10 de outubro de 2011

António José Pires Condesso (11.01.1943 - 09.10.2005)

O Tozé Condesso tinha de Bustos uma das suas terras de eleição.
.
A tradução «Ao meu jeito» mantém o Tozé no nosso convívio. Um bem haja à tradutora e biógrafa.




Ao Meu Jeito

E agora, o fim está próximo,

Por isso espero cair o pano.

Meu amigo, vou falar claro,

Apresentar o meu caso, que conheces bem.

Vivi uma vida cheia.

Percorri todas as estadas.

E mais, muito mais do que isso,

Fi-lo ao meu jeito.

Arrependimentos, tive alguns.

Mas tão poucos, que não vou mencionar.

Fiz o que tinha de fazer

E levei sempre tudo até ao fim.

Planeei cada percurso,

Cada passo cauteloso ao longo do caminho.

Mas mais, muito mais do que isso,

Fi-lo ao meu jeito.

Sim, houve vezes, como sabes,

Que traguei mais do que podia.

Mas sempre, em caso de dúvida,

Engoli e deitei fora o que era preciso.

Enfrentei tudo, sempre, de pé.

E fi-lo ao meu jeito.

Vivi, ri e morri.

Tive o meu ganho e a minha perda.

E agora, que as lágrimas se acabam,

Acho tão engraçado pensar que fiz tudo isto,

Se me permites – não de forma envergonhada,

Não, eu nunca!

Fi-lo ao meu jeito.

Pois o que é um homem, o que é que ele tem?

Se não se tem a si próprio, então não tem nada.

Dizer as coisas que verdadeiramente sente

E não as palavras de alguém que ajoelha.

O registo mostra que aguentei os golpes.

E fi-lo ao meu jeito!

Fermentelos, 10 de Outubro de 2005

Tradução livre de “My Way”

de Frank Sinatra

9 de outubro de 2011

O PRESIDENTE COMO PROBLEMA


Respondendo ao repto de Alberto Zenha Martins

Começo por saudar o Alberto que está a passar por uma fase fantástica da sua vida. Depois de acabar o curso, depois de casar e ter um filho, regressa à actividade política e à intervenção no Notícias de Bustos, assim como no blogue pessoal. Parabéns e força porque precisamos de nova gente, de debate de ideias e de uma visão política mais ampla e democrática.

No texto que aqui publicou no passado dia 6 de Outubro ( Problemas e prioridades) Alberto Zenha Martins  faz um bom diagnostico da situação política local quando diz,
“ em Bustos faltaram os projectos, faltou a discussão e, acima de tudo, a persistência. Os grandes problemas foram sucessivamente adiados.”  Pena é que não adiante nenhum projecto, uma única ideia, nomeadamente sobre a Feira que, justamente, aponta como exemplo de um problema sempre adiado.

Logo depois  Alberto Martins faz uma afirmação que se explica no contexto da militância partidária, mas nada tem a ver com os interesses da região. Ou seja, repetindo o discurso que o Sr. Presidente da Câmara Municipal de Oliveira do Bairro, Mário João, veio fazer a Bustos também o nosso Alberto considera que deve ser Bustos (nomeadamente a sua Junta de Freguesia) a propor caminhos, soluções para o desenvolvimento local. Diz até que tal é urgente, “sob pena de um Presidente de Câmara, continuar a aguardar que os responsáveis locais decidam.”

Isto é coisa que me deixa de boca aberta. Então quem é o responsável político e líder do concelho? Quem é que define estratégias de desenvolvimento a nível concelhio? Quem é que tem os meios, as equipas e o dinheiro? Quem é que arrecada os nossos impostos?

O que o Sr. Presidente da Câmara fez quando reuniu em Bustos,  mais do que lançar um desafio envenenado pedindo que lhe indicássemos o caminho a seguir, foi uma enorme confissão de incapacidade. Só por incapacidade, só quem não tem qualquer projecto ou simples ideia para o sul do concelho é que vem a Bustos propor que sejam o Presidente da Junta local e a população em geral a definirem as políticas do município. 

