1 de junho de 2007

1 de Junho- Dia Mundial da Criança.


No dia 20 de Novembro de 1989,foi adoptada por unanimidade nas Nações Unidas,a Convenção sobre os Direitos da Criança (CDC). Direitos civis, políticos, económicos, sociais e culturais, constituem todo um conjunto de direitos fundamentais que estão presentes na CDC. Quatro são os pilares fundamentais que sustentam os direitos das crianças: A não discriminação, o interesse superior da criança, a sobrevivência e desenvolvimento e a opinião da criança.

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Imagem retirada do Portal UNICEF Portugal, clique sobre o título para visitar o Portal.

30 de maio de 2007

ERA UMA VEZ EM AVEIRO

Há um novo site, http://www.eraumavezemaveiro.com, a não perder.
Neste site, feito a pensar nos mais jovens, vais viajar até aos séculos XV e XVI e ficar a conhecer um pouco da história de Aveiro e de alguns dos territórios à sua volta. Encontrarás personagens muito divertidas! Reis, princesas, nobres, freiras, navegadores, camponeses e marnotos vão ajudar-te nessa descoberta. Vais ver que gostas da experiência!

O projecto Museave, desenvolvido entre Fevereiro de 2005 e Dezembro de 2006, resultou de uma candidatura do consórcio constituído pelo Museu de Aveiro (entidade gestora) e os Municípios de Aveiro, Vagos e Oliveira do Bairro ao Programa Aveiro Digital. O objectivo foi o de produzir uma aplicação digital que explorasse conteúdos museológicos e patrimoniais de forma lúdica, para uma faixa etária dos 8 aos 12 anos.
Deste projecto resultaram dois produtos distintos: Uma visita virtual animada ao passado da Vila de Aveiro, do Convento de Jesus e das propriedades que com ele se relacionavam, nomeadamente, o casal de Requeixo e a Quinta de Ouca. Um módulo de pesquisa. Este permite aceder à informação organizada e sistematizada resultante do trabalho de investigação desenvolvido no decorrer da preparação da visita virtual, mas também a outras informações relacionadas com a história do Convento de Jesus e dos territórios hoje sobre a tutela dos três municípios participantes.Todos os museus associados às referidas instituições (o Museu de Aveiro, o Museu de Requeixo, o Museu de S. Pedro da Palhaça e a Junta de Freguesia de Ouca, Vagos) possuem galerias digitais com acesso livre à Net, onde qualquer visitante poderá aceder ao Projecto e a uma grande diversidade de hiperligações.

29 de maio de 2007

O PODER DA GREVE E...


Está há muito determinado, pelo que mais do que verdade incontestada tal afirmação se tornou num verdadeiro dogma; “Portugal é um país de brandos costumes”.

Não é esta a ocasião para questionar o que é ponto assente. Aceitemos então que Portugal é um país de brandos costumes, o que até pode ser verdade a avaliar, por exemplo, pela brandura com que os derrotados das revoluções de 1910 e 1974 foram tratados. Mas Portugal é também um país de exacerbadas paixões, de “verdades” que subitamente se universalizam, de crenças, valores ou conceitos que, como por um passo de magia, se tornam esmagadoramente maioritários.

Foi assim na transição da Monarquia para a República, a ponto de D. Carlos ter dito que vivia numa “monarquia sem monárquicos”, como se comprovou no 5 de Outubro de 1910. Foi assim depois de Abril de 1974 quando desapareceram do mapa os defensores do regime deposto, e entre nós já só havia democratas de cravo no peito. Esta tendência para integrar o grupo das ideias dominantes tem sido uma das características lusas, tudo sempre fundado numa intrínseca capacidade/necessidade de engrossar as fileiras da “verdade indiscutível” de cada momento.
Estar em grupo e em maioria é a forma de cada um alicerçar a sua credibilidade. E quando se trata de crer somos capazes de o fazer de forma total e absoluta. Acreditamos em ideais mágicos, em falsos D. Sebastião ou até que o sol é capaz de rodopiar sobre uma oliveira.
A tendência para a “unanimidade das almas” sempre teve uma dimensão de fé, coisa total e absoluta que, apesar dos brandos costumes, nos tem levado a algumas experiências políticas únicas nos anais da história universal. Vem tudo isto a propósito da Greve Geral marcada para amanhã, dia 30, coisa afinal insignificante quando comparada com greves de outros tempos.

