7 de junho de 2015

Biblioteca de Bustos - ao sabor dos ventos nefastos da «côrte» do executivo camarário


Em 1983 a Câmara Municipal preocupava-se em activar o funcionamento da Biblioteca 
A Biblioteca esteve instalada no piso superior à Radiolândia de Manuel dos Rádios, que deu o lugar ao Café Tik-Tak de Fernando Luzio 

Entretanto o Troviscal é dotado de edifício próprio para o seu Pólo Escolar.
É a ocasião de fazer um auto de fé destinado a riscar o termo «coerência».
_______________
sérgio micaelo ferreira

4 de junho de 2015

A MAIOR AMOTINAÇÃO DO POVO DE BUSTOS

 Jacinto Simões dos Louros                     António Duarte Sereno (Visconde)

Com a implantação da República em 1910, a liderança política de Bustos passa a ser protagonizada por Jacinto Simões dos Louros (1878-1963), mas no seu palacete António Duarte Sereno (1859-1944), contínua fiel aos ideais monárquicos. Ao contrário de tantos outros não se converte à República, assume com honra e empenho a condição de Visconde, permanecendo fiel à bandeira azul e branca.
Estão criadas as condições para um combate político sem tréguas.

Em 1911 Jacinto Simões dos Louros exerce funções de vogal na comissão Municipal que o nomeia delegado da Câmara Municipal de Oliveira do Bairro para representar o concelho na abertura da Assembleia Constituinte, em Lisboa. Organiza ainda um grande comício republicano em Bustos, com a presença da Banda da Palhaça dirigida por Adelino Ferreira Pinhal.

Por seu turno António Duarte Sereno conspira. Não só acredita no regresso da monarquia como é um dos crentes no mito da invencibilidade de Paiva Couceiro que na Galiza prepara a incursão militar monárquica. Estamos a 1 de Outubro de 1911, dentro de dois dias um improvisado exército monárquico haverá de iniciar a sua marcha e os aliados internos querem prepara-lhe o caminho. No nosso concelho é organizado um atentado contra a comboio que transporta tropas republicanas para ao norte do país, mas tudo acaba por se gorar, como informa “O Ideal” na edição de 7 de Outubro:

“Na tarde de sábado último, mãos criminosas desaparafusaram os rails do caminho de ferro, numa extensão de 10 metros junto à ponte de ferro próximo da estação desta villa, no intuito de fazerem descarrilar o rápido ao mesmo tempo que pretenderam também fazer ir pelos ares sob a acção poderosa da dynamite a Ponte do Panno à passagem do mesmo comboio.” 

Nesse mesmo dia o “Campeão das Províncias” faz as primeiras revelações sobre os conspiradores:

“O movimento iniciado na fronteira e secundado dentro pelos que irromperam contra a integridade da Pátria, tinha, infelizmente, adeptos em torno de nós.
Em Águeda, Oliveira do Bairro, na Angeja em Espinho e noutros pontos do distrito descobriu-se-lhe as ramificações. (…)
 “Em Oiã, a dois passos de nós, levantaram-se os rails para fazer despenhar os comboios! Ali estiveram, nas prisões locais, os autores do atentado, à frente dos quais se encontrava o pároco da freguesia! Atribui-se-lhe o malévolo intento.  (…)
Os cabecilhas fizeram espalhar, com visos de verdade, que Paiva Couceiro entraria em Portugal três ou quatro horas antes de rebentar o movimento.”

Na lista de presos do concelho de Oliveira do Bairro constam os o nomes de. Maria Rosa de Jesus, Padre Abel da Conceição e Silva, João da Silva Pereira e Umbelina Rita de Jesus (todos de Oiã) e José Augusto de Souza Maia. A estes se juntarão outros, entre os quais, Manuel de Bastos, de Bustos, padre Joaquim Ferreira Maneta, de Oliveira do Bairro, Augusto Porphirio Correia, de Coimbra.
Dias depois o “Soberania do Povo” informa que, no dia 10, “foram presos em Oliveira do Bairro, sendo transportados para Aveiro, os Srs Visconde de Bustos, o seu chauffer, e o empregado comercial da casa de que o Sr. Visconde é chefe, Manuel de Mattos Alla, de Águeda”.
Para António Duarte Sereno é a primeira prisão e a primeira grande desilusão. Mas a detenção, que não dura muito, é encarada com orgulho. É uma medalha na lapela da luta pelo regresso da monarquia, pelo que todos se fazem fotografar para que fique registo do seu esforço, da sua luta. O Visconde de Bustos sente-se herói.


