4 de março de 2007

HILÁRIO COSTA: PERSEGUIDO POR BEM-FAZER


Aos Meus Conterrâneos
Conterrâneos, meus amigos!
Eu venho solicitar
A vossa contribuição
P'ra Cantina Escolar!

Porque dar para as crianças
Não há gesto mais gentil!
- São avesinhas chilreando
Nas madrugadas de Abril!

Gostava que os pobresinhos
Tivessem agasalho e pão,
Para aceitar com agrado
Todo o Bem da Instrução!


Pois num gesto Humanitário,
Grande lição de Civismo,
Mostremos, altivamente,
O nosso puro Bairrismo!

E as crianças, sorridentes
E ufanas, saberão
Agradecer nosso gesto
com amor e gratidão!

- Dai, bustuenses amigos!
Porque o dar não traz pobreza.
E sempre cabe a comer
Um a mais à nossa mesa!
*
E em pról da nossa Terra,
Eu a todos aqui peço:
- Para seguirmos a par
Com a marcha do Progresso!
1953

Hilário Costa destinava a s receita da venda desta edição`ao seviço das Cantinas Escolares de Bustos, conforme atesta o Autor:
Os «Versos dum emigrante»serão publicados, pagos por mim, e o produto da sua venda reverterá a favor das Cantinas Escolares de Bustos."
Mas a perseguição política do regime de Salazar assim não quis que tal acontecesse …

Ouçamos Hilário Costa.

Era grande o amor pela minha terra que nunca falhou: mas três dias antes da festa se realizar para a venda dos livros, (como me foi dito para os Estados Unidos, onde me encontrava), os caciques cá da terra, que nada fizeram por ele, comunicaram ao Director Escolar que eu era comunista (!!!) * e ele imediatamente deu ordens que não autorizava que essa festa se realizasse nas Escolas, nem que os professores e alunos estivessem presentes.E, assim terminou o que podia ter siso o início duma obra humanitária para as criancinhas pobres da nossa terra.- Dei ordens da América, para que os livros fossem distribuídos pelos alunos das Escolas.
(…)
*Não sou nem nunca fui comunista.
In Hilário Costa, Bustos – Memórias de um bustoense, 1984, pgs. 70.

3 de março de 2007

HILÁRIO COSTA: 1907-12 DE MARÇO -2007


HILÁRIO COSTA, O OBREIRO DA TOPONÍMIA RUAS JACINTO DOS LOUROS & Dr. MANUEL DOS SANTOS PATO

JUSTA HOMENAGEM[1]
[Aconteceu em 18 de Fevereiro de 1973]

Para que ao sr. Jacinto dos Louros e ao sr. Dr. Manuel dos Santos Pato, da Barreira, fossem colocadas lápides, com os seus nomes na rua de Bustos, Sobreiro, Barreira e Azurveira, escrevi cartas da América a muitos dos nossos conterrâneos e aos familiares dos ilustres homenageados, assim como ao «Jornal da Bairrada», à Junta de Freguesia e à Câmara Municipal, pedindo autorização para que essa homenagem fosse concedida. E, como irão ver, esse facto foi realizado, com muito prazer para todos nós, tendo regressado a Bustos, vindo daAmérica, para assistir a tão importante acontecimento, realizado a 18 de Fevereiro de 1973.
________________
[1] In Hilário Costa, ‘Bustos - Memórias de um bustoense, 1984

***

Eis algumas cartas dos filhos dos ilustres homenageados e de alguns dos nossos conterrâneos, que muito me honram:

Do Dr. Manuel Simões Guerra
Filho do sr. Jacinto dos Louros


Meu caro Amigo:
Recebi outro dia, entregue por minha irmã mais velha, a cópia de duas cartas da América, qualquer delas invocando «Justa Homenagem» ao meu padrinho Dr. Manuel dos Santos Pato, e a meu Pai, Jacinto Simões dos Louros.
São duas cartas pelo seu pronto espírito e fervor bairrista, que se compraz na lembrança do seu mundo de nascença e das figuras portadoras de características facetas temperamentais que nele deixaram rasto perdurável.


A leitura dessas cartas impressionou-me profundamente, pois os nomes nelas focados constituem nímbos imperecíveis na minha saudade.