A GREVE DO VENTRE

Pouco depois da implantação da República o governo provisório chefiado por Teófilo de Braga legislou concedendo o direito à greve, garantindo «aos operários, bem como aos patrões, o direito de se coligarem para a cessação simultânea do trabalho.»
Empolgados com tal possibilidade todos sentiram a irrecusável necessidade de exercer tal direito, e a greve transformou-se na “solução” para todos os problemas. A onda grevista atravessou as mais diversas classes profissionais: operários, empregados de companhias comerciais e de transportes, ferroviários, telefonistas, pedreiros, empregados da Carris, estivadores, operários corticeiros, padeiros, sapateiros, caixeiros e trabalhadores rurais, etc. Da cidade a contestação estendeu-se ao campo. Todos queriam mudar de vida!
Só no ano de 1911 rebentaram 193 greves e, como sublinhou Fialho de Almeida, “três ou quatro das quais bastariam para pôr em perigo o governo provisório.”


Empolgados com a ideia de transformarem Portugal pela via grevista os portugueses do início do século XX utilizaram esta arma com requintes nunca antes experimentados. O projecto alcançou o seu auge, ultrapassou tudo o que ideólogos, filósofos e quejantos já tinham conjecturado quando, no meio da euforia grevista, foi lançada a palavra de ordem, a tal, que finalmente iria revolucionar a vida dos portugueses:
“Mulheres não procreeis!”, apelava um folheto de 1912 incitando à greve dos ventres femininos. Tudo afinal por uma boa causa já que “ neste oceano de fomes, de opressões, de martírios e vilanias”, a solução era “ não aumentardes o número de miseráveis; declarardes a Greve de ventres”.
Isto aconteceu na Primeira República e muitos pensaram que seria difícil ir mais longe. A esmagadora maioria julgou que nunca mais se conseguiria inovar, ou mesmo introduzir novas interpretações no conceito de greve. Pois estavam enganados.

Na sequência da revolução de Abril de 1974 de novo fomos capazes de ultrapassar o impensável e de dar ao mundo uma nova e gloriosa lição sobre o direito à greve. Os manuais de ciência política tiveram que ser reescritos pois Portugal veio demonstrar que a greve, enquanto conceito democrático e transformador da sociedade, pode e deve ser exercido por todos, incluindo o governo da nação.

Foi assim que o conselho de ministros, presidido por Pinheiro de Azevedo, decidiu “suspender a actividade”. Portugal teve o primeiro governo do mundo que entrou em greve. A greve do Poder. A audácia da Primeira República estava ultrapassada.
Tem por isso especial importância histórica o vídeo que hoje editamos (mais abaixo). Vale a pena recordar Pinheiro de Azevedo a explicar aos jornalistas a situação (“fora do normal”) do processo político em curso!
O povo de brandos costumes é capaz dos maiores atrevimentos mas, mesmo em greve, nunca perde um almocinho…

Belino Costa

...A GREVE DO PODER

Vale a pena recordar esse momento histórico quando o Primeiro Ministro "suspendeu a actividade" e foi almoçar.

28 de maio de 2007

ORFEÃO A CAMINHAR


A primeira caminhada do Orfeão de Bustos, que teve a participação de 154 pessoas, foi um êxito apesar do mau tempo que se fez sentir. Leia uma reportagem sobre esta iniciativa no Bustos à Lupa.

FEIRA MEDIEVAL A 6 DE JUNHO


O recinto da feira de Bustos, no Sobreiro, vai ser palco da Feira Medieval, numa organização conjunta da Câmara Municipal e da Junta de Freguesia, com a colaboração da companhia de teatro Viv’arte e Cavaleiros do Tempo.

A 5ª edição da Feira Medieval, desta vez a decorrer em Bustos, inaugura no próximo dia 6 de Junho, quarta-feira. A manhã e tarde desse primeiro dia será dedicada às camadas jovens para depois, à noite, a feira abrir portas ao público em geral.