No contexto de uma estratégia concelhia é que se deve debater a questão de Bustos, nomeadamente os terrenos da Feira. Se a zona industrial está situada a norte do concelho não será estratégico implementar uma moderna área comercial a sul? Os terrenos da feira, localizados junto ao cruzamento estratégico do Sobreiro, não poderão suprir tal exigência? Porque não um  Retail Park para Bustos? Porque não estudar a questão numa perspectiva mais ampla, numa perspectiva concelhia?

O Sr. Presidente da Câmara, aparentemente, não pensa a globalidade do concelho, não tem qualquer estratégia. Está à espera que lhe indiquem o caminho….

De forma clara o escrevo, o Sr Presidente da Câmara é hoje um homem assustado por alguns processos judiciais, sem capacidade nem projecto de acção, que esgotou um reportório político feito do despesismo, o mesmo que levou Portugal à presente situação. Um homem que não gosta de actas. O tempo das Feiras do Cavalo, dos festivais musicais, da multiplicação de edifícios públicos, das avenidas e rotundas, da Volta a Portugal em Bicicleta, está a ficar muito caro e mais caro ficará. (E mesmo com a política dos impostos máximos não conseguiremos pagar a factura.)
O tempo do despesismo público acabou e é altura de o PSD perceber que o Sr. Mário João também não tem futuro. Se, com humildade republicana, não se candidatar às próximas eleições estará a fazer um favor ao partido e ao concelho.

Aqui fica um primeiro contributo para o debate. Bem precisamos dele.

Belino Costa

8 de outubro de 2011

Intranquilidade

O estudo divulgado recentemente pela ANAFRE, Associação Nacional de Freguesias, sobre a aplicação dos critérios publicados no «Documento Verde da Reforma da Administração Local», está a preocupar os Bustuenses. Contudo, apesar da perspectiva daquela associação, acredito que a reforma não será aplicada a «régua e esquadro» e que, desta forma, Bustos não será uma das freguesias a agregar.

No entanto - impõe-se uma reflexão profunda e o levantamento de argumentos que contrariem aquela perspectiva - essenciais para o período de discussão pública, que se estende deste mês de Outubro até ao próximo mês de Janeiro, a realizar em Assembleia de Freguesia e Assembleia Municipal.

Alberto Zenha Martins


albertozenhamartins@gmail.com

6 de outubro de 2011

Problemas e Prioridades

Muitos dos grandes problemas que afectam a nossa freguesia, são sobejamente conhecidos, porque embora sejam actuais, não são, de facto, problemas de agora. A Feira de Bustos é um exemplo de um desses problemas, que já existe há décadas, e que desde há décadas a esta parte, continua por resolver, porque tal como outros, nunca nenhum foi, de facto, uma prioridade. Em Bustos faltaram os projectos, faltou a discussão e, acima de tudo, a persistência. Os grandes problemas foram sucessivamente adiados.

Quando em Bustos, alguma coisa se transformou verdadeiramente numa prioridade, nasceu obra e não foi essencialmente o poder local, regional ou nacional, que para ela contribuiu, ou que a dinamizou. A Igreja de Bustos, a compra do Palacete e as Obras paroquiais, são três grandes exemplos de obras de grande dimensão, que foram produto do esforço colectivo. Há outras. Vale a pena pensar nisto.

Bustos não pode continuar a ser encarada pelo resto do concelho, como uma freguesia que tem problemas para resolver, mas não sabe bem quais são os quer resolver primeiro, ou como os resolver, sob pena de um Presidente de Câmara, continuar a aguardar que os responsáveis locais decidam, porque os não pode resolver todos, ao mesmo tempo, nem é de todo essa a sua função, que antes pertence aqueles, e os problemas continuam sucessivamente adiados.

Desta forma, acredito que em Bustos todos os partidos políticos devem elencar os problemas, definir os que são urgentes a curto, médio e longo prazo, e este é o primeiro passo. O segundo é equacionar várias soluções para os problemas existentes, promover a sua discussão -alargada à população em geral- e optar pela melhor solução. O terceiro e último passo, é reivindicar só a solução, para os problemas a curto prazo, porque todos os outros são extemporâneos.

