4 de junho de 2009

Escola Pública (Armando Humberto - Professor Universitário)

Escola Pública


“os principais problemas da escola pública do estado (…) 
não se resolvem eliminando a concorrência”

Existe hoje um grande consenso sobre a importância do estado manter uma rede pública de escolas que garantam a todos o acesso a educação de qualidade. A questão que se tem vindo a colocar é se as escolas que fazem parte desta rede têm que ser obrigatoriamente do estado, ou não.
Esta é certamente uma questão que merece reflexão, e por motivos que procurarei explicar entendo que não só faz sentido como é importante que haja na rede pública escolas geridas por outras entidades que não o estado. Mas entendo também que as escolas da rede pública não podem ser um negócio, e por isso devem ser propriedade do estado ou de entidades privadas que não visam o lucro. 
Pois o que está em causa é um serviço público, que deve ser prestado a todos com qualidade e de forma indiscriminada. Dito isto, qual é então a razão pela qual faz sentido termos escolas geridas por outras entidades que não o estado na rede pública. Desde logo para garantirmos a diversidade. A rede pública de escolas é um sistema complexo que pode melhorar, estagnar ou até regredir. A existência de escolas com modelos de gestão diferente colocam no sistema uma pressão, uma concorrência, que se for salutar, contribui para a evolução do sistema como um todo. E não se minimize este aspeto. A escola pública do estado evoluiu muito nos últimos anos, não só em condições materiais, mas acima de tudo no seu funcionamento. Mas as escolas com contrato de associação continuam a ter a vantagem de poderem constituir e manter um corpo docente estável. A verdade é que na maioria das escolas públicas do estado a precaridade do seu corpo docente, com constantes mudanças de escola, com constantes incertezas, com viagem diárias de muitas horas, origina um desgaste enorme nos professores. E este é hoje um dos principais problemas da escola pública do estado, que não se resolve eliminando a concorrência.
Mas há a questão demográfica que não podemos ignorar, e que no imediato obriga os políticos a agirem com bom senso e a perceberem o que é que está envolvido em cada caso. Desde logo a perceberem qual é o projeto educativo de cada município, a importância de cada instituição neste projeto educativo, a perceberem qual é a história que está por de trás de cada instituição, qual é o sentir de cada comunidade e também qual o impacto da escola no próprio desenvolvimento de cada concelho. Olhemos para o caso de município de Oliveira do Bairro, hoje constituído por 4 freguesias, que num passado recente eram 6. Temos duas freguesias, Oliveira do Bairro e Oiã, que fruto de melhores acessibilidades, se industrializaram mais, tendo as outras permanecido mais rurais. O IPSB surge em Bustos, na década de 1960, para responder às necessidades da população local e evoluiu ao longo dos anos, essencialmente com investimento público e com o envolvimento da comunidade. É hoje um pólo de atração da zona poente do nosso Concelho, trazendo movimento e ajudando a fixar pessoas. Ao querer retirar-se, na secretaria, o IPSB da rede de escolas públicas, está a destruir-se um projeto de sucesso, com alunos, acarinhado pelas populações, e que prestou um enorme serviço durante décadas às nossas populações. Mas está também a amputar-se um projeto educativo Concelhio alicerçado nas escolas do agrupamento, e no IPSB. Um projeto que até pela distribuição geográfica das escolas, dá coesão ao nosso Concelho. Será que todos os alunos que sairão do IPSB irão para o agrupamento? Muitos irão para Aveiro, Anadia, e Vagos, contribuindo para uma desagregação cada vez maior do nosso Concelho e para um sentimento de um certo abandono que progressivamente se vai instalando na União de Freguesias de Bustos, Troviscal e Mamarrosa, que tem vindo a perder vários serviços de proximidade, e corre o sério risco de perder mais um, a sua Escola. Já não vou aqui falar do facto do IPSB ser um dos maiores empregadores e dinamizadores da freguesia, e de haver o sério risco de se estar também a criar um problema social muito grave. Será que tudo isto foi equacionado? Será que alguém com bom senso e conhecimento da realidade acredita que aquilo que se vai ganhar é mais do que aquilo que se vai destruir?


