10 de junho de 2010

MARÉ ALTA MEU ARRAIS, MARÉ ALTA!

A história da emigração portuguesa é uma epopeia por contar. Também os emigrantes cruzaram os mares, calcorrearam continentes, enfrentaram perigos, incertezas, angústias e uma saudade imensa. Partiram em busca do pão e da felicidade. Fugiram da fome, acalentando o sonho de uma vida melhor. Esta é a breve história de um desses heróis anónimos, a breve história de um emigrante de Bustos.

Aristides Correia Arrais veio a este mundo no dia 29 de Dezembro de 1937. Filho de um alfaiate, Manuel Joaquim Pereira Arrais e de Cândida Rosa Correia, o menino teve uma infância feliz: “Era como uma ave voando pelos campos.”
Frequentou a Escola Primária e, tirado o diploma da quarta classe, essa era norma da época, estava apto para enfrentar a vida, “pronto para fazer qualquer coisa.” Não teve que esperar muito porque aos onze anos entrou para a serralharia do Manuel da Barroca, na condição de aprendiz de torneiro mecânico. Mais do que do brilho da forja ou o moldar dos metais, o que emocionou o miúdo foi andar na rua com o fato de trabalho, um macacão envergado com o orgulho e o garbo de um general. “Com vaidade”.

Entretanto iam chegando à aldeia cartas do Brasil, cartas do tio, falando de uma terra maravilhosa, repleta de oportunidades. Cartas sedutoras que, em Agosto de 1950, lhe levam o pai para terras brasileiras. No ano seguinte chega a carta de chamada para o resto da família, impondo uma longa travessia e o adeus à terra natal.
Aristides Correia Arrais tinha treze anos. Ao longo de 18 dias, atravessando o Atlântico, aprendeu a maior das lições. Ficou a saber que há lugares de onde nunca se parte, porque vão connosco. São parte de nós.
“Cheguei ao porto de Santos, fim de tarde, junto de minha mãe e irmãos, onde já me esperavam, meu pai e mais meia dúzia de parentes. A subida da serra, rumo ao planalto bandeirante, durante cerca de duas horas, foi algo muito cansativo... mas chegamos finalmente à cidade de São Paulo”.

Começou ali uma nova escalada, desta vez enfrentando os desafios da vida numa terra que, apesar de generosa e bela, logo lhe lembrou a condição de estrangeiro.”As piadas sobre os portugueses me incomodavam, me complexavam. Ultrapassei o problema e libertei-me do complexo porque comecei a guardar na memória todas essas piadas, e se me contavam uma eu respondia contando três ou quatro.”
O primeiro emprego chegou uma semana depois do desembarque. Como ainda não tinha 14 anos, precisou de autorização especial do juiz de menores para trabalhar como paquete na Associação Comercial de S. Paulo. O aprendiz de torneiro mecânico virava “office boy” e nas reuniões da direcção fazia a distribuição do microfone, entre cafés e águas frescas. Um novo mundo se abria ao Aristides que, meio ano depois, fazia o curso de prática de escritório, seguido por outro, de estenografia. O que não bastou para satisfazer a ambição de conhecimento. Nos tempos livres aplicou-se ao estudo da História e Geografia do Brasil com o objectivo de fazer “exame de admissão ao Ginásio” (Liceu). “Comecei a estudar, a tentar ser melhor.”
É mais um desafio vencido. Quando se prepara para escolher a “área clássica”, pensando então num curso de História ou de Língua Portuguesa, o trabalho numa empresa de géneros alimentícios afasta-o do centro da cidade e de tal intenção. Aos 20 anos, trabalhando na Colgate-Palmolive, começa a frequentar um curso de técnico de contabilidade. Logo depois surge o casamento, a que se sucedem dois filhos,”quase de rajada”, e um novo desafio profissional numa fábrica norte-americana. “Aí ser técnico de contabilidade já não era suficiente. Faltava a Faculdade.”
O sonho concretiza-se aos 33 anos quando, com 3 filhos, regressa a S. Paulo e ao trabalho na banca. “Fiz o vestibular e entrei na faculdade. No ano seguinte fiz Ciências Contáveis, Curso Superior de Contabilidade e aí os professores me desafiaram a fazer Economia. Tirei o curso, sou formado, mas não sou economista.”


 
Em 1985, depois de voltar a trabalhar na banca, assume o cargo de director financeiro de uma empresa de fiação e tecelagem, de onde sai quando chega a reforma. Mas era cedo para ir repousar junto ao oceano. Depois de trabalhar numa correctora, ligada à uma empresa de bacalhau, monta uma fábrica de confecções, especializada em fardamento para estudantes. O projecto empresarial durou até ao dia em as máquinas desapareceram e a fábrica ficou vazia. Coisas que acontecem no Brasil…
A última experiencia profissional aconteceu no Rio Grande do Sul.
Actualmente vive, em segundas núpcias, com Maria Anami Vieira de Sousa Arrais, na Praia do Francês, estado de Alagoas. É o nosso Arrais, embaixador junto a um mar quente, com peixes coloridos e um imenso coqueiral. Por lá dizem-no português, por cá chama-lhe brasileiro. Ele é isso tudo e mais ainda. É o cidadão, é o activista cívico, é o cronista, é o bustuense e nele vive também a memória fresca de uma infância feliz.

