes portugueses; promoção de actos cívicos junto das Escolas Primárias de Bustos; foi ainda membro fundador da União Liberal de Bustos, de que foi Presidente em 1935, ano em que a PIDE começou a perseguição dos democratas bustuenses ligados a esta associação cívica e republicana; criação e divulgou na América, a partir de 1969, o jornal “Farol da Liberdade” e, em Bustos, juntamente com o Dr. Santos Pato da Mamarrosa, o jornal “Bairrada Livre”, este após a libertação do País da jugo da ditadura, em 1974.
Em 1979, com outros 10 bustuenses, participa activamente na aquisição do Palacete de Bustos e na criação da Associação de Beneficência e Cultura de Bustos, a nossa ABC. Logo no ano seguinte parte para a Venezuela com a D. Aldina para promover uma campanha de angariação de fundos para aquisição do Palacete, périplo que obteve grande sucesso, não fossem os nossos emigrantes o grande esteio e a personificação do orgulho Bustuense.
Presidiu à 1ª Junta de Freguesia, eleita em plenário nos primeiros tempos da Liberdade de Abril.
A sua formação escolar elementar não o impediu de publicar dois livros de poemas: “Versos dum Emigrante” em 1954 e “Rosas e Espinhos”, este em 1955. e um poema dedicado à Mamarrosa, demonstrando o seu amor à nossa freguesia-mãe. Procurou chegar às suas raízes e às raízes da nossa aldeia, escrevendo em 1984 “Bustos – Memórias dum Bustoense” e a “Árvore genealógica da Família Costa”, em 1988.
Hilário Costa foi um cidadão exemplar, um marco inesquecível de Bustos e dos bustuenses.
Nobre, voluntarioso, lutador, amante da sua Terra, das suas Gentes, da sua Pátria.
Hilário Costa foi um Homem feliz e realizado:
- Na Família, cuja essência tão bem defendeu, como o primeiro e maior pilar de qualquer sociedade, matriz da verdadeira paz, da harmonia, do amor ao próximo, da Liberdade maior;
- Nos Amigos e na Amizade que, como poucos, cultivou e tão bem retribuído foi;
- Na Solidariedade para com os seus semelhantes, sobretudo os mais carenciados;
Recordo aqui, ainda miúdo, os magustos anuais nas Escolas de Bustos que sempre promovia, mesmo quando estava fisicamente longe; mais recordo, impõe-se realçá-lo, a sua solidariedade material e moral para com as crianças mais desprotegidas e a solidariedade perante a comunidade de Bustos.
- E realizado, finalmente, nessa Felicidade última e primeira de ter podido ainda viver e participar naquilo que de mais valioso e belo contém a verdadeira Liberdade: acima da diversidade de ideais própria dos cidadãos livres, a UNIÃO dos mesmos nas grandes causas, aquelas que vêm fazendo convergir as nossas vozes, as nossas mãos, as nossas acções e esquecer aquilo que – descobrimos agora – não chega para nos dividir.
Se existe uma outra e sublime vida para além da morte física, Hilário Costa olha-nos agora do paraíso, bem junto ao Grande Criador, a quem acena, embevecido, vaidoso de nós, como que a dizer-Lhe: vês como eles Nos merecem?
Sim, devemos merecê-lo e aos nossos dignos antepassados!
Bem Haja, Amigo Hilário Costa e Até Sempre!
*
Bustos, 17/3/2007