Anos depois  Manuel de Mattos Alla haverá de contar as razões porque, pela sua parte, não conseguiu provocar o descarrilamento. É uma daquelas histórias de família, aqui recordada pelo genro, Augusto Simões da Costa, marido de Maria Isabel Tavares Urbano Ala:
“A primeira prisão do meu sogro teve circunstâncias rocambolescas. Sabia-se que havia tropas republicanas que iam de comboio para o Porto. O Visconde, enquanto chefe monárquico, terá determinado que se fizesse descarrilar o comboio. Foram organizados dois grupos para cumprir a missão, se um falhasse o outro haveria de conseguir. Um usava dinamite o outro tirava parte da linha. Coube esta última missão ao Matos Alla, ao Padre de Oliveira do Bairro e a mais alguém, julgo que da Mamarrosa. Lá foram os três para a linha do comboio decididos a tirar as cavilhas dos carris. Era noite cerrada, silenciosa, o que mais aumentava o barulho que faziam ao bater no ferro. Tanto tilintar chamou à atenção de um guarda. Ao aperceberem-se que tinham sido descobertos lá fugiram a bom fugir, protegidos pelo escuro da noite. A coisa até podia ter corrido bem, o problema é que o padre de Oliveira do Bairro (Joaquim Ferreira Maneta) deixou para trás o casaco. E ao pé do casaco ficou também o cão, quieto e calado como lhe tinha sido ordenado. Foi por um descuido que acabaram identificados e presos.”
  
A resposta republicana à primeira incursão monárquica passa pela organização de grupos de defesa. Tarefa que Jacinto dos Louros assume com o tradicional empenho, organizando o grupo de defesa da Republica no Concelho, “ o mais numeroso e disciplinado de todo o distrito.”
O povo amotina-se

Em 20 de Abril de 1911 é publicada a Lei de Separação do Estado das Igrejas, da autoria de Afonso Costa, sendo criadas as comissões cultuais. Na freguesia da Mamarrosa a Irmandade das Almas solicita a constituição em Associação Cultual, em 24 de Dezembro desse ano.

“Elle juiz declarou à assembleia que a tinha convocado para lhe dar conhecimento que o Governo da Republica tinha publicado o Decreto da Lei de Separação do Estado das Igrejas, em que se concede ás Irmandades a faculdade d’estas continuarem a ter existência legal, como corporações erectas constituindo-se em Cultual e reformando os seus estatutos e pondo-os em harmonia com as leis do País(…)”
                        Da Acta da sessão extraordinária do dia 24 de Dezembro de 1911


António Duarte Sereno não é um crente (acabará por ter um funeral civil) mas guarda uma das chaves da capela de Bustos e recebe habitualmente a visita de vários párocos. Não são as questões do espírito que dominam as conversas, é a política.
Do outro lado da barricada Jacinto dos Louros, acredita que a política não se deve misturar com a religião. Não só recusa entrar para a Comissão Cultual como defende que todos os republicanos de Bustos façam o mesmo, pelo que a comissão fica constituída apenas por elementos da sede da freguesia.

É em fevereiro de 2013 que se dá a “maior amotinação dos anais da nossa terra”, segundo palavras de Vitorino Reis Pedreiras. Uma “amotinação” que melhor se compreende se tivermos em consideração que anos antes, em 1904/5, acontecera o “Caso das Pratas.”
Era costume nas festas de Bustos, os locais servirem-se as alfaias religiosas da Igreja da Mamarrosa. Naquele ano deu-se a coincidência da festa de Sto. António de Bustos coincidiu com a de Sto. António dos Covões e estes usavam o mesmo recurso. O pároco bem entendeu que as alfaias deviam ir para Bustos, mas tal não aconteceu. Quando os mandatários de Bustos chegaram à igreja da Mamarrosa não encontraram vestes ou insígnias, tudo tinha desaparecido. Tentaram saber delas e acabaram insultados e corridos à pedra.
Uma pedra bem viva na memória popular, uma lembrança que ajudou a incendiar o rastilho da revolta na manhã do dia 14 de Fevereiro de 1913.
O alarme espalha-se a toques de sineta e, mais veloz ainda, corre o boato de que “os da Mamarrosa” querem levar o santo e as alfaias religiosas.




A capela de Bustos, e a loja de António Duarte Sereno

A reação do povo é imediata. Abandonam o trabalho e correm para Bustos dispostos a defender a capela e a imagem do santo. Uns trazem foicinhas, outros paus, enxadas e forquilhas e todos, no meio de grande algazarra se vão juntando em frente da entrada do templo. Entre eles destacam-se as mulheres. O mais curioso é que trazem também bandeiras republicanas.
 Do alto da janela do primeiro andar do seu palacete António Duarte Sereno, o responsável pelo boato, tudo observa e controla. Para ele trata-se de dar combate aos republicanos, de continuar a lutar pelo regresso da monarquia.

