3 de agosto de 2009

IGREJA DE BUSTOS - PRIMEIRA PEDRA FAZ MEIO SÉCULO EM 9.08.2009


(a figura amplia, clicando sobre a imagem...)
O P. Vidal já tinha anunciado o lançamento da 1ª pedra da igreja na edição anterior do Jornal da Bairrada.
Da coluna de Bustos do JB 01.08.1959, extrai-se:

"Nova Igreja

Aproveitando a oportunidade da festa de S. Lourenço, realiza-se na véspera, dia 9 de Agosto, portanto, a bênção da 1ª pedra da nova igreja.
A cerimónia terá lugar às 5 horas da tarde, e vai ser realizada pelo nosso querido Bispo, D. Domingues da Apresentação Fernandes.
Esperamos que muita gente tome parte na cerimónia e na missa campal que será celebrada no lindo local da nova igreja.
Para tal se realizar, já se fez o encanamento das águas do rio do Corgo, obra que ficou linda e que marca uma fase já das obras da igreja."
(…)
__________
São devidos agradecimentos a Jornal da Bairrada e a
bibRia - Biblioteca Digital dos Municípios da Ria

BUSTOS - "Igreja nova badalou em 1964", Arsénio Mota





"Igreja nova badalou em 1964


A igreja nova constituía uma velha necessidade paroquial. De facto, a capela, embora com os melhoramentos que a beneficiaram em 1941, não servia.

A população acabou por sentir o caso e atirou-se para a frente, seguindo os esforços do padre António Henriques Vidal e do seu antecessor na paróquia, padre João Baptista Simões.

Finalmente, os terrenos, tendo custado cerca de 260 contos, ficaram preparados e, em 9/8/1959, foi lançada a primeira pedra da obra, pelo bispo da diocese de Aveiro, D. Domingos da Apresentação Fernandes. Nos primeiros dia e mês de 1964, a igreja, em acabamentos, já permitiu que ali fosse rezada missa nova pelo bispo D. Manuel de Almeida Trindade. Por fim, a cerimónia da sagração ocorreu em 8 de Dezembro do mesmo ano, tendo sido também celebrada pelo bispo da diocese de Aveiro.

A construção do novo templo, «erguido com a bênção de Deus e o suor do povo», custou cerca de 1250 contos. Resultou do trabalho dos arq.os António Carneiro e Neftali Sucena e do eng.° Manuel dos Santos Pato — bustuense radicado em Águeda, filho do dr. Manuel dos Santos Pato.

Pode albergar 600 pessoas sentadas ou 1200 de pé e mais 300 no coro. Do templo anterior recebeu nomeadamente a imagem de S. Lourenço, padroeiro da freguesia. Anexa a residência paroquial.
A velha capela foi demolida após a inauguração da nova igreja, ficando o respectivo terreno devoluto desde então. Tratava-se de uma construção sem grande valor arquitectónico mas, como dissemos, muito antiga. A capela fora construída (ou reconstruída?) em 1739 e, em 1914, após a demolição do lembrado celeiro, contíguo, ficara dotada de torre e adro.

Não foi possível apurar nada sobre incertas referências a uma imagem da Senhora da Nazaré, ou Senhora da Cadeira, que teria existido na velha capela, e sobre uma versão, não menos incerta, referente a uma idosa lenda. Segundo nos constou, uma imagem de S. Lourenço que estava no altar da capela fora substituída em 1909 por outra, para ser colocada no nicho exterior existente sobre a verga da porta principal, onde de facto permaneceu muitos anos, até à demolição da capela e transferência, já bastante deteriorada, para a igreja nova. Ora a referida lenda pretendia que a imagem substituída no altar apareceu a seguir num lugar denominado Valinha Santo, pertencente à freguesia, porque «o santo fugiu para lá».

Alguém saberá esclarecer esta peripécia?"
in Arsénio Mota, Bustos – elementos para a sua história,
edição da Associação de Beneficência e Cultura de Bustos, 1983
.

