11 de setembro de 2006

COMISSÂO DE MELHORAMENTOS - HOUVE E FEZ

transcrição
SÍNTESE DOS PRINCIPAIS ACONTECIMENTOS DE 1960

• APARECIMENTO DA COMISSÃO
Uma semana antes do 1. ° de Janeiro de 1960 apareceram, em profusão. pelas mesas dos cafés, pelas ruas, pelas paredes, prospectos convocando a população da freguesia para uma Assembleia Geral, a realizar, naquele dia 1.°, no Salão do Bustos Sonoro Cine. O povo acorreu em massa ao convite dum novel Organismo local – a Comissão de Melhoramentos, promotora da Assembleia Geral – povo desejoso de encarar uma renovação séria da vida local. E, efectivamente, aquele 1.° de Janeiro foi o primeiro passo dum entusiasta movimento, o dealbar de novas esperanças.

• A ASSEMBLEIA GERAL
O vasto Salão encheu-se literalmente de ouvintes atentos.
No palco estavam algumas figuras do comércio e da indústria bustuenses, rodeando os seis promotores do novel Organismo, que, revesando-se no uso da palavra, esclarecera os ouvintes dos motivos que os levaram à sua criação, dissertaram sobre os seus objectivos, esquematizando um plano de actividades a largo prazo e respondendo às dúvidas e objecções que cada pessoa formulou. No final, perguntaram ao povo se achava útil a existência da Comissão e se lhe davam inteiro apoio; a resposta foi um vibrante SIM!

• COMO FUNCIONA A COMISSÃO
A direcção desta Comissão de Melhoramentos é composta por aqueles seis membros primeiros, a saber: Jorge Micaelo, médico; Assis F. Rei, lic. em farm.; Manuel S. Pato, engenheiro; Augusto S. Costa, comerciante; Graciano Lusio, agricultor; Arsénio Mota, jorna1ista, e por Manuel Augusto dos Reis, proprietário; Hilário Costa, proprietário, além de outros, que se reunem mensalmente para estudar os múltiplos problemas do engrandecimento da nossa Terra. Existe um Conselho de Freguesia que reune, anualmente, para verificar a acção desenvolvida pela Comissão.

• OBJECTIVOS DA COMISSÃO
A Comissão de Melhoramentos, por seu esclarecido desígnio, não toma sobre os ombros a iniciativa de realizar nenhuma obra concreta, posto que aceita a possibilidade de algum, ou alguns dos seus membros, individualmente, virem a intervir como interessados nas diversas realizações em perspectiva. A sua acção é sobretudo de coordenação e estudo das possibilidades de capital e trabalho existentes em Bustos, ou que em Bustos queiram estabelecer-se; fomento da iniciativa privada e sua planificação, tendo sempre em vista, como ideia predominante, os superiores: interesses da localidade.

• AS CELEBRAÇÕES DO 18 DE FEVEREIRO
O primeiro acto público da Comissão foi, significativamente, a comemoração do 40.º aniversário da fundação da freguesia, que nunca, até então, fôra festejado. O dia18 de Fevereiro passado foi, assim, dia de festa para a população de Bustos: o comércio, a indústria e todo o povo associaram-se às comemorações, manifestando perfeita compreensão do ideal que servimos. Cremos que doravante o dia 18 de Fevereiro será, em cada ano, um dia de confraternizantes, luzidos festejos! Bustuense! Associa-te, em espírito, às comemorações das principais efemérides nossas!

• HOMENAGEM A DOIS ILUSTRES CONTERRÂNEOS
As comemorações do aniversário notabilizaram-se pela homenagem, justa mas tardia, que, por iniciativa da Comissão, Bustos dedicou a dois fervorosos propugnadores do progresso local: Jacinto Simões dos Louros, a quem se deve a fundação da freguesia civil, e Dr. Manuel dos Santos Pato, a quem se deve a fundação da freguesia paroquial. Foram descerradas duas lápidas alusivas à homenagem, no átrio de Bustos Sonoro Cine, onde todos têm agora, diante da vista, provas de que a nossa Terra sabe galardoar quantos por ela se sacrificam!

