16 de maio de 2015
O NOTÍCIAS DE BUSTOS VISTO DO CÉU
10 de abril de 2014
NASCEU A CONFRARIA DOS ROJÕES COM GRELO E BATATA À RACHA
Os órgãos sociais ficaram assim constituidos:Assembleia Geral- Presidente/Juiz: Joaquim de Almeida, Secretários: Carlos Pinheiro e Gilberto Martins Rosa; Direção- Presidente/Mordomo-mor: Miguel Roque Bouça, Vice-presidente Secretário/ Mordomo: Joel Reis, Vice-presidente Tesoureiro/Mordomo: Vítor Pinto, Vice-presidentes/Mordomos: Emília Abrantes, Maria Ivone Almeida, Fernando Clara e Armando Castro; e no Conselho Fiscal- Presidente: Fernando Pinhal, Relator: Ana Lina Gomes, e Vogal: João Rocha.
10 de maio de 2012
2. TEXTO
Resposta aos inte[r]rogatorios da minuta e relaçaõ do que pertence a freguezia de Sam Simaõ do lugar da Mamaroza, anexa á matris de Sam Miguel da villa de Soza feyta pelo reytor da mesma igreja matris por lhe ter inviádo a dita deligencia.
Transcrição Paleográfica de Alberto Zenha Martins
QUESTIONÁRIO
1.º Em que Provincia fica e que Bispado, Commarca, Termo e Freguesia pertence?
2.º Se hee del-Rei, ou Donatario, e quem o hé ao prezente?
3.º Quantos visinhos tem e o numero das pessoas?
4.º Se está situada em campina, valle ou monte; e que povoações se descobrem della e quanto dista?
5.º Se tem termo seo: que logares ou aldeas comprehende, como se chama[m]? e quantos visinhos tem?
6.º Se a Parochia está fora do lugar ou dentro delle? E quantos lugares ou aldeias tem a Freguezia, e todos pelos seos nomes?
7.º Qual hé o seo =Orago=, quantos altares tem e de que Sanctos; quantas naves tem; se tem Irmandades: quantas e de que Sanctos?
8.º Se o parocho hé cura, vigairo ou reitor ou prior ou abbade, e de que apresentação hé e que renda tem?
9.º Se tem beneficiados: que renda tem e quem os aprezenta?
10.º Se tem conventos e de que religiosos ou religiosas e quem são os seus padroeiros?
11.º Se tem hospital: quem o administra e que renda tem?
12.º Se tem casa de Misericordia e qual foi a sua origem e que renda tem? E o que houver de notavel em qualquer destas cousas.
13.º Se tem algumas ermidas e de que Sanctos e de outros, dentro ou fora do lugar, e a quem pertencem?
14.º Se acodem a elles romagem sempre ou em alguns dias do anno e quaes são estes?
15.º Quaes são os fructos da terra que os moradores recolhem com maior abundancia?
16.º Se tem juis ordinario de camara ou se está sujeita ao governo das Justissas de outra terra e qual hé esta?
17.º Se hé couto, e a cabesa do conselho, honra ou behetria?
18.º Se há memoria de que florecessem ou della sahiram alguns homens insignes de virtude, letras ou armas?
19.º Se tem feira, e em que dias, e quantos dura, e se hé franca ou captiva?
20.º Se tem correio e em que dias de semana chega e parte? E se o não tem de que correio se serve e quanto está a terra aonde elle chega?
21.º Quanto dista da cidade capital do Bispado e quanto de Lisboa, capital do Reino?
22.º Se tem alguns privilegios, antiguidades ou outras cousas dignas de memoria?
23.º Se há na terra ou perto della alguma fonte ou lagos celebre; e se as suas aguas tem alguma especial virtude?
24.º Se for porto de mar, descreva-se o sitio que tem por arte ou por natureza, as embarcaçoens que o frequentam e que pode admitir.
25.º Se a terra for murada, diga-se a qualidade de seos muros; se for praça d’armas, descreva-se a fortificação; se há nella ou no seu districto algum castelo ou torre antiga e em que estado se acha ao presente?
26.º Se padeceo alguma ruina no Terramoto de 1755 e em quê e se está já reparado?
27.º E tudo mais que houver digno de memoria de que nam faça menção o presente interrogatorio.
5 de abril de 2010
VISITA PASCAL: a tradição renasce
6 de outubro de 2009
"A Viticultura Bairradina Oitocentista" [Resenha Histórica] em livro de Mário Jorge Santiago
O que torna esta publicação interessante, do meu ponto de vista, é que não só nos informa da história da viticultura nacional e bairradina durante os séculos XIX e XX, como também nos relata as actividades humanas e comportamentos sociais associados a uma vida espartana que foi dominada pelo cultivo da vinha, a produção do vinho e a sua comercialização.
O autor conta-nos da importância social e económica do cultivo da vinha e da produção do vinho na vida dos bairradinos, a qualidade e quantidade do vinho produzido na Bairrada entre eventos tais como as moléstias da videira, o oídio e a filoxera, e as políticas do marquês de Pombal que afectaram, de maneira dramática, o cultivo da vinha e a produção de vinho na nossa região.
