18 de fevereiro de 2014

DIA DE BUSTOS - AS COMEMORAÇÕES

Bustos festejou o seu dia, comemorando o 18 de Fevereiro de 1920, data da criação da Freguesia.
Foi o 1º Dia de Bustos após a agregação das antigas freguesias de Bustos, Troviscal e Mamarrosa, agregação que o povo não quis nem votou, mas que a maioria dos deputados da Nação achou por bem aprovar.


Impõe-se dizer que os autarcas eleitos assumiram com a maior dignidade a celebração do Dia de Bustos, estando presentes representantes  da Mamarrosa, do Troviscal e de Bustos, terras hoje reduzidas a uma espécie de lugares duma freguesia a três.
Entretanto:
As razões para festejarmos a data foram defendidas AQUI.
A própria lei que aprovou a reorganização autárquica manda que se preserve e respeite a nossa identidade histórica.
E foram exatamente esses os valores que o Presidente da Junta da União das Freguesias e o Presidente da Assembleia Municipal defenderam nas suas intervenções durante a sessão solene que teve lugar na sede da antiga freguesia, por sinal sede da União.


Antes, após o hastear das bandeiras, entre as quais a que parecia ser a da antiga Freguesia de Bustos, 


...o cortejo dirigiu-se ao painel erguido no sítio da antiga igreja, dali partindo para a tradicional romagem ao cemitério, lembrando os homens e mulheres que no passado lutaram para que Bustos se tornasse grande, progressiva e empreendedora, como acentuaria mais tarde o Presidente da Câmara.

Mas o momento da sessão solene com maior significado e envolvência foi representado por um grupo de alunas do 12º ano de línguas e humanidades do IPSB.

A Beatriz, a Daniela, a Diana e a Gabriela historiaram os 94 anos da elevação de Bustos a Freguesia, desde a sua contextualização no âmbito do movimento republicano dos princípios do séc. XX até aos dias de hoje.
Terminaram a sua intervenção deixando perguntas:
E agora?
Qual deverá ser o caminho a seguir?
Como diz a sabedoria popular "A união faz a força!"

*
- Nota final: Manhã cedo, as ruas de Bustos estavam pejadas de panfletos que reproduziam o famoso painel evocativo do 18 de Fevereiro.


A tarjeta a negro serviu para lembrar o luto pela morte duma freguesia pela qual tanto lutaram os bustoenses ao longo dos últimos 94 anos.

SOBRE A EXPOSIÇÃO “18 RETRATOS EM CHAPAS DE VIDRO”

A partir de hoje na sala de exposições da Junta de Freguesia




Olhando para os 18 retratos incluídos nesta exposição temos que destacar a sua unidade e o olhar do fotógrafo que parece ter obedecido a uma preocupação quase jornalística. O seu olhar incide sobre a sociedade que o cerca.

Há um primeiro conjunto de seis retratos que têm por cenário o palacete do Visconde de Bustos, apesar de António Sereno e a sua esposa, Adelaide Brandão, não surgirem em qualquer imagem. São os trabalhadores do palacete, a começar por Manuel Matos Ala (foto 1), o contabilista e braço direito do Visconde, que é o único que conseguimos identificar sem margem para dúvidas. Nos restantes é possível estabelecer a relação com o palacete mas ainda não foi possível identificar os rostos. O torreão visto do jardim, e a loja do Sr. Visconde completam este conjunto.  



O segundo conjunto reúne imagens de grupo, retratos do povo. São cinco imagens especialmente ricas e há naqueles rostos muitos traços e características que nos são comuns. As roupas, os instrumentos de trabalho, os rostos, as joias, os xailes, os tamancos e a falta deles são pormenores que nos interpelam. Na última imagem deste núcleo, um senhor (patrão ou taberneiro?), bem ataviado e melhor calçado, serve um picheira de vinho a grupo sentado à mesa num momento de convívio.


O terceiro conjunto de fotografias reúne quatro retratos do que poderemos designar por “individualidades da aristocracia local” a começar no senhor Prior e a acabar no caçador de camisa branca e laço cuidado. Pelo meio há a imagem de um homem de belo rosto (provavelmente de olhos claros) e bigode cuidado que exibe um livro que tem no título a palavra “Calvário”. Curiosamente em 1906 foi editado em Portugal “O Calvario”, (Lisboa, A Editora, 1906. Tradução de Ribeiro de Carvalho et Moraes Rosa), do francês Octave Mirbeau, que conta a história de Jean Mintié, um escritor que por causa duma paixão devastadora por uma mulher de pequena virtude vive um autêntico calvário. Será que o retratado, ao exibir tal adereço, quis dar nota sobre a sua vida amorosa?