Podemos enviar contra pedido e por empréstimo, gravações magnetofónicas da Assembleia Geral e da Homenagem

10 de setembro de 2006

COMISSÃO DE MELHORAMENTOS/1960 UM CATALIZADOR DO DESENVOLVIMENTO


Nota:
Documento cedido pelo Eng. Manuel dos Santos Pato dá a conhecer objectivos, composição e funcionamento da Comissão de Melhoramentos. De desatacar nesse impresso em folha A4 desdobrada em quatro páginas A5, a preocupação do grupo dinamizador em fazer chegar a Mensagem publicada “a todos os Bustuenses ausentes” já que não lograva ‘Jornal que sirva de mensagiro pontual para todos os membros da nossa vasta Família”. Abaixo vem reproduzida a actividade da comissão até junho.1960. Ressalta um vigoroso o apelo à convergência de esforços de todos os bustuenses para que Bustos entrena senda doprogresso. Duas fotos de ex-libris de Bustos despoletam a ligação de todos os conterrâneos ao seu «rincão».
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Do panfleto::

MENSAGEM
Bustuense!
Onde quer que estejas és um filho prestante de Bustos. Com o espinho da saudade cravado na carne do coração, não esqueces a terra natal; mas nós, que a continuamos adentro dos seus muros, também não te esquecemos. Porque Bustos exige a cooperação dos braços de todos os seus filhos dilectos para poder manter o ritmo notável de progresso que, a partir de 18 de Fevereiro – data da sua fundação – tem vindo a descrever franca curva ascensional! É, mesmo, esta a preocupação que frequentes vezes nos tem conduzido à tua porta – sempre aberta ao sentimento bairrista e ao espírito de sacrifício – talvez mais vezes que o admissível, se não fôramos todos Bustuenses!... Não é esse, aliás, o motivo desta pequena mensagem. Entendemos que, se te atribuímos deveres (deveres de ajudar a evolução da tua Terra) – também é certo que te atribuímos, com a mesma lógica, direitos.

Vamos hoje satisfazer, do melhor modo possível, um direito teu: o de tomar conhecimento, regularmente, dos principais acontecimentos registados aqui. As notícias da Imprensa não atingem todas as urbes das Províncias Ultramarinas, do Brasil, da Venezuela, da América do Norte, da França, e ainda não lográmos o Jornal que sirva de mensageiro pontual para todos os membros da nossa vasta Família e há-de vir a ser, talvez, em futuro próximo, a grande ponte de contacto estendida sobre cada continente!
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8 de setembro de 2006

BOTA-A-BAIXO NO COLÉGIO


Passei há algumas semanas pela zona do Colégio de Bustos e vi que as árvores do terreno da Junta de Freguesia de Bustos tinham sido liquidadas. Em vez de sombra há agora um deserto.

Perguntei a algumas pessoas o que a Junta ali ia fazer e ninguém me soube responder ao certo. Alguns dizem que o Presidente da Junta vai ali fazer um Parque de Merendas. Se isto é verdade, para que é que foi necessário abater todas (ou quase todas) as árvores? O que mais me espantou foi que as pessoas, tanto da oposição política, como do próprio partido do Presidente, estavam indignadas com aquilo que viram. Todos acharam um crime e disseram-me que era absurdo abater árvores para depois instalar um parque de merendas sem sombra.

Eu não sei o que a Junta pretende ali fazer, mas desconfio que será qualquer coisa como o Deserto da Póvoa, onde o Presidente da Junta depois adicionou uma ‘Basílica’ para fazer sombra porque ali há tão poucas árvores. Todas as pessoas com quem falei (e volto a dizer que algumas eram do partido do Poder) acham que pedras ou betão vão substituir as árvores liquidadas.

Penso que o Presidente de Junta virou Siza Vieira que manda cortar todas as árvores que pode. Claro que Siza Vieira tem um problema em Madrid onde a Baronesa Tyssen, detentora de uma das maiores colecções de arte do mundo, ameaçou levar a colecção de pinturas, que está exposta perto do Museu do Prado, para outro país se cortassem uma que fosse das 600 árvores que Vieira planeia cortar para a reclassificação da Avenida (Paseo) do Prado. O povo de Madrid está igualmente revoltado e penso que não vai haver cortes de árvores para alargar a parte do asfaltado. Ele já cortou todas ou quase todas as árvores da Avenida dos Aliados no Porto e eles pensam que já chega.