Meu Pai, homem voluntarioso, arguto e batalhador, percursor por espírito e por acção, carácter robusto, mas também profundamente generoso, que eu cada vez mais estimo e admiro, quer na faceta simultânea de idealista e de actuante, quer na de incansável bairrista, para quem não havia obstáculos que lhe detivessem a ambição de engrandecer a sua aldeia. Releve-me esta confidência pessoal: para mim, o lembrar o que foi a vida de meu Pai, é sentir grande satisfação pelo seu extraordinário exemplo de dedicação à promoção da Grei, pois nisso encontro íntima orgulho filial.
……………………………………….........

Desejando-lhe boa saúde e um bom ano, abraça-o cordialmente o antigo condiscípulo e amigo,
Porto, 6 de Janeiro de 1973 Manuel Simões Guerra
________________

De D. Felicidade Simões Guerra Lé,
[Filha de Jacinto Simões dos Louros]


Da Senhora D. Felicidade Simões Guerra Lé, recebi a seguinte carta que transcrevo parte do seu conteúdo:
Ex.mo Senhor Hilário Costa:
Com a leitura da sua «Carta da América», fiquei profundamente chocada com a sua elevada lembrança, pois não tenho palavras que possam exprimir suficientemente os meus agradecimentos, a minha eterna gratidão.
Nestas horas de tempos difíceis, lá aparece o sempre amigo, a perpetuar, lembrando, organizando uma homenagem para aqueles que partiram, para que os nomes deles jamais sejam esquecidos, mas fiquem a perdurar pelos tempos fora.
Bustos, minha Terra-Natal, enquanto me resta um sopro de vida, não mais será esquecida.
........................................................................


Agradeço sinceramente de todo o coração com os meus cumprimentos de amizade e gratidão.
Coimbra, 26 de Janeiro de 1973 . Felicidade Simões Guerra Lé
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De D. Benilde Simões Guerra e Silva
[Filha de Jacinto Simões dos Louros]

Em resposta à minha carta, que foi enviada para Inhambane à D. Benilde Simões Guerra e Silva, filha do sr. Jacinto dos Louros, transcrevo um trecho onde aquela Senhora escreve numa carta que me dirigiu:
……………………...........................................
Vim parar a estas longínquas, misteriosas e belas cidades africanas, onde exerço o professorado. Ê este o único motivo que me leva a estar ausente numa data para mim tão grata. Sim, porque além de saber do grande amor do meu Pai à terra natal, sou também bustoense, e, embora tenha saído de lá ainda muito bébé ia quase todos os anos passar as vindimas a casa do nosso falecido amigo Dr. Pato, mais tarde, já professora, lá leccionei o meu 1° ano, lá criei amizades.
Deve portanto calcular como é grande o desgosto de não estar em Bustos a 18 de Fevereiro.
Aceite um muito e muito obrigado da que talvez ainda este ano o vá conhecer para pessoalmente lhe poder agradecer.
Inhambane, 22-1-73 . Benilde Simões Guerra e Silva
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Do Dr. António Vicente:
[natural do Troviscal, médico em Bustos, residia no Placete do Visconde]

Meu caro amigo Hilário Costa:
Recebi a sua carta sobre a lápide rememorando aos vindouros e apontar como modelos de homens bons e prestáveis ao público, os nomes do Dr. Manuel dos Santos Pato e Jacinto dos Louros.
Concordo absolutamente com tudo o que o meu caro Hilário refere e daqui lhe quero dar um abraço de parabéns, pela sua ideia e concretização de tal lembrança.
....................................................................
Creia-me sempre cordial e velho amigo
Bustos, 28-11-72 . António Vicente
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Do Engenheiro Manuel dos Santos Pato
[Filho do Dr. Manuel dos Santos Pato]

Recebi a última carta do meu amigo, Engenheiro Manuel dos Santos Pato, depois duma troca de correspondência com ele, referindo-se a terem retirado do átrio do Sonoro-Cine de Bustos a placa com os nomes do seu pai e do sr. Jacinto dos Louros caso que muito o feriu e não pretendia autorizar a colocação de placas na rua da Barreira, como eu pretendia, com o nome de seu Pai.
Finalmente, escreveu-me:

Meu Bom Amigo:
Recebi a sua carta.
Estou-lhe muito grato pela generosidade e entusiasmo que dedica à comemoração do próximo dia 18 de Fevereiro, em Bustos, incluindo a homenagem a meu Pai e a Jacinto dos Louros.
Apesar dos infelizes antecedentes que lhe descrevi, reconheço que não tenho o direito de me opor à vontade do Povo da nossa Terra.
....................................................................

