19 de junho de 2015

HOJE, NA ASSEMBLEIA MUNICIPAL, BUSTOS DEFENDE A BIBLIOTECA


Será hoje, sexta feira, pelas 20 horas, que os bustuenses irão apresentar à Assembleia Municipal o abaixo-assinado que contesta a passagem da Biblioteca/Polo de Leitura para as instalações da Polo Escolar (Escola Básica), no Sobreiro. Apela-se à presença de todos e quem o desejar poderá usar da palavra no período antes da ordem do dia.
Este será, sem dúvida, um momento relevante da vida política do nosso concelho e um verdadeiro teste à qualidade da democracia local. Não há uma verdadeira democracia sem diálogo, sem negociação e sem concertação de posições. Um presidente da Câmara que impõe a sua vontade com o argumento de que foi eleito não é um bom gestor político, nem sequer é um democrata, tal qual o entendemos nesta Europa ocidental.
Infelizmente, e para mal do nosso futuro, Mário João Oliveira, provavelmente por insegurança e falta de pensamento político, prefere assumir-se como um “pequeno ditador” sempre comprometido com o aparelho e o partido, ignorando sem pudor a vontade popular. Deixou isso bem claro no decorrer do processo da reforma administrativa das freguesias. E deverá repetir a dose, ainda que desta vez tenha contra si o PSD de Bustos. Mas no que diz respeita ao partido Mário João Oliveira sabe que lhe basta ter “controlado” o chefe concelhio, o vereador António Augusto Marque Mota. Este que, entre outras benesses, acabou de ver a Câmara Municipal investir 2 milhões de euros na nova feira da Palhaça só tem motivos para estar satisfeito e não se incomodar com os problemas de Bustos.

Mário  João Oliveira e António Mota. O mesmo gosto quanto a gravatas...

A vereadora da cultura, Elsa Pires, deverá continuar calada como cumpre a quem chegou ao cargo sem qualquer experiência, conhecimento ou curriculum elementar. É coerente, até porque faz parte do “job” obedecer.
E a oposição?! Ora aí está algo que não encontro na vida política concelhia. Por onde anda o CDS/PP, como é que o PS se manifesta? Procuro, procuro e não encontro. Parece que as funções da oposição começam e acabam com as Assembleias Municipais.
Até posso compreender que o PS só exista no nosso concelho por osmose com o todo nacional. De outra forma, sem uma real organização, militância e intervenção local já estaria extinto. Mas o que dizer da ausência do CDS, o segundo partido, o partido da alternância concelhia? Sem uma verdadeira liderança concelhia, sem coordenação, sem estratégia, sem tomadas de posição, o CDS não se comporta como um partido vivo, dinâmico e próximo das populações. É um zombie que só ganha vida em tempo de votos.

Neste ano de 2015 é com tristeza que declaro:
- A democracia concelhia não é um pântano porque se transformou num deserto. A Mário João Oliveira devemos a glória de ter transformado a presidência num eucalipto. Tudo seca em seu redor.


Belino Costa

16 de junho de 2015

ABAIXO ASSINADO PELA BIBLIOTECA



Centenas de pessoas já subscreveram um abaixo-assinado insurgindo-se contra a transferência do Polo de Leitura de Bustos, que funciona no Palacete, para o Polo Escolar, recentemente construído, no Sobreiro. Em menos de 48h, foram recolhidas mais de duas centenas e meia de assinaturas. Os autores esperam que a população de Bustos adira, massivamente, como forma de suspender a decisão do executivo camarário. Nomes ligados ao PSD concelhio, como Manuel Nunes (presidente da Assembleia Municipal) e Álvaro Ferreira (presidente da JSD) já assinaram o documento. Mas esta “luta” da população de Bustos é transversal a toda a sociedade. Óscar Aires dos Santos e Fernando Luzio são outros “ilustres” que também assinaram o abaixo-assinado, que será entregue antes do dia 19 de junho, data da realização da próxima Assembleia Municipal.
Alberto Zenha Martins, presidente do Núcleo do PSD de Bustos, promotor do abaixo-assinado, disse tratar-se de um ato de cidadania que é transversal a toda a população de Bustos, onde todas as assinaturas têm o mesmo valor.
Segurança. No abaixo-assinado, os subscritores repudiam a decisão assumida pelo executivo da Câmara Municipal, de transferir a antiga Biblioteca fixa n.º26 da Fundação Calouste Gulbenkian, a primeira do concelho, inaugurada no ano de 1961, para o novo Polo Escolar, no Sobreiro, considerando que “é um espaço que só deve ser utilizado pela comunidade educativa, por motivos de segurança; uma Biblioteca/Polo de Leitura e uma Biblioteca Escolar têm valências diferentes. Devem fazer partilha de recursos, mas não funcionar no mesmo espaço; o local adequado para instalar a antiga Biblioteca, atendendo à centralidade e às diversas sinergias que poderão ser desenvolvidas no espaço envolvente, é a antiga Escola Básica”.
Na justificação para este abaixo-assinado, argumenta-se ainda que “o Polo de Leitura da Palhaça funciona num imóvel com as mesmas características e a existência, ou não, de pareceres técnicos, não impediu que para lá fosse transferido ou lá se mantenha”. Daí que os subscritores solicitem que “o executivo da Câmara Municipal de Oliveira do Bairro requalifique a antiga Escola Básica de Bustos e transfira para lá a antiga Biblioteca fixa N.º 26, da Fundação Calouste Gulbenkian, inaugurada no ano de 1961, por iniciativa dos bustoenses”.
Recorde-se que, na semana passada, o presidente da Câmara Municipal de Oliveira do Bairro, Mário João Oliveira, incitado pelo JB a explicar o que levou a esta mudança, remeteu-nos para uma posição coletiva dos vereadores, subscrita em nome do executivo, justificando que “a decisão de transferência foi tomada face aos problemas estruturais e de acessibilidade para todos os cidadãos que o atual espaço apresenta”. “Os bustoenses merecem melhores condições para o seu Polo de Leitura e foi precisamente por essa razão que procurámos um novo espaço que tivesse todas as condições necessárias para essa função, com a dignidade que um equipamento deste género exige”, esclarece o executivo.
Tudo na mesma. Esta semana, Mário João Oliveira, confrontado com o descontentamento e com o elevado número de assinaturas já recolhidas, já fez saber que não tem nada a acrescentar em relação ao que foi dito na semana passada.