Aparentemente o Sr. Pereira teria dito que ia aterrar o terreno (e não digo mais sobre isto). O Presidente da Junta, odeia capelas antigas, sedes antigas de Juntas de Freguesia e pelos vistos, odeia as árvores. Claro que irá dizer que as árvores não estavam alinhadas como gostava, que vai agora plantar árvores todas alinhadinhas e de espécies exóticas (como as Pimenteiras Bastardas oriundas do Peru, que mandou plantar por aquelas bandas) e que consultou arquitectos e engenheiros paisagistas (Siza Vieira?, entre outros). Também vai dizer, como já disse sobre a Basílica da Póvoa que “A obra terá muita dignidade” porque ele acha que tudo aquilo que faz tem muita dignidade.

Foi preciso ter muita coragem para derrubar aquelas árvores que agora vão demorar trinta anos a crescer para fazer sombra. Eu derrubei um choupal no Sobreiro que agora está novamente a crescer. Eu derrubei um pinhal que foi replantado com pinheiros, mas penso que este local será replantado com um número escasso de árvores, mas com muitas pedras. Talvez o Presidente de Junta pense lá plantar pereiras, daquelas oriundas de Espanha e que dão frutos suculentos parecidos com peras Rocha ou Calhau.

Qualquer dia vamos novamente assistir à destruição de uma área arborizada para uma dita “Alameda” que não me parece servir para nada (ele vai dizer que é para desviar trânsito, mas que é para mim, uma obra de fachada, como tantas neste País). Penso que a intenção subconsciente do Presidente da Junta é que alguém se erga em Assembleia de Freguesia e grite bem alto: A Alameda deve-se chamar “Alameda Engenheiro Manuel da Conceição Pereira”. Aliás já temos a Rua do Fogueteiro, a Rua do Coveiro e a Rua do Silva Terra.

Milton Costa

Dr. ASSIS REI: OPERÁRIO DA CIDADANIA

“Se um dia quisesse registar as miúdas peripécias da sua existência, a narrativa ficaria decerto dividida em oito partes e ele continuaria imperturbável, sem atribuir ao algarismo algum carácter mágico.”
Arsénio Mota, Quase Tudo Nada, (prémio literário Carlos de Oliveira, 2005), Câmara Municipal de Cantanhede e Campo das Letras, 2006


Belino Costa (bc) fez um retrato do Dr. Assis, um Rei, Republicano. Profundo, fiel e a corpo inteiro.

Não quero deixar passar esta oportunidade para inserir umas notas sobre a Figura em destaque.
No tempo da sua juventude, ainda não havia distribuição de peixe ao domicílio. Para as casas se proverem de sardinha e carapau para a salga, organizavam-se ‘ranchos’ que se deslocavam a pé até à Praia de Mira para a compra do peixe. O Dr. Assis Rei ainda se recorda das dificuldades da viagem que eram multiplicadas pelo mau estado dos caminhos.
Para tornar a distância mais curta e mais leve, talvez cantassem. Perederam-se as canções?
Mais tarde, integra a Comissão de Melhoramentos.trago à tona o apoio a Manuel Simões dos Santos para o desenvolvimento da fundição na época de condicionamento industrial.
É nessa época que impulsiona a obtenção de um alvará da criação do Colégio para Bustos. [Entretanto circunstâncias marginais surgidas dentro do «grupo de Bustos» a que o Dr. Assis estava alheio deixaram fugir a concessão para o «grupo de Oliveira do Bairro»]. Foi da disputa entre estes pretendentes que nasceu o colégio onde está hoje.
Enquanto Presidente do colectivo da Junta de Freguesiano tempo da ditadura certificou gratuitamente atestados de residência de candidatos a exames escolares para adultos. Foi uma decisão que incomodou sectores que pretendiam auferir algumas receitas.
É no seu mandato que é instituída a primeira comissão alheia à influência da “união nacional” incumbida da organização “do caderno eleitoral para a Presidência da República e Deputados tendo-se em consideração pessoas idóneas e conhecedoras para tal fim”. Em 30.04.1956 eram convocados para esse efeito, Manuel Domingos e Manuel José dos Reis.