Alberto Zenha Martins

http://www.albertozenhamartins.blogspot.com/

albertozenhamartins@gmail.com

5 de outubro de 2011

O MURAL DO CENTENÁRIO


Lisboa inaugurou, hoje à tarde, o monumento que assinala o Centenário da República portuguesa. Trata-se de um mural com a impressão das mãos de cem crianças. São cem quadrados em bronze com as mãos o nome e a data de nascimento, de jovens estudantes oriundos de vários estabelecimentos de ensino  da cidade de Lisboa. Todos eles indicados pelas escolas em função de um único critério, o da excelência.

Ao contrário de todo o aparato que rodeou a cerimónia do Centenário, em 5 de Outubro de 2010, na Praça do Município, desta vez a inauguração foi curta e simples. Valeu sobretudo pelos sorrisos dos jovens, todos eles transpirando confiança, felicidade e sonho. Em cada olhar o orgulho de verem as mãos gravados no bronze, transformadas em símbolo nacional. Objecto de arte em exibição no jardim Amália Rodrigues, no Alto do Parque Eduardo Sétimo.

Olhar para o passado valorizando o futuro e a Escola, essa é afinal a grande metáfora, a mensagem do mural do Centenário. A República cumpriu o primeiro século, tal como os jovens do mural, ainda é jovem, inexperiente, com muito, muito para aprender. Está tudo por acontecer.
Há só um pequeno senão, é que, ao contrário dos jovens adolescentes, a República perdeu a arrogância, a paixão, a coragem. Virou aborrecimento, está descrente e em lugar da esperança, da crença no futuro, do reconhecimento e defesa da excelência, difunde temores. De tão assustada, anda de espinha dobrada e olhar subserviente.

De pouco valem as metáforas nos tempos que correm, mas reconfortam. Lá isso reconfortam.
E sobretudo saber que só agora se cumpriu o primeiro ano do Segundo Centenário da República Portuguesa. Temos muitos dias pela frente. Haja fé!

Belino Costa

Nota esotérica e bustuense: Nada sei sobre a morte mas, se tal for possível, hoje Vitorino Reis Pedreiras escreverá um texto sobre o 5 de Outubro, enquanto Manuel Simões da Costa (Serafim) abrirá uma garrafa de champanhe na companhia de todos os amigos, incluindo parentes. Se existir essa coisa chamada Céu, deve andar por lá uma festança que nem vos conto…


4 de outubro de 2011

Bustos (Assembleia de Freguesia). Respigos. Se não fosse «deputado» já teria comprado o terreno da Lila (sr Romão – CDS) …ou . OS CORREIOS VÂO PASSAR PARA A JUNTA DE FREGUESIA. A UNIÃO EM CONSTRUÇÃO



A sessão do dia de São Miguel abriu com as bancadas do CDS e do PSD bastante desfalcadas. João Pedreiras, após a renúncia de Maria de Lurdes Francisco (Milú) e a indisponibilidade/incompatibilidade profissional de Diana Guedes, tomou posse do único deputado do PS,… finalmente.