Um abraço do amigo certo .
Agueda, 21-12-1972 Manuel dos Santos Pato
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Do dr. Assis Francisco Rei:

Pelo facto de só hoje lhe escrever, não significa que me tenha esquecido das suas cartas e do seu manifesto desejo de se honrar todos aqueles que trabalharam em prol da nossa querida Terra:
O seu apelo foi bem recebido por todos os Bustoenses.
Já tivemos uma reunião com a Junta de Freguesia, onde esteve o padre e um grupo de pessoas e aí se tomou conhecimento de se fazer uma festa no dia 18 de Fevereiro, aproveitando-se esse dia para dar o nome às ruas de Bustos-Sobreiro, (Rua Jacinto dos Louros) e Barreira-Azurveira (Rua Dr. Santos Pato), colocando-se as respectivas placas indicativas.
Estamos a pensar em fazer-se uma sessão solene à tarde e à noite fazer-se um jantar de confraternização.
………………………………..............
Bem, Amigo Hilário e por hoje termino, enviando um saudoso abraço a toda a família.
Bustos, 22-1-1973 . Assis Francisco Rei

PEDIDO DE ENTERRAMENTO NA CAPELA DE BUSTOS DE JOÃO SIMÕES NO ANO DE 1742 (a)




Pedido de Enterramento na Capela de Bustos de João Simões no Ano de 1742

Dis João Simõens da Povoa de Bustos freguesia da Mamaroza deste bispado de Coimbra que elle supplicante se acha nos braços da morte por instantes, acabando a vida por cauza de hua[1] grande infermidade e doença que teve de febre e acabar logo, e talvés repentinamente lho tem declarado, e pronosticado os medicos assistente[s] por cuja razão fes seu codeccillo[2], e despozição de testamento, no qual despoem de seus bens deversos legados pios para descargo de sua conciencia, e salvação de sua alma despois de ter recebido todo[s] os sacramentos religiosos [?]. Estando em seu juizo, e entendimento perfeito entre os quaes para haver de se lh`o dar sepultura ecclesiatica ao seu cadaver, elegeo sepultura na cappella de S. Lourenço do dito lugar de Bustos da dita freguesia, junto do altar do Senhor Jesus da Agonia de quem he particular devoto, imagem veneranda, e milagroza, que o supplicante já há annos pellos seus bens fes fazer e fabricar, deixando de esmolla para obras, ornato, e descencia da mesma imagem (que se acha collocada em hum dos altares colateraes) dous mil, e coatro centos ris; e porque o supplicante no dia em que seu corpo for dado a sepultura na dita cappela que ahy se lhe faça o primeiro officio de nove liçoens corpore presente, e tudo o mais sem prejuizo dos direitos parochiaes na dita capella há missa de pastores aos domingos e dias santos onde há grande concursio[3] de povos, hé templo grandiozo, e decentemente [?] ornado, e supoem-se que o solo e subpedanio[4] da dita cappella não está bento razão por que se eregio tão somente para se dizer missa e admenistrar os sacramentos e the o prezente nella se não ‹tem› sepultado cadaver algum; e da sua terra a esta cidade dista mais de seis legoas, e não sabe o instante em que acabará.

Pede a Vossa Merce lhe faça merce mandar que o seu Reverendo Parocho fallecendo o supplicante da vida prezente de sepultura ecclesiastica ‹a seu corpo› no lugar da dita cappela eleyto na forma do dito codeccillo, benzendo primeiro a dita sepultura, na forma do ritual [de] Paullo 5º, e ceremoniaes que tudo he a mesma verdade por [?] do que o seu Reverendo Parocho asigna e suplica, e para recorrer a V. Merce não haverá lugar, visto e referido [?].