2 de agosto de 2009

ALÍPIO SOL, JORNALISTA, ENTREVISTA HENRIQUE TOMÁS (Jornal da Bairrada, 1968)


Alípio Sol foi Presidente no tempo em que os bolsos da autarquia estavam cheios … de cotão, mas não o impedia de ir bater às portas dos gabinetes da majestática Lisboa para «puxar» equipamento para o seu concelho. A actividade do Presidente Alípio Sol está a merecer uma recolha de apontamentos sobre a sua actividade autárquica.
Notícias de Bustos traz à janela o Alípio Sol jornalista desportivo entrevistando o futuro “Mago” e seu amigo Henrique (Tomás), e que foi publicada em 12.10.1968, no Jornal da Bairrada.
São devidos agradecimentos ao serviço público bibRIA – Biblioteca Digital dos Municípios da Ria e ao Jornal da Bairrada e ao Henrique pelo seu depoimento in-memoriam de Alípio Sol.

sérgio micaelo ferreira
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Eis a entrevista:


*
Uma entrevista

Feita por Alípio Sol.


Dado o momento alto de fé clubista que presentemente existe entre, pelo menos, alguns elementos da direcção e da massa associativa do Oliveira do Bairro S. Clube, e dada a época que se avizinha, achamos que vem na altura própria a entrevista que vai seguir-se. Para esta escolhemos um dos seus jogadores que melhor que ninguém irá dizer o que pensa do momento actual. Figura conhecidíssima de todos nós, Henrique, o simpático e corretíssimo capitão de equipa, está connosco. De trato afável e modesto, este moço diz-nos:


P [Alípio Sol] – Como encaras o momento actual da vida do Oliveira do Bairro?
R [Henrique Tomás] – Creio que o Oliveira do Bairro S. C. está num momento alto da sua vida, o que nos leva a encarar o campeonato com bem fundadas aspirações até a pensar num «brilharete» para a época que se avizinha. No entanto, o decorrer do campeonato falará por nós e a classificação dirá o que poderemos fazer.

P. – No teu modo de pensar, achas que com os meios reduzidos de que dispõe a direcção, esta tem cumprido?
R – A direcção tem cumprido absolutamente, tanto no aspecto de apoio finanveiro, como moral, a todos os jogadores, o que tem sido mais um incentivo para darmos todo o nosso esforço e toda a nossa boa vontade para um Oliveira do Bairro melhor. Aqui deixo um voto de louvor à Direcção, quer em meu nome pessoal, quer no dos meus colegas e só esperamos que ela cumpra, como sempre o fez.


P. – Que pensas da época que se avizinha e de todos os teus colegas em geral?
R – Terei que dizer que o distrital de Aveiro é dos mais difíceis do País e, portanto, será um campeonato bastante duro, como sempre tem acontecido. Contudo, creio podermos marcar presença num dos lugares cimeiros.
Quanto aos meus colegas, creio que o Oliveira está recheado de bons valores que tudo farão para prestigiar a terra e o clube que representam. Temos jogadores de verdadeira categoria e, além disso, reina entre nós uma vontade férrea de mostrarmos o nosso valor, o que, aliado à camaradagem, decerto se irá conseguir, creio bem.



P. – E dos esforços feitos para a renovação da equipa?
R – Acho que a direcção fez tudo o que estava ao seu alcance no sentido de reforçar a equipa, e, se a mesma se esforçou, também nós, os atletas, temos ainda maiores responsabilidades no sentido de cumprirmos em absoluto. Não quero com isto dizer que faremos impossíveis, mas sim que daremos o melhor do nosso esforço e tudo faremos para ganharmos a confiança da Direcção presente e, sobretudo, o apoio da massa associativa e dos simpatizantes do nosso clube. Podem contar, portanto, e desde já, com uma indomável vontade da parte de todos os atletas.


P. – Também a vinda de um técnico consagrado – Prof. António Lemos – traz pesados encargos aos dirigentes desta colectividade. Que pensas de mais este passo?
R – Por mais este passo da Direcção se pode ver o seu esforço no sentido de fazer uma equipa de «primeiro plano» no campeonato distrital de Aveiro.
Sem dúvida que, ao contratar um técnico da categoria do Prof. António Lemos, isto além de jogadores de grande valia, a Direcção conta antecipadamente com o apoio de todos os oliveirenses e bairradinos, presentes e ausentes, uma vez que os encargos são enormes e as receitas geralmente não compensam, colocando o clube em crítica situação financeira.
Estou, no entanto, em crer que todos saberão corresponder a este apelo e então também o clube agradecerá com os bons resultados que decerto irá colher.