É só por volta do meio-dia, ao regressar a casa vindo de Oliveira do Bairro, que  Jacinto dos Louros tem conhecimento da tentativa de arrolamento de bens e da desordem entretanto instalada. Logo se dirige para a capela e pelo caminho esbarra nos membros da Junta de Freguesia, no Administrador do Concelho e numa pequena força de cavalaria de Aveiro.
Em estado de desnorte, perante o povo em fúria, autoridades e militares não sabem o que fazer. Perante tanta indecisão o comandante da força militar pede ao Senhor Administrador um ofício ordenando a reposição da ordem pública. De acordo com Jacinto dos Louros, que descreve o episódio nas suas memórias, disse:
 ”Entregando-me o ofício vou ao arraial, dou os toques de ordenança e mando dar uma carga de espadeirada e recuamos até aqui. Aqui entrego os cavalos a uma praça, pomos os joelhos em terra e damos umas descargas rasteiras que há-de ficar um exemplo enquanto esta gente for viva.”
Ao ouvir tais palavras Jacinto dos Louros pede licença para falar mas não espera pela autorização para invectivar o Senhor Administrador:
“Veja bem o que faz, o senhor assume uma responsabilidade tremenda! Eu, no seu lugar, nunca faria esse ofício sem esgotar todos os recursos para levar as coisas a bom caminho, sem o emprego da força.”
O militar irrita-se, reage à intromissão: “Quem é o senhor para se meter em assunto que só a mim e ao Sr. Administrador pertence?”
Responde-lhe Jacinto sem perca de tempo ou hesitação: “Sou um republicano e um filho desta terra e, como tal, assiste-me o direito, julgo eu, de aconselhar a maior calma e prudência porque a precipitação pode dar lugar a que esta terra fique transformada num lago de sangue e num montão de cadáveres, é isso que todos nós temos o dever de evitar!”
Encolhe-se o Administrador enquanto o militar desespera. “Eu nunca vi gente tão malcriada como esta!”, exclama o político que, incapaz de decidir, pergunta a Jacinto dos Louros:
 ”O senhor o que fazia para resolver ordeiramente o assunto?”
Responde Jacinto dos Louros: “Enviava um telegrama ao Sr. Governador Civil a pedir-lhe mais 50 ou 60 praças e logo que chegassem reunia-as a estas, depois ia ao arraial e explicava ao povo a razão do inventário.”

A proposta é aceite, com alívio, pelo Administrador. Enquanto segue o telegrama  para o Governador Civil e se espera a eventual chegada de mais militares, o povo amotinado em frente do templo vai adotando estratégias de resistência. A tradição oral guardou até aos dias de hoje, o testemunho de que “duas mulheres prenhas”, quais escudos humanos, foram colocadas na frente da porta, e de que foi feito uso de bandeiras da República, estrategicamente abertas no chão para impedirem a tropa a cavalo de avançar. Acreditavam que os militares não se atreveriam a calcar tal símbolo.

Na obra “A “Guerra Religiosa” na Primeira República” (edição do Centro de Estudos de História Religiosa da Universidade Católica, Lisboa 2010) a historiadora, Maria Lúcia de Brito Moura, referindo a amotinação do povo de Bustos assinala:
“A população não revelou qualquer hostilidade em relação ao regime instituído em 1910. Pelo contrário ouviram-se vivas à República e à liberdade e duas mulheres empunhavam bandeiras nacionais”.
Mesmo sem conhecer a realidade local a historiadora alvitra: ”Talvez este comportamento encontre explicação no desejo de evitar que fossem confundidas as lutas pelos direitos à posse da capela com questões políticas que, para os contestatários, seriam secundárias.”
Tem parcialmente razão Maria Lúcia de Brito Moura, porque o levantamento popular tem na sua génese uma mentira que não explora sentimentos anti republicanos mas sim a rivalidade com a vizinha Mamarrosa.
“O santo é nosso! O santo é nosso!”, exalta-se o povo no seu heróico engano.

Entretanto o Governador Civil não só dá despacho ao pedido de mais tropas como surge em Bustos com os reforços militares. Avança para o largo da capela que está repleto de povo. Todos se calam à vista da força militar com 80 homens a cavalo. O Governador Civil, dirigindo-se à multidão, começa a explicar que o recheio da capela não será retirado, mas rapidamente a sua fraca voz  desaparece no meio da gritaria: “Fora! Fora! Fora! O que aqui está é muito nosso! Fora! Fora!”
Cresce a tensão. Escarnecido pelos amotinados o Governador Civil manda deter os mais entusiastas. Os tropas avançam e prendem António Caçalho, do Cabeço, António Marques, da Picada, João Pedro, de Bustos, Manuel Pedro, da Póvoa, e Manuel Rei Pedreiras, da Póvoa, que ficam detidos, com sentinela à vista, no pátio do Jacinto Morneta.
No arraial o protesto parece não ter fim. É então que o Governador Civil ordena a um oficial que prenda aquele que do alto da sua varanda dirige o protesto. António Duarte Sereno é detido e levado sob escolta para o pátio onde se encontram os restantes presos, o que deixa o povo sem liderança. Entretanto a notícia de que nada seria retirado do templo vai percorrendo o arraial. Aos poucos os amotinados vão desmobilizando e o arrolamento acaba por se concretizar sem novos incidentes.
O que ameaçara transformar-se num banho de sangue acaba resolvido sem prejuízo de maior. É então que Jacinto dos Louros interpela o Governador Civil com um último pedido: “Senhor Governador, está certo que prenda o mandante, mas não leve todos os outros que foram enganados na sua boa fé!”
O pedido é aceite e António Duarte Sereno é o único que segue para os calabouços de Aveiro, onde ficará retido por pouco tempo.

TOLERÂNCIA RELIGIOSA E REPUBLICANISMO

Jacinto dos Louros é um adepto de Afonso Costa e apoia a Lei da Separação e a necessidade de retirar à Igreja o papel exorbitante que desempenhava na sociedade portuguesa. Mas o radicalismo anticlerical não tem em Bustos grandes adeptos, nem condições para se desenvolver. Todos os republicanos estão, por ligações familiares de cultura e tradição, demasiado próximos da crença religiosa para a combaterem ou desrespeitarem. O que eles reclamam é o direito a também serem respeitados, apesar de não terem batismo, apesar de não acreditarem na existência de Deus.