E recebera mercê

O P.e Cura Antonio Martins

_________
(a) Peça apresentada por Alberto Martins, com o texto grafado em "Lucida Calligraphy", incompatível neste programa.
[1] Antiga grafia de uma, no século XVIII.
[2] Actualmente codicilo [do latim codicilli, de codex] alteração ou aditamento de um testamento, in Dicionário de Língua Portuguesa (1.º vol.) de Cândido de Figueiredo, Lisboa, Bertrand, 1996.
[3] Actualmente concurso, ou seja afluência de fiéis.
[4] Por subpedanio deve entender-se o solo que esta em baixo dos pés.

1 de março de 2007

ALCIDES & HELEN EVOCAM HILÁRIO COSTA

Nunca tive o privilégio de conhecer pessoalmente o ilustre bustuense Hilário Costa, mas o meu sogro, Manuel da Silva “Maia”, que também era bustuense, conhecia-o bem e eram bastante amigos.

O Sr. Hilário vivia na costa Leste dos Estados Unidos e o meu sogro vivia na Califórnia, na costa Oeste da América.

Lembro-me do meu sogro dizer que em todas as poucas vezes que visitou Portugal, sempre incorporava no seu itinerário uma paragem em Nova York. Aí visitava os seus amigos bustuenses de infância entre os quais se encontrava o Hilário Costa e o Isaías Pedro, tio do nosso amigo Vitaliano Pedro.

Diz-me a minha mulher (Helen) que em 1954, a família fez uma visita a Portugal. Na ida, a família Silva fez a sua paragem em Nova York onde ficaram uns dias com a família do Isaías Pedro, que nesse tempo vivia em Larchmont, Nova York. Em dois ou três dias, o Hilário Costa organizou uma festa para o seu amigo da Califórnia e para todos os bustuenses residentes nos Estados de New Jersey e Nova York. Hilário Costa era assim, sempre presente, sempre solidário e sempre disposto a prestar homenagem a um amigo. Não havia outro bustuense que melhor tivesse promovido as coisas boas da sua terra natal e que melhor instigou o espírito bairrista e amor por Bustos.

Entre os valores que herdámos do meu sogro encontra-se um livro pelo qual ele tinha uma grande estima; “Rosas e Espinhos”, de Hilário Costa. O livro contém a seguinte dedicatória …. "Ao meu amigo Manuel da Silva Maia, com um forte abraço, Hilário Costa, 1955”.

A boa memória do Senhor Hilário Costa.

Alcides Freitas
Carmichael, Califórnia
1 de Março, 2007

É PRÓS GOSMAS!


Antes do Manuel Ferreira da Silva abrir o Clube Recreativo (1936) era numa velha serração que existia onde é o aido do Fabiano, na Póvoa, que se representavam as peças de teatro. Na altura as peças de teatro tinham grande sucesso, muita procura. Era êxito certo e garantido. Ora aconteceu que certa noite os mais atrasados não conseguiram bilhete. A sala estava repleta e os que estavam do lado de fora, malta nova e atrevida, não queriam perder a peça. Logo pensaram maneira de conseguir entrar, que é como quem diz, foram de maroteira. Vai daí chegaram ao aido do meu pai (Serafim Simões da Costa) e lançaram lume a um monte de vides.

Aos gritos de, Há fogo! Há fogo, todos saem a correr para fora do improvisado teatro dispostos à melhor das ajudas. Dominar as chamas foi coisa rápida e fácil, pelo que pouco depois todos regressaram para assistir ao espectáculo. E quando voltaram já as primeiras filas estavam ocupadas por aqueles que antes não tinham conseguido entrar. Mas todos se ajeitaram sem grandes protestos dado os conhecimentos e amizades. Quem se enfureceu com a brincadeira foi um dos artistas, o célebre Manuel Pardal.