Do público presente na sessão, a juventude foi agraciada com uma salva de palmas “proposta” pelo deputado da Assembleia de Freguesia, David Arroz (PSD). “já lá vai os tempos que era só o Sérgio Pato”,comentou o próprio Sérgio. Os aclamados: Alberto Martins, Álvaro Ferreira, Ana Vieira; Cláudia Oliveira, Jannette, Jeniffer, Susana Nunes.
Há ainda a acrescentar a presença de Jorge Grangeia, Manuel Nunes, Maria dos Prazeres Duarte e Sérgio Pato.
A abrir a sessão o presidente, Duarte Novo, enumera alguns dos problemas que afectam a junta de freguesia, da inércia, vontade política e/ou falta de cooperação para os solucionar.
Intervenção antes da Ordem do Dia:
O deputado Pereira (CDS, ex-presidente da Junta), indicou a continuada demora em reparar os postes de iluminação pública; relevou a sua preocupação em relação às obras que têm vindo a decorrer na rua do depósito da água, seja em relação às águas pluviais, seja ainda concernente à falta de saneamento na zona, apesar das obras de arruamento estarem prestes a ser concluídas.
Terminada a intervenção, usa da palavra o deputado do CDS, Manuel Romão, o qual – “polémico, no bom sentido” – interpela o executivo sobre os propósitos agendados para os terrenos adjacentes à Junta de Freguesia e a razão que preside à demora da compra dos terrenos pertencentes à D. Lila. Nas suas palavras, “um assunto que já tem barbas como o Pai Natal”. Acrescentou que o arrastamento para efectivar o negócio já o envergonha. Tanto assim é que, afirmou, já teria comprado o terreno – aliás o preço negociado é convidativo – se não fosse membro da assembleia de freguesia. Também sugeriu, dada a demora em ultimar o negócio com a proprietária, que, visto não haver vontade política suficiente para fechar o negócio, se fizesse um peditório pela freguesia para o concluir. (a)
Seguiu-se a intervenção de David Arroz, representante do PSD. Este membro perguntou ao executivo, não sem alguma ironia, se não tinham apercebido do barulho dos animais vadios e qual a solução prevista para resolver o assunto. Reportou a inexistência de sinalização e iluminação em algumas ruas. Também chamou a atenção para a existência de ferros no rearranjado parque infantil da Quinta Nova.
Efectuados os pedidos de esclarecimento, Duarte Novo começa por responder às interpelações de David Arroz. Relembra que, muitas vezes, cabe aos cidadãos informar sobre os problemas e que é, através da sua denúncia dos mesmos poderão ser considerados e ser resolvidos. Lembrou-o que a colocação da sinalética de trânsito não é competência da Junta de Freguesia. Esta apenas pode alertar os serviços competentes e pedir-lhes responsabilidade sobre as consequências que a sua falta poderá conduzir. Falou em concreto dos sinais de STOP, alguns apagados pelo tempo e de outros, deliberadamente deslocados para parte incerta.
Sobre as festas organizadas pela Junta, as receitas revertem para a festa de Natal das crianças e o fundo maneio para começar foi oferecido por um benemérito.
A deputada Regina Alves falou em discrepâncias de números do orçamento entre despesas e receitas.
Em resposta, o presidente da Junta de Freguesia, explicou não haver quaisquer irregularidades, antes uma incorrecta leitura das propostas apresentadas. Adiantou que o novo programa informático usado para os orçamentos mantém o orçamento inicial, uma vez que o mesmo não deixa alterar os números inicialmente submetidos. A rectificação orçamental aparece em sub alíneas que, quando não são correctamente interpretadas, ou por se desconhecer o programa usado, pode induzir em erro.
Proposta da revisão orçamental passou.
A proposta apresentada pelo executivo relativo ao abate das acácias existentes na Feira, quase a ameaçar a segurança pública, foi aprovada por unanimidade.
Houve unanimidade sobre o abate de algumas árvores da feira, por se encontrarem doentes.
Ausenta-se a deputada Regina Alves.