Há um pequeno episódio, narrado por Jacinto dos Louros nas suas memórias, que é bem esclarecedor da postura dos republicanos de Bustos.
Estamos em 1911, num restaurante de Anadia, e a discussão anda em torno do funeral do Padre Seabra, que fora civil. Albino Pintor barafusta, dizendo que “um enterro civil não é um enterro, mas uma farsa”. E conclui com arrogância:
“Não tirei o meu chapéu porque não respeito farsas!”
Responde-lhe Jacinto dos Louros:
“Eu vejo as coisas de uma maneira diferente. Já por vezes tenho encontrado cortejos religiosos na minha passagem. Se vou a tempo de passar sem dar nas vistas, passo e vou embora, se não vou a tempo e se vou de bicicleta, apeio-me e tiro o meu chapéu, para respeitar a crença alheia, para ter o direito de respeitarem a minha.”

Respeito mútuo é a divisa. O que explica a construção da torre da igreja em plena ebulição revolucionária. A obra, promovida por uma comissão criada em 1915, é encarada pelos republicanos, com o uma forma de Bustos se afirmar e de mostrar a sua vontade independentista. Como disse, de forma inequívoca, Vitorino Reis Pedreiras no discurso que proferiu na sessão comemorativa do 58º aniversário da criação da freguesia de Bustos:
“Os anos agitados que se seguiram à implantação da República não fizeram parar a ambição de nos impormos, mostrando a nossa vontade. Compraram-se os sinos em 1915 e, embora a torre ainda não estivesse pronta, estes fizeram-se ouvir colocados no adro em cima de grossos paus. Construída a torre até às bocas dos sinos, para estes foram içados, ainda a torre não tinha cúpula. em 1918 é que a torre foi acabada, terminando assim a última etapa da nossa persistente jornada.”
Vitorino Reis Pedreiras considera mesmo que a criação da irmandade de S. Lourenço foi o primeiro grande passo independentista de Bustos face à Mamarrosa: 
“Compraram-se as insígnias e foi criada a irmandade de S. Lourenço, que se tornou o padroeiro da futura freguesia; adquiriram-se as alfaias e paramentos de que necessitávamos, sendo esta a resposta dada àqueles que nos tinham negado o que nos pertencia e ainda por cima, nos tinham vexado. Estava vencida mais uma etapa para a nossa independência.”

A ausência de um verdadeiro anticlericalismo leva a que, já depois da criação da freguesia civil, em 1920, sejam os seguidores de Jacinto dos Louros a promover a criação da freguesia canónica como explica Vitorino Reis Pedreiras nas suas “Memórias”:
“Era natural que os católicos desejassem também a independência religiosa para que ficassem totalmente separados. Apesar de já cá se fazerem batizados e casamentos era o pároco da Mamarrosa que fazia todos os trabalhos.
Consultado Jacinto dos Louros disse que sim, “que tratassem disso”, que não se opunha e considerava justo. Quem iria tratar disso?
Os amigos do Sr. Visconde não iriam por certo. Era necessário alguém que acompanhasse e levasse ao Senhor Bispo a nossa pretensão. Mas primeiro era preciso um abaixo-assinado da grande maioria do povo, com petição junta.
Coube-me a mim fazer a petição e outros foram angariando as assinaturas. Quero dizer que foram também os ateus a trabalhar e dirigir os primeiros trabalhos.
Poucos foram os que não quiseram assinar e, depois de tudo pronto, uma comissão mista de católicos a ateus foi a Coimbra entregar a Sua Excelência Reverendíssima a petição do povo de Bustos.
O senhor Bispo recebeu muito bem a comissão e prometeu que iria tratar do assunto com a melhor vontade, dizendo, no entanto, que tinha falta de padres. Continuámos assim a ser servidos pelo padre da Mamarrosa, o que dava motivo de orgulho ao povo de lá. O tempo foi passando e tudo continuou na mesma, até que fomos de novo dizer ao Senhor Bispo que não queríamos ser servidos pelo pároco da Mamarrosa, indicando-lhe que residia em Bustos o ex-pároco da Mamarrosa, o velho padre Caniçais, que tendo sido expulso da Mamarrosa se acolheu em Bustos. E aqui faleceu e está sepultado. Este padre foi sempre amigo de Bustos tendo contribuído muito para a celebração do culto.
Nada, continuávamos na mesma. Então, num domingo, um grupo ordeiro esperou o padre na Quinta Nova para lhe dizer que, em virtude do Senhor Bispo não ter dado satisfação ao nosso pedido vínhamos dizer-lhe que dispensávamos os seus serviços.
O padre, se não me falha a memória, era Severiano Gonçalves, homem de rara cultura e um orador de grande eloquência, como jamais vi outro, concordou em voltar para trás, dando-nos razão.
Bustos não tinha padre. O velho Caniçais não tinha ordem para receber o serviço religioso, o tempo passava e nada. Teve o Jacinto dos Louros uma bela ideia e taco político, dizendo-nos que fossemos convidar o Dr. Manuel dos Santos Pato, casado havia pouco tempo com a filha dos Alexandres da Barreira, gente muito católica e de muito respeito, que era a pessoa indicada para nos representar junto do Senhor Bispo.