Haverá jogos de destreza, passeios de burro, mendigos, encantadores de serpentes, jogos tradicionais de época, arruada de tambores e timbalões e dançarinas do ventre, barraquinhas de comes e bebes das associações e colectividades da freguesia, chás, doçaria e artesanato.

Na tarde do dia seguinte, 7 de Junho, feriado do Corpo de Deus, realizam-se os torneios de armas a cavalo com a companhia Viv’Arte e Cavaleiros do Tempo.

25 de maio de 2007

VIAGEM ATRAVÉS DA AMÉRICA (5)

Deixámos Chicago – a cidade do vento, como é conhecida – e recomeçámos a nossa viagem em direcção ao Este. Passámos pelo Estado de Indiana, mesmo no meio de uma zona industrial de grande importância. Esta região, que inclui South Bend, Detroit e Akron, é a base das grandes construtoras de automóveis e maquinaria pesada, além de muitos outros produtos usados na indústria automobilística. Enquanto na costa oeste da América o uso de automóveis de origem europeia e asiática é muito vulgar, é raro ver nesta região carros ou outro tipo de viaturas que não sejam de fabrico nacional.

A paisagem muda. Vêem-se menos campos de cultivo, ainda que a agricultura continue a ser importante nos estados de Indiana e do Ohio. À medida que nos aproximamos da fronteira com Pennsylvania, passamos a estar rodeados por florestas virgens, ricas de madeiras com alto valor económico e de muita beleza.
As árvores na região ainda estão nuas de folhas nesta altura. Estamos no mês de Maio e a Primavera ainda aqui não chegou. Têm medo do frio…

No penúltimo dia da viagem notei uma placa orientando os viajantes para uma cidade chamada Lisbon. Fiquei admirado e orgulhoso. Será possível que haja mais cidades, noutros estados, com este nome de Lisbon? Quando parei para almoçar consultei os mapas e livros de turismo e qual foi a minha surpresa, descobri que havia pelo menos sete cidades com o mesmo nome! Ainda estou por saber a razão de tal popularidade.

Se tudo correr como o planeado, irei chegar à cidade de Newark, New Jersey, lá para o meio da tarde. Terei atingido ali a costa leste!
E assim aconteceu. A auto-estrada guiou-me até às portas da cidade. Mas aqui, sem o benefício de mapas que indicassem todas as ruas, ser-me-ia difícil encontrar o lugar a que chamam o «Pequeno Portugal».

Enquanto decidia o que fazer, apareceu do meu lado esquerdo um automóvel que pertencia aos bombeiros da cidade. Baixei o vidro e perguntei:
- Por favor, indica-me como hei-de chegar a Ferry Street?
O indivíduo olhou para mim, pensou, e disse:
- É-me mais fácil levá-lo do que dar-lhe as indicações para lá chegar. Siga-me e eu conduzo-o à Ferry Street.

Segui o bom homem e, passados uns quinze minutos, estávamos à entrada da rua, esta rua que é frequentemente referida como a comunidade portuguesa de Newark. A primeira impressão que tive da cidade não podia ser melhor graças à amabilidade do bombeiro.
Segui vagarosamente, observando tudo e todos. Havia gente nos passeios com fisionomias tipicamente portuguesas. Cada edifício tinha lojas com nomes portugueses. Eram bancos Totta, Espírito Santo, edifício da TAP, cafés, restaurantes, bares, peixarias, agências de viagem, relojoarias, ourivesarias, etc., etc. Não havia dúvidas, esta rua podia fazer parte de qualquer cidade portuguesa… mas faz parte da cidade americana de Newark, na periferia de Nova Iorque.