No quarto e último conjunto vemos três imagens que têm por tema central a criança. Julgamos ser sempre a mesma criança. Primeiro entre familiares (?), depois a brincar com um andarilho (a envolvente sugere o jardim do palacete) e, por fim, ao colo de uma anciã, possivelmente avó. Um notável retrato, cheio de mística.


Cada uma destas 18 imagens nos interpela e nos desafia. Quem era esta gente? Ainda há alguém que se lembre destes rostos, destes antepassados? O que faziam? Quantos anos viveram?
São inúmeras as perguntas, são muitas as suposições e as incertezas mas talvez esta exposição nos ajude a responder a algumas delas.
 Certamente que ajudará saber como chegámos até aqui. 
 Foi entre os papéis e os livros da professora Zairinha (Zaida da Anunciação Simões da Silva( 30.11.1917 – 26.10.2012), de Bustos, que Manuel Romão encontrou duas pequenas caixas contendo um conjunto de chapas de vidro com impressões fotográficas (Nouvelles Plaques Chiado) que, de acordo com o estojo onde se encontravam, eram fabricadas na Alemanha para venda nos Grandes Armazéns do Chiado de Lisboa e Porto.

O Manuel Romão partilha comigo o gosto por velharias e o interesse pela História de Bustos, pelo que tem o cuidado de não deixar ir para o lixo livros, objetos e papéis de quem vai falecendo.
A verdade é que ao longo dos anos vamos guardando papeis, livros, cartas, fotografias e todo um conjunto de recordações. São pedaços da nossa vida que por não terem grande valor material muitas vezes são desprezados ou destruídos após a nossa morte. E por ser esta uma situação recorrente o Manuel Romão faz o que pode na missão de não deixar que tais documentos se percam. A ele se deve que os pedaços de memória que a Professora Zairinha foi guardando ao longo da vida não fossem dispersos ou ignorados.
Quando fui à Azurveira dar uma olhadela a tais documentos logo o meu interesse incidiu sobre as chapas de vidro. Aquele conjunto de fotografias poderia fazer parte da memória de Bustos, ser o testemunho de uma época da qual não temos grandes registos fotográficos.
Era preciso digitalizar tais imagens, apesar das chapas se encontrarem bastante degradadas. Coube essa tarefa a um outro amigo, o fotógrafo Xavier Martins, a quem agradeço o fantástico trabalho que realizou. Toda a intervenção de digitalização e recuperação das imagens obedeceu ao critério essencial de, em caso algum, alterar ou manipular as imagens, tendo sido feita apenas uma pequena limpeza sem eliminar por completo riscos, ou outros problemas. O resultado aí está. À vista de todos.

Belino Costa

18 RETRATOS
EM CHAPAS DE VIDRO

Coleção Zairinha/Manuel Romão

Fotografo: Desconhecido

Chapas de Vidro (Nouvelles Plaques Chiado) com o formato 12x9cm.

Época provável: Primeiras décadas do séc. XX

Localização: Bustos/Bairrada 

17 de fevereiro de 2014

"….PORQUE É QUE NÃO ÉS COMO O NATALINO?" (1)


foto de arquivo da Família

 Natalino dos Santos Rodelo
19.01.1941 – 29.11.2013
Póvoa (Bustos) – Boliqueime (Loulé)

Filho de Adriano dos Santos Rodelo e de Caurina Mota
Casado com Irene Silva Ferreira Rodelo.
Os filhos, Dean Ferreira Rodelo e  Diana Ferreira Rodelo (e aqui),  são professores de Matemática 

“A minha paz
residia debaixo daquele tecto (2)
[na alfaiataria do Ti Adriano]
(Carlos Luzio)

Natalino Rodelo foi um cidadão exemplar da diáspora de Bustos, dedicado *a Família, profissional com nome firmado, autodidata em busca do saber e do belo, dirigente associativo, … a sua presença em atos públicos  era marcada pela discrição. Desde muito cedo revelou aptidões para a escrita e para o desenho.  
Casa de Bustos  –  Adriano Rodelo e Caurina Mota com o «Lorde» (5) (sentado)
A ponta de cigarro tenta passar camuflada   foto de arquivo da Família
O professor Manuel Pires, extraordinário preparador dos alunos para enfrentar o exame de admissão aos Liceus, elogiava amiudadas vezes as suas redações.
Ouçamos o loquaz Élio Freitas, companheiro e testemunha privilegiada do então vizinho e amigo Natalino:
Memórias da Rua da Póvoa






De toda a rapaziada 
da Rua da Póvoa, 
o Natalino 
era o mais escravo,
mais sacrificado de todos.