Manuel dos Santos Pato

Foi uma bela ideia e assim a comissão foi a casa do Dr. Santos Pato e sogros informando-o de tudo quanto se passava, pedindo-lhe o favor de nos acompanhar ao senhor Bispo, no que ele acedeu de boa vontade. Pouco tempo depois o Senhor Bispo autorizava o velho prior Caniçais a prestar os serviços religiosos.”
Iniciava-se o processo que conduzirá à criação da paróquia de Bustos em 1925.


Belino Costa

3 de junho de 2015

FEIRA REPUBLICANA: 3 DIAS DE DIVERSÃO E EVOCAÇÃO HISTÓRICA



A companhia de teatro Vivarte, no decorrer da Feira Republicana que se realiza no próximos dias 5 (sexta feira) 6 (sábado) e 7 (domingo), no espaço da Feira de Bustos, vai evocar A 1ª República  abordando temas como a  “Excomunhão da Banda Escolar do Troviscal” que durou entre 1922 e 1939,( sábado às 21h00 e domingo às 22h00)  ou o Corpo Expedicionário Português que participou na  Primeira Grande Guerra (sexta às 19h00 e sábado às 15h00). 

Na noite de abertura (a feira inaugura na sexta feira pelas 18 horas) a recriação histórica proposta pelo Vivarte tomará conta do recinto por volta das 23h00, altura em que os Malabares de Fogo ajudarão a evocar a maior amotinação popular que alguma vez aconteceu em Bustos.

Na obra “A “Guerra Religiosa” na Primeira República” (edição do Centro de Estudos de História Religiosa da Universidade Católica, Lisboa 2010) a historiadora, Maria Lúcia de Brito Moura, referindo a amotinação do povo de Bustos assinala: “ Nos inícios de 1913 houve conflitos por ocasião do arrolamento da capela de a S. Lourenço, em Mamarrosa, no concelho de Oliveira do Bairro. A população não revelou qualquer hostilidade em relação ao regime instituído em 1910. Pelo contrário ouviram-se vivas à República e à liberdade e duas mulheres empunhavam bandeiras nacionais”.

Mesmo sem conhecer a realidade local a historiadora alvitra: ”Talvez este comportamento encontre explicação no desejo de evitar que fossem confundidas as lutas pelos direitos à posse da capela com questões políticas que, para os contestatários, seriam secundárias.” E tinha razão. Não só para os populares a questão política era secundária como na verdade estavam a ser vítimas de uma mentira. Foi no entanto por razões da política que António Duarte Sereno, Visconde de Bustos, lançara o boato de que os da Mamarrosa vinham confiscar o santo e alfaias da capela de S. Lourenço,. como relata Belino Costa no texto que publicaremos amanhã. 

2 de junho de 2015

ADERCUS EM VÁRIAS FRENTES - MAIS 4 MEDALHAS

ADERCUS EM VÁRIAS FRENTES
Ana Rodrigues decorada  com 2 medalhas do distrital de Juniores. Foto Ricardo Esteves

Ana Rodrigues conquistou duas medalhas no campeonato distrital de Juniores, disputado em Aveiro, na pista da Universidade, a 30 e 31 de maio. A atleta alcançou o título distrital na corrida de 1.500m, tendo sido a vencedora destacada, correndo isolada desde o tiro de partida. No domingo de manhã, foi a vice-campeã nos 3.000m, cedendo o título para Mª Batista (GRECAS) a duas voltas do fim, mas ainda assim, alcançou um record pessoal por grande margem.
Carla Martinho - foto de arquivo 

Carla Martinho correu o “Trail de Vila Nova de Paiva”, prova que teve a distância de 11.000m, tendo alcançado mais uma vitória por larga margem sobre Lídia Pereira (CP Mangualde), que foi a 2ª classificada.


Joana Nunes correu a “Milha Urbana Serra da Estrela”, disputada no sábado à tarde em S. Romão, Seia, prova de 1.609m em estrada, na qual foi a 8ª classificada.
Elisabete Azevedo - foto de arquivo

Em pista, Elisabete Azevedo correu na passada quarta-feira os 1.500m na “noite quente da Póvoa do Varzim”, tendo sido a 3ª classificada, com a marca e 4min45,57seg.

Em estrada, Luís Silva correu a “2ª Corrida do Centenário da Aviação Militar”, prova de 10.000m, disputada na base aérea de Maceda, em Ovar, no passado dia 24 de maio, tendo sido o 4º classificado Sénior, e Rodrigo Silva cortou a meta como o 8º entre os Veteranos.
ADERCUS

1 de junho de 2015

O bustuense Dr. Tiago Costa está "nas barbas do estado Islâmico", diz o Público.

A desenterrar História. Literalmente. Esta é uma atividade a que éramos insensíveis mas que alguns filmes dos anos 80/90 (quem não se lembra do Indiana Jones?) trouxeram para a ribalta com o estatuto de apaixonante.
Esta paixão atacou de forma desmedida um bustuense, o Tiago Costa, que está, neste momento, mesmo ao lado do "estado Islâmico". Sim, esse mesmo que estão a pensar! Esse mesmo, onde os factos apontam para uma "cultura" assente no incentivo à "desculturação", à eliminação da identidade dos povos, a começar pela irradicação dos vestígios da sua história...