O Pardal, figura gorda e anafada, homem extrovertido, não era só conhecido pelos seus chistes engraçados, era também respeitado como pessoa e homem de negócios, com estabelecimento de taberna em Bustos. Mas a sua fama, a que a presença nos palcos apenas aumentava o brilho, afirmara-se sobretudo por via dos seus talentos de curandeiro, a ponto de ser olhado com o respeito que se dá a um verdadeiro médico, daqueles que se formam nas Faculdades de Medicina.
Pois naquela noite, espreitando por entre a cortina do palco, o Manuel Pardal via os finórios que tinham aproveitado a confusão para ocuparem os melhores lugares da sala. Logo ali, à sua maneira, decidiu fazer uma tropelia que denunciasse os meliantes. Dar-lhes uma lição!
Todos se preparavam para o início do espectáculo quando Manuel Pardal apareceu à boca de cena. Chegou e bateu as palmas para que lhe dessem atenção, depois, virando o largo traseiro para a plateia, largou três portentosos trovões que deixaram a assistência atordoada. Por fim, abrindo os braços, anunciou:
- É prós gosmas!
Soaram palmas, apoiados e muitas gargalhadas. E os da primeira fila coraram de vergonha.

Augusto Simões da Costa

28 de fevereiro de 2007

1983 * 28 de Fevereiro * 2007


BUSTOS NA ORDEM DO DIA NA ASSEMBLEIA MUNICIPAL


In Região Bairradina, 2007-02-27
Oliveira do Bairro
(com a devida vénia)

A freguesia de Bustos esteve, na passada sexta-feira, dia 23, em grande destaque na Assembleia Municipal de Oliveira do Bairro. Gladys Del Carmen foi a primeira a usar a palavra no período de antes da ordem de trabalhos. A deputada social-democrata chamou a atenção do Executivo para “a necessidade urgente de beneficiação de arruamentos que se encontram intransitáveis” e também para a falta de estruturas de saneamento básico que ainda não chegaram a muitos lugares da freguesia.

Gladys Del Carmen focou algumas das ruas que precisam de uma intervenção urgente, como a R. dos Reis, no Cabeço de Bustos ou a R. do Cabeço da Vila, que vai da Capela de S. João a Bustos, “onde o pavimento é praticamente inexistente, dificultando a passagem dos transeuntes, principalmente dos mais idosos”. O abandono do antigo cine-teatro, a falta de sinalética a indicar a Zona Industrial, bem como a necessidade de um limite de velocidade na EN 235, no limite com a freguesia da Palhaça foram outros dos assuntos focados pela deputada.
Aproveitando o balanço da intervenção da deputada, o presidente da Junta de Freguesia de Bustos, Manuel Pereira, também apresentou algumas preocupações. A primeira relativamente ao problema das águas fluviais, “que a Câmara garantiu resolver em 2006 e que continua na mesma em alguns lugares”. Depois, falou de uma situação “que é urgente tratar em termos de saneamento: na saída da Feiteira até ao cruzamento do Troviscal e junto à rotunda de Vila Verde as pessoas levam ali banhos, na totalidade, todos os dias. Há muita gente que aqui circula a pé, de bicicleta ou de motorizada sem segurança”.
Manuel Pereira também apresentou um problema ambiental, relacionado com os vendedores ambulantes de fritos, que “despejam óleos na valeta no final da feira [Feira do Sobreiro, nos dias 9 e 22 de cada mês]. No Verão, isso provoca pragas de ratazanas, de tal forma que eu, só no meu quintal, matei 50”, afirmou o autarca de Bustos, pedindo ao Executivo que mande uma brigada técnica ao local, para verificar a situação.
Quanto ao arranjo das estradas, Manuel Pereira agradeceu a espontaneidade e a persistência da deputada Gladys Del Carmen mas pediu ao Presidente da Câmara que não aceda ao pedido “enquanto não tratar do saneamento”.

Também o socialista Óscar Santos apresentou o seu descontentamento sobre o “progressivo esquecimento a que tem sido votada a freguesia de Bustos”. Por outro lado, sugeriu ao Executivo transformar a velha escola primária, “que tem grande interesse arquitectónico e histórico”, num museu. “Se fosse na Palhaça ou em Oiã, já ali estava um museu”, ironizou o bust[u]ense. “Por que não aproveitar o coleccionador de automóveis antigos, Fernando Luzio, e o irmão, Manuel Luzio, que colecciona rádios antigos e que tem uma das três melhores colecções a nível mundial, para dignificar aquele espaço”, propôs o deputado do PS.