Jornal da Bairrada

11 de junho de 2015

BIBLIOTECA DE BUSTOS - Ausência de publicidade oficial dos seus serviços.

Os horários de funcionamento dos Pólos de Leitura de Bustos e da Mamarrosa não estão atualizados... mas não deve ter havido qualquer reclamação.
Amplia, clicando sobre a imagem e dá para comparar a discriminação da câmara municipal em relação à publicidade da oferta de serviço nos dois pólos.

Bustos - Pólo de Leitura - Sem oferta de serviços
.....
Mamarrosa - Pólo de Leitura - com oferta de serviços.
Assim vai a administração concelhia.

Bustos é colónia de Oliveira do Bairro. E colónia maltratada?
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Pólo de Leitura de Bustos
Pólo de Leitura da Mamarrosa



BIBLIOTECA DE BUSTOS - MAL AMADA


                                                                     Bustos está desmemoriado ou terá estatuto de colónia de Oliveira do Bairro

Noticias de Bustos, 28Maio.2005 aqui

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Para que os gritos de alarme subissem ao poder municipal, Belino Costa, em 15 Fev.2005, editava o post «Pobre Biblioteca(e que se recomenda sua leitura). Só que os ouvidos estavam (estão) suficientemente encerados.

É de supor que a “situação de pré-abandono” encontrada por BC já faria parte dos objetivos cujo fim seria extinção pura e simples da Biblioteca.
Para impedir o prolongamento da degradação, BC da sua janela aponta alguns caminhos para atingir a revitalização da Biblioteca, concluindo o post:
“Não basta ter uma funcionária, um horário de abertura e  livros espalhados por várias estantes para se ter uma Biblioteca. Seria preciso um programa de dinamização da leitura, um projecto, um acervo actualizado, instalações adequadas e uma direcção visando atingir públicos específicos, sensibilizando a comunidade em geral. Seria preciso enquadrar o pólo de leitura de Bustos numa política de promoção da cultura e do livro a nível concelhio o que, manifestamente, não existe.” (BC).

A Câmara Municipal, digo o Sr. Presidente, (a coberto da coacção do voto partidário?) impõe a transferência da Biblioteca de Bustos para um sítio escondido onde pode albergar os tarecos.

Por mais festas que se produzam nessa tal ‘Bibliot­­­eca’, ela não deixará de ser uma Biblioteca Escolar – (o Pólo Escolar de Bustos tem direito a tê-la).

Pode cair o pano. Mas não termina a tragédia. Em próximas eleições autárquicas quantos programas irão inscrever um novo local para a implantação da agora ‘sequestrada’ Biblioteca de Bustos?

 



8 de junho de 2015

A FEIRA REPUBLICANA, O PRESIDENTE E O BURRO


Na passada sexta feira à noite fui à Feira Republicana. Precisava de ver com os meus próprios olhos. Mas algo de inexplicável aconteceu mal entrei no recinto onde fui recebido por uma simpática rapariga que vendia regueifas. 

Espreito à direita e que vejo eu, um Rolls Royce de 1920. O carro exibia lateralmente a bandeira inglesa e logo me pareceu, mera suposição, de que se tratava de uma subtil referência ao Ultimato Inglês, afinal a Feira anunciava-se como uma “reconstituição histórica.”

Alguns passos em frente e deparo com um burro preso a uma árvore. Talvez por ter a inexplicável sensação de ter entrado no mundo da fábula senti que o burro de orelhas esticadas e olhar sofredor queria falar comigo, desabafar. Há depoimentos que um  repórter não pode ignorar pelo que encarei o animal com o respeito que me deve qualquer burro que se assuma e perguntei:
- O que fazes aqui ó Burro, tão só, com a corda que te prende tão enrolada que pareces vítima de tortura?
O animal sem esconder o cansaço respondeu:
- Sou burro e exibem-me nestas feiras medievais para que o povo ande por ai descansadamente a gastar dinheiro. Afinal o burro sou eu.
- Lá isso és, não te resta alternativa mas ao contrário do que dizes esta não é uma feira Medieval, é uma Feira Republicana.

