7 de março de 2007

UDB GENTE QUE DAVA O LITRO EM 1989/90


Relação dos Corpos Gerentes da União Desportiva de Bustos da época de 1989/90

ASSEMBLEIA GERAL:
Presidente: Dr. Professor Milton Costa
Vice-Presidente: Engº. Celso Vitorino Reis Pedreiras
Secretário: Jorge Humberto dos Santos Reis Pedreiras

CONSELHO FISCAL:
Presidente: Dr. Laerte Martins Mota
1° Relatar: Dr. Óscar Aires dos Santos
2º Relatar: Rafael da Costa Tavares

DIRECÇÃO:
Presidente: Dr. Manuel [Nunes] Simões dos Santos
Vice-Presidente: Jó Ferreira Duarte
Vice-Presidente: Dr. Fernando Ferreira Seabra Vieira
Secretário Geral: Luis Jorge Ferreira Rei
1º Secretário: Valdir Coimbra
2º Secretário: Maria dos Prazeres da Mota Duarte

Coordenador do Futebol Juvenil:
José Eduardo André Gonçalves dos Santos

Vogais:
Paulo Martins Vieira
João Maria Alves
Fernando da Silva Lourenço
Fernando Joaquim de Almeida
Carlos Alberto Ferreira Alves
Lino Vieira da Silva Pedreiras
Joaquim da Costa Tavares [Quim]
Luis Augusto Amante Pereira
Esmeraldo Matos de Almeida
Mário de Jesus Canão
António Jorge da Silva Oliveira
Alcino de Oliveira Rodrigues
Manuel Ferreira dos Santos
Carlos Alberto Martins Figueira
Jorge Humberto dos Santos Reis Pedreiras
António Henriques

HILÁRIO SIMÕES DA COSTA: 1º CENTENÁRIO DO SEU NASCIMENTO (PROGRAMA - Dia 17 de Março)

HILÁRIO COSTA, EVOCAÇÃO ADIADA PARA SÁBADO 17


Por motivos inadiáveis, a evocação a Hilário Costa fica adiada para o próximo dia 17 de Março (sábado), mantendo-se o alinhamento do programa.

6 de março de 2007

olgasantos galeria apresenta equinócio 21 de março




equinócio
2 1 m a r ç o

“A ÁGUA NUNCA FICA NO TOPO DA MONTANHA”
olgasantos
galeria
a galeria olga santos tem o prazer de
convidar v.exª para a inauguração
da exposição de pintura a acontecer
pelas 16.30h do dia 3 de março de 2007

estará patente até 3 de abril de 2007
a exposição integra outras iniciativas,
participação do público, workshops,
encontros e tertúlia sobre o tema,
e intervenção no dia 21 de março na
passagem do equinócio da primavera

seg-sex 1100h~1400h + 1500h~1900h
sáb 1000h~1300h + 1400h~2000h
praça da república 168 1º fr 4050-498 porto
tel+fax 222010889 tlm 917014763
molgas@sapo.pt
metro trindade+faria guimarães
*****

Sendo a Arte sobre – humana, cultivará o elemento sobre-humano no Homem e constituirá por conseguinte um meio de evolução da Humanidade.
Propõe-se a participação do público para que a Arte tenha um papel fundamental na construção do Belo Social, como expressão do espírito humano.

“AGUA NUNCA FICA NO TOPO DA MONTANHA “

> a imagem da água que nunca fica no topo da montanha e a nossa atitude de respeito pelas Leis da Natureza, como forma de sustentabilidade Global.


De 3 de Março a 3 de Abril de 2007
Praça da República, 168 – 1º
4050 498 Porto

– Exposição aberta, que marca a passagem do Equinócio da Primavera, e com ele um novo Ciclo.

Olga Santos

4 de março de 2007

HILÁRIO COSTA: PERSEGUIDO POR BEM-FAZER


Aos Meus Conterrâneos
Conterrâneos, meus amigos!
Eu venho solicitar
A vossa contribuição
P'ra Cantina Escolar!

Porque dar para as crianças
Não há gesto mais gentil!
- São avesinhas chilreando
Nas madrugadas de Abril!

Gostava que os pobresinhos
Tivessem agasalho e pão,
Para aceitar com agrado
Todo o Bem da Instrução!