P. – De que, mais do que nunca a Direcção desta colectividade para prestar aos seus atletas aquilo que merecem?
R. – Como atrás disse, a Direcção fez um grande esforço no sentido de reforçar a equipa com um técnico de categoria já firmada e com jogadores de bastante categoria. Portanto, é necessário, mais do que nunca, que todos os desportistas oliveirenses e bairradinos em geral, presentes ou no Estrangeiro, saibam apoiar materialmente o clube, para que se faça do Oliveira do Bairro S. C. uma equipa que dignifique a vila em particular e toda a Bairrada em geral. A união faz a força e todos unidos teremos força para levar ainda mais longe o nome desta prestigiosa colectividade. Creiam que, unidos à Direcção e aos atletas, contribuirão para a obtenção de melhores resultados. A maior parte das vezes as batalhas ganham-se com o apoio da retaguarda e há que fazê-lo bem firme para que a mesma nos sorria.

Gostaria também de lançar um apelo à massa associativa e simpatizante, no sentido de, dentro do campo, darem o máximo apoio aos atletas, para nos galvanizarem e nos levarem quantas vezes à vitória final. Todos unidos, faremos do Oliveira do Bairro S. C. uma grande equipa e «TODOS UNIDOS NÃO SEREMOS DEMAIS»


[Alípio Sol] – Amigo Henrique, no decorrer do campeonato, que estamos em crer será dos melhores, mais oportunidades teremos para contactar pessoalmente, além do dia usual. Que a tuas palavras encontrem eco, são os nossos desejos.
*

[Fim da entrevista]
Nota - a foto de Alípio Sol foi extraída de Armor Pires Mota,
Em Busca da História Perdida,
edição da Câmara Municipal de Oliveira do Bairro,
1997.

ALÍPIO SOL, GRANDE OLIVEIRENSE - Henrique (só)

Confesso que, após todos estes anos passados, já não me recordava da entrevista, nem sei para que jornal foi feita. Contudo, devo referir que fiquei muito orgulhoso por ter sido entrevistado, enquanto capitão do O.B.S.Clube, pelo meu grande amigo e ex-Presidente da Câmara, Alípio Sol. Este grande oliveirense foi o primeiro presidente eleito do concelho de O. Bairro, tendo concluído, salvo erro, três mandatos [*] em tempo de vacas magras.
Fica para a história do concelho a sua dedicação, o seu empenho, a sua constante, e pessoal, pressão junto dos vários governos no sentido de conseguir apoios para o desenvolvimento do seu, e nosso, concelho. Era um homem duma sobriedade contagiante não só virado para a valorização do seu concelho mas, também, para a sua valorização pessoal, tendo concluído, já depois de aposentado, o 12º ano na E.S.O.Bairro (como Pres. do Executivo tive a honra de assinar o seu diploma de final do Ensino Secundário), a licenciatura em História e, por fim, a licenciatura em Direito. Quis o Destino não lhe permitir terminar o seu estágio em advocacia.
Por curiosidade, no momento em que alinhavo este texto, não resisto em descrever a minha grande emoção ao olhar, na minha frente, no meu gabinete de trabalho, um grande quadro fotográfico mostrando o momento da entrega da Medalha de Mérito Municipal - Grau Ouro, que me foi feita pelo sr. Pres. da Rep. Mário Soares. Em segundo plano vejo o Pres. Alípio, que propôs a atribuição da medalha ao desportista, ao capitão, ao professor, ao cidadão Henrique, na sua opinião exemplar, vejo-o com uma expressão fraterna, ternurenta, feliz por ter patrocinado aquele momento e eu não consigo travar uma lágrima furtiva que me traz a sua imagem e a saudade de um grande amigo que, fisicamente, se perdeu mas que, não sei como, está sempre connosco.

Nem sequer tinha pensado nisso, mas ao escrever este pequeno texto lembrei-me que, sem dúvida, quero transformá-lo numa simbólica e singela homenagem ao amigo que me protegeu e me incentivou quando, com dezasseis anos, comecei a jogar futebol no Vila Verde, ao homem vertical, cidadão exemplar, duplamente pai por força da morte do seu irmão, ao Presidente, por tudo, mas, mais ainda, por toda a sua colossal entrega no sentido de fazer do seu concelho um grande espaço de referência em tempo de parcos recursos. Um grande abraço aos seus pais, esposa, filhos e sobrinhos.
Até sempre, grande amigo e companheiro. Será que um dia nos encontraremos? Sei lá? Para já, estejas onde estiveres, sei que não te importarás que partilhe este pequeno texto com outros amigo(a)s de quem gosto muito. E vou fazê-lo.
Henrique (só).
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[*] Foram quatro mandatos. (Nota do editor, apoiado por J.S.)