- Ai é’! Dizes isso porque acabas de chegar. Então não vês ali o Mustafá e o primo do Tutankamon a vender malas, sacos, carteiras  e bugigangas, não vês as tasquinhas e os jogos para crianças… 
- Sim, mas esta é uma Feira Republicana.
- Ah! Mudaram-lhe o nome, pois compreendo, a Feira Medieval já não chamava ninguém…
- Estás a sugerir que isto não passa de uma aldrabice?
- Não, estou a dizer que isto que isto é um faz de conta, tão usual na política. Quando uma ideia se esgota e não há ideias novas o que é que se faz?
- Dá-se  um novo nome à ideia antiga.
- Isso mesmo, os senhores do marketing chamam-lhe Rebranding.
- Para burro estás bem informado.
- Já sou burro há muitos anos.
- Então e o que é que há para ver nesta noite de abertura? 
- Há uns atores a entreter as crianças e outros dois, já muito bêbados, andam por ai à procura de umas primas. A única animação é feita por um trio de bombos e gaita de foles. Tirando os petiscos o grande espetáculo da noite são os políticos que, mais emproados do que a rainha da Inglaterra montaram mesa no meio do recinto. Vestidos a preceito, envergam fitas verde rubras  sobre o peito e estão ali a comer a beber. A festa é um palco e eles representam…
- Representam?
- Sim, desde a cerimónia de abertura que fingem ser atores e terem muita importância. São como aqueles rapazinhos que aproveitam o carnaval para se vestirem de mulheres.
- Essa é dura. Então não percebes que os vários presidentes que estão naquela mesa são a elite local, o núcleo duro da nossa democracia.



- Elite local? – exclamou o burro com indignação. – A elite local são os homens e as mulheres que trabalham em cada uma dessas barraquinhas. Eles são apenas atores políticos, maus atores, até porque a grande maioria acha que a democracia é um aborrecimento.
- Exageras.
- Sim, chama-me burro! Sabes porque é que a mesa dos políticos está no centro do recinto e não tem qualquer cobertura.
- Não faço ideia.
- Porque num recinto fechado não havia espaço para egos tão inchados, para tanta vaidade junta…
- Pelo menos dão-se bem e respeitam-se…
Ao ouvir estas palavras o burro arrastou as patas traseiras, revirou por duas vezes o focinho lançou um zurro desesperado e gritou:
- Estás enganado, eles odeiam-se. O do topo da mesa, tirando os serviçais que lhe obedecem, não suporta aquela gente. Não suporta o que está na outra ponta da mesa, mas esse está longe, não incomoda muito. O pior é ter à direita aquele a quem não gosta de dirigir palavra… Estão ali reunidos os ingredientes para uma boa peça de teatro…
- Chega, estou farto de má língua. Adeus!








Segui caminho e depois de ter dado três voltas ao recinto da feira não pude deixar de pensar nas palavras do jumento. Vi partir os políticos, alguns de saquinho na mão e fiquei à espera das 23 horas para ver os anunciados Malabares de Fogo. É então que reparo que há um frenesim a percorrer as mesas das tasquinhas, pois corre um abaixo-assinado em defesa da instalação da Biblioteca na antiga escola primária. Assino. Como já são 23h30, está frio e não há sinais de fogo abandono o recinto. O Rolls Royce já tinha regressado à garagem, mas o burro continuava preso à árvore. Não pude deixar de lhe ir apresentar as minhas despedidas. Mal me viu logo perguntou: 
- Então o que me dizes da feira Republicana?
- Mais me parece uma farsa!
- Para mim, aqui enrolado a este plátano, é mais uma tragédia.
- Compreendo-te e até te dou razão. Isto não é uma feira, nem tem nada a ver com a economia, o comércio ou a vida das populações. Isto é uma mera ação propagandística…
- E para a propaganda nunca falta dinheiro ao Mário João.
- Cala-te asno. Não corras o risco de ficar sem o fardo de palha!


Belino Costa




7 de junho de 2015

Biblioteca de Bustos - ao sabor dos ventos nefastos da «côrte» do executivo camarário


Em 1983 a Câmara Municipal preocupava-se em activar o funcionamento da Biblioteca 
A Biblioteca esteve instalada no piso superior à Radiolândia de Manuel dos Rádios, que deu o lugar ao Café Tik-Tak de Fernando Luzio 

Entretanto o Troviscal é dotado de edifício próprio para o seu Pólo Escolar.
É a ocasião de fazer um auto de fé destinado a riscar o termo «coerência».
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sérgio micaelo ferreira

4 de junho de 2015

A MAIOR AMOTINAÇÃO DO POVO DE BUSTOS

 Jacinto Simões dos Louros                     António Duarte Sereno (Visconde)

Com a implantação da República em 1910, a liderança política de Bustos passa a ser protagonizada por Jacinto Simões dos Louros (1878-1963), mas no seu palacete António Duarte Sereno (1859-1944), contínua fiel aos ideais monárquicos. Ao contrário de tantos outros não se converte à República, assume com honra e empenho a condição de Visconde, permanecendo fiel à bandeira azul e branca.
Estão criadas as condições para um combate político sem tréguas.