Pois num gesto Humanitário,
Grande lição de Civismo,
Mostremos, altivamente,
O nosso puro Bairrismo!

E as crianças, sorridentes
E ufanas, saberão
Agradecer nosso gesto
com amor e gratidão!

- Dai, bustuenses amigos!
Porque o dar não traz pobreza.
E sempre cabe a comer
Um a mais à nossa mesa!
*
E em pról da nossa Terra,
Eu a todos aqui peço:
- Para seguirmos a par
Com a marcha do Progresso!
1953

Hilário Costa destinava a s receita da venda desta edição`ao seviço das Cantinas Escolares de Bustos, conforme atesta o Autor:
Os «Versos dum emigrante»serão publicados, pagos por mim, e o produto da sua venda reverterá a favor das Cantinas Escolares de Bustos."
Mas a perseguição política do regime de Salazar assim não quis que tal acontecesse …

Ouçamos Hilário Costa.

Era grande o amor pela minha terra que nunca falhou: mas três dias antes da festa se realizar para a venda dos livros, (como me foi dito para os Estados Unidos, onde me encontrava), os caciques cá da terra, que nada fizeram por ele, comunicaram ao Director Escolar que eu era comunista (!!!) * e ele imediatamente deu ordens que não autorizava que essa festa se realizasse nas Escolas, nem que os professores e alunos estivessem presentes.E, assim terminou o que podia ter siso o início duma obra humanitária para as criancinhas pobres da nossa terra.- Dei ordens da América, para que os livros fossem distribuídos pelos alunos das Escolas.
(…)
*Não sou nem nunca fui comunista.
In Hilário Costa, Bustos – Memórias de um bustoense, 1984, pgs. 70.

3 de março de 2007

HILÁRIO COSTA: 1907-12 DE MARÇO -2007


HILÁRIO COSTA, O OBREIRO DA TOPONÍMIA RUAS JACINTO DOS LOUROS & Dr. MANUEL DOS SANTOS PATO

JUSTA HOMENAGEM[1]
[Aconteceu em 18 de Fevereiro de 1973]

Para que ao sr. Jacinto dos Louros e ao sr. Dr. Manuel dos Santos Pato, da Barreira, fossem colocadas lápides, com os seus nomes na rua de Bustos, Sobreiro, Barreira e Azurveira, escrevi cartas da América a muitos dos nossos conterrâneos e aos familiares dos ilustres homenageados, assim como ao «Jornal da Bairrada», à Junta de Freguesia e à Câmara Municipal, pedindo autorização para que essa homenagem fosse concedida. E, como irão ver, esse facto foi realizado, com muito prazer para todos nós, tendo regressado a Bustos, vindo daAmérica, para assistir a tão importante acontecimento, realizado a 18 de Fevereiro de 1973.
________________
[1] In Hilário Costa, ‘Bustos - Memórias de um bustoense, 1984

***

Eis algumas cartas dos filhos dos ilustres homenageados e de alguns dos nossos conterrâneos, que muito me honram:

Do Dr. Manuel Simões Guerra
Filho do sr. Jacinto dos Louros


Meu caro Amigo:
Recebi outro dia, entregue por minha irmã mais velha, a cópia de duas cartas da América, qualquer delas invocando «Justa Homenagem» ao meu padrinho Dr. Manuel dos Santos Pato, e a meu Pai, Jacinto Simões dos Louros.
São duas cartas pelo seu pronto espírito e fervor bairrista, que se compraz na lembrança do seu mundo de nascença e das figuras portadoras de características facetas temperamentais que nele deixaram rasto perdurável.


A leitura dessas cartas impressionou-me profundamente, pois os nomes nelas focados constituem nímbos imperecíveis na minha saudade.


Meu Pai, homem voluntarioso, arguto e batalhador, percursor por espírito e por acção, carácter robusto, mas também profundamente generoso, que eu cada vez mais estimo e admiro, quer na faceta simultânea de idealista e de actuante, quer na de incansável bairrista, para quem não havia obstáculos que lhe detivessem a ambição de engrandecer a sua aldeia. Releve-me esta confidência pessoal: para mim, o lembrar o que foi a vida de meu Pai, é sentir grande satisfação pelo seu extraordinário exemplo de dedicação à promoção da Grei, pois nisso encontro íntima orgulho filial.
……………………………………….........