Presidente responde

Respondendo a todas estas preocupações, o presidente Mário João Oliveira referiu que algumas das ruas indicadas pela deputada Gladys “nunca mais sofreram alterações, desde o alcatroamento inicial, situação que não tem apenas um, mas muitos anos”. Relativamente aos semáforos de limite de velocidade, “estão a ser equacionadas várias situações por todo o concelho”.

Quanto ao antigo cine-teatro de Bustos, o autarca relembrou que aquele imóvel é particular mas, “pelo que já representou, o concelho teria todo o interesse em que aquele espaço fosse dinamizado. No entanto, é preciso que os proprietários estejam também interessados em vender.”

Mário João Oliveira deixou também uma resposta ao presidente da Junta de Bustos, afirmando que conhece a situação dos feirantes, “que andamos a tentar regularizar”. “Vamos falar com a engenheira Manuela Pato e, juntamente com a Junta, montar uma operação ao local, para eliminar esse problema. E com certeza que haverá penalidades para os faltosos”, garantiu Mário João Oliveira.

27 de fevereiro de 2007

HILÁRIO SIMÕES DA COSTA: 1º CENTENÁRIO DO SEU NASCIMENTO


MUSEU S.PEDRO DA PALHAÇA


A Palhaça é hoje, graças à inteligência e trabalho das suas gentes, a freguesia mais dinâmica do nosso concelho. Para defender esta afirmação bastaria invocar a Quinzena Cultural da Freguesia realizada no passado verão, envolvendo as múltiplas associações da vila e integrando valências tão diversas quanto a poesia e os livros, tapeçaria e bordados, musica ligeira e folclórica, teatro, exposições, marchas populares, internet, gastronomia, etc. E se esta foi uma iniciativa sem exemplo a nível concelhio outra há, ainda mais exemplar, e cuja importância ultrapassa bem os limites da freguesia. Dela somos todos devedores. Refiro-me ao Museu S. Pedro da Palhaça, graças ao qual se tem vindo a desenvolver um meritório trabalho na preservação da nossa memória colectiva. Caso único em todo o concelho de Oliveira do Bairro.

Para ficar o conhecer as origens do museu, cujos primórdios estão ligados à recuperação da antiga Igreja Matriz da Palhaça, deve visitar o site da instituição, aqui.

O objectivo inicial era preservar a arte sacra mas, ao saberem da existência do museu, os populares afluiram oferecendo as mais variadas “velharias”, obrigando a instituição a alargar a sua área de actividade, que hoje engloba também colecções etnográficas, estatuária, livros, postais, jornais, revistas, fotografias e toda a espécie de documentos. Entre os fundos próprios contam-se os espólios de Arlindo Vicente, António Cértima e Padre Acúrcio.

O factor humano

Apesar de estar ligado à igreja local o museu da Palhaça tem autonomia jurídica. O seu funcionamento depende do apoio financeiro da Câmara Municipal e da Junta de Freguesia sem o qual muito do trabalho que ali está a ser desenvolvido, nomeadamente no capítulo da catalogação, digitalização, inventário, conservação, restauro, edição de livros, etc, não se poderia realizar.
Essencial e decisivo tem sido o trabalho de uma equipa de gente apaixonada que tem dedicado todo o seu tempo livre a tão envolvente projecto. Hoje com uma equipa de seis pessoas o museu muito deve a esse esforço individual onde se destacam os nomes do técnico de contas, Paulo Lourenço, e do enfermeiro, Adelino Batista. Este último, ligado ao projecto desde o seu início, é um belo exemplo de empenho cívico, de trabalho desinteressado, silencioso e constante em prol da comunidade. Ele é, pela sua dedicação, trabalho e autodidactismo um caso raro, e uma referência na vida cultural da Bairrada.
A todos eles o nosso reconhecimento. Muito obrigado.
Visitar o museu

O Museu S. Pedro está localizado na Rua da Vila Nova junto à antiga Igreja Matriz da Palhaça. Para visitas aconselha-se marcação prévia através do telefone e fax, 234754325, ou pelo e-mail museu.palhaca@gmail.com.

Belino Costa