Em 1911 Jacinto Simões dos Louros exerce funções de vogal na comissão Municipal que o nomeia delegado da Câmara Municipal de Oliveira do Bairro para representar o concelho na abertura da Assembleia Constituinte, em Lisboa. Organiza ainda um grande comício republicano em Bustos, com a presença da Banda da Palhaça dirigida por Adelino Ferreira Pinhal.

Por seu turno António Duarte Sereno conspira. Não só acredita no regresso da monarquia como é um dos crentes no mito da invencibilidade de Paiva Couceiro que na Galiza prepara a incursão militar monárquica. Estamos a 1 de Outubro de 1911, dentro de dois dias um improvisado exército monárquico haverá de iniciar a sua marcha e os aliados internos querem prepara-lhe o caminho. No nosso concelho é organizado um atentado contra a comboio que transporta tropas republicanas para ao norte do país, mas tudo acaba por se gorar, como informa “O Ideal” na edição de 7 de Outubro:

“Na tarde de sábado último, mãos criminosas desaparafusaram os rails do caminho de ferro, numa extensão de 10 metros junto à ponte de ferro próximo da estação desta villa, no intuito de fazerem descarrilar o rápido ao mesmo tempo que pretenderam também fazer ir pelos ares sob a acção poderosa da dynamite a Ponte do Panno à passagem do mesmo comboio.” 

Nesse mesmo dia o “Campeão das Províncias” faz as primeiras revelações sobre os conspiradores:

“O movimento iniciado na fronteira e secundado dentro pelos que irromperam contra a integridade da Pátria, tinha, infelizmente, adeptos em torno de nós.
Em Águeda, Oliveira do Bairro, na Angeja em Espinho e noutros pontos do distrito descobriu-se-lhe as ramificações. (…)
 “Em Oiã, a dois passos de nós, levantaram-se os rails para fazer despenhar os comboios! Ali estiveram, nas prisões locais, os autores do atentado, à frente dos quais se encontrava o pároco da freguesia! Atribui-se-lhe o malévolo intento.  (…)
Os cabecilhas fizeram espalhar, com visos de verdade, que Paiva Couceiro entraria em Portugal três ou quatro horas antes de rebentar o movimento.”

Na lista de presos do concelho de Oliveira do Bairro constam os o nomes de. Maria Rosa de Jesus, Padre Abel da Conceição e Silva, João da Silva Pereira e Umbelina Rita de Jesus (todos de Oiã) e José Augusto de Souza Maia. A estes se juntarão outros, entre os quais, Manuel de Bastos, de Bustos, padre Joaquim Ferreira Maneta, de Oliveira do Bairro, Augusto Porphirio Correia, de Coimbra.
Dias depois o “Soberania do Povo” informa que, no dia 10, “foram presos em Oliveira do Bairro, sendo transportados para Aveiro, os Srs Visconde de Bustos, o seu chauffer, e o empregado comercial da casa de que o Sr. Visconde é chefe, Manuel de Mattos Alla, de Águeda”.
Para António Duarte Sereno é a primeira prisão e a primeira grande desilusão. Mas a detenção, que não dura muito, é encarada com orgulho. É uma medalha na lapela da luta pelo regresso da monarquia, pelo que todos se fazem fotografar para que fique registo do seu esforço, da sua luta. O Visconde de Bustos sente-se herói.


Anos depois  Manuel de Mattos Alla haverá de contar as razões porque, pela sua parte, não conseguiu provocar o descarrilamento. É uma daquelas histórias de família, aqui recordada pelo genro, Augusto Simões da Costa, marido de Maria Isabel Tavares Urbano Ala:
“A primeira prisão do meu sogro teve circunstâncias rocambolescas. Sabia-se que havia tropas republicanas que iam de comboio para o Porto. O Visconde, enquanto chefe monárquico, terá determinado que se fizesse descarrilar o comboio. Foram organizados dois grupos para cumprir a missão, se um falhasse o outro haveria de conseguir. Um usava dinamite o outro tirava parte da linha. Coube esta última missão ao Matos Alla, ao Padre de Oliveira do Bairro e a mais alguém, julgo que da Mamarrosa. Lá foram os três para a linha do comboio decididos a tirar as cavilhas dos carris. Era noite cerrada, silenciosa, o que mais aumentava o barulho que faziam ao bater no ferro. Tanto tilintar chamou à atenção de um guarda. Ao aperceberem-se que tinham sido descobertos lá fugiram a bom fugir, protegidos pelo escuro da noite. A coisa até podia ter corrido bem, o problema é que o padre de Oliveira do Bairro (Joaquim Ferreira Maneta) deixou para trás o casaco. E ao pé do casaco ficou também o cão, quieto e calado como lhe tinha sido ordenado. Foi por um descuido que acabaram identificados e presos.”
  
A resposta republicana à primeira incursão monárquica passa pela organização de grupos de defesa. Tarefa que Jacinto dos Louros assume com o tradicional empenho, organizando o grupo de defesa da Republica no Concelho, “ o mais numeroso e disciplinado de todo o distrito.”
O povo amotina-se

Em 20 de Abril de 1911 é publicada a Lei de Separação do Estado das Igrejas, da autoria de Afonso Costa, sendo criadas as comissões cultuais. Na freguesia da Mamarrosa a Irmandade das Almas solicita a constituição em Associação Cultual, em 24 de Dezembro desse ano.