Desejando-lhe boa saúde e um bom ano, abraça-o cordialmente o antigo condiscípulo e amigo,
Porto, 6 de Janeiro de 1973 Manuel Simões Guerra
________________

De D. Felicidade Simões Guerra Lé,
[Filha de Jacinto Simões dos Louros]


Da Senhora D. Felicidade Simões Guerra Lé, recebi a seguinte carta que transcrevo parte do seu conteúdo:
Ex.mo Senhor Hilário Costa:
Com a leitura da sua «Carta da América», fiquei profundamente chocada com a sua elevada lembrança, pois não tenho palavras que possam exprimir suficientemente os meus agradecimentos, a minha eterna gratidão.
Nestas horas de tempos difíceis, lá aparece o sempre amigo, a perpetuar, lembrando, organizando uma homenagem para aqueles que partiram, para que os nomes deles jamais sejam esquecidos, mas fiquem a perdurar pelos tempos fora.
Bustos, minha Terra-Natal, enquanto me resta um sopro de vida, não mais será esquecida.
........................................................................


Agradeço sinceramente de todo o coração com os meus cumprimentos de amizade e gratidão.
Coimbra, 26 de Janeiro de 1973 . Felicidade Simões Guerra Lé
________________

De D. Benilde Simões Guerra e Silva
[Filha de Jacinto Simões dos Louros]

Em resposta à minha carta, que foi enviada para Inhambane à D. Benilde Simões Guerra e Silva, filha do sr. Jacinto dos Louros, transcrevo um trecho onde aquela Senhora escreve numa carta que me dirigiu:
……………………...........................................
Vim parar a estas longínquas, misteriosas e belas cidades africanas, onde exerço o professorado. Ê este o único motivo que me leva a estar ausente numa data para mim tão grata. Sim, porque além de saber do grande amor do meu Pai à terra natal, sou também bustoense, e, embora tenha saído de lá ainda muito bébé ia quase todos os anos passar as vindimas a casa do nosso falecido amigo Dr. Pato, mais tarde, já professora, lá leccionei o meu 1° ano, lá criei amizades.
Deve portanto calcular como é grande o desgosto de não estar em Bustos a 18 de Fevereiro.
Aceite um muito e muito obrigado da que talvez ainda este ano o vá conhecer para pessoalmente lhe poder agradecer.
Inhambane, 22-1-73 . Benilde Simões Guerra e Silva
________________

Do Dr. António Vicente:
[natural do Troviscal, médico em Bustos, residia no Placete do Visconde]

Meu caro amigo Hilário Costa:
Recebi a sua carta sobre a lápide rememorando aos vindouros e apontar como modelos de homens bons e prestáveis ao público, os nomes do Dr. Manuel dos Santos Pato e Jacinto dos Louros.
Concordo absolutamente com tudo o que o meu caro Hilário refere e daqui lhe quero dar um abraço de parabéns, pela sua ideia e concretização de tal lembrança.
....................................................................
Creia-me sempre cordial e velho amigo
Bustos, 28-11-72 . António Vicente
________________

Do Engenheiro Manuel dos Santos Pato
[Filho do Dr. Manuel dos Santos Pato]

Recebi a última carta do meu amigo, Engenheiro Manuel dos Santos Pato, depois duma troca de correspondência com ele, referindo-se a terem retirado do átrio do Sonoro-Cine de Bustos a placa com os nomes do seu pai e do sr. Jacinto dos Louros caso que muito o feriu e não pretendia autorizar a colocação de placas na rua da Barreira, como eu pretendia, com o nome de seu Pai.
Finalmente, escreveu-me:

Meu Bom Amigo:
Recebi a sua carta.
Estou-lhe muito grato pela generosidade e entusiasmo que dedica à comemoração do próximo dia 18 de Fevereiro, em Bustos, incluindo a homenagem a meu Pai e a Jacinto dos Louros.
Apesar dos infelizes antecedentes que lhe descrevi, reconheço que não tenho o direito de me opor à vontade do Povo da nossa Terra.
....................................................................