Maré alta meu Arrais, maré alta!

Belino Costa

9 de junho de 2010

EM NOME DA DIÁSPORA BUSTUENSE

Apesar de ser um colaborador regular do NB, ainda não tínhamos apresentado aos nossos leitores Aristides Correias Arrais. Pois amanhã preencheremos tal lacuna, contando um pouco do percurso desse bustuense que vive no estado de Alagoas, no Brasil. É a breve história de um aprendiz de serralheiro mecânico que acabou por tirar o curso de economia e foi administrador de empresas. É, sobretudo, a nossa homenagem ao homem e ao emigrante, no dia  de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas.

8 de junho de 2010

BUSTOS - SERVIÇO PÚBLICO DE SAÚDE [HORÁRIOS DE ATENDIMENTO]

(clicando sobre a imagem alcança ampliação)










(nota: informação exposta ao público no condomínio do Palacete)

ACTIVIDADES DO ORFEÃO


Acção Médico-Social

A direcção do Orfeão de Bustos informa que no próximo dia 13 de Junho (domingo), das 9:30 h às 12:30 h, terá lugar no Posto Médico de Bustos, mais uma acção médico-social de rastreio de doenças cardiovasculas, com a colaboração dos seguintes técnicos: Enf. Acílio Silva e Enf. Ana Sofia Barata.

Ginástica de Bem-Estar

Por forma a conciliar a ocupação do salão ABC/Orfeão, e dado que intensificaram os ensaios para as Marchas Populares em Bustos, a ginástica de bem-estar, orientada pela fisioterapeuta Eliana Marques, passa a ter lugar à terça-feira, pelas 21:00 horas.

Artes Decorativas

O curso de artes decorativas decorre nas instalações do Orfeão de Bustos, às terças-feiras, das 20:00 às 22:00 horas. Orientadora: Maribel Laranjeiro

7 de junho de 2010

BUSTOS [CENTRO] - DESFILE DE CASAMENTO


Desfile do casamento de Benilde de Jesus Cipriano com José Simões da Costa (o conhecido Zé dos Moras). Rui Jorge - irmão do Ósca r Aires dos Santos - transportava as almofadas e a Dina Reis Costa tinha levado as alianças. Os dois muito bem comportadinhos, ao que parece. Distingue-se a madrinha da noiva, Benilde Figueiredo que ‘segurava’ o Óscar pela mão. Manuel Martins foi o padrinho.
Ti Maria Mora foi a madrinha e o padrinho foi um senhor chamado Cravo, da Mamarrosa.
Pelas informações prestadas, um bem-haja ao Zé dos Moras e à Benilde que tem uma memória de fazer inveja.
O casamento aconteceu a um sábado, 6 Agosto’1955 e no dia seguinte o noivo saltou do aconchego da cama para acompanhar o Ti Zé Mora e levar a camioneta carregada de pedra para fazer cal … à Feira da Oliveirinha.
Na foto de parte do Centro de Bustos antigo, distingue-se um apreciável número de pé descalço entre os assistentes do desfile.
sérgio micaelo ferreira
EM TEMPO
Franklin Pinto (Califórnia) parece ter desvendado o enigma do autor da fotografia. Vamos escutar o Frank: «creio que a miúda alta e magra, que quase esconde a figura do Óscar, era uma sobrinha do Sr. Dário Alves, que passou uns bons anos em Bustos (com origem em Torres Novas). Portanto o fotógrafo seria o Sr. Dário.»

4 de junho de 2010

FESTA DA PRIMAVERA NA SÓBUSTOS

Vale a pena relembrar:  A Sóbustos vai realizar no próximo dia 5 de Junho, sábado, a "Festa da Primavera". O evento tem início marcado para as 11h00, com a realização de uma palestra intitulada, "Ética e Fim de Vida", que estará a cargo do mestre em ética, Dr. Amorim Figueiredo.
À tarde, com início previsto para as 14h30, os festejos prosseguem com a participação dos Cantares Populares de Bustos, dos idosos, do CAF, ATL e funcionárias. Espera-se a presença dos idosos de outras instituições do concelho.
Não falte, ajude os mais velhos a terem um dia inesquecível.

2 de junho de 2010

BUSTOS - TABUAÇO: LIGAÇÃO COM PERIGO ESCONDIDO

Quem circula na estrada do Tabuaço (concelho de Vagos) que termina no Rio Boco,Vala do Sardo ou Ribeira do Tabuaço,.... há uma descida e uma curva que mereceu da segurança rodoviária a instalação de sinalética adequada ao alerta do potencial perigo.
Entretanto, um sinal arrancado da base de apoio, dorme na posição horizontal próximo da 'berma' da estrada que liga a Bustos (concelho de Oliveira do Bairro).



O bloco de sustenção da sinalética. por si só, já constitui perigo.



Um episódio a merecer atenção das Câmaras Municipais vizinhas.

sérgio micaelo ferreira