“Elle juiz declarou à assembleia que a tinha convocado para lhe dar conhecimento que o Governo da Republica tinha publicado o Decreto da Lei de Separação do Estado das Igrejas, em que se concede ás Irmandades a faculdade d’estas continuarem a ter existência legal, como corporações erectas constituindo-se em Cultual e reformando os seus estatutos e pondo-os em harmonia com as leis do País(…)”
                        Da Acta da sessão extraordinária do dia 24 de Dezembro de 1911


António Duarte Sereno não é um crente (acabará por ter um funeral civil) mas guarda uma das chaves da capela de Bustos e recebe habitualmente a visita de vários párocos. Não são as questões do espírito que dominam as conversas, é a política.
Do outro lado da barricada Jacinto dos Louros, acredita que a política não se deve misturar com a religião. Não só recusa entrar para a Comissão Cultual como defende que todos os republicanos de Bustos façam o mesmo, pelo que a comissão fica constituída apenas por elementos da sede da freguesia.

É em fevereiro de 2013 que se dá a “maior amotinação dos anais da nossa terra”, segundo palavras de Vitorino Reis Pedreiras. Uma “amotinação” que melhor se compreende se tivermos em consideração que anos antes, em 1904/5, acontecera o “Caso das Pratas.”
Era costume nas festas de Bustos, os locais servirem-se as alfaias religiosas da Igreja da Mamarrosa. Naquele ano deu-se a coincidência da festa de Sto. António de Bustos coincidiu com a de Sto. António dos Covões e estes usavam o mesmo recurso. O pároco bem entendeu que as alfaias deviam ir para Bustos, mas tal não aconteceu. Quando os mandatários de Bustos chegaram à igreja da Mamarrosa não encontraram vestes ou insígnias, tudo tinha desaparecido. Tentaram saber delas e acabaram insultados e corridos à pedra.
Uma pedra bem viva na memória popular, uma lembrança que ajudou a incendiar o rastilho da revolta na manhã do dia 14 de Fevereiro de 1913.
O alarme espalha-se a toques de sineta e, mais veloz ainda, corre o boato de que “os da Mamarrosa” querem levar o santo e as alfaias religiosas.




A capela de Bustos, e a loja de António Duarte Sereno

A reação do povo é imediata. Abandonam o trabalho e correm para Bustos dispostos a defender a capela e a imagem do santo. Uns trazem foicinhas, outros paus, enxadas e forquilhas e todos, no meio de grande algazarra se vão juntando em frente da entrada do templo. Entre eles destacam-se as mulheres. O mais curioso é que trazem também bandeiras republicanas.
 Do alto da janela do primeiro andar do seu palacete António Duarte Sereno, o responsável pelo boato, tudo observa e controla. Para ele trata-se de dar combate aos republicanos, de continuar a lutar pelo regresso da monarquia.

É só por volta do meio-dia, ao regressar a casa vindo de Oliveira do Bairro, que  Jacinto dos Louros tem conhecimento da tentativa de arrolamento de bens e da desordem entretanto instalada. Logo se dirige para a capela e pelo caminho esbarra nos membros da Junta de Freguesia, no Administrador do Concelho e numa pequena força de cavalaria de Aveiro.
Em estado de desnorte, perante o povo em fúria, autoridades e militares não sabem o que fazer. Perante tanta indecisão o comandante da força militar pede ao Senhor Administrador um ofício ordenando a reposição da ordem pública. De acordo com Jacinto dos Louros, que descreve o episódio nas suas memórias, disse:
 ”Entregando-me o ofício vou ao arraial, dou os toques de ordenança e mando dar uma carga de espadeirada e recuamos até aqui. Aqui entrego os cavalos a uma praça, pomos os joelhos em terra e damos umas descargas rasteiras que há-de ficar um exemplo enquanto esta gente for viva.”
Ao ouvir tais palavras Jacinto dos Louros pede licença para falar mas não espera pela autorização para invectivar o Senhor Administrador:
“Veja bem o que faz, o senhor assume uma responsabilidade tremenda! Eu, no seu lugar, nunca faria esse ofício sem esgotar todos os recursos para levar as coisas a bom caminho, sem o emprego da força.”
O militar irrita-se, reage à intromissão: “Quem é o senhor para se meter em assunto que só a mim e ao Sr. Administrador pertence?”
Responde-lhe Jacinto sem perca de tempo ou hesitação: “Sou um republicano e um filho desta terra e, como tal, assiste-me o direito, julgo eu, de aconselhar a maior calma e prudência porque a precipitação pode dar lugar a que esta terra fique transformada num lago de sangue e num montão de cadáveres, é isso que todos nós temos o dever de evitar!”
Encolhe-se o Administrador enquanto o militar desespera. “Eu nunca vi gente tão malcriada como esta!”, exclama o político que, incapaz de decidir, pergunta a Jacinto dos Louros:
 ”O senhor o que fazia para resolver ordeiramente o assunto?”
Responde Jacinto dos Louros: “Enviava um telegrama ao Sr. Governador Civil a pedir-lhe mais 50 ou 60 praças e logo que chegassem reunia-as a estas, depois ia ao arraial e explicava ao povo a razão do inventário.”