«Entrevista com o Presidente da Junta da Freguesia de Bustos»,Dr. Assis Rei .JB 10.10.1959 [1]

Houve tempo em que no teatro da res publica, os actores, atingido os prazos de validade, acompanhavam as folhas dos calendários. Caíam na voracidade do esquecimento ...
Para escapar ao desconhecimento, recupero uma entrevista do Jornal da Bairrada ao Presidente da Junta de Freguesia de Bustos, Dr. Assis Francisco Rei, publicada no longínquo dia 10 de Outubro de 1959.
Com a devida vénia do Jornal da Bairrada e da BIBRIA - Biblioteca Digital dos Municípios da Ria,
transcrevo:
[Parte 1/3]
«O Dr. Assis F. Rei fala-nos das realizações da
Junta de Freguesia de Bustos


Desde há cinco anos que a freguesia de Bustos tem à sua frente, integrando a autarquia local, os srs.dr. Assis Francisco Rei, Manuel Simões Aires Junior e Manuel Joaquim dos Santos [Ferrador], nas funções, respectivamente, de presidente, secretário e tesoureiro da Junta de Freguesia. Tivemos ocasião de verificar que se trata de um trio de homens verdadeiramente bons, prestigiosos e queridos dos paroquianos – um trio cujos membros se compreendem entre si e que os bustoenses respeitam e acatam.
Segundo nos revela o sr. dr. Assis Rei jamais se esboçou o menor conflito entre a Junta e o povo, nunca este criou atritos a qualquer iniciativa daquele organismo.
- É que esta gente é civicamente evoluída – acrescenta em jeito de explicação.
Tal explicação é no entanto, e só por si improcedente. Será preciso escudá-la noutra e essa tem de ser procurada no comportamento da própria Junta.
Não fosse ela sensata e oportuna nas suas iniciativas, não fosse activa e ciosa do bem comum, não fosse ela uma Junta preocupada apenas com o progresso da terra, e aí o teríamos a criar dos tais atritos às mãos cheias. Nada de modéstias, caro dr. Assis! A orientação seguida por si e pelos seus colegas também explicam alguma coisa! ...
*
O sr. dr. Assis Francisco Rei é pessoa com tirocínio na tarefa, difícil, de dirigente. Ainda estudante fez parte dos corpos gerentes da Associação Académica. Depois à frente da União Desportiva de Bustos a sua acção foi relevante. A entrevista que vai seguir-se demonstrará que, como presidente da Junta de Freguesia tem cumprido, com aprumo e critério, o papel que lhe coube.
A conversa processa-se à mesa dum café onde não faltam testemunhas e gestos de aprovação a sublinhar as afirmações do entrevistado de quem inquirimos, para começar, quais as receitas e despesas da Junta . E a resposta veio pronta, expressa em algarismos:
Em relação aos últimos quatro anos, o quadro das receitas e despesas da Junta apresenta-se este:
1955 — Receitas: 48.015$95, despesa, 46.338$40; [239,50€; 231,13€]
1956 — Receitas 54.175$00, despesa, 51.300$00; [270,22€; 255,88€]
1957- Receitas 42.576$10, despesa, 41.757$10; [212,37€; 208,29€]
1958 — Receitas 41.235$50, despesa, 40.890$60. [205,68€; 203,96€]

Como fontes de receita mais substanciais o dr. Assis Rei indica mercado, cuja exploração rende anualmente, â volta de 25 contos; e o cemitério.
— Como tem sido aplicada essa receita, sr. doutor?
E o nosso entrevistado conta.
Conta como logo no início do seu mandato enfrentou o problema da ampliação do cemitério onde não havia então uma única sepultura disponível e, como, em dois meses, para aproveitar a comparticipação doEstado, se executou essa obra urgente de remodelação na qual a Junta gastou a avultada soma de 46 000$00.
— Claro que essa obra prejudicou outras?
— Não podia deixar de ser assim visto que absorveu o rendimento líquido de mais de dois anos. Em todo o caso...
— Diga, sr. doutor!