Opôs-se e alterou o local de implantação do Pavilhão Desportivo do Colégio.
Sobre este episódio escrevi: “Em Bustos ocorreu o assentamento da “ Primeira Pedra” do Pavilhão Desportivo do IPSB em local cuja obra iria ofuscar o visual do Colégio. O Dr. Assis F. Rei – um dos protagonistas e operário da sua construção – insurgiu-se de tal maneira que a implantação da estrutura teve de ser deslocada.
A obra está num sítio e a tal Pedra noutro.
Sobrou a pompa que envolveu a cerimónia do lançamento deste equipamento desportivo.” (1)

Com a saída do Pompeu Aires para a Malaposta, o Dr. Assis Francisco Rei foi o impulsionador da restauração em Bustos com o desenvolvimento do Restaurante “Piri-Piri”. Entre parêntesis: é também o momento de fazer a devida vénia ao Libório – um verdadeiro senhor na arte de servir à mesa e ao Manuel Aires (das Bicicletas) um grande senhor nos grelhados que ajudaram a crescer o restaurante que chegou a ter publicidade na rádio renascença (?) durante um ano.


Não se pode extirpar o protagonismo que teve em acontecimentos que trouxeram mais-valia a Bustos…
A inervenção do Dr. Assis Rei na vida pública está para além do conteúdos destas notas.

Ti’Assis, porque não escreves as tuas memórias?

(1) in, «FOI BRINDE DO ‘DIA DAS MENTIRAS’ … o texto publicado ontem»; abril 02, 2005 -http://bustos.blogs.sapo.pt/arquivo/2005_04.html
sérgio micaelo ferreira

6 de setembro de 2006

DR. ASSIS REI: MUITO MAIS DO QUE UM FARMACÊUTICO


Assis Francisco Rei, filho de Manoel Francisco Rei e Maria de Jesus, nasceu em Bustos a 11 de Maio de 1921. Esteve para seguir o destino dos irmãos, emigrantes na América, mas o mais velho tirou-lhe tais ideias, aconselhando-o a “ir estudar para professor primário.”
“ Deveria ter 18 anos quando fui para o colégio de Oiã onde andei a assistir às aulas quase durante todo o ano. Quando chegou a altura dos exames o Analecto propôs-me a exame do terceiro ano. Tive tanta sorte que só chumbei a uma cadeira que acabei por fazer na época de Outubro.”
Inicia assim o processo de formação que nem a tropa, onde esteve três anos, veio interromper já que, continuando os estudos, lá completa o sexto ano. Oferece-se depois para ir para os Açores, e antes de passar à disponibilidade faz o sétimo ano e exame de aptidão, em Lisboa.
“Pretendia fazer Agronomia mas o Briosa, da Póvoa do Forno, tirou-me tais ideias. Depois, nas férias em Bustos, o Fresco da farmácia tanto insiste que me convence a tirar o curso de farmacêutico. Assim fiz.”

Farmacêutico em Bustos

Concluído o curso, de volta à aldeia natal, o jovem farmacêutico não só arranja trabalho com faz sociedade com o homem que o impulsionou a seguir tal caminho:
“Era um homem honesto mas com gostos de rico. Foi espalhando dívidas e a certa altura o Tribunal andava em cima dele. Foi por isso que pediu a transferência do alvará da farmácia para outra localidade. Simultaneamente eu pedi alvará para Bustos. Foi assim que me tornei proprietário da farmácia de Bustos. A farmácia Fresco e Almeida desaparece passando a chamar-se farmácia Assis Rei.”