Não é para qualquer um.


Segundo um dos cinco portugueses que integra a equipa onde o Tiago também está "quando se é arqueólogo, (...) tem de se saber de geografia, topografia, paleobotânica, antropologia social, sistemas de datação carbono 14, sistemas de informação, digitalização, legislação local, políticas públicas, marketing, cartografia, fotografia, aeromodelismo, roçadeiras, cozinha em massa, e tudo isto sobrevivendo ao “Estado Islâmico”, e à maldição de Tutankhamon."
Na reportagem - muito interessante, diga-se de passagem - referencia-se a tarefa do Tiago Costa, "... 27 anos, o perito nos cacos de cerâmica que veio à frente com André, faz um ponto da situação aos que chegaram depois. (...) “O mais importante é pensar isto como algo único, que vale pela própria experiência”, diz Tiago. “Idealmente encontraremos um compartimento cheio de cerâmica, mas não podemos esperar nada.”
Para o Tiago endereçamos os nossos PARABÉNS e votos de que continue a conquistar o verdadeiro sucesso e realização pessoal... e que esteja em segurança!


Aqui fica o artigo do PÚBLICO
http://www.publico.pt/…/arqueologos-nas-barbas-do-estado-is…

Fotos extraídas e adaptadas de
http://www.publico.pt/…/arqueologos-nas-barbas-do-estado-is…
e do facebook do Tiago

O nosso muito obrigado ao Prof. Alberto Zenha Martins por nos ter alertado para a importância e pertinência desta informação.

29 de maio de 2015

VEM AÍ A FEIRA REPUBLICANA


Nos dias 5,6 e 7 de Junho realiza-se no Largo da Feira de Bustos a "Feira Republicana", iniciativa camarária que vem substituir a Feira Medieval. No decorrer da próxima semana divulgaremos o programa, nomeadamente os "quadros históricos" que irão ser teatralizados.

26 de maio de 2015

A ESCOLA E A BIBLIOTECA, OU A FALTA DE VISÃO E DE PALAVRA


Em texto aqui publicado em 21 de Junho de 2012, Sérgio Ferreira Micaelo recordou o processo de construção do edifício da Escola Primária, concluindo que o mesmo foi construído com dinheiro da junta de freguesia:
“Pelos dados expostos, e mais leituras das atas, este edifício escolar foi mandado construir e pago pela Junta de Freguesia/Comissão de Freguesia de Bustos. Assim sendo, a Escola Primária do Corgo é Património da Junta de Freguesia de Bustos, com direito a tabuleta. A menos que tenha ocorrido alguma «entrega» oficial do edifício à Câmara Municipal de Oliveira do Bairro, à semelhança do que aconteceu com a Estação Telégrafo-Postal construída com o dinheiro de particulares de Bustos... mas cuja «entrega» foi imposta superiormente.”
Sérgio Micaelo estava certo. O edifício foi entregue à Câmara Municipal de Oliveira do Bairro presumivelmente nos anos a oitenta. Não sabemos se a entrega foi “imposta superiormente” ou resultou da mera vontade dos autarcas de então. Certo é que hoje devemos olhar para o edifício independentemente do proprietário. Temos de ter em consideração a sua história, o seu significado e a importância da sua localização, pois acaba por estar integrado no Parque da Vila de Bustos, núcleo que reúne um conjunto de infra estruturas de lazer e desporto ao qual falta um polo cultural. Quando da construção da nova Escola Básica logo se falou de um projeto para as antigas instalações. E logo se estabeleceu o consenso, assumido claramente pelo executivo camarário, de que o edifício escolar iria servir de sede à Biblioteca de Bustos/Polo de Leitura.
Deveríamos estar agora a discutir o que deve ser uma Biblioteca nos tempos de hoje. Guardados os livros para quem os desejar consultar, o espaço deveria ser organizado e equipado de forma a ser um local de encontro, sociabilização e infoinclusão dos jovens. Mas para isso seria preciso vivermos numa democracia participativa com autarcas empenhados em promoverem social e culturalmente as populações. Para isso precisávamos de líderes políticos em vez de meros gestores partidários que parecem acreditar que o mundo começou com eles.
Borrifam-se para a História e até para os compromissos assumidos. Não têm palavra, estratégia ou visão politica que vá para além das obras de cimento. Assumem uma postura autoritária e gerem a causa pública de forma meramente casuística e interesseira. O que fazer com a velha Escola de Bustos? O mais fácil e mais barato é dividir “aquilo” por salas e entregar o espaço a vários grupos e associações. Desta forma arranja-se quem pague a água e a luz e, o mais importante, gera-se a dependência política, porque os distinguidos com a benesse não podem deixar de ficar agradecidos... (E se não estão agradecidos fiquem caladinhos ou vão no meio da rua!)
É assim a “democracia” em Oliveira do Bairro. E por mais que se grite, “O rei vai nu”, o pobre coitado, quase a perder o trono, cobre-se de plumas e promove o beija-mão. Até dá pena. 