Desde que me lembro, o Natalino e a sua irmã Marlene trabalhavam todos os dias ao lado dos seus pais, Adriano e Caurina, na alfaiataria…
Caurina Mota  e  Adriano dos Santos Rodelo
foto de arquivo da Família

Enquanto a malta brincava e fazia trinta por uma linha, o nosso amigo Natalino lá estava todos os dias a ajudar na alfaiataria.

O Sr. Adriano era muito restrito com os filhos. A solução era simples:
Nós íamos ter com ele à alfaiataria. Quando eu e outros queríamos ler uma revista como o Mundo de Aventuras, ou Revistas de filmes, a nossa biblioteca era a alfaiataria Adriano. O Natalino assinava as melhores revistas juvenis e isso atraía os colegas para ler e visitar o amigo…
Rua da Póvoa – Alfaiataria antes da remodelação da casa (actual casa de Milton Luzio)

O local de encontro diário para muitos jovens da zona era a alfaiataria por causa da leitura das revistas…e o Natalino sabia que isso era uma maneira de compensar o facto de ele ter de estar sempre amarrado ao trabalho e não poder sair a brincar com e resto dos amigos da Rua.



foto de arquivo da Família

O Natalino era o modelo de rapaz que todas as mães da Rua da Póvoa usavam para exemplo dos filhos…."Porque é que não és como o Natalino?" E todos os que o conheciam tinham-lhe muito carinho e respeito, porque sabiam o sacrifício que ele fazia para obedecer ao pai Adriano…
Aos Domingos lá vinha a oportunidade de uma festa ou baile, e os colegas da Rua da Póvoa aí estavam todos contentes por acompanhar o modelo amigo Natalino a passar umas horas alegres como qualquer jovem da sua idade. 
Memórias que nunca morrem, dum amigo de sempre, dum jovem educado e totalmente dedicado á sua família(Élio Freitas, Califórnia) 

Um aparte: A “escola” dos seus Pais (Caurina e Adriano) deu frutos sãos e merece uma reflexão a ser feita pelos educadores de hoje.

O ambiente da Alfaiataria transposto por Carlos Luzio em dois poemas “Ti Adriano – Alfaiate” e “Entre Panos e Linhas” “oferecem-nos um retrato comovente daquele que fora noutros tempos, um importante ponto de encontro desta aldeia, …” (3) (Michel Mota).
Bustos - Casa do Sr. Adriano -  A Alfaiataria foi "um importante ponto de encontro" (Michele Mota)
foto de arquivo da Família 

É naquele primeiro poema que o Natalino fica a ser registado com o atributo de o «Linhas», conforme o excerto de “Ti Adriano-Alfaiate (4) …:

Recordo as tardes a ouvir música num velho gravador
Não era música do teu tempo, não senhor
Eram canções que ouvia como se fossem minhas
Que gostavam ao “Lorde” (5) e ao “Linhas” .
(Carlos Luzio, Pescador de Sonhos)

 Com naturalidade e muito trabalho, gosto e dedicação, o Natalino fez-se à vida.
Um vivo agradecimento às informações prestadas pela Irene Rodelo que vão preencher uma parte do seu invejável  

ADERCUS NO PÓDIO EM ESTARREJA

ADERCUS NO PÓDIO EM ESTARREJA






Decorreu no domingo de manhã o 29º Grande Prémio de Atletismo de Estarreja, prova de estrada, na qual a ADERCUS esteve representada na maioria dos escalões em competição, tendo conquistado 6 lugares de pódio individuais e uma vitória colectiva.

Sofia Almeida 1ª, Cátia Duarte 3ª - em Estarreja
.
Num dia em que o sol abrilhantou o evento, Sofia Almeida somou mais uma vitória no escalão de Infantis femininos, tendo sido acompanhada ao pódio pela companheira de equipa Cátia Duarte, que foi a 3ª classificada.

Em Iniciados, Beatriz Rodrigues também foi a vencedora destacada, enquanto Salomé Sousa cortou a meta no 9º lugar. No sector masculino, Miguel Matos foi o 8º classificado.

Na prova para os atletas mais jovens do escalão de Benjamins, Érica Matos foi a 11ª classificada e Alexandre Esteves o 22º.
Nas Juvenis, Ana Rodrigues foi a 2ª classificada e nas Juniores Celine Rocha foi a 5ª.

Na corrida principal de 10.000m, para Juniores, Séniores e Veteranos, a ADERCUS voltou a ser a equipa vencedora em Séniores femininos, com o contributo de Carla Martinho, 3ª classificada, Joana Nunes 5ª, e Mónica Simões, 8ª.

O pódio individual teve a marca de duas atletas olímpicas, com a vitória a sorrir à maratonista Mariza Barros (Individual), seguida de Clarisse Cruz (Sporting CP), 2ª classificada, e a Carla Martinho completou o pódio no 3º lugar.