A proposta é aceite, com alívio, pelo Administrador. Enquanto segue o telegrama  para o Governador Civil e se espera a eventual chegada de mais militares, o povo amotinado em frente do templo vai adotando estratégias de resistência. A tradição oral guardou até aos dias de hoje, o testemunho de que “duas mulheres prenhas”, quais escudos humanos, foram colocadas na frente da porta, e de que foi feito uso de bandeiras da República, estrategicamente abertas no chão para impedirem a tropa a cavalo de avançar. Acreditavam que os militares não se atreveriam a calcar tal símbolo.

Na obra “A “Guerra Religiosa” na Primeira República” (edição do Centro de Estudos de História Religiosa da Universidade Católica, Lisboa 2010) a historiadora, Maria Lúcia de Brito Moura, referindo a amotinação do povo de Bustos assinala:
“A população não revelou qualquer hostilidade em relação ao regime instituído em 1910. Pelo contrário ouviram-se vivas à República e à liberdade e duas mulheres empunhavam bandeiras nacionais”.
Mesmo sem conhecer a realidade local a historiadora alvitra: ”Talvez este comportamento encontre explicação no desejo de evitar que fossem confundidas as lutas pelos direitos à posse da capela com questões políticas que, para os contestatários, seriam secundárias.”
Tem parcialmente razão Maria Lúcia de Brito Moura, porque o levantamento popular tem na sua génese uma mentira que não explora sentimentos anti republicanos mas sim a rivalidade com a vizinha Mamarrosa.
“O santo é nosso! O santo é nosso!”, exalta-se o povo no seu heróico engano.

Entretanto o Governador Civil não só dá despacho ao pedido de mais tropas como surge em Bustos com os reforços militares. Avança para o largo da capela que está repleto de povo. Todos se calam à vista da força militar com 80 homens a cavalo. O Governador Civil, dirigindo-se à multidão, começa a explicar que o recheio da capela não será retirado, mas rapidamente a sua fraca voz  desaparece no meio da gritaria: “Fora! Fora! Fora! O que aqui está é muito nosso! Fora! Fora!”
Cresce a tensão. Escarnecido pelos amotinados o Governador Civil manda deter os mais entusiastas. Os tropas avançam e prendem António Caçalho, do Cabeço, António Marques, da Picada, João Pedro, de Bustos, Manuel Pedro, da Póvoa, e Manuel Rei Pedreiras, da Póvoa, que ficam detidos, com sentinela à vista, no pátio do Jacinto Morneta.
No arraial o protesto parece não ter fim. É então que o Governador Civil ordena a um oficial que prenda aquele que do alto da sua varanda dirige o protesto. António Duarte Sereno é detido e levado sob escolta para o pátio onde se encontram os restantes presos, o que deixa o povo sem liderança. Entretanto a notícia de que nada seria retirado do templo vai percorrendo o arraial. Aos poucos os amotinados vão desmobilizando e o arrolamento acaba por se concretizar sem novos incidentes.
O que ameaçara transformar-se num banho de sangue acaba resolvido sem prejuízo de maior. É então que Jacinto dos Louros interpela o Governador Civil com um último pedido: “Senhor Governador, está certo que prenda o mandante, mas não leve todos os outros que foram enganados na sua boa fé!”
O pedido é aceite e António Duarte Sereno é o único que segue para os calabouços de Aveiro, onde ficará retido por pouco tempo.

TOLERÂNCIA RELIGIOSA E REPUBLICANISMO

Jacinto dos Louros é um adepto de Afonso Costa e apoia a Lei da Separação e a necessidade de retirar à Igreja o papel exorbitante que desempenhava na sociedade portuguesa. Mas o radicalismo anticlerical não tem em Bustos grandes adeptos, nem condições para se desenvolver. Todos os republicanos estão, por ligações familiares de cultura e tradição, demasiado próximos da crença religiosa para a combaterem ou desrespeitarem. O que eles reclamam é o direito a também serem respeitados, apesar de não terem batismo, apesar de não acreditarem na existência de Deus.

Há um pequeno episódio, narrado por Jacinto dos Louros nas suas memórias, que é bem esclarecedor da postura dos republicanos de Bustos.
Estamos em 1911, num restaurante de Anadia, e a discussão anda em torno do funeral do Padre Seabra, que fora civil. Albino Pintor barafusta, dizendo que “um enterro civil não é um enterro, mas uma farsa”. E conclui com arrogância:
“Não tirei o meu chapéu porque não respeito farsas!”
Responde-lhe Jacinto dos Louros:
“Eu vejo as coisas de uma maneira diferente. Já por vezes tenho encontrado cortejos religiosos na minha passagem. Se vou a tempo de passar sem dar nas vistas, passo e vou embora, se não vou a tempo e se vou de bicicleta, apeio-me e tiro o meu chapéu, para respeitar a crença alheia, para ter o direito de respeitarem a minha.”