O livro descreve-nos a vida dos nossos antepassados no século XIX, mas o leitor não terá dificuldades em identificar o mesmo estilo de vida existente no tempo dos nossos pais e avós, até meados do século passado.
O autor inclui na publicação um vocabulário vitivinícola e dizeres populares que reflectem muito da cultura da nossa gente e da nossa terra ainda presentes nas nossas memórias.
A Viticultura Bairradina Oitocentista, uma edição da Confraria dos Enófilos da Bairrada, pode ser obtido através do Museu do Vinho em Anadia.
Alcides Freitas
15 de agosto de 2009
Imagem regressa à sua Capela
Depois da missa das 20H00 terá início uma procissão de velas, presidida pelo Sr. Padre Arlindo e acolitado pela Confraria da Cruz do Senhor, procissão que seguirá até à Barreira.
O Povo de Bustos está convidado a participar na procissão e na cerimónia de entrega da imagem à Família Dr. Pedro Vaz Serra, actual titular daquela que começou por ser a "Capela dos Ferreiras" e que, a partir de 1918, fomos conhecendo como "Capela Dr. Santos Pato".E assim fecharemos com chave de ouro as Festas do nosso encantamento.
- O texto em itálico reproduz o prefácio do trabalho que a Comissão de Festas publicou sob o título "A CAPELA DOS FERREIRAS DA BARREIRA".
23 de julho de 2009
S. LOURENÇO: AS FESTAS DE BUSTOS

Em jeito de refrão, sugeri que o título a dar aos cartazes reflectisse a vontade de inovar, de ir mais longe. O mordomo Virgílio Ferreira deu a dica: vamos chamar-lhes FESTAS DE BUSTOS EM HONRA DE S. LOURENÇO!
Também recuámos numa exposição ilustrativa de rádios antigos do Manuel dos Rádios, o que se deveu a razões de segurança e evitar riscos que pusessem em causa a integridade do fantástico património do Manuel, único em Portugal e Europa e dos mais completos e ricos do mundo.
Recuámos ainda na realização de 2 conferências, por outros temores.
Eis o que nos ficou, depois de alguns avanços e outros tantos recuos:
a) Parte cultural:
- Dia 8; 22H00: Espectáculo ao ar livre, pela Companhia de Dança de Aveiro.
(Santíssimo Imaculado Coração de Maria - 1873)- 18H00: Actuação dos Cantares de Bustos.
- Dia 10; 18H00: Concerto da Banda Filarmónica da Mamarrosa.
b) Parte religiosa:
- Dia 9; 11H00: Benção, no decorrer da missa de domingo, da nova imagem da padroeira da Capela dos Ferreiras, entretanto desaparecida e documentada como Santíssimo Imaculado Coração de Maria, consagrada em 12 de Dezembro de 1873. (2)
- Dia 10; 15H15: 1º Cortejo, da Feira do Sobreiro até ao local das palmeiras, frente à Igreja, conduzindo o Reverendíssimo Bispo, D. Ximenes Belo, enquadrado por carros antigos (Fernando Luzio) e com a participação especial da Banda Filarmónica da Mamarrosa.
- 15H30: Recepção do Reverendíssimo D. Ximenes pelo nosso Padre Arlindo, seguida dum
- 2º Cortejo, ao longo daquela que ficou conhecida por Praça Vermelha. Integram-no a Irmandade das Almas e a Confraria da Cruz do Senhor e o Diácono Lourenço de Huesca e suas Riquezas.
- 16H00: Missa de S. Lourenço.
- 17H00: Prisão do Diácono Lourenço e das suas Riquezas à saída da missa, pelas tropas do imperador romano Valeriano (VIV'ARTE, acolitado por alguns artistas locais).
- 17H15: Procissão Solene, de acordo com as usanças, mas desta vez enriquecida pela honrosa presença do reverendíssimo Sr. Bispo/Nobel da Paz e pela Padroeira da Capela dos Ferreiras, bem como por Gentes de Bustos vestidas à moda antiga e pela costumeira Fanfarra da Costa do Valado, tudo sob a inestimável protecção duma pequena força a cavalo da GNR, também fardada a rigor, que a procissão quer-se reluzente, de encher o olho. (3)
- 22H00: Encenação pelo VIV'ARTE da morte do Diácono Lourenço, seguida da Canonização do nosso S. Lourenço.
c) Parte pagã:
- Os conjuntos do costume, no caso, Central (dia 9; 22H00), Fax (dia 10; 22H00) e TV5 (dia 11; 22H00) e, ainda, Karaoke (dia 8; 24H00), onde pontificam o preocupado Joãozito do Jó e a Gladys Del Carmen da linda voz de sempre.
- Aguardamos a confirmação dum pequeno Concerto, a entremear a apresentação do trabalho do Li, a cargo da violoncelista Raquel Reis (Orquestra da Gulbenkian) e da irmã Joana, violinista nas horas vagas da medicina e ambas filhas de Oliveira do Bairro.
*
Há comes e bebes para muitas bocas. Bocas que esperemos sejam bem mais do que as dos maledicentes e temerosos do costume, que isto da malta se arrimar a qualquer obra é terreno propício a ter que ouvir o que não merece.