A presidente da assembleia fez uma intervenção relativa ao discurso proferido pelo presidente da Câmara Municipal, Alberto João Oliveira, na Assembleia Municipal realizada em Bustos. Na sua opinião, o presidente do executivo municipal mostrou vontade política e determinação em conceder apoio o desenvolvimento da Freguesia. Contudo, salientou, para que esse apoio se efective é necessário que Bustos esteja à altura dos desafios, que mostre determinação, união e vontade de lutar pelo futuro da freguesia.
No mesmo sentido se pautou o presidente da Assembleia Municipal, Manuel Nunes, o qual trouxe a Assembleia Municipal para o auditório. Todavia, a sua intervenção, bem o frisou, foi apenas como morador interessado no desenvolvimento da comunidade, não enquanto presidente da Assembleia Municipal. Acabou reiterando que o desafio proposto pelo presidente da Câmara Municipal depende tanto da união dos bustuenses como do executivo camarário. A ajuda deste órgão de soberania autárquica precisa de propostas concretas e executáveis para explanar a sua acção interventiva. Competindo, pois, à Junta de Freguesia a apresentação das mesmas, após dialogar com a ABC e os proprietários da Cine Bustos. Em relação à primeira, cujo palacete necessita de urgentes e onerosas obras de recuperação e restauro, a solução poderia passar por doar o imóvel à Câmara Municipal a fim de que esta entidade pudesse fazer as obras. Esta seria, na sua opinião, uma solução, mas que outras haveria. O necessário, proferiu, é não adiar mais um problema que requer solução a curto prazo. Quanto ao segundo, a solução terá de passar, advogou, com um diálogo sério e concreto com os proprietários. Só estes poderão dizer o que pretendem fazer com o edifício e, caso a opção seja a venda, propor um preço justo para a sua aquisição. Relativamente à feira, outro assunto a requerer solução, a presidência da câmara declinou o propósito de compra da mesma devido ao preço exorbitante exigido pelo proprietário, mas mostrou-se receptivo à mudança da mesma para outro lugar. Aqui, como em relação aos anteriores assuntos, assegurou, a proposta deve partir da Junta de Freguesia. Enfim, finalizou, deve ser Bustos a propor com determinação e equidade o melhor serve para a prossecução do bem público e do seu futuro, não esperar por benesses.

Outro assunto de destaque na assembleia foi a proposta, via e-mail, apresentada à Junta de Freguesia pelos CTT. Esta proposta, foi considerada mais razoável do que a anterior, mas o contrato está longe de estar concretizado. As negociações ainda decorrem, assim o reiterou o presidente da Junta de Freguesia, Ainda que, como o asseverou Duarte Novo, o tempo urge. Em Janeiro, com a liberalização, o processo de negociação pode ter menos probabilidade de melhores contrapartidas.

(com o apoio de Sérgio Pato,em revisão)
Nota:
Com tantos «recados», a "união" já vem a caminho.

3 de outubro de 2011

BILIOTECA DE BUSTOS MOSTRA NATÁLIA CORREIA ... "uma mescla de anjo e demónio".


Os Grandes Portugueses na RTP, Natália Correia, Escritora/Poeta 1923/1993 aqui

Mulher forte, irreverente, contraditória – e de beleza extraordinária. Com intensa versatilidade, dedicou-se a vários géneros literários. Natália Correia sempre se recusou a ser uma figura decorativa, peça que encontrava e saía do palco segundo as regras da compostura. Ao longo da vida escreveu intensamente. E ainda marcou presença na política [na era do 25 de Abril foi deputada do PPD e independente] e na imprensa. A indignação foi uma constante na sua vida e obra – motivada pela censura que a amordaçava ou por uma insurreição natural a todos os engodos ideológicos da sociedade. “Uma mulher imperial”, diz a jornalista Clara Ferreira Alves.

Natália Correia é uma mescla de anjo e demónio Muito do seu encanto vem desta mistura explosiva. É conhecida pela sua personalidade livre de convenções sociais, vigorosa e polémica, que se reflecte na escrita. Poetisa, romancista, dramaturga, ensaísta, tradutora, conferencista, editora, deputada. “Em qualquer destes domínios lavrou e afirmou-se, numa inquieta busca de uma verdade, de um sentido estético e ético que perseguiu toda a vida”, refere Ana Paula Costa na “Fotografia de Natália Correia”

Fonte: Os Grandes Portugueses na RTP, Natália Correia, Escritora/Poeta 1923/1993 aqui









Defesa do Poeta

You tube aqui

Senhores jurados sou um poeta
um multipétalo uivo um defeito
e ando com uma camisa de vento
ao contrário do esqueleto.

Sou um vestíbulo do impossível um lápis
de armazenado espanto e por fim
com a paciência dos versos
espero viver dentro de mim.

Sou em código o azul de todos
(curtido couro de cicatrizes)
uma avaria cantante
na maquineta dos felizes.

Senhores banqueiros sois a cidade
o vosso enfarte serei
não há cidade sem o parque
do sono que vos roubei.

Senhores professores que pusestes
a prémio minha rara edição
de raptar-me em crianças que salvo
do incêndio da vossa lição.