Nos Séniores masculinos, Licínio Pimentel (The Cleans) foi o vencedor, seguido de Hélder Santos (Maia AC) 2º classificado, e José Costa (Individual) 3º. Da ADERCUS, Hugo Ramalho foi o 14º, Paulo Ferreira 11º Veterano 1, e Paulo Miguel 12º Veterano 2.
ADERCUS Fem.  - 1ª equipa em Estarreja
(ADERCUS) 


16 de fevereiro de 2014

CULTURA NO ESPAÇO



Imagens da conferência que decorreu no passado sábado no auditório do I.P.S.Bustos, uma iniciativa da associação Mentes Convergentes.

Fotos de Sérgio Pato

14 de fevereiro de 2014

FALECEU ISABEL ALA


  Augusto Simões da Costa e Maria Isabel Ala, em 2011

Faleceu Maria Isabel Tavares Urbano Ala (6 de Julho de 1924 – 14 de Fevereiro 2014)  filha de Manuel Matos Ala e Maria Urbano. Casou com Augusto Simões da Costa (1920-2013) de quem teve dois filhos, Luis Manuel Urbano Ala da Costa e Maria Cândida Urbano Ala da Costa.
O funeral realiza-se amanhã, saindo da capela funerária de Bustos pelas 16 horas.
 
De referir, por curiosidade, que o cartaz do Dia de Bustos reproduz uma fotografia que tem em primeiro plano Manuel Matos Ala, o pai da falecida.

CULTURA NO ESPAÇO - CONFERÊNCIAS NO IPSB

15 de FEVEREIRO, sábado, 16 horas, Auditório I.P.S.B



As conferências Cultura no Espaço têm como principais objectivos:
- Apresentação de diferentes projectos culturais e associativos.
- Perceber e discutir as intervenções culturais feitas no espaço e o seu papel.
- A discussão da função social das associações culturais.
- A discussão do papel que os jovens e recém formados podem ter nas associações culturais e cívicas.

Programa:

1º Parte | Apresentação
-Luis Fernandes - d'Orfeu
-Tiago Veiga - NAMM / TOCA / MOVE e VIBE
-Nicola Henriques - Silos / Destino Caldas
-André Granjo - Bandas Filarmónicas e o seu potencial artistico

-|Pausa para café|-

2º Parte | Discussão
-Comentário crítico - Nuno Grande 
-Mesa Redonda moderada pelo Nuno Grande, com os oradores da primeira parte e a participação da Catarina Pereira em representação da Câmara Municipal de Oliveira do Bairro.

ENTRADA GRATUITA
A entrada é gratuita, mas pedimos que se inscrevam para uma melhor organização e porque o auditório tem lotação limitada.
- mentesconvergentes@gmail.com | 926000912

13 de fevereiro de 2014

31º ANIVERSÁRIO DO ORFEÃO DE BUSTOS


O Orfeão de Bustos vai comemorar o 31º aniversário no próximo dia 14 de fevereiro. Contudo, a sua comemoração realizar-se-á no dia 16 de fevereiro (domingo), tendo na sua programação a realização da 4ª edição do espetáculo “AS SETE TROMPETAS DO APOCALIPSE” em que o Coral do Orfeão de Bustos canta com outros cinco corais acompanhados pela Banda da Amizade de Aveiro.
Este dia terá a seguinte programação:
  
11h00 - Eucaristia de Ação de graças por todos os sócios e amigos já falecidos - liturgia solenizada pelo Grupo Coral do Orfeão de Bustos

12h00 - Romagem ao cemitério para depósito de flores em memória dos Associados já falecidos

16h00 - Abertura: Coro Infantil de Febres
Espetáculo "As sete Trompetas do Apocalipse", com a participação 
- Banda Amizade (Banda Filarmónica de Aveiro / Direção Carlos Marques) - Aveiro
- Coro de Santa Joana - Aveiro
- Orfeão de Águeda
- Orfeão de Bustos
- Grupo Coral Espranjar -Fermentelos
- Coral Oásis - Sangalhos
- Grupo Coral da Casa do Povo do Troviscal
 Local: Salão Paroquial de Bustos

17h30 - Bolo de aniversário
Convívio com a animação d' Os Cantares Populares de Bustos
 Local: Salão Polivalente das Obras Socias (edifício ABC)

Preço entrada - 2,00€

18 de fevereiro
20h30 - Inauguração do Atelier de Artes Decorativas - Orfeão de Bustos
Local: antiga Escola da Quinta Nova
Entrada gratuita
Organização: Orfeão de Bustos

Colaboração: Câmara Municipal, Junta da União das Freguesias de Bustos, Troviscal e Mamarrosa, Fábrica da Igreja Paroquial de Bustos