Respeito mútuo é a divisa. O que explica a construção da torre da igreja em plena ebulição revolucionária. A obra, promovida por uma comissão criada em 1915, é encarada pelos republicanos, com o uma forma de Bustos se afirmar e de mostrar a sua vontade independentista. Como disse, de forma inequívoca, Vitorino Reis Pedreiras no discurso que proferiu na sessão comemorativa do 58º aniversário da criação da freguesia de Bustos:
“Os anos agitados que se seguiram à implantação da República não fizeram parar a ambição de nos impormos, mostrando a nossa vontade. Compraram-se os sinos em 1915 e, embora a torre ainda não estivesse pronta, estes fizeram-se ouvir colocados no adro em cima de grossos paus. Construída a torre até às bocas dos sinos, para estes foram içados, ainda a torre não tinha cúpula. em 1918 é que a torre foi acabada, terminando assim a última etapa da nossa persistente jornada.”
Vitorino Reis Pedreiras considera mesmo que a criação da irmandade de S. Lourenço foi o primeiro grande passo independentista de Bustos face à Mamarrosa: 
“Compraram-se as insígnias e foi criada a irmandade de S. Lourenço, que se tornou o padroeiro da futura freguesia; adquiriram-se as alfaias e paramentos de que necessitávamos, sendo esta a resposta dada àqueles que nos tinham negado o que nos pertencia e ainda por cima, nos tinham vexado. Estava vencida mais uma etapa para a nossa independência.”

A ausência de um verdadeiro anticlericalismo leva a que, já depois da criação da freguesia civil, em 1920, sejam os seguidores de Jacinto dos Louros a promover a criação da freguesia canónica como explica Vitorino Reis Pedreiras nas suas “Memórias”:
“Era natural que os católicos desejassem também a independência religiosa para que ficassem totalmente separados. Apesar de já cá se fazerem batizados e casamentos era o pároco da Mamarrosa que fazia todos os trabalhos.
Consultado Jacinto dos Louros disse que sim, “que tratassem disso”, que não se opunha e considerava justo. Quem iria tratar disso?
Os amigos do Sr. Visconde não iriam por certo. Era necessário alguém que acompanhasse e levasse ao Senhor Bispo a nossa pretensão. Mas primeiro era preciso um abaixo-assinado da grande maioria do povo, com petição junta.
Coube-me a mim fazer a petição e outros foram angariando as assinaturas. Quero dizer que foram também os ateus a trabalhar e dirigir os primeiros trabalhos.
Poucos foram os que não quiseram assinar e, depois de tudo pronto, uma comissão mista de católicos a ateus foi a Coimbra entregar a Sua Excelência Reverendíssima a petição do povo de Bustos.
O senhor Bispo recebeu muito bem a comissão e prometeu que iria tratar do assunto com a melhor vontade, dizendo, no entanto, que tinha falta de padres. Continuámos assim a ser servidos pelo padre da Mamarrosa, o que dava motivo de orgulho ao povo de lá. O tempo foi passando e tudo continuou na mesma, até que fomos de novo dizer ao Senhor Bispo que não queríamos ser servidos pelo pároco da Mamarrosa, indicando-lhe que residia em Bustos o ex-pároco da Mamarrosa, o velho padre Caniçais, que tendo sido expulso da Mamarrosa se acolheu em Bustos. E aqui faleceu e está sepultado. Este padre foi sempre amigo de Bustos tendo contribuído muito para a celebração do culto.
Nada, continuávamos na mesma. Então, num domingo, um grupo ordeiro esperou o padre na Quinta Nova para lhe dizer que, em virtude do Senhor Bispo não ter dado satisfação ao nosso pedido vínhamos dizer-lhe que dispensávamos os seus serviços.
O padre, se não me falha a memória, era Severiano Gonçalves, homem de rara cultura e um orador de grande eloquência, como jamais vi outro, concordou em voltar para trás, dando-nos razão.
Bustos não tinha padre. O velho Caniçais não tinha ordem para receber o serviço religioso, o tempo passava e nada. Teve o Jacinto dos Louros uma bela ideia e taco político, dizendo-nos que fossemos convidar o Dr. Manuel dos Santos Pato, casado havia pouco tempo com a filha dos Alexandres da Barreira, gente muito católica e de muito respeito, que era a pessoa indicada para nos representar junto do Senhor Bispo.

Manuel dos Santos Pato

Foi uma bela ideia e assim a comissão foi a casa do Dr. Santos Pato e sogros informando-o de tudo quanto se passava, pedindo-lhe o favor de nos acompanhar ao senhor Bispo, no que ele acedeu de boa vontade. Pouco tempo depois o Senhor Bispo autorizava o velho prior Caniçais a prestar os serviços religiosos.”
Iniciava-se o processo que conduzirá à criação da paróquia de Bustos em 1925.


Belino Costa

3 de junho de 2015

FEIRA REPUBLICANA: 3 DIAS DE DIVERSÃO E EVOCAÇÃO HISTÓRICA



A companhia de teatro Vivarte, no decorrer da Feira Republicana que se realiza no próximos dias 5 (sexta feira) 6 (sábado) e 7 (domingo), no espaço da Feira de Bustos, vai evocar A 1ª República  abordando temas como a  “Excomunhão da Banda Escolar do Troviscal” que durou entre 1922 e 1939,( sábado às 21h00 e domingo às 22h00)  ou o Corpo Expedicionário Português que participou na  Primeira Grande Guerra (sexta às 19h00 e sábado às 15h00). 

Na noite de abertura (a feira inaugura na sexta feira pelas 18 horas) a recriação histórica proposta pelo Vivarte tomará conta do recinto por volta das 23h00, altura em que os Malabares de Fogo ajudarão a evocar a maior amotinação popular que alguma vez aconteceu em Bustos.