Senhores tiranos que do baralho
de em pó volverdes sois os reis
sou um poeta jogo-me aos dados
ganho as paisagens que não vereis.

Senhores heróis até aos dentes
puro exercício de ninguém
minha cobardia é esperar-vos
umas estrofes mais além.

Senhores três quatro cinco e sete
que medo vos pôs por ordem?
que pavor fechou o leque
da vossa diferença enquanto homem?

Senhores juízes que não molhais
a pena na tinta da natureza
não apedrejeis meu pássaro
sem que ele cante minha defesa.

Sou um instantâneo das coisas
apanhadas em delito de paixão
a raiz quadrada da flor
que espalmais em apertos de mão.

Sou uma impudência a mesa posta
de um verso onde o possa escrever.
Ó subalimentados do sonho!
a poesia é para comer.

Natália Correia, "Poesia Completa", Publicações Dom Quixote,Lisboa, 2000, pág. 330 e seg.

Fonte: A serpenteemplumada aqui

Natália Correia - Defesa doPoeta


*
Natália Correia é a autora da letra do Hino dos Açores
___________
Outras fontes:
Biblioteca de Bustos;
Homúnculo Natália Correia, Livro pela capa
Humberto Delgado, República & Laicidade
Liberdade e Cidadania, Natália Correia
Norton de Matos, Almanaque Republicano

1 de outubro de 2011

O nome do Eng.º SANTOS PATO (Néu) é indissociável da história da obra da igreja de Bustos


“O Eng,º Pato não era um político de carreira,

mas no meu entendimento,

um inconformado.”

(José Maria Dias, Eng.º Pato.

O Homem. O amigo. s/d)

O nome do Eng.º Santos Pato (Néu Pato, para os bustuenses da época) está indelevelmente ligado à igreja de Bustos, por um conjunto de circunstâncias entre as quais destaco:

. ter o seu Gabinete Técnico [GT] em Águeda, onde o P. Vidal tinha sido desempenhado funções sacerdotais antes da nomeação para Bustos o que proporcionou frequentes deslocações do Pároco ao gabinete;

. ter o seu GT prestado serviço gracioso à Paróquia de Águeda, conforme atesta o Eng.º Neftali Sucena: “o Gabinete Técnico já tinha prestado valiosa colaboração nas manifestações caritativas realizadas na paróquia de Águeda e também orientadas pelo Padre Vidal, durante os anos de 1951 a 1954, na qualidade de coadjutor desta freguesia.” (1);

. ter a colaboração de técnicos de reconhecido valor que abraçaram um projecto inovador.

Não se pode secundarizar a epopeia do trabalho aturado do Eng. Santos Pato, na elaboração do projecto da estrutura dos arcos para aplicação dos fusos cerâmicos que foram sugeridos por Mário Martins. (O projecto do último arco foi concluído por José Maria Dias, em consequência da prisão política do Eng.º Néu Pato).

A utilização das “garrafas” cerâmicas trouxe mais leveza ao edifício, sem lhe retirar a característica de «tenda».

O P. Vidal foi arrojado ao aventurar-se na construção da igreja, houve poucos avanços e enormes recuos, mas o Gabinete Técnico (Águeda), composto por “Gente jovem, simples, bem intencionada, sem grandes ambições, sensível à solidariedade e capaz de a praticar. As idades oscilavam entre os 26 e os 32 anos, sendo eu, o mais novo, e o Arquitecto Carneiro, o mais velho.” (2), nunca lhe faltou com o apoio.

Um “braço direito” do Eng.º Santos Pato foi o ilustre colega e amigo Eng.º Neftali Sucena, com apurada e comprovada sensibilidade de arquiteto, relata um pormenor da ascenção do GT: “durante os primeiros quatro anos de actividade, o meio de transporte utilizado nas diversas diligências era a moto “JAWA” de 250 c.c. pertencente ao Eng. Pato.

O Gabinete também não possuía nem taqueómetro, nem teodolito! Quando se tornavam necessários, ou se pediam emprestado à Escola Central de Sargentos ou se alugavam na Sede da Ordem dos Engenheiros, em Coimbra.

