28 de maio de 2008

José Craveirinha [28 de Maio.1922 - 06 de Fevereiro.2003]

"José Craveirinha nasceu a 28 de Maio de 1922 em Maputo, e faleceu em 6 de Fevereiro de 2003. Os seus restos mortais repousam na cripta da Praça dos Heróis, na capital de Moçambique.•Foi jornalista durante muitos anos, tendo usado os pseudónimos de Mário Vieira, J.C., J. Cravo, Jesuíno Cravo, entre outros. Iniciou a sua carreira no jornal «O Brado Africano», e posteriormente trabalhou nos jornais «Notícias» e «Tribuna», colaborando com artigos sobre a cultura moçambicana.•O autor publicou a sua primeira obra – Xibugo - em 1964, um ano antes de ser preso por práticas revolucionárias contra o colonialismo. Considerado um dos mais importantes poetas moçambicanos, Craveirinha marcou uma época de luta contra a ocupação colonial.

Grande parte da sua poesia ainda se mantém dispersa na imprensa, não tendo sido incluída nos livros que publicou em ida. Outra parte permanece inédita e faz parte do seu volumoso espólio.José Craveirinha nasceu e morreu poeta, tendo oferecido à língua portuguesa durante os seus 80 anos de vida um estilo literário sem precedentes."

Grito Negro
Eu sou carvão!
E tu arrancas-me brutalmente do chão
e fazes-me tua mina, patrão.
Eu sou carvão!
E tu acendes-me, patrão,
para te servir eternamente como força motriz
mas eternamente não, patrão.
Eu sou carvão
e tenho que arder sim;
queimar tudo com a força da minha combustão.
Eu sou carvão;
tenho que arder na exploração
arder até às cinzas da maldição
arder vivo como alcatrão, meu irmão,
até não ser mais a tua mina, patrão.
Eu sou carvão.
Tenho que arder
Queimar tudo com o fogo da minha combustão.
Sim!

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créditos de

"CHÉ MACANUDO, VÓS ESTAIS VIVO!"

Gente da Nossa Gente

UM CASO DE EMIGRAÇÃO

Neste rectângulo enclausurado entre o Atlântico e Espanha, a emigração tem sido sonho, anseio de vida melhor, modo de saciar a necessidade de aventura e uma maneira de conhecer novos espaços e gentes.

As motivações para deixar o torrão natal têm variado ao longo do tempo, mas a emigração alargou os horizontes e foi uma escola de vida para milhares de portugueses.

Ora, para António Bolo, bustoense de larga nomeada, o desejo de aventura nasceu cedo e a esse desejo tudo sacrificou e muitos sacrifícios passou para cumprir o seu destino.

Da escola nem queria ouvir falar e, não raras vezes, a trocava pela prática da natação na "bala do Sardo". Quem por lá passava não deixava de o repreender, mas este logo ripostava: "Más vále sabêre nâdáre que sabê lêre. Pôque se caira à máre se agarra à salguêra!"

Jovem adulto, parte com Pedro Crespo para a Argentina, destino pouco frequente dos nossos conterrâneos. Lá conseguiram facilmente emprego. Enquanto Pedro Crespo, que aprendera o ofício de Ferreiro com o velho Aires da Azurveira, se emprega nas oficinas da "Ferro Carril da Argentina, o António Bolo arranjou trabalho em "Las Pampas" e, mais tarde, dedicou-se ao comércio ambulante.

Embora separados, os dois aventureiros, passavam juntos o fim-de-semana para matar saudades e falar da terra e dos amigos que tinham deixado, tomar um copo e a banquetear-se com a divina parrilha argentina que se vendia pelas ruas da Buenos Aires.

Contudo, os ares argentinos foram contaminados por grave endemia febril, que prostrou o António no hospital.

Quando disso soube, o Pedro passou a visitar o amigo todos os dias à noite. Mas, certo dia, levado por um estranho pressentimento, foi visitar o amigo. Contudo, nem o pressentimento o preparou para a surpresa que o aguardava.

A emigração também é conhecida pela sua fertilidade em episódios rocambolescos, um deles protagonizado por António Bolo.

Na noite anterior, o António, debilitado pela febre, tresloucou quando a "irmã de caridade", lhe quis dar um "caldito". Delirante, supôs que aquela lhe queria dar o "caldo da meia-noite". Sem delongas, pontapeia a malga do fervente líquido que se derrama sobre o peito da "alma caritativa" e, sem papas na língua, exaspera-a com quantos filha sabe- se lá de quem... conhecia e, cai num profundo desmaio.

As pessoas que ocorreram aos gritos da escaldada "irmã" tiraram-no, sem contemplações, para a morgue para acabar com a pouca vida que lhe restava.

Todavia, a fria laje, para onde o arremessaram, teve o condão de lhe baixar a febre e acordar o "galo" que ganhara quando foi despejado na morgue, depois da sua proeza.

Na manhã seguinte, Pedro Crespo, é informado que o amigo falecera durante a noite. Consternado, pede para o ver. Chegado à morgue, para prestar a última homenagem, quase desmaia de susto ao verificar que o seu amigo estava vivo e lança esta expressão aprendida na Argentina: "Ché macanudo, vós estais vivo!"