Na obra “A “Guerra Religiosa” na Primeira República” (edição do Centro de Estudos de História Religiosa da Universidade Católica, Lisboa 2010) a historiadora, Maria Lúcia de Brito Moura, referindo a amotinação do povo de Bustos assinala: “ Nos inícios de 1913 houve conflitos por ocasião do arrolamento da capela de a S. Lourenço, em Mamarrosa, no concelho de Oliveira do Bairro. A população não revelou qualquer hostilidade em relação ao regime instituído em 1910. Pelo contrário ouviram-se vivas à República e à liberdade e duas mulheres empunhavam bandeiras nacionais”.

Mesmo sem conhecer a realidade local a historiadora alvitra: ”Talvez este comportamento encontre explicação no desejo de evitar que fossem confundidas as lutas pelos direitos à posse da capela com questões políticas que, para os contestatários, seriam secundárias.” E tinha razão. Não só para os populares a questão política era secundária como na verdade estavam a ser vítimas de uma mentira. Foi no entanto por razões da política que António Duarte Sereno, Visconde de Bustos, lançara o boato de que os da Mamarrosa vinham confiscar o santo e alfaias da capela de S. Lourenço,. como relata Belino Costa no texto que publicaremos amanhã. 

2 de junho de 2015

ADERCUS EM VÁRIAS FRENTES - MAIS 4 MEDALHAS

ADERCUS EM VÁRIAS FRENTES
Ana Rodrigues decorada  com 2 medalhas do distrital de Juniores. Foto Ricardo Esteves

Ana Rodrigues conquistou duas medalhas no campeonato distrital de Juniores, disputado em Aveiro, na pista da Universidade, a 30 e 31 de maio. A atleta alcançou o título distrital na corrida de 1.500m, tendo sido a vencedora destacada, correndo isolada desde o tiro de partida. No domingo de manhã, foi a vice-campeã nos 3.000m, cedendo o título para Mª Batista (GRECAS) a duas voltas do fim, mas ainda assim, alcançou um record pessoal por grande margem.
Carla Martinho - foto de arquivo 

Carla Martinho correu o “Trail de Vila Nova de Paiva”, prova que teve a distância de 11.000m, tendo alcançado mais uma vitória por larga margem sobre Lídia Pereira (CP Mangualde), que foi a 2ª classificada.


Joana Nunes correu a “Milha Urbana Serra da Estrela”, disputada no sábado à tarde em S. Romão, Seia, prova de 1.609m em estrada, na qual foi a 8ª classificada.
Elisabete Azevedo - foto de arquivo

Em pista, Elisabete Azevedo correu na passada quarta-feira os 1.500m na “noite quente da Póvoa do Varzim”, tendo sido a 3ª classificada, com a marca e 4min45,57seg.

Em estrada, Luís Silva correu a “2ª Corrida do Centenário da Aviação Militar”, prova de 10.000m, disputada na base aérea de Maceda, em Ovar, no passado dia 24 de maio, tendo sido o 4º classificado Sénior, e Rodrigo Silva cortou a meta como o 8º entre os Veteranos.
ADERCUS

1 de junho de 2015

O bustuense Dr. Tiago Costa está "nas barbas do estado Islâmico", diz o Público.

A desenterrar História. Literalmente. Esta é uma atividade a que éramos insensíveis mas que alguns filmes dos anos 80/90 (quem não se lembra do Indiana Jones?) trouxeram para a ribalta com o estatuto de apaixonante.
Esta paixão atacou de forma desmedida um bustuense, o Tiago Costa, que está, neste momento, mesmo ao lado do "estado Islâmico". Sim, esse mesmo que estão a pensar! Esse mesmo, onde os factos apontam para uma "cultura" assente no incentivo à "desculturação", à eliminação da identidade dos povos, a começar pela irradicação dos vestígios da sua história...

Não é para qualquer um.


Segundo um dos cinco portugueses que integra a equipa onde o Tiago também está "quando se é arqueólogo, (...) tem de se saber de geografia, topografia, paleobotânica, antropologia social, sistemas de datação carbono 14, sistemas de informação, digitalização, legislação local, políticas públicas, marketing, cartografia, fotografia, aeromodelismo, roçadeiras, cozinha em massa, e tudo isto sobrevivendo ao “Estado Islâmico”, e à maldição de Tutankhamon."
Na reportagem - muito interessante, diga-se de passagem - referencia-se a tarefa do Tiago Costa, "... 27 anos, o perito nos cacos de cerâmica que veio à frente com André, faz um ponto da situação aos que chegaram depois. (...) “O mais importante é pensar isto como algo único, que vale pela própria experiência”, diz Tiago. “Idealmente encontraremos um compartimento cheio de cerâmica, mas não podemos esperar nada.”
Para o Tiago endereçamos os nossos PARABÉNS e votos de que continue a conquistar o verdadeiro sucesso e realização pessoal... e que esteja em segurança!


Aqui fica o artigo do PÚBLICO
http://www.publico.pt/…/arqueologos-nas-barbas-do-estado-is…

Fotos extraídas e adaptadas de
http://www.publico.pt/…/arqueologos-nas-barbas-do-estado-is…
e do facebook do Tiago

O nosso muito obrigado ao Prof. Alberto Zenha Martins por nos ter alertado para a importância e pertinência desta informação.