E então lá partíamos os dois, empoleirados na moto, levando às costas aparelhos e utensílios, viajando para Sever do Vouga, Giesteira, Agadão, Mamarrosa, etc., a fim de se executarem os trabalhos que nos havia sido encomendados” (3)

Eng.º Néu Pato:

Como o mérito e o reconhecimento continuam com baixa cotação, tem de se esperar que em algum momento de inspiração se faça o acerto de contas com a memória e venhas a receber a notícia da colocação de uma placa onde constem os nomes das figuras envolvidas no projecto da igreja.

________________________

(1) in Neftali da Silva Sucena, RESENHA DO PROCESSO QUE TORNOU POSSÍVEL A CONSTRUÇÃO DA IGREJA DE BUTOS, Vº FÓRUM DE BUSTOS 2007 – EDIÇÃO “NOTÍCAS DE BUSTOS” p. 8

(2) idem, p.8.

(3) Neftali Sucena, idem. pg.9

(4) in Arq. Rocha Carneiro, Igreja de Bustos e a Arte, Jornal da Bairrada, 21.09.2000, p.16

nota: foto antiga de Águeda de autor desconheicido.

Pórtico da Igreja de Bustos - Painel de Júlio Resende

Júlio Resende
“... Mas eu queria, efectivamente, ser pintor! Talvez o destino me tenha proporcionado o primeiro passo. Aurora Jardim, figura conhecida nos meios literários e jornalísticos do Porto, intercedera junto do pintor Alberto Silva que dirigia, então, a Academia Silva Porto, para que eu viesse a frequentar as lições de pintura aí ministradas. Comprei a primeira caixa de tintas «a sério», e aprendi a colocar as cores na paleta, segundo as boas regras." - Júlio Resende

Vida e Obra aqui






TROVISCAL: MUSEU DE ETNOMÚSICA DA BAIRRADA MOSTROU-SE

Afectos é aquilo que se guarda em arcas encoiradas, como a dos brasileiros de torna-viagem, onde um xaile florido vale tanto como o manto de Nossa Senhora.
É a casa da infância e o tempo que a envolve, mais o do jogo, que é quase todo.
É a adolescência com o seu olhar indiscreto sobre si próprio e sobre o mundo, como o primeiro amor soltando-se.
Depois, nos passos todos da vida, constroem-se outras memórias, algumas ficam no coração e guardam-se, guardam-se, porque outras gerações haverão de chegar. Ecos do tempo dourado. Património.
(…)
Alberto Correia(?), António Augusto Fernandes(?); “Viajar comAquilino”, Caderno V.   Editado pela Delegação Regional da Cultura do Norte, 2003.



Os «Perús» e o «Central» ‘estavam’ a tocar no Museu de Etnomúsica da Bairrada.   O regresso a ontens acontecia nas Jornadas Europeias de 50 países dedicadas ao Património. Foi uma rara oportunidade para mostrar, por dentro, o itinerário que uma peça, instrumento, utensílio, partitura, postal, fotografia, livro, grafonola, fita gravada, rádio, traje, farda, rádio, etc., têm de perseguir desde a sua identificação primária passando por diferentes estádios em oficinas especializadas. até à apresentação pública, ou ao seu arquivamento, Um trabalho invisível para o visitador do museu.


Uma visita de aprendiz a uma instituição que zela com rigor, cautela e paciência os testemunhos de um passado, que por certo serão transmitidos a gerações futuras em boas condições, como se induziu da escorreita e clara apresentação do Dr. Sérgio Dias. O tempo da visita foi largamente ultrapassado, o relógio esqueceu-se de avisar.      
Fonte: aqui
Doações, empréstimos ou ofertas de «peças», para um jovem museu, já atingem um número apreciável. E é facto, que o afluxo de visitantes tem engrossado de ano para ano, apesar de alguma Bairrada persiste em desconhecer o caminho para o Troviscal.
[Dê-se a volta que se quiser, a capital da Música na Bairrada é no Troviscal da Banda Escolar do Prof. José Oliveira].