— Temos também conseguido ir fazendo alguma coisa no capítulo caminhos e estradas.
Assim, para citar factos, abriu-se um troço de estrada — a ladeira da Barreira; construiu-se um pontão de madeira sobre a vala do Sardo e outro, em cimento, no Paúl, onde também foi aberto um caminho -- ponte e caminho estes de grande interesse pois beneficiam consideràvelmente as povoações do Paúl e Malhada. Para avaliar o empenho com que a junta encarou este melhoramento basta dizer-lhe que, embora ele interesse também à freguesia dos Covões, toda a despesa ficou a cargo de Bustos, de maneira a evitar delongas na execução duma obra inadiável.
- E que mais?"

(continua)
....

»Entrevista com o Presidente da Junta da Freguesia de Bustos» JB 10.10.1959 (Dr. Assis Rei - 2)

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Entrevista com o Presidente da Junta da Freguesia de Bustos» JB 10.10.1959 (Dr. Assis Rei -3)



3 de junho de 2009

BUSTOS CUP


No próximo dia 10 de Junho (feriado nacional) realiza-se o Bustos Cup, um torneio de futebol (sub 7) organizado pela União Desportiva de Bustos.

Os jogos começam logo pelas 9h30 e envolvem as seguintes equipas: Beira-Mar, Naval 1º de Maio, Associação Académica de Coimbra, Sport Lisboa e Benfica, Futebol Clube do Porto, Sporting Clube de Braga e Grupo Desportivo Eixense.

Ainda que em versão pequena os grandes do futebol português estarão em Bustos no dia de Portugal. A não perder.

28 de maio de 2009

UM HÁBITO - A MOUVA DA PALHAÇA (dia 31 Maio)


Para mais informação

ARSÉNIO MOTA COM DOIS POEMAS DE MARIO BENEDETTI

Em Carta para Linda Ln (Califórnia), de 23.05.09, Arsénio Mota presta homenagem a Mario Benedetti (14.09.1920 - 17.05.2009).
Com a devida vénia NB edita a tradução de dois poemas do autor uruguaio. aqui

DEPOIS
O céu sem dúvida não será este de agora
quando me aposentar o céu
vai durar todo o dia
todo o dia cairá
como chuva de sol sobre a minha calva.

Eu estarei um pouco surdo para escutar as árvores
mas de todos os modos saberei que existem
talvez um pouco velho para andar na areia
mas o mar ainda me deixará melancólico
estarei sem memória e sem dinheiro
com o tempo nos meus braços como um recém-nascido
e chorará comigo e chorarei com ele
estarei sozinho como uma ostra
mas poderei falar dos meus fiéis amigos
que como sempre relatarão da Europa
seus cada vez mais tímidos contrabandos e galardões.

Claro estarei na orla do mundo contemplando
desfiles de crianças e pensionistas
aviões
eclipses
e regatas
e porei o chapéu para mirar a lua
ninguém me pedirá relatórios nem balanços nem cifras
e só terei horário para morrer
mas sem dúvida o céu não será este de agora
esse céu de quando me aposentar
terá vindo demasiado tarde.

EDITORIAL
A nação é uma maçã
uma vermelha e convidativa maçã
e não sabemos quem a morderá

a nação é uma corneta
uma rouca gasta corneta
e não sabemos quem a tocará

a nação é uma lagosta
uma atlética horrível lagosta
e não sabemos quem a matará

ah nós estamos pela Reforma
ou seja afogamos as cornetas na sua tinta
e comemos as maçãs com a sua casca
e convidamos as lagostas para o chá dos domingos

claro que estamos pela Reforma
ou - por outras palavras - contra a Reforma
e já que o prestigioso colega nos recorda
que onze por cento dos nossos lactantes
são comunistas e úteis cretinos
o nosso próximo slogan terá que ser
dar-lhes-emos biberões com arsénico

assim estaremos moralmente preparados
para regar com método e talvez com piedade
a terra dos homens de boa vontade.

Mario Benedetti, Poemas de la oficina / Poemas del hoyporhoy (1956-1961), Editorial Sudamericana, Buenos Aires, 2000, pp 24 e 44, respectivamente.

24 de maio de 2009

ESTÁ RECENSEADO? CONFIRME-SE

"O sistema de recenseamento eleitoral foi alterado.
Consultem o v/ nº de Eleitor e vejam se estão bem recenseados.
Se tiverem amigos/familiares que completem os 18 anos, eles são recenseados automaticamente na Freguesia de Residência, (mas não lhes é comunicado o nº de Eleitor).
Já confirmei só com o meu nome e a data de nascimento funciona e está actualizado."
Um alerta de DIL.