Belino Costa

BUSTOS - A ESCOLA DO CORGO É PATRIMÓNIO DA JUNTA DE FREGUESIA?



"Entre os patrimónios da res publica localizados em Bustos contam-se os edifícios das escolas primárias".
A  “Escola Primária” do Corgo, a quem pertence?
A construção de edifício escolar era uma aspiração que vinha já da primeira Junta de Freguesia de Bustos. A busca de terreno  para a construção  teve início durante a primeira junta de freguesia. 
Pretendia-se uma escola localizada no centro. O local preferido era o terreno do "Sr. Visconde" que confronta as ruas 18 de Fevereiro e Jacinto dos Louros. Onde mais tarde Augusto Simões da Costa construiu o seu estabelecimento.
Em 17 de Janeiro de 1926,  a junta de freguesia inscreve no orçamento a verba “de dois mil e setecentos escudos [13,47€] para material e mão d’obra  de duas maceiras de adobos  feitos por conta da Junta com destino às construções escolares”.
Contudo, é depois da Revolução do 28 de Maio de 1926 que efetivamente tem início a construção da ansiada escola.
Na sessão de 15 de Maio de 1927 da Comissão Administrativa da Junta de Freguesia, “O Presidente apresentou a planta e alçado da obra do edifício escolar desta freguesia, fornecida pelo Ministério da Instrução Pública, a qual foi apreciada pelos membros da Comissão que a acharam muito boa.  Mas reconhecendo que o importe da sua execução é superior aos recursos de que pode dispor, deliberou fazer-lhe algumas modificações, tais como suprimir algumas janelas de lado do rés-do-chão, executando-as com mais simplicidade, principalmente as laterais e as do lado sul. Suprimir dois salões no primeiro andar, ficando com os dois do rés-do-chão e um ao centro do primeiro andar.
A obra ia avançando e, v.g. em sessão de  2.12.1928, a Comissão Administrativa  autorizava os pagamentos “para o edifício da escola: a António da Silva Neves quarenta e cinco escudos pelo transporte de telha, a Manoel Rosa Novo cento e trinta e cinco escudos pelo transporte de telha, a José Matos  cento e trinta e cinco escudos pelo transporte também de telha e a Porfírio Fontes trinta escudos pelo serviço de tirar água para argamassar cal.”
  Era notória a ânsia de  ter alguma sala pronta receber  alunos, conforme se pode depreender da sessão de   20 de janeiro de 1929, a Comissão Administrativa reúne extraordinariamente “para arrematar as obras interiores e uma porta e quatro janelas dum dos salões do edifício escolar”.
Nos fins de 1929, a comissão administrativa tinha lançado o concurso para “o serviço de estuque nos dois salões térreos do edifício escolar”. As propostas apresentadas por Manuel Tavares e por Américo Oliveira foram rejeitadas, “por pouco explícitas nos materiais a empregar”. Foi decidido fazer-se a adjudicação “por licitação verbal, e os materiais ficarão a cargo desta Junta devido a ser difícil a fiscalização dos mesmos”.   
Na sessão de 13 de Maio de 1934, a Comissão Administrativa procedia à arrematação das restantes obras da conclusão do edifício da escola Primária do Corgo,  entre as quais se transcreve:
(…) as obras de cal grossa e pintura quer externas quer internas, e todo o edifício da Escola [foram] adjudicadas ao senhor Manuel Ferreira Tavares, pela quantia de cinco mil quarenta e três escudos e cinquenta centavos,
(…) o gradeamento do recinto de recreio do edifício da Escola, e as varandas (…)   varandas em ferro para o mesmo edifício  [foram]adjudicadas aos senhores João dos Santos Oliveira e José Maria Simões dos Reis pela quantia de três mil e quinhentos escudos (…)
Sérgio Ferreira Micaelo

25 de maio de 2015

Gil Ferreira [ADERCUS] vence a corrida principal da 3ª edição do “Luso Trail”

GIL FERREIRA VENCEU O LUSO TRAIL

A atividade competitiva da ADERCUS ficou marcada por participações recentes em provas de pista, estrada e trail running, nas quais os atletas da equipa de atletismo de Oliveira do Bairro continuam a marcar presença no pódio.
Gil Ferreira [ADERCUS] vence 3ª edição do “Luso Trail”
A vila termal do Luso foi o palco da 3ª edição do “Luso Trail”, no passado dia 17 de maio, prova na qual o atleta Gil Ferreira foi o vencedor da corrida principal de 25km. A prova disputou-se por trilhos da mata do Buçaco e a meta foi instalada no centro da vila, tendo contado com a participação de 650 atletas.

PAULO FERREIRA E PEDRO MIGUEL foram ao pódio

Também na vertente de “trail running”, a ADERCUS esteve representada na corrida de 16km de S. João de Loure e Frossos por Paulo Ferreira, que foi o 2º classificado, e por Paulo Miguel o 3º.

ANTÓNIO MOREIRA - 2º na Póvoa do Varzim

António Moreira foi outro atleta em destaque, tendo subido ao pódio na Póvoa do Varzim, no “Grande Prémio da Marginal”, corrida de 10.000m, na qual foi o 2º classificado.