Tudo isto era novidade para mim. Segui mais umas quadras e estacionei o carro. Saí e dirigi-me ao café na esquina. Entrei e foi já sem grande surpresa que encontrei uma vitrina cheia de pastéis de nata e outros doces tipicamente portugueses. Sentei-me e esperei para ser atendido, mas logo entendi que a tradição portuguesa de servir os clientes à mesa não é de uso por aqui. Fui ao balcão e paguei uma bica e uma água fresca do Luso. Depois de saborear o café decidi usar o telefone celular e chamar um amigo bustuense que sabia ter residência neste bairro. A mulher dele, D. Lídia, respondeu e informou-me que o marido, que eu procurava, não estava em casa. Devia estar no café com os amigos a ver o jogo da bola, pela televisão, em transmissão de Lisboa. Levantei-me e caminhei para o fundo do café onde um número de fãs seguia com emoção um jogo do Sporting com outro clube que já não recordo. Uma olhada bastou. Lá estava o meu conterrâneo e amigo Manuel Martins, conhecido em Bustos como o Neo do talho do ti Simão. Tinha encontrado o meu amigo e guia!

Com quase 300 mil habitantes, Newark é a cidade com a maior população do Estado de New Jersey. Em 1930, a cidade chegou a ter uma população de quase 450 mil habitantes, mas depois da Grande Depressão de 1929, um grande número de fábricas fechou e a classe mais influente que residia na cidade mudou-se. Em 1960, Newark era um centro urbano pobre, rodeado de zonas residenciais ricas que com o centro não comunicava.

À medida que a população branca diminuía, a população negra aumentava. Em 1967, conflitos sociais descambaram em muitos distúrbios. Partes da cidade arderam. Nas décadas imediatas, a população da cidade baixou. Mas neste últimos anos estabilizou-se. Muitos projectos, tais como um novo aeroporto internacional, novos centros de escritórios e indústrias modernas, um novo centro de cultura, têm sido concluídos na cidade, dando-lhe um aspecto moderno e prometedor.

A cidade é constituída por dezasseis bairros. Um desses bairros, o «Ironbound», cobre uma área aproximada de 10 quilómetros quadrados. No século dezanove, neste bairro moraram alemães, lituanos, italianos e polacos. Mais tarde, depois de 1910, os primeiros portugueses começaram a chegar a Ironbound. Uma década depois já havia ali compatriotas nossos suficientes para formar o Sport Club Português, a primeira de mais de vinte associações que existem hoje no bairro também chamado «Pequeno Portugal». A imigração portuguesa já terminou, mas o bairro continua a atrair novos residentes vindos do Brasil, da América Latina, de Cabo Verde e outros países.

É à comunidade portuguesa que se deve a recuperação e reabilitação total deste bairro. As suas zonas residenciais estão limpas e as casas em bom estado. O comércio, que tem lugar predominante ao longo da Ferry Street, é o mais próspero de toda a cidade. As festas do Dia de Portugal atraem mais de meio milhão de pessoas de todas as nacionalidades e origens.
O dinamismo dos portugueses e o seu feitio universalista tornou este bairro num modelo de bem viver. O seu trabalho orgulha-nos a todos.










Para completar a viagem só me resta ir de visita a Nova Iorque, que fica mesmo a um pulo de Newark, do outro lado do rio Hudson.


New York é uma cidade cheia de tantos superlativos que levaria tempo a descrever.

Gostei de a ver e visitar ainda que não seja o lugar que eu escolheria para viver.

Esta minha viagem através da América, numa distância de 4.800 quilómetros, que levei seis dias a percorrer, termina aqui. Para mim foi uma experiência que jamais irei esquecer. Deixei o carro bem entregue e, às 7h30 da tarde, tomei o avião com destino a Sacramento, Califórnia. Em seis horas estaremos em casa.

Alcides Freitas

Belino Costa - pelas 7 partidas do mundo

A revista Olá dedicou uma desenvolvida reportagem aos “globe-trotters” Maria do Carmo Guedes, Barata-Feyo, Belino Costa e mais outros arrojados pesquisadores do planeta. ... Belino Costa que para estadiar pela Ásia escolheu um itinerário que “o levou de Nova Iorque à Tailândia, passando pelo Alaska e pela China. Pelo Mundo”. Foi uma experiência de meses e meses. É o “exótico da Ásia”…

As agradáveis crónicas de viagem de Alcides Freitas dedicadas à travessia do poente-nascente dos Estados Unidos criaram a oportunidade de NB poder em breve mostrar Belino Costa, o explorador das vivências dos povos e da natureza das mais recônditas e longínquas paragens, já deu a volta ao mundo, mas pretende continuar …
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Belino Costa, pelas 7 partidas do mundo”. Brevemente no Notícias de Bustos com mais desenvolvimento.
sérgio micaelo ferreira

