Parte II- Como da união de um grupo de Bustuenses se impulsionou a criação dos Correios de Bustos.
Nessa noite e depois de maduramente pensar, quiz convencer-me que um funcionário de tal categoria seria incapaz de me dar uma informação falsa. Nesta convicção, resolvi novamente ir falar-lhe no dia seguinte, o que fiz sem companhia. Confessei que não havia acreditado na facilidade de uma Estação Telegrafo-Postal em Bustos como na véspera me tinha sugerido mas que, sendo verdadeira, pedia para me esclarecer convenientemente, a forma da sua aquisição. Com a melhor vontade o senhor Director respondeu-me:« Podem adquiri-la como foi adquirida a de Sangalhos» e explicou: « Constituem uma comissão de comerciantes que, perante a Junta de Freguesia Local, se compromete ao pagamento adiantado da aparelhagem para a Estação que orça por 5.700$00. A Junta de Freguesia faz o pedido à Administração Geral dos Correios, de Lisboa, oferecendo casa própria não só para a Estação como também para a residência do respectivo chefe. A cargo da Junta de Freguesia, fica também o pagamento de qualquer deficit que possa haver por insuficiência de receitas na Estação. Só é compreendida receita, venda de estampilhas e vales do Correio. O que a Estação recebe não conta. Se a receita não cobrir a despesa, a Estação é encerrada logo que tal se verifique». Regressei satisfeito, convencido, como aconteceu, de que, com o auxílio da Junta de Freguesia de que era Presidente Manuel Francisco Rei, que recordo com saudade e de outros bairristas que Bustos viu nascer e tem albergado, se conseguiria um dos mais importantes melhoramentos para a sua freguesia.
Ainda em Aveiro, encontrei os senhores Manuel Nunes Pardal e Herculano da Silva a quem expus o que se passava. Ficaram, como eu já vinha, satisfeitíssimos e ali logo nos cotizámos. Eu, com 1000$00, Pardal com 500$00, e Herculano, que dizia que não vendia passagens para a América, com 400. Faltavam os dois restantes- Quim e Albano- que, por qualquer motivo, não poude abeirar nesse dia, como também não me foi possível falar com o senhor Manuel Francisco Rei.
A primeira pessoa a aparecer-me no dia seguinte, logo de manhã, foi este presidente da Junta de Freguesia que, informado pelo Pardal, me veio mostrar o seu contentamento. E, pondo-se à disposição de tudo quanto oficial e particularmente lho fosse possível para o engrandecimento da sua terra, não pôde evitar, como vi, que por tal contentamento, lhe rolassem lágrimas no rosto. Abordados Quim e Albano, logo se cotizaram com 300$00 cada.
Tínhamos, portanto, quase metade da importância necessária. A restante não nos preocupava, tanto mais que o Presidente da Junta me havia garantido que não era só com a sua solidariedade que podíamos contar mas também com a do seu primo Manuel Francisco Domingues, do senhor Doutor Manuel dos Santos Pato, do senhor Manuel Reis Pedreiras e do senhor Vitorino Reis Pedreiras, como dentro em pouco se constatou.
O dinheiro naquele tempo era caro mas isso não evitou que resolvêssemos pedir ao povo de Bustos o seu auxílio mesmo porque, algum do qual, mostrava vontade de o oferecer. Para tal fim, foi nomeada uma comissão de que faziam parte, além dos que já não me recordo, os senhores Quim e Silvestre Martins. O primeiro a receber o pedido foi o senhor Manuel da Costa Morgado que logo entregou 100$00, seguindo-se-lhes os senhores José dos Santos Barreiro com 20 e Manuel de Oliveira Morgado com 50. Fazendo-se abeirar do sr. Visconde e exposto o fim da sua missão, este senhor mostrou ficar radiante com a obra empreendida. Que para ela contribuiria da melhor vontade por se tratar de um grande melhoramento, etc., etc., mas que, em primeiro lugar, desejava saber quais as condições em que a Estação dos Correios era creada. Como nenhum dos da comissão se lhe tivesse feito compreender, foi o Quim chamar-me para lhe dar a informação desejada.
4 de agosto de 2007
Albariño e Lazer
O vinho da denominação “Ribeiro” não mora por estes lados; tem casa mais a sueste, na região de Orense.
E eu estou no coração da denominação Albariño; nada de confusões.
Fiquem cientes de que o Albariño nasceu nas Rias Baixas, tendo as primeiras cepas sido trazidas da Germânia.
São 3 as regiões do Albariño: mais a norte fica a de Cambados; ao centro (onde estou neste momento) é o Salnés, verdadeiro coração do Albariño; a sul fica a região de Salvaterra de Minho, para onde mais tarde desceram as cepas albariño, até às 2 margens do rio Minho (Tomiño, Salvaterra e Valença do Minho, Monção, Melgaço).