FESTAS DE S. LOURENÇO - O Convite

CONVITE

A Comissão de Festas em Honra de S. Lourenço de Bustos - 2009 convida o Povo de Bustos e das terras da Bairrada a assistir aos festejos, em especial, aos eventos culturais e religiosos que irão ter lugar em Bustos, nos dias 8, 9 e 10 do corrente mês e de que destacamos:
* Dia 8; 22H00 (Adro da Igreja): Actuação da Companhia de Dança de Aveiro (Bailados: “Livros” e “Introspectus”).
* Dia 9; 17H00 (Igreja de Bustos) (1): Apresentação do estudo “A Capela dos Ferreiras - Contributo para a sua História”, com mostra fotográfica e de trajes antigos.
- Encerrada a apresentação, será benzida a nova imagem do Santíssimo Imaculado Coração de Maria, Padroeira da Capel dos Ferreiras (Dr. Santos Pato).
- 18h00: Actuação dos Cantares de Bustos.
* Dia 10; 15H30 (recinto da Feira): Cortejo em carros antigos até à Igreja, com a participação de D. Ximenes Belo, Banda Filarmónica da Mamarrosa e
Fanfarra da Costa do Valado.
- 16H00: Recepção a D. Ximenes Belo (junto às palmeiras), seguida de pequeno cortejo até à entrada da Igreja, precedido da Irmandade das Almas e duma representação do Diácono Lourenço e seus tesouros;
- Missa, presidida pelo Bispo D. Ximenes Belo e concelebrada por Monsenhor João Gonçalves Gaspar e Padre Arlindo.
- 17H00: Prisão do Diácono Lourenço à saída da missa pelos soldados do imperador romano Valeriano (colaboração do VIV'ARTE), seguida de procissão, com a participação especial duma pequena força da Cavalaria da GNR, Fanfarra, Banda, representação de trajes antigos e do Diácono Lourenço, sob escolta dos soldados romanos.
- 19H00: Concerto da Banda Filarmónica da Mamarrosa.
- 22H00: Encenação da morte do Diácono Lourenço, seguida da sua canonização como S. LOURENÇO (Colaboração do VIV'ARTE).
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Festejos populares:
- Dia 8; 24H00: Karaoke
- Dia 9; 22H00: Conjunto CENTRAL
- Dia 10; 23H00: Conjunto FAX
- Dia 11; 22H00: Conjunto TV5
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(1) - Prevendo a exiguidade do espaço do Sala da Assembleia de Freguesia, a sessão de apresentação será realizada na nave interior da Igreja, adaptada para esse fim.
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Os DONATIVOS para as Festas podem ser feitos por transferência para a conta bancária da Comissão, na Agência de Bustos do Santander Totta.
- NIB: 0018 0003 21073184020 11
- IBAN: PT50 0018 0003 21073184020 11
- SWIFT/BIC: TOTA PT PL

31 de julho de 2009

Construção da igreja de Bustos - apontamentos soltos

As Festas Laurentinas de Bustos ’2009 têm o condão de fazer uma viagem aos passados. De sonho. De sacrifício. De luta. De aventura. De arrojo. De entrega. De coragem…De construção.
O sacrifício do Diácono Lourenço de Huesca e a igreja de S. Lourenço de Bustos estão a ser revisitados. Por vários ângulos.
As festas de Bustos em honra da S. Lourenço ficam associadas, pelo menos, ao reconhecimento da influência de Mário Martins (dos Penedos) na opção da escolha dos Fusos Cerâmicos na construção da igreja.
Sobre a igreja e os materiais usados, o Arq.º Rocha Carneiro escrevia: “Para que a Igreja surgisse económica, todo o material das estruturas foi aproveitado e bem tratado no seu acabamento para que posto à vista os espaço limitado em todo o seu conjunto surgisse equilibrado no volume e na cor.

Fugindo ao supérfluo, a Igreja surgiu …” (Jornal da Bairrada, 21.09.2000).

