14 de setembro de 2006

CANTANHEDE, 23 SETEMBRO - DIA DE AUTÓGRAFOS DE ARSÉNIO MOTA

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LABICER RENOVA APOIO AO OLIVEIRA DO BAIRRO

A notícia do JB começa assim:

“A Labicer - Laboratório Industrial Cerâmico SA, sediada em Bustos e o Oliveira do Bairro formalizaram, por mais uma época, o contrato de patrocínio para a equipa de futebol sénior, o que acontece pelo terceiro ano consecutivo, numa cerimónia em que o cube deu a conhecer as linhas mestras para a nova época desportiva.”
O texto prossegue referindo a satisfação (quando não o júbilo) de todos os intervenientes:
“Na cerimónia, que decorreu no Hotel Paraíso, Óscar Santos, presidente da mesa da Assembleia-Geral do Oliveira do Bairro, não escondeu a sua satisfação, diga-se, redobrada, pelo facto de ser bustuense, local onde a empresa está instalada. “A Labicer é uma empresa de ponta, no mercado da indústria de revestimentos cerâmicos, de grande prestígio, não só no concelho, mas também a nível nacional e internacional”.
Aquele dirigente espera que este “casamento” traga para ambas as partes grandes benefícios, enquanto que sobre os montantes, ainda que ninguém os tenha divulgado, Óscar Santos referiu que “é uma receita de peso para o Oliveira do Bairro, minimamente confortado com este patrocínio”.
Noutro âmbito, o presidente da Assembleia-Geral rejubilou com o facto de, pela primeira vez, os três órgãos sociais do clube se fazerem representar por elementos do concelho: “O Oliveira do Bairro é um clube representativo do concelho. É uma mais-valia da qual ninguém se pode dissociar”.

Logo depois, na paz do Paraíso, no conforto da comunhão municipal, Tiago Louro, em nome da Comissão Administrativa do Oliveira do Bairro, elegeu o apoio da Labicer como“o melhor reforço da época”. Não de um dos clubes desportivos do nosso concelho, mas daquele que é o clube dos clubes, o maior e mais importante entre todos eles, aquele que a todos representa. E por assim pensar, satisfeitíssimo, Tiago Louro proclamou com emoção e eloquência:
“Este apoio é um apoio, não a uma instituição, mas sim um apoio a um concelho inteiro.”
Ainda bem que nos avisa, e desde já agradecemos a parte que nos caberá. Rejubilando de alegria e redobrada satisfação.

BC

12 de setembro de 2006

O AUTOMÓVEL DO SENHOR VISCONDE

O automóvel do Sr. Visconde com Júlio Barreiro, ao volante, tendo ao lado o Fabiano, da Póvoa.

No banco traseiro vê-se Manuel Ala e duas senhoras não identificadas

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Depois de implantada a República António Duarte Sereno continuou a ser cerimoniosamente tratado por Senhor Visconde (título com que foi agraciado em 1908). Nem os seus adversários políticos, por mais republicanos que fossem, deixaram de o tratar com tal deferência. Pois se o título fora devidamente pago pertencia ao homem, era propriedade incontestada, independentemente da abolição da Monarquia.

Quem não se conformou com as mudanças do 5 de Outubro de 1910 foi o Senhor Visconde que logo se empenhou na luta contra a República, tendo-se envolvido em vários golpes e atentados contra o novo regime, motivos que o levaram a passar curtas estadias na prisão. O jovem regime era generoso para com os seus adversários. A ponto de “O Democrata”, semanário republicano de Aveiro, escrever com manifesta ironia na edição de 19 de Abril de 1919:

“Continuam a esgueirar-se dos presídios onde se encontram os responsáveis pela última aventura monárquica. Como meio de não darem trabalho ao governo achamos óptimo”

Foi por essa época que António Duarte Sereno passou, provavelmente, o pior momento da sua vida de conspirador anti-republicano. Aconteceu com a queda da Monarquia do Norte, também conhecida por traulitânea, quando o exército monárquico de Paiva Couceiro foi derrotado no combate das Barreiras, em Águeda (mais precisamente entre Recardães e Serem). Corria o mês de Janeiro de 1919 e naqueles dias de incerteza o medo tomou conta do povo:

“Passam-se dias de pânico porque a fuzilaria e o canhão troam e as horas são incertas. A toda a pressa se mobiliza tudo. O Estado-maior mandou evacuar as casas próximas de Monte Castro (Anadia), essas famílias vieram para casa de familiares que tinham em Vagos e daí surgiu a ideia que os boateiros aproveitaram; que uma linha de homens vinha do sul para o norte com o fim de agarrar todos os homens válidos para irem para a guerra. Eu andava no trabalho e desconhecia tudo o que se passava. Fui chamado pela minha mãe que me mandava regressara casa para fugir, era o recurso que havia. Regresso e o que vejo! – Pelas ruas de Bustos era o maior dos pavores, homens que corriam no sentido norte, mulheres e crianças numa gritaria intensa, davam a impressão de loucas e possessas, ou era como esperassem as ondas de um novo dilúvio, tal era o seu pranto vincando as suas faces aterrorizadas.” (VRP, Memórias, pag 29,30)

Enquanto em Bustos se multiplicavam os gritos, a fuga desesperada e tonta, na estação de Caminhos-de-ferro de Oliveira do Bairro Jacinto Simões dos Louros, por seu “oferecimento ao comando militar do 2º Regimento de Setúbal”, juntamente com um grupo de civis (Grupo de Defesa da República), fazia a descarga do material de guerra para ali enviado pelas tropas fiéis à República, assim contribuindo para uma decisiva vitória.

A derrota do exército monárquico constitui um duro golpe nas ilusões restauracionistas de António Sereno que, por temer represálias, fugiu de Bustos, partiu no seu automóvel a toda a pressa, indo refugiar-se em terras de Espanha. Júlio Barreiro (Cagarote), seu mecânico e motorista, conduziu o Chevrolet na viagem mais tensa e perigosa que alguma vez realizara.
Não sabemos em que ano foi comprado o automóvel mas, a avaliar pela fotografia, tratava-se de um Chevrolet 490, de 1916, cuja sigla correspondia ao preço de catálogo. Dispunha de um motor com quatro cilindros, uma cabine para cinco pessoas com volante à esquerda, jantes de madeira, refrigeração por água, estando dotado de instalação eléctrica. Uma máquina que não falhou no decisivo momento da fuga para Espanha.

Belino Costa

COMISSÂO DE MELHORAMENTOS - SATISFEITA

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UMA ASPIRAÇÃO SATISFEITA PELOS C.T.T. (1)

– A partir do próximo dia 1.° de Dezembro terão os bustuenses uma antiga aspiração satisfeita pela administração dos C. T. T.. Trata-se da aplicação dum horário mais moderno para a retirada da correspondência do receptáculo postal, que agora se fazia até às 17,15 horas e que, mediante as providências tomadas, passará a fazer-se até às 20 horas de cada dia.

Na realidade, não fazia sentido nem estava bem que, numa localidade onde a distribuição domiciliária da correspondência termina pelas 15 horas, a saída das malas se efectuasse tão prontamente. Os comerciantes e industriais de Bustos mais importantes iam, quase diariamente, levar suas cartas aos comboios (a Aveiro ou O. do Bairro) o que representava despesas e perdas de tempo supérfluas.

Em atenção a uma exposição feita pela Comissão de Melhoramentos local, que a administração dos C.T.T. aprovou, o público passará a beneficiar do pretendido alargamento a partir do próximo dia 1.º de Dezembro.


INAUGURAÇÃO DUMA SALA DE LEITURA
– Vai inaugurar-se brevemente nesta localidade uma acolhedora sala de leitura, arranjada e mobilada a expensas da Comissão de Melhoramentos, que vem preencher uma lacuna no campo da divulgação dos hábitos de leitura e da difusão cultural. A acção de tal sala de leitura (mais tarde talvez venha a transformar-se em Biblioteca) promete ser intensa e extensa, no âmbito da freguesia. Premedita-se a realização de ciclos de palestras, exposições, sessões de leitura, etc.