Dos 15 anos que se seguiram recorda com especial saudade os tempos de convívio no Pompeu, lembrando-se mesmo um branco supimpa, Arneiros de seu nome, fornecido pelo engenheiro Mário Pato. E não pode deixar de invocar a figura do Dr. Heitor, “ médico conceituado e grande caçador”.
“Era um bonacheirão que tratava toda a gente, pudessem ou não pagar. Muitas vezes me mandava doentes à farmácia, como era o caso de alguns ferimentos, com o seguinte aviso: “Isto é gente que não paga”. E assim acontecia.
A Farmácia Assis Rei tornou-se uma das marcas essenciais do centro de Bustos, até que por volta do ano 2000 mudou de dono.
“ Fi-lo porque os meus filhos não quiseram seguir o ramo. Vendi, peguei no dinheiro e dei-o aos filhos... Pesou-me imenso essa atitude. Eu, que estava em todas, de repente quebrei o ritmo, parei.”

Professor e Presidente da Junta

A direcção da farmácia foi apenas uma função entre outras porque, durante 35 anos, o Dr. Assis exerceu também o professorado leccionando Física , Química e Botânica, nomeadamente no Colégio de Bustos e de Oliveira do Bairro.
Mas recuemos até 1956, altura em que chega à presidência da Junta de Freguesia de Bustos. Um republicano, que em muitos 5 de Outubro foi fogueteiro clandestino, um oposicionista ao Estado Novo, alcança o poder em plena ditadura Salazarista, razão pela qual há hoje em Bustos uma rua com o seu nome. “ Na altura disse que discordava porque não foi por ter estado na Junta que merecia tal distinção. O que fiz foi pouco e não tem merecimento para tal, mas eles assim decidiram e nada pude fazer”.
E como chegou um “oposicionista” a chefiar da Junta de Freguesia?
“ O Engenheiro Pato trabalhava na Câmara de Oliveira do Bairro e, apesar de ser do contra era amigo do Presidente Santos Pereira. Na altura a Junta era do João Luzio que dominava o comércio em Bustos. Queríamos mudar isso, e como se previa a realização de eleições a oposição estava para fazer listas. No entretanto o Santos Pereira, antecipando-se, vem falar comigo na companhia do Dr. Heitor e diz-me: “Então você anda nas sessões clandestinas de Aveiro e vai fazer parte de uma lista para a Junta! Não pense nisso porque eu é que o convido para a minha lista.”
"A única condição que colocou foi a presença do Manuel Luzio, pelo que aceitei e, juntamente com o Manuel Joaquim, lá fomos eleitos. Fomos encontrar uma Junta desfalcada. Não havia nada, nem escrita alguma, nem sequer selo branco existia. (Só apareceu oito dias depois da tomada de posse!). Como não havia dinheiro virei-me para o Manuel Luzio e disse: “Na UDB temos que pagar para trabalhar, aqui parece que vai ser o mesmo, pois não temos dinheiro nem qualquer verba atribuída. O Manuel Luzio respondeu que se era para gastar dinheiro que não contassem com ele. Acabou por ir falar com o Santos Pereira, que mais tarde também me chamou a Oliveira do Bairro, mas não conseguimos qualquer verba. Eu e o Manuel Joaquim lá conseguimos aguentar a coisa e fazer algum trabalho. Abrimos a rua do S. João à Azurveira e limpámos as valetas. Acabámos por receber subsídio de cerca de cinco contos por ano, cerca de 25 Euros na moeda de hoje. Cumpri a função durante quatro anos e depois disse basta, não aceitei a recandidatura.”


Presidente da UDB

Foi presidente da União Desportiva de Bustos “uma data de vezes”, já nem se lembra quantas, mas recorda-se que foi numa direcção a que presidiu em que pela primeira vez o clube inscreveu os juniores em competições oficiais, dando início a uma lógica de formação de jogadores. O grande problema era a falta de receitas para manter o clube pelo que "inventaram" os cortejos de oferendas para a bola (a exemplo do cortejo de Reis) e, sobretudo, os bailes.
“ O que aguentou a bola durante muitos anos foi o salão do Ferreira. Graças às receitas dos bailes, das revistas e do cinema. Quando apareceu a piscina também organizámos eventos com os Galitos, o Recreio de Águeda e a Académica. O Vitorino Pedreiras, que era um fora de série, fazia a oferta da exploração da piscina ao futebol o que aconteceu durante algum tempo.”