24 de maio de 2007

Pirolitos, berlindes e bugalhas

Vi pela primeira vez pirolitos á venda e bebi um, durante a festa do S, João no Sobreiro por volta de 1957. Naquele tempo a festa de S. João (Baptista) também chamado pelas pessoas do Sobreiro S. João do Toledo – claro que não era um S. João oriundo da cidade de Toledo, Castela-a-Velha, em Espanha – mas do toledo (tolices), porque as pessoas do Sobreiro pregavam partidas umas às outras e dançavam no arraial, que naquele tempo só acontecia na festa de S. João onde não havia missa ou procissão ou padres, como se estivessem tolos. O S. João Baptista era naquele tempo um santo popular e o dia 24 de Junho, como é sabido, é muito perto do solstício de verão, a 21 de Junho.

Lembro-me que havia homens e mulheres a vender tremoços, amendoins, chupa-chupas, vinho, alguns petiscos e pirolitos no Largo do S. João. Os garotos divertiam-se a apanhar canas de foguetes depois de explodirem no ar, passeavam pela festa, pensavam nas miúdas, mas éramos demasiadamente novos para dançar ao som dos “jazes” como os Perus ou os Pavões.
Se tivéssemos dinheiro comprávamos um pirolito. Havia poucos frigoríficos naquele tempo, não havia arcas congeladoras, nem gelo e os pirolitos estavam quentes, mas eram deliciosos. O berlinde que impedia a saída da bebida tinha de ser empurrado para dentro da garrafa com o dedo para se poder beber o pirolito – termo também dado a um gole de água quando nadávamos nos poços, nas presas (represas) ou na praia. Eu não tinha força para empurrar o berlinde com o dedo, por isso pedia ao taberneiro para o fazer. Este empurrava-o com um pau para dentro do pequeno espaço do gargalo da garrafa que retinha o berlinde.
Não sei a composição do pirolito mas assemelhava-se a uma gasosa e continha água, açúcar, talvez um toque de limão e dióxido de carbono (CO2). O CO2 tinha três funções: tornar a mistura efervescente para ser mais agradável, retardar o crescimento microbiano na bebida e pressionar o berlinde contra a vedante de borracha no interior do gargalo da garrafa. Disseram-me em tempos a garrafa, com a bebida carbonatada era invertida, agitada para produzir dióxido de carbono que aumentava a pressão dentro da garrafa e mantinha o berlinde empurrado contra o vedante. Claro que os pirolitos pecavam por falta de higiene e a parte superior do gargalo ficava exposto ao exterior e com restos de açúcar que servia para a proliferação de micróbios. Nunca conheci alguém que ficasse doente por beber um pirolito, mas as garrafas foram proibidas há muito tempo.

Quando se partia uma garrafa podia-se aproveitar a pesada esfera de vidro para jogar “ao berlinde”. Confesso que, em Portugal, nunca joguei com este material, pelo simples facto de não possuir berlindes. Jogava, com os outros miúdos do Sobreiro, “à bugalha” que procurávamos nos carvalhos e que são bem redondinhas.


Não podemos confundir bugalhas com bolota. As bolotas são os frutos de carvalhos, enquanto que as bugalhas devem-se a uma reacção induzida por um ovo depositado logo debaixo da casca do carvalho por vespas da família Cynipidae. O ovo germina dentro da bugalha onde se transforma numa vespa. Claro que a vespa usa a bugalha para proteger os seus descendentes.
Cortem uma bugalha a meio e encontrarão um ovo, uma larva, uma pupa ou uma vespazinha com asas. Se a vespa tiver já saído deste invólucro protector, encontrarão um orifício no exterior e um espaço ovóide no centro do bugalha.

Hoje, garrafas de pirolito são coleccionadas por aqueles que se lembram desses tempos. Eu comprei duas a um antiquário há muitos anos e uma ainda tem o vedante de borracha. O Sérgio, ao que parece, também tem uma.
Milton Costa
Obs. de altino - imagem adaptada de VESPAS http://en.wikipedia.org/wiki/Gall_wasp