Um abraço do amigo certo .
Agueda, 21-12-1972 Manuel dos Santos Pato
________________

Do dr. Assis Francisco Rei:

Pelo facto de só hoje lhe escrever, não significa que me tenha esquecido das suas cartas e do seu manifesto desejo de se honrar todos aqueles que trabalharam em prol da nossa querida Terra:
O seu apelo foi bem recebido por todos os Bustoenses.
Já tivemos uma reunião com a Junta de Freguesia, onde esteve o padre e um grupo de pessoas e aí se tomou conhecimento de se fazer uma festa no dia 18 de Fevereiro, aproveitando-se esse dia para dar o nome às ruas de Bustos-Sobreiro, (Rua Jacinto dos Louros) e Barreira-Azurveira (Rua Dr. Santos Pato), colocando-se as respectivas placas indicativas.
Estamos a pensar em fazer-se uma sessão solene à tarde e à noite fazer-se um jantar de confraternização.
………………………………..............
Bem, Amigo Hilário e por hoje termino, enviando um saudoso abraço a toda a família.
Bustos, 22-1-1973 . Assis Francisco Rei

PEDIDO DE ENTERRAMENTO NA CAPELA DE BUSTOS DE JOÃO SIMÕES NO ANO DE 1742 (a)




Pedido de Enterramento na Capela de Bustos de João Simões no Ano de 1742

Dis João Simõens da Povoa de Bustos freguesia da Mamaroza deste bispado de Coimbra que elle supplicante se acha nos braços da morte por instantes, acabando a vida por cauza de hua[1] grande infermidade e doença que teve de febre e acabar logo, e talvés repentinamente lho tem declarado, e pronosticado os medicos assistente[s] por cuja razão fes seu codeccillo[2], e despozição de testamento, no qual despoem de seus bens deversos legados pios para descargo de sua conciencia, e salvação de sua alma despois de ter recebido todo[s] os sacramentos religiosos [?]. Estando em seu juizo, e entendimento perfeito entre os quaes para haver de se lh`o dar sepultura ecclesiatica ao seu cadaver, elegeo sepultura na cappella de S. Lourenço do dito lugar de Bustos da dita freguesia, junto do altar do Senhor Jesus da Agonia de quem he particular devoto, imagem veneranda, e milagroza, que o supplicante já há annos pellos seus bens fes fazer e fabricar, deixando de esmolla para obras, ornato, e descencia da mesma imagem (que se acha collocada em hum dos altares colateraes) dous mil, e coatro centos ris; e porque o supplicante no dia em que seu corpo for dado a sepultura na dita cappela que ahy se lhe faça o primeiro officio de nove liçoens corpore presente, e tudo o mais sem prejuizo dos direitos parochiaes na dita capella há missa de pastores aos domingos e dias santos onde há grande concursio[3] de povos, hé templo grandiozo, e decentemente [?] ornado, e supoem-se que o solo e subpedanio[4] da dita cappella não está bento razão por que se eregio tão somente para se dizer missa e admenistrar os sacramentos e the o prezente nella se não ‹tem› sepultado cadaver algum; e da sua terra a esta cidade dista mais de seis legoas, e não sabe o instante em que acabará.

Pede a Vossa Merce lhe faça merce mandar que o seu Reverendo Parocho fallecendo o supplicante da vida prezente de sepultura ecclesiastica ‹a seu corpo› no lugar da dita cappela eleyto na forma do dito codeccillo, benzendo primeiro a dita sepultura, na forma do ritual [de] Paullo 5º, e ceremoniaes que tudo he a mesma verdade por [?] do que o seu Reverendo Parocho asigna e suplica, e para recorrer a V. Merce não haverá lugar, visto e referido [?].

E recebera mercê

O P.e Cura Antonio Martins

_________
(a) Peça apresentada por Alberto Martins, com o texto grafado em "Lucida Calligraphy", incompatível neste programa.
[1] Antiga grafia de uma, no século XVIII.
[2] Actualmente codicilo [do latim codicilli, de codex] alteração ou aditamento de um testamento, in Dicionário de Língua Portuguesa (1.º vol.) de Cândido de Figueiredo, Lisboa, Bertrand, 1996.
[3] Actualmente concurso, ou seja afluência de fiéis.
[4] Por subpedanio deve entender-se o solo que esta em baixo dos pés.