Depois de se refazer do susto e de se exultar pelo facto de o amigo estar vivo, transporta-o para outro hospital até este se restabelecer.

Tempos depois, ambos regressam à terra natal. Pedro volta às lides agrícolas. António Bolo envereda pelo comércio da batata, jactando-se de ser muito rico.

Tanto se pavoneou com a sua riqueza que, os autores da revista ‘Bustos em Cuecas’, o satirizaram num dos seus quadros, deste modo:
«Quando eu vim do estrangeiro
trouxe muito dinheiro.
Não há ninguém comamim
Quando eu faço os meus comprados,
São logo pagados,
Porque trouxe muito pilim.»

Com o decorrer do tempo, cada um seguiu com a sua vida, mas o António Bolo sempre que matava o porco, pescava enguias ou fazia uma peixada, convidava o Crespo para a festança em honra da aventura e da amizade.

Infelizmente, hoje já não é assim, porque todos querem ser grandes antes de serem humanos.
Ulisses de Oliveira Crespo, cronista da vila.

27 de maio de 2008

PONTOS SOLTOS - DUAS VELAS, DE PRIMEIRA GRANDEZA

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in Pontos Soltos:
Tony Almeida
Ouca, Vagos, Portugal


Pontos Soltos aqui

SOBUSTOS - FESTA DA PRIMAVERA'2008



LABICER (vitrakem) ARRECADA PRÉMIO TEKTÓNICA INOVAÇÃO'2008

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O produto de aglomerado cerâmico de revestimento «Vitrakem» produzido pela LABICER, empresa instalada na «zona» industrial do Barreirão, foi distinguido com o Prémio Inovação’2008 alcançado na Feira de materiais de construção e de Obras Públicas (TEKTÓNICA).
‘Notícias de Bustos’ aprecia o êxito alcançado no prestigiado certame.

A LABICER, também merece vir a lume por outro bom motivo. À falta de sinalização a indicar o acesso a Bustos desde a saída da A17 (Fontão), esta empresa seguiu os passos da SOTELHA e colocou a sinalética indispensável para alcançar o Barreirão.
sérgio micaelo ferreira

22 de maio de 2008

JUNTA DE FREGUESIA DE BUSTOS SUBSIDIA

A Junta de Freguesia de Bustos viu aprovada a sua proposta de distribuição de subsídios a Instituições no montante aproximado (por excesso) de trezentos contos. É pouco para quem recebe, mas muito para quem dá.
Anda bem a Junta presidida pelo Senhor Manuel Pereira com a imposição das instituições apresentarem o Relatório de Actividades (presume-se que seja do ano da atribuição do subsídio).
NB ficou a saber que a Junta de Freguesia tem apoiado as obras sociais da Igreja. Nada a opor.
Questiona-se, a Junta terá recebido o plano de actividades ou quejando ou petição fundamentada da ‘comissão fabriqueira’ da paróquia de Bustos a solicitar subsídio?
A Junta de Freguesia tem apoiado as outras instituições religiosas actualmente implantadas em Bustos?
Com o imóvel-igreja a mostrar uma encadernação, com barba e cabelo aparados de fresco, será o momento de iniciar o processo de demolição da casa censória do mural de X. Costa e de se avançar para a classificação Patrimonial da única obra da Arte Contemporânea de Bustos e arredores. Há quem o saiba fazer... com conhecimento de causa.
sérgio micaelo ferreira

21 de maio de 2008

NOVA ESCOLA NA PICADA

Segundo anunciou o presidente da Câmara Municipal de Oliveira do Bairro, Mário João Oliveira, ao nova Escola primária de Bustos, a ser construída no Cabeço da Vila (Picada)", vai custar dois milhões de Euros.

Esta é a quarta escola, de um pacote de oito, que o município candidatada ao Quadro de Referência de Estratégico Nacional (QREN) mas, segundo o vereador António Mota, "a escola será construída, independentemente de ser ou não comparticipada pelos fundos comunitários”.

20 de maio de 2008

RECUPERAÇÃO EXEMPLAR


A casa do Dr. Pato, uma das mais emblemáticas de Bustos, está em avançado processo de recuperação ficando assim garantida a sua preservação. Esta é uma boa notícia para Bustos e para a memória do grande benemérito que foi o Dr. Manoel dos Santos Pato.

A iniciativa partiu de uma família de Coimbra que comprou o edifício e compreendeu que para a sua valorização e melhor aproveitamento nada melhor do que preservar este exemplar arquitectónico que já é hoje uma referência e uma raridade a nível local.



Da capela aos tectos, passando pelas portas, pelo fogão de sala e escadaria tudo está a ser devidamente preservado. E até quando os materiais são substituídos por outros mais modernos, como acontece com as janelas, os desenhos originais são devidamente reproduzidos. Um exemplo para todos nós e especialmente para as autoridades políticas locais, sempre empenhadas em demolir qualquer edifício mais antigo, destruindo de forma criminosa parte significativa do no nosso património arquitectónico.