Patrono da Biblioteca

“Na altura a gente metia-se em tudo”, recorda invocando o princípio republicano da cidadania que nunca deixou de ser afirmado em Bustos, mesmo contra ventos e marés. A Biblioteca Fixa da Gulbenkian foi uma causa entre tantas outras.
“ A Comissão de melhoramentos que lançou a Biblioteca acabou por se desfazer. O Arsénio foi para o Porto, o engenheiro Pato para Águeda e eu fiquei só. Passei então a receber os inspectores que visitavam a Biblioteca e a leva-los a merendar ao Piri-Piri. Quando a Biblioteca veio para cima da farmácia era eu quem pagava a renda e a luz e era o Manuel Serralheiro e o Abel Serralheiro que tomavam conta dela depois do trabalho. A iniciativa foi do Abel que me disse: “ Se você aguentar a renda eu dou todo o meu esforço e aguentamos isto.” “Ó homem está feito”, respondi-lhe. “ E foi com o trabalho gratuito dos dois que a Primeira Biblioteca do Concelho foi sobrevivendo. Isto até que um professor do colégio foi para a Câmara, conhecimento que permitiu que então se assegurasse um subsídio.”

E Agora?

Hoje, com 85 anos bem cuidados, Assis Rei vive uma calma reforma: “Agora faço muito pouco. Olho pelo quintal, gosto de pegar num livrinho, se bem que não o faça todos os dias, passo o meu bocado na café a jogar uma cartada com os amigos. E, de vez em quando, dou uma curva até às máquinas do Casino da Figueira.”
O jogo, em especial de cartas, sempre fez parte do convívio bustuense e o Dr. Assis ainda hoje não dispensa a sua jogatana, ele que conviveu com o grande mestre: “ Domingos da Maia Romão não foi só um mestre alfaiate, foi um mestre do jogo, o maior de todos, um grande companheiro e um grande amigo.”
Dos tempos idos, para além de uma memória bem viva, diz que guarda apenas os restos do tabaco. E sorri com a bonomia de sempre.


Belino Costa

DR. ASSIS REI E REPUBLICANO


Assis Francisco Rei com Humberto Pedreiras, Ulisses Crespo e a neta de Manoel dos Santos Rosário comemorando o 18 de Fevereiro.

AUTO-ESTRADA ABRE PORTA EM ANADIA - APENAS SE CUMPRE PROMESSA ELEITORAL DO PS DE AVEIRO

.Pelo andar da carruagem, a implantação de uma portagem da Auto-estrada do Norte (A1) em território do concelho de Anadia ainda consumir muito tempo de antena até que a BRISA «receba ordem» para avançar emanada do Poder de Lisboa.
A exigência de “estudo prévio de tráfego que justifique a sua construção” é tão só uma medida para empalear.
Vejamos:
- Será que a BRISA desconhece que uma quota parte – indefinida – do movimento das duas portagens localizadas nos extremos é da esquecida Bairrada?
- Será que através da análise das multas aplicadas no coração da Bairrada não se poderá ficar a conhecer estatisticamente o contingente e variedade de veículos que oriundos de fora desta «região»?
- Será que a circulação de mercadorias produzidas ou transformadas no centro da Bairrada é um factor a depreciar pelo decisor?
- Será que a implantação de uma portagem não irá provocar o surgimento de mais empresas?
Se, por hipótese, a decisão da criação da portagem esteja para breve – que não acredito - a fase de escolha do local poderá ser demorada, já que há que necessidade de estabelecer vários consensos. Uma vez implantado o local da portagem, o Instituto das Estradas e as câmaras directamente beneficiadas terão de rever o sistema de acessibilidades. É tempo do trânsito ter de sair das ruas do centro das aldeias ou vilas urbanizadas para suas excelências o automóvel e camião.
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Nota:
A abertura da portagem da Bairrada foi uma promessa eleitoral dos deputados do PS de Aveiro. São eles que têm de exigir o seu cumprimento. Já agora, a medida foi proposta sem ter sido feito o estudo prévio?
Ou tratou-se apenas de fogo de vista, porque ficava bem na propaganda.
Ainda iremos ter a assinatura de um protocolo ou o lançamento de um concurso para estudar. Pompa inconsequente mas de bom efeito propagandístico
sérgio micaelo ferreira