1 de março de 2007

ALCIDES & HELEN EVOCAM HILÁRIO COSTA

Nunca tive o privilégio de conhecer pessoalmente o ilustre bustuense Hilário Costa, mas o meu sogro, Manuel da Silva “Maia”, que também era bustuense, conhecia-o bem e eram bastante amigos.

O Sr. Hilário vivia na costa Leste dos Estados Unidos e o meu sogro vivia na Califórnia, na costa Oeste da América.

Lembro-me do meu sogro dizer que em todas as poucas vezes que visitou Portugal, sempre incorporava no seu itinerário uma paragem em Nova York. Aí visitava os seus amigos bustuenses de infância entre os quais se encontrava o Hilário Costa e o Isaías Pedro, tio do nosso amigo Vitaliano Pedro.

Diz-me a minha mulher (Helen) que em 1954, a família fez uma visita a Portugal. Na ida, a família Silva fez a sua paragem em Nova York onde ficaram uns dias com a família do Isaías Pedro, que nesse tempo vivia em Larchmont, Nova York. Em dois ou três dias, o Hilário Costa organizou uma festa para o seu amigo da Califórnia e para todos os bustuenses residentes nos Estados de New Jersey e Nova York. Hilário Costa era assim, sempre presente, sempre solidário e sempre disposto a prestar homenagem a um amigo. Não havia outro bustuense que melhor tivesse promovido as coisas boas da sua terra natal e que melhor instigou o espírito bairrista e amor por Bustos.

Entre os valores que herdámos do meu sogro encontra-se um livro pelo qual ele tinha uma grande estima; “Rosas e Espinhos”, de Hilário Costa. O livro contém a seguinte dedicatória …. "Ao meu amigo Manuel da Silva Maia, com um forte abraço, Hilário Costa, 1955”.

A boa memória do Senhor Hilário Costa.

Alcides Freitas
Carmichael, Califórnia
1 de Março, 2007

É PRÓS GOSMAS!


Antes do Manuel Ferreira da Silva abrir o Clube Recreativo (1936) era numa velha serração que existia onde é o aido do Fabiano, na Póvoa, que se representavam as peças de teatro. Na altura as peças de teatro tinham grande sucesso, muita procura. Era êxito certo e garantido. Ora aconteceu que certa noite os mais atrasados não conseguiram bilhete. A sala estava repleta e os que estavam do lado de fora, malta nova e atrevida, não queriam perder a peça. Logo pensaram maneira de conseguir entrar, que é como quem diz, foram de maroteira. Vai daí chegaram ao aido do meu pai (Serafim Simões da Costa) e lançaram lume a um monte de vides.

Aos gritos de, Há fogo! Há fogo, todos saem a correr para fora do improvisado teatro dispostos à melhor das ajudas. Dominar as chamas foi coisa rápida e fácil, pelo que pouco depois todos regressaram para assistir ao espectáculo. E quando voltaram já as primeiras filas estavam ocupadas por aqueles que antes não tinham conseguido entrar. Mas todos se ajeitaram sem grandes protestos dado os conhecimentos e amizades. Quem se enfureceu com a brincadeira foi um dos artistas, o célebre Manuel Pardal.

O Pardal, figura gorda e anafada, homem extrovertido, não era só conhecido pelos seus chistes engraçados, era também respeitado como pessoa e homem de negócios, com estabelecimento de taberna em Bustos. Mas a sua fama, a que a presença nos palcos apenas aumentava o brilho, afirmara-se sobretudo por via dos seus talentos de curandeiro, a ponto de ser olhado com o respeito que se dá a um verdadeiro médico, daqueles que se formam nas Faculdades de Medicina.
Pois naquela noite, espreitando por entre a cortina do palco, o Manuel Pardal via os finórios que tinham aproveitado a confusão para ocuparem os melhores lugares da sala. Logo ali, à sua maneira, decidiu fazer uma tropelia que denunciasse os meliantes. Dar-lhes uma lição!
Todos se preparavam para o início do espectáculo quando Manuel Pardal apareceu à boca de cena. Chegou e bateu as palmas para que lhe dessem atenção, depois, virando o largo traseiro para a plateia, largou três portentosos trovões que deixaram a assistência atordoada. Por fim, abrindo os braços, anunciou:
- É prós gosmas!
Soaram palmas, apoiados e muitas gargalhadas. E os da primeira fila coraram de vergonha.

Augusto Simões da Costa