Afinal, é tudo Galicia até ao Douro e daí a designação histórica de Reino Galaico-Duriense. Foi por aqui que o nosso Afonso Henriques espadeirou à bruta, dando e levando pancada de criar bicho, fazendo gala nas maiores sacanices e traições, a que nem a mãe – e muito menos o Papa - foram poupados. O nosso herói tinha mesmo de descambar no pai do Reino de Portugal…e dos portugueses.
E a Galicia aqui tão perto
Para o Sr. António Prieto, com os seus 16.000m2 de vinha albariño e para D. Manuel Troncoso Poceiro, cuja “Bodega Aguiuncho” irei conhecer ao vivo, não pode haver melhor Albariño que o do Salnés.
D. Manuel é um empório local: é o dono do simpático hotel onde estou (Hotel Nuevo Vichona, em La Vichona, actualmente inserida bem dentro do espaço urbano de Sanxenxo) e as suas vinhas plantaram-se teimosamente, aqui mesmo arredor. A sua Bodega Aguiuncho é cuidada pelo filho e fica logo ali do outro lado da estrada, por detrás doutro hotel da família – o Troncoso. Juro que são uns 100m ou pouco mais.
Que espanto!
O que não seria a região demarcada da Bairrada nas mãos deste grandioso Povo Galego!
*
E agora, ó meus, já perceberam o porquê do post de ontem, intitulado “Vitivinicultura: na Galicia é a sério”?
*
Vivam os meus 4 dias de férias!!
*
Ah, lá me ia esquecer de referir: o sinal ADSL da Telefonica é excelente e a “tarjecta Prepago” por 24 horas são só 12 euritos para a Península Y Baleares (10,34€ sin impuestos). Longa vida ao Wi-Fi!!
*
Portem-se bem no trabalhinho e não mijem fora da carroça, recomenda. o
oscardebustos
D. Manuel é um empório local: é o dono do simpático hotel onde estou (Hotel Nuevo Vichona, em La Vichona, actualmente inserida bem dentro do espaço urbano de Sanxenxo) e as suas vinhas plantaram-se teimosamente, aqui mesmo arredor. A sua Bodega Aguiuncho é cuidada pelo filho e fica logo ali do outro lado da estrada, por detrás doutro hotel da família – o Troncoso. Juro que são uns 100m ou pouco mais.
Que espanto!
O que não seria a região demarcada da Bairrada nas mãos deste grandioso Povo Galego!
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E agora, ó meus, já perceberam o porquê do post de ontem, intitulado “Vitivinicultura: na Galicia é a sério”?
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Vivam os meus 4 dias de férias!!
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Ah, lá me ia esquecer de referir: o sinal ADSL da Telefonica é excelente e a “tarjecta Prepago” por 24 horas são só 12 euritos para a Península Y Baleares (10,34€ sin impuestos). Longa vida ao Wi-Fi!!
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3 de agosto de 2007
"Há males que vêm por bem" de Manuel Joaquim de Oliveira Sérgio- Parte I
Parte I- Enquanto Bustos se servia das Estações de Correios Telegrafo-Postal das zonas limítrofes.Desde dia que ignoro até 1913 e mesmo uma meia dúzia de anos depois, Bustos recebia a sua correspondência por intermédio da Estação Telegrafo-Postal de Oliveira do Bairro. O seu distribuidor-correio, como lhe chamavam- só distribuía a correspondência na estrada que o conduzia à Mamarrosa- localidade por onde era forçada a sua passagem-aos interressados que ali o aguardavam. Para avisar a sua aproximação, esse distribuidor que eu conheci e dava pelo nome de PATACO, tocava fortemente a sua corneta, ao passar pelo local onde se encontra a primeira escola que foi feita em Bustos. A restante c6rrespondência para se guir era posta na caixa do correio, ou entregue no estabelecimento que os interessados indicavam ao distribuidor, como no mesmo era entregue a que ele trazia e que não era procurada. Se vinha uma carta cuja resposta convinha ser dada no mesmo dia, o interessado ia leva-la a Oliveira do Bairro porque, o PATACO, devido ao seu longo percurso não podia esperar que ela fosse escrita.
Com a creação do apeadeiro de Oiã, passou Bustos a ser servido pela Estação Telegrafo-Postal da Palhaça. Entre esta e aquele, circulavam diariamente duas malas de correio, sendo uma da correspondência do Norte e outra do Sul. Um dos condutores que eu conheci chamava-se ISAIAS que, através de todos os tempos, fazia aquele percurso duas vezes por dia- uma para receber a mala do combóio correio da manhã e outra do da noite, por 2$50 diários. A Direcção Geral dos Correios resolveu suprimir uma das malas e, com tal supressão que já não me recordo se foi da do Norte, se da do sul, Bustos ficou altamente prejudicado porque a correspondência destinada à mala suprimida, só dois dias depois chegava ao se destino. Baldadas as tentativas para a ua restauração, reuni com os comerciantes locais nomeadamente os senhores Manuel Nunes Pardal, Herculano da Silva, Joaquim Simões Pedro ( o Quim) e Albano Tavares da Silva, resolvendo pagarmos entre todos à Administração Geral dos Correios, o transporte da mala suprimida que era de 1$25 diários.