Em Aveiro.- duas atletas no pódium: SOFIA ALMEIDA (1.ª); MARIA FRANCISCO (3.ª)
Na pista de atletismo da Universidade de Aveiro, os jovens atletas da ADERCUS participaram no “torneio do Castro”, no passado dia 17 de maio, na corrida de 150m, na qual a atleta infantil Sofia Almeida foi a vencedora, com a marca de 20,29 segundos, com o vento desfavorável a 1,7m/s, tendo ficado a escassos centésimos de segundo do seu record distrital que é de 20,18. Na mesma corrida, Maria Francisco foi a 3ª classificada, com 22,26 e Catarina Pardal 4ª, com 22,28.
ADERCUS

22 de maio de 2015

COMPRAR COM DESCONTO NA "OLIVEIRA DO BAIRRO OUTLET"




“Oliveira do Bairro OUTLET – Feira de stocks" realiza-se nos dias 23 e 24 de Maio, no Espaço Inovação, com o seguinte horário:  23 de Maio das 15h às 23h; 24 de Maio das 10h às 20h.
Com esta iniciativa, a A ACIB – Associação Comercial e Industrial da Bairrada, pretende promover as empresas locais, proporcionando uma oportunidade às mesmas de escoarem produtos excedentários que tenham nos seus estabelecimentos (stocks e restos de colecção), a preços reduzidos.

Estarão presentes empresas na área do vestuário de criança e adulto, calçado, materiais de construção, serviços de saúde, decoração, entre outros. Será também uma oportunidade para os consumidores comprarem bons artigos a preços com grandes descontos. 

Durante o decorrer da feira haverá animação permanente, com pistas de minigolfe, demonstração de ginástica, aulas de zumba, demonstração de artes marciais, espectáculos musicais entre muitas outras atividades em que todos estão convidados a participar. A entrada será gratuita e a animação e os preços baixos estão garantidos.

20 de maio de 2015

EM DEFESA DA BIBLIOTECA, DEPOIMENTO DE IRENE MICAELO

 BIBLIOTECAS: IMPORTANTES ESPAÇOS DE APRENDIZAGEM
E DE PROMOÇÃO DA CIDADANIA





Numa altura em que na sociedade e nas famílias se acentuam carências de vária ordem, as Bibliotecas redobram a sua importância estratégica junto das comunidades, elevando o nível cultural dos seus cidadãos e atuando como instrumentos agilizadores e facilitadores da igualdade de oportunidades.
Sendo espaços privilegiados, potenciadores de múltiplas aprendizagens, desempenham um papel fundamental no acesso à informação, à cultura e à construção do conhecimento nas diversas áreas do saber, valores essenciais para o pleno exercício da cidadania.
Acessíveis a um público diferenciado, instaladas em espaços condignos e atrativos que proporcionem boas condições de leitura, de estudo e de recreação, detentoras de equipamento funcional e adequado, dotadas dos recursos necessários e atualizados, em diferentes suportes, estão as bibliotecas preparadas para responder às necessidades e interesses desse mesmo público, que as sentirá como necessárias e imprescindíveis, numa lógica de formação ao longo da vida e de integração na vivência das comunidades.
Contudo, sabemos que enfrentam, no momento, exigências bem complexas e que, junto dos mais novos, lutam com poderosos rivais de diversão trazidos por avançadas tecnologias.
Nas sucessivas interrogações e incertezas que se colocam sobre a vida de algumas bibliotecas, interessa pois equacionar os problemas e partir para a reinvenção e desenvolvimento de novas dinâmicas para atrair e fidelizar públicos de diferentes idades (ou clientes, como se classifica agora nesta lógica de empresa).


Porém, numa sociedade em crise, menoriza-se o papel da cultura, não se respeitam compromissos assumidos, corta-se no horário de funcionamento, mantêm-se avariados os computadores já de si obsoletos, degrada-se o edifício e adota-se uma atitude de completo desinteresse e desinvestimento, que é o prenúncio da extinção.

Bibliotecas Universitárias, Bibliotecas da Rede Pública, Bibliotecas/Pólos de Leitura, Bibliotecas Escolares, ou ainda Bibliotecas Virtuais, todas elas têm o seu lugar, os seus objetivos e a sua missão, podendo e devendo complementar-se, partilhar em rede, mas não se substituindo nos seus papéis.
Lembremos que foi para atenuar o obscurantismo cultural existente na altura, que foi criado, em 1958, o Serviço de Bibliotecas Itinerantes pela Fundação Calouste Gulbenkian, sob a sugestão de Branquinho da Fonseca, que conseguiu levar o livro e a leitura junto das populações mais afastadas e desfavorecidas de Portugal.
E foi também, sob a condução e persistência de Arsénio Mota, que Branquinho da Fonseca anuiu em instalar, em Bustos, a Biblioteca Fixa n.º 26, a primeira do Concelho, um legado que tanto contribuiu para a formação dos seus utilizadores.

O acesso ao conhecimento é um direito e um dever dos cidadãos.

O edifício para as novas instalações da Biblioteca/Pólo de Leitura de Bustos existe - é  preciso requalificá-lo!

Irene Micaelo



NB: Irene Micaelo integrou a comissão dinamizadora das comemorações dos 50 anos da Biblioteca de Bustos (na foto em 19 de Fevereiro 2011)