Tarda o aparecimento de história(s) da construção da igreja de Bustos. Há um vasto campo para os historiadores darem uso à sua enxada. O que tem vindo a lume raramente ultrapassa os depoimentos que por vezes se revelam imprecisos – compreensivelmente as memórias nem sempre são fiéis.

Para marcar presença nas festas laurentinas, esboço uns leves apontamentos sobre uma pequena parte do atribulado percurso da ideia da nova igreja, antes de chegar ao Corgo.

Os compartes da comissão das festas são merecedores de aplauso. O momento é de festa para os católicos e para mais. Aproxima-se o dia do lançamento da 1ª pedra da igreja. Aconteceu a 9 de Agosto de 1959.

Apontamentos soltos – a construção da igreja de Bustos , antes de chegar ao Corgo

A euforia havida pelo anúncio da entrada de Bustos no ‘clube das freguesias’ em 18 de Fevereiro de 1920 e confirmada pela eleição da primeira Junta de Freguesia em 9 de Maio seguinte, não teve correspondência imediata na comunidade católica. A desanexação da paróquia da Mamarrosa perduraria por mais cinco anos.
Seguindo o Correio do Vouga, 4.12.64 (1), o decreto da criação de paróquia (10.03.1925), o Bispo-conde da Diocese de Coimbra já muito recomendava “que procurem construir uma igreja nova que seja digna dum povo tão rico e laborioso, …”. A influência do Dr. Manuel dos Santos Pato, junto do bispado foi determinante para que a Bustos fosse reconhecido o seu direito de ter paróquia, segundo dizia a voz que atravessou o tempo.
A reacção dos monárquicos ao novo regime instaurado no 5 de Outubro de 1910, fortemente alimentada por dignitários da Igreja, a implantação da medida revolucionária da instauração obrigatória do registo civil, a forte contestação da Igreja à aplicação da lei republicana da separação Estado-Igreja e o interdito da Banda Escolar do Troviscal alimentaram a chama do anti-clericalismo local que poderá ter fortemente contribuído para travar a vontade dos paroquianos em fazer cumprir o desejo expresso no decreto assinado por D. Manuel Luís Coelho da Silva – a construção de uma “igreja nova”.
Acresce também que o termo de Bustos quando alcançara o estatuto de freguesia era carente de equipamento social primário há muito reclamado: a escola primária, a estação telégrafo-postal, as fontes com os lavadouros. As estradas eram caminhos intransitáveis em época das chuvas. O cemitério estava em fase de ampliação.
E a modesta capela de S. Lourenço, plantada bem no centro de Bustos, parecia camuflar a apatia da comunidade católica. A estrutura do edifício da recém-promovida igreja ia desenvolvendo sinais de forte degradação.
Entretanto a onda de renovação das igrejas estava a chegar à Diocese de Aveiro – restaurada pela bula Omnium Ecclesiarum, de 24-08-1938. http://www.diocese-aveiro.pt/showpg.asp?pgid=4
… E a “recomendação” expressa na carta da autonomia religiosa continuava por cumprir.
Até que,...
... O P. António Gonçalves Pereira, que fora nomeado nos finais de 1952 pároco em acumulação das Paróquias de Troviscal e de Bustos, congrega apoios sólidos no diversificado espectro bustuense e entra na aventura da construção da nova igreja de Bustos.
Assim, em 22-XII-19[5]3 (2), o P. Gonçalves Pereira compra por sessenta contos ‘os casarões’ que foram do Visconde de Bustos. Este espaço prolongava para sul o território da igreja velha pelo lado sul.
A futura igreja tinha terreno por onde se estender. Ficaria no mesmo sítio.
Julgava-se…
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(1) – Correio do Vouga, O Povo fez a Igreja e a Igreja uniu o Povo, 4.12.61 - entrevista P. Vidal)
(2) – Jornal da Bairrada, Notas para a História da Nova igreja de Bustos (P. Vidal).
(*) Provavelmente Arsénio Mota é autor da fotografia da igreja velha que ilustra os “apontamentos…” e que está publicada em “Bustos – elementos para a sua história”, de sua autoria. AM possui um acervo fotográfico que não é desprezar. Desde muito novo recolheu instantâneos de Bustos. É mais um património que urge preservar.

Agradecimentos. Às publicações citadas. Aos autores das ilustrações. Ao serviço bibRIA – Biblioteca Digital dos Municípios da Ria.

sérgio micaelo ferreira