É pena que esta sala não pudesse inaugurar-se contando com mais valioso património bibliográfico, que faria dela, pelo menos, uma verdadeira Biblioteca, posto que em formação. Mas aqueles que o poderiam determinar, não quiseram... Aproveitou-se a boa vontade da benemérita Fundação Gulbenkian, que se dispôs a dotar a sala com uma Biblioteca Fixa.
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(27-11-1960)
(in Jornal Independência de Águeda, 3-12.1960 - pelo correspondente de Bustos, Arsénio Mota)
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comentário:
(1) Bustos, situado na periferia, sofreu vicissitudes para ter comunicações que colmatassem algumas das necessidades locais. Já no post-24 A, a SOBUSTOS teve de reinvindicar a manutenção do horário alargado de funcionamento da estação dos correios.
Hoje, os CTT continuam alheios à instalação do serviço de internet, além de não se preocuparem em vistoriar o estado de conservação do edifício. Ou será que os CTT estão a pensar em fechar a estação e entregar o serviço à Junta de Freguesia, em nome do lucro?
sérgio micaelo ferreira

11 de setembro de 2006

MEMÓRIA: ANTERO QUENTAL

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Noturno

Espírito que passas, quando o vento
Adormece no mar e surge a Lua,
Filho esquivo da noite que flutua,
Tu só entendes bem o meu tormento...

Como um canto longínquo – triste e lento –
Que voga e sutilmente se insinua,
Sobre o meu coração que tumultua,
Tu vestes pouco a pouco o esquecimento...

A ti confio o sonho em que me leva
Um instinto de luz, rompendo a treva,
Buscando. entre visões, o eterno Bem.

E tu entendes o meu mal sem nome,
A febre de Ideal, que me consome,
Tu só, Gênio da Noite, e mais ninguém!
(A. Q.)

ORFEÃO DE BUSTOS - CORPOS SOCIAIS (2006-2007)


Nota: Por ter havido lapso na composição gráfica da relação dos membros dos corpos sociais do Orfeão de Bustos, NB faz a devida rectificação. As nossas desculpas.
(sérgio micaelo ferreira)





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COMISSÃO MELHORMENTOS - UM REGISTO EM LiVRO

Anos 60: aragem de progresso

Os anos 60 trouxeram aos Bustuenses uma aragem de progresso, que se fez sentir logo no fim de 1959 mas frutificou já em 1960, com diversas iniciativas marcantes.

Distinguiu-se, nesse aspecto, uma Comissão de Melhoramentos formada na altura por um escasso grupo de ardorosos bairristas. Essa Comissão de Melhoramentos, funcionando como mero «grupo de pressão», conseguiu desenvolver uma acção dinamizadora que deixou boa memória, apesar de não ter apoios nenhuns para além dos que lhe eram dados pelos seus próprios elementos.

Um dos primeiros actos públicos daquela Comissão, formada ad hoc, consistiu na homenagem promovida, em 18/2/1960, a Jacinto Simões dos Louros e dr. Manuel dos Santos Pato, então ainda vivos, o primeiro por se ter destacado no processo da desanexação de Mamarrosa e o segundo por se ter destacado na criação da paróquia na nova freguesia.

A Comissão de Melhoramentos, integrada pelos drs. Assis Francisco Rei e Jorge Nelson Simões Micaelo, eng.º Manuel dos Santos Pato, o escriba destas linhas e outros elementos, bateu-se pela satisfação de numerosas carências da terra, nomeadamente por um colégio, uma biblioteca pública, um posto da GNR, um jornal, uma dependência bancária, a nova igreja, etc.
Um tanque-piscina de notáveis dimensões ficou aberta ao público, anexa ao café Central, de Rodolfo dos Reis.

Foi possível concretizar o projecto da biblioteca pública, a que meteu ombros a própria Comissão de Melhoramentos, abrindo uma Sala de Leitura em 18/2/1961.
O colégio «apareceu» no fim de 1961, com o nome de Externato de Gil Vicente; o posto da GNR começou a funcionar em 22/3/1964, embora fosse reclamado desde uns quinze anos antes; a nova igreja foi inaugurada em 8/12/1964...

Algo, enfim, se fez em poucos anos, após duas décadas de relativo adormecimento. Evidentemente, o jornal projectado ficou no limbo, sem autorização oficial (até ao 25 de Abril!), a dependência bancária demorou ainda um pouco mais, atrofiou-se a própria Comissão de Melhoramentos a partir de 1963... Mas os Bustuenses recomeçaram a olhar de frente os seus problemas colectivos e a unir forças. Os resultados apareceram e viram-se. Perduram.

(…)
(parte transcrita, com a devida vénia)

COMISSÃO DE MELHORAMENTOS NO CENTRO RECREATVO - MEMORÁVEL

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COMISSÃO DE MELHORAMENTOS DETERMINADA

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COMISSÃO DE MELHORAMENTOS APELA

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