Esta nossa resolução foi por mim apresentada ao Chefe da Estação Telegrafo-Postal da Palhaça- senhor Vinício César Arez que, não podendo, como me disse, resolver o assunto, se propôs para junto de mim, o expor ao senhor Director dos Correios de Aveiro. Ali nos deslocámos e exposta a nossa pretensão, a recusa não se fez demorar, sem que me podesse conformar com tal negativa, argumentei-lhe:- «Parece impossível não poder ser restaurada uma mala, que não representa engargos para a Administração Geral dos Correios, quando noutras localidades são creadas Estações, dando-lhe como exemplo a de Sangalhos». Isso é mais fácil- respondeu-me aquele Director- e com uma Estação Telegrafo-Postal é que Bustos ficava bem servido!»
_____________________________
Sérgio, Manuel Joaquim d`Oliveira, " Há males que vêm por bem- Como foi creada a Estação Telegrafo-Postal em Bustos", composto e impresso na Tipografia "A Lusitânia", Aveiro-Julho de 1956.
O opúsculo " Há males que vêm por bem-Como foi creada a Estação Telegrafo-Postal em Bustos", foi dividido em partes para facilitar a sua publicação.
Vitivinicultura: na Galicia é a sério
Há vinhas, pequenos vinhedos, por tudo quanto é canto. Até aqui mesmo à portinha do hotel, em plena cidade de Sanxenxo, de cuja varanda do 2º andar tirei a foto.
Somos irmãos de quem? Só se for na língua, toda ela a tresumar galaico-duriense.
Viva Galicia!
*
oscardebustos
DR. Jorge Micaelo homenageado em jantar de fim de ano lectivo pela ABC

No passado dia 27 de Julho decorreu o jantar de fim de ano lectivo da Associação de Beneficência e Cultura de Bustos, no salão de festas da quinta do SR. Miguel Barbosa, na Quinta-Nova. Entre entregas de lembranças às funcionárias, boa música de Jaime Miranda e um bom jantar a noite ficou marcada, pela homenagem ao Dr. Jorge Micaelo, por ser sócio fundador número 1. Para ler uma reportagem clique Bustos à Lupa.
2 de agosto de 2007
NÃO HAVIA NECESSIDADE OU PRECIPITAÇÃO?
No decorrer da sessão da Assembleia de Freguesia de Bustos de 28.06.2007 e especificamente no tempo anterior à Ordem do Dia, o senhor presidente da Junta de Freguesia de Bustos informou que iria implantar novas placas da toponímia local, tecendo elogio ao modelo escolhido. Da informação à obra foi um pulo de pulga. Hoje já é possível ver o nome de várias ruas, travessas e avenida (!?), etc. inscritas em painéis de azulejo-tipo, assentes em suporte modelo de estatura única.
O visual de entrada ou saída de ruas está novo. As novas placas vão no encalço da vista.
Sem pretender cronicar sobre o universo da recente aplicação das placas, surge uma dúvida.
A Travessa Rosa da Ana tem novo topónimo: Travessa Silva Terra. Um senhor que pertence à construção de um Bustos não muito antigo, conforme realçou em escrito o comendador Ulisses Crespo. Só não se compreende que Rosa da Ana tenha sido «saneada», estando a Senhora ainda viva.
O visual de entrada ou saída de ruas está novo. As novas placas vão no encalço da vista.
Sem pretender cronicar sobre o universo da recente aplicação das placas, surge uma dúvida.
A Travessa Rosa da Ana tem novo topónimo: Travessa Silva Terra. Um senhor que pertence à construção de um Bustos não muito antigo, conforme realçou em escrito o comendador Ulisses Crespo. Só não se compreende que Rosa da Ana tenha sido «saneada», estando a Senhora ainda viva.
Precipitação?
...
“Abino Pardal” em vez de “Albino Pardal”.
“Abino Pardal” em vez de “Albino Pardal”.
Só acontece a quem escreve.
sérgio micaelo ferreira, 03.08.2007
1 de agosto de 2007
Municípios sem Fronteiras : antes de o ser já o eram
Até aqui tudo bem. Só que, quando acabarem os jogos do município de Oliveira do Bairro e se souber então qual a equipa/freguesia vencedora, entretanto já aconteceu a final entre as várias equipas que representarão cada um dos municípios do distrito de Aveiro que estão envolvidos no divertido e popular concurso.
De facto, a final intermunicipal deste ano terá lugar em Vila Nova de Paiva já nos próximos dias 16 a 19, ou seja, uma semana antes da edição de Oliveira do Bairro.
Assim sendo, a equipa cá do burgo volta a estar na crista da onda da versão municipalista dos famosos Jogos sem Fronteiras.
E ainda há quem se queixe de que Bustos é uma espécie de Kosovo do concelho!!! (*)
Já agora: e para o ano? Vai a equipa deste ano e assim, sucessivamente, continuaremos a ser representados com efeitos rectroactivos?
Fica a dúvida jurídico/cartesiana do
oscardebustos
(*) Terei sido eu que disse isso?
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