23 de maio de 2009


Se algum estranho ou longínquo peregrino passa por lá [Bustos], abre os olhos de espanto e, se conhece um pouco as coisas da Bíblia, julga-se entrado na própria terra de promissão.

Diante de uma tal abundância, diante de frutos tão ricos e tão copiosos da terra, eu, pela força do meu ministério, ia pensando que, se ao lado ou acima da estupenda fertilidade dos campos, a terra das almas fosse à proporção maravilhosa e fecunda, Bustos estaria tão bem ou melhor ainda indicada do que o Éden para ser a expressão mais bela do paraíso neste globo atormentado que nós habitamos.…
Excerto transcrito de ‘Aveiro – Suas Gentes, Terras e Costumes”, edição da Junta Distrital de Aveiro, 1967 [com 1ª publicação no Correio do Vouga, nº 616, de 30-01-1943, pg.1].
março 20, 2005, Bustos - do passado e do presente aqui, BUSTOS – [na década de 40] *****visto por D. João Evangelista de Lima Vidal (1874 – 1958)

21 de maio de 2009

Bustos tem mais janelas

Mais dois sítios sobre Bustos:
1) Vila de Bustos http://vila-bustos.weebly.com/
de © Beatriz Bastião 3ºB IPSB-Bustos Março/2009

2)
Desde Quarta-feira, 8 de Abril de 2009 a JSD - Núcleo de Bustos já tem Blog.
www.jsdbustos.blogspot.com

in JSD OLIVEIRA DO BAIRRO, aqui

João Pedro Bénard da Costa (1935 - 2009) - prestigiou a cidadania

Com a devida vénia, transcreve-se de Diário Digital/Lusa
aqui
Morreu João Bénard da Costa, aos 74 anosJoão Bénard da Costa, presidente da Cinemateca, morreu hoje em casa aos 74 anos, disse à agência Lusa fonte próxima da família.
João Bénard da Costa, que foi subdirector da Cinemateca Portuguesa desde 1980 e director de 1991 a 2009, foi substituído na direcção da Cinemateca Portuguesa em Janeiro último por Pedro Mexia devido a problemas de saúde.
Nascido em Lisboa em 1935, João Pedro Bénard da Costa, licenciado em Ciências Histórico-Filosóficas, foi um dos fundadores da revista O Tempo e o Modo, dirigiu o Sector de Cinema do Serviço de Belas-Artes da Fundação Calouste Gulbenkian e presidia à Comissão Organizadora das Comemorações do Dia de Portugal.
Homem desde sempre ligado ao cinema, João Bénard da Costa dedicou-se ainda à crítica e ao ensaio, tendo participado como actor em vários filmes, grande parte dos quais de Manoel de Oliveira.
Pelo trabalho à frente da Cinemateca, Bénard da Costa foi condecorado em Setembro passado pelo ministro da Cultura, José António Pinto Ribeiro com a medalha de mérito cultural.
Diário Digital / Lusa quinta-feira, 21 de Maio de 2009 10:04
Uma nota:
Bénard da Costa partiu muita pedra na construção do caminho da Democracia. Através da Arte tentou elevar o estatuto de Cidadão.
A vida e Obra de Bénard da Costa deve ser estudada e com brevidade. Para benfício do nosso húmus. Convém recordar que por motivo dos "interesses jornalísticos", os discursos proferidos nas comemorações do Dia de Portugal vinham fortemente truncadas.
Partiu o Mestre.
É urgente ir ao deserto procurar um discípulo de João Pedro Bénard da Costa.
sérgio micaelo ferreira

20 de maio de 2009

Entr'a Quarta - VIVA as associações [Oliveira do Bairro]

Do sítio da Câmara Municipal de Oliveira do Bairro aqui
extraiu-se o excerto:

VIVA as associações

De 20 a 24 de Maio, no Parque Desportivo de Oliveira do Bairro, vai decorrer a 4ª edição do “Viva as associações”, um evento que vai demonstrar a importância, a dinâmica e a força do forte movimento associativo do concelho.
A abertura oficial do evento será na quarta-feira, dia 20, às 19 horas.

(...)