Deixo aqui a minha - e de uns quantos mais - ambição: que o S. Lourenço sirva de regaço às GRANDES FESTAS DE BUSTOS EM HONRA DE S. LOURENÇO.
Não vos parece que vai sendo tempo de Bustos sair do marasmo?
__
(1) Apenas adianto que o Li recuou com sucesso até ao séc. XVII na busca documental da árvore genealógica da família Ferreira da Barreira.
(2) Uma viagem a Braga com o James e uma antiga foto a cores (a Clarita já anda no terreno das raízes de Bustos há mais anos do que se pensa), conduziu-nos facilmente à reprodução em madeira da bonita imagem.
3) Só ontem e após um indeferimento inicial, motivado pelo empenhamento total das forças da GNR na prevenção e combate aos incêndios e considerando a presença de D. Ximenes Belo, me foi transmitida a participação de 2 cavaleiros na procissão.
- NOTA: a 1ª imagem é do antigo S. Lourenço (séc. XVI) e estava no nicho superior à porta da antiga Igreja.
13 de abril de 2009
A Visita Pascal
...
12 de agosto de 2008
S. Lourenço do Povo
Quando tudo parecia perdido, Alcino Caetano da Rosa decidiu pôr mãos à obra levando consigo para o acompanhar na comissão de festas gente que também ama Bustos e gosta de desafios, ainda por cima com Agosto mesmo à beirinha: Mário Capão, Manuel Romão, David Arroz, Fernando Almeida, Arsénio Ferreira, Fernando Nunes, Basílio Almeida, Lupério da Silva (Juiz da Confraria do Senhor), mais a generosa ajuda do Arsénio Loureiro.
Deve-se a eles - pois deve - mas que beleza teria o S. Lourenço sem o brioso grupo de mulheres dirigido pela Aida do Alcino e pela Dorinda Capão? Isto sem esquecer as demais que contribuíram para o brilhantismo dos festejos e para os arranjos florais: Zaida Silva, Elsa Azenhas, Belina da Aríete, Cléria Campolargo, Olga Barros, Dolores Tarrafo, Lila e se calhar mais umas quantas cujos nomes me escaparam. Lembro também a exposição de artes decorativas instalada ao lado da igreja e que devemos ao esforço da Mila Rei e do seu/nosso Orfeão de Bustos.
A procissão foi um sucesso, para muitos a melhor de que há memória e a festa do dia 10 à noite não lhe ficou atrás. Valha a verdade que o grupo Salsa Rosa de Pontevedra foi outro sucesso, tal era o mar de gente a encher a nossa Praça Vermelha.
As novidades do cortejo foram algumas e a que mais chamou a atenção terá sido a do novo santo oferecido à Igreja: o Menino Jesus de Praga, que encarna a devoção do povo pela meninice de Jesus. Ainda bem, porque a história pouco nos revela sobre os seus tempos de criança, embora esteja em crer que teria sido rabino e traquinas como todas as crianças do mundo.
Bustos é fértil em santos das nossas devoções; ao todo e se bem os contei são agora 11: começando pelos adstritos à Igreja, temos S. Lourenço, Santo António, Nª Senhora de Fátima, Nª Senhora do Leite e o jovem Menino Jesus de Praga; mais da devoção dos lugares da freguesia, viva o S. João e a Nª Senhora das Necessidades (ambos do Sobreiro); e vivam também o S. Martinho do Cabeço, a Sr.ª dos Emigrantes que é da Azurveira e o Sr. dos Aflitos aqui da minha vizinha Póvoa.
Deixei para o fim a Nª Senhora da Saúde, que é da Barreira e tem a particularidade de substituir – digamos assim - o vizinho D. Gregório Hernandez (El siervo de Dios), cujo estatuto me disseram estar em vias de ser revisto. Aliás, reparei que este ano o beato Gregório esperou pela procissão virado de frente para a Igreja do Corgo, em jeito de quem espera ser reconhecido pela cristandade e passar a caminhar entre os seus.
*
Falta a surpresa final.
- Juíza da festa: Zaida Silva (Sobreiro), acolitada pela Cacilda Gala (Sobreiro), a Gina do Sofia (Picada) e pela Maria Leonor Micaelo (Sobreiro).
- Seguem-se os rapazes, por ordem alfabética:
A promessa é continuar a tradição e aproveitar para introduzir iniciativas que recordem e registem as origens locais do padroeiro e da criação da paróquia. E recriar momentos do passado de Bustos. Até me constou que aceitam mais braços e…sugestões válidas.
Em suma: a Comissão de Festas de 2009 não esquecerá as RAÍZES DE BUSTOS.
*
8 de agosto de 2008
OLHA LÁ VAI PASSANDO A PROCISSÃO ... (GILBERTO GIL)
4 de março de 2008
CONFRARIAS E LEITÃO ASSADO
Tal como as Corporações dos Ofícios, estas uma espécie de sindicatos medievais dos vários ramos profissionais, as confrarias representavam na idade média aquilo que passou a ser o movimento associativo e o corporativismo dos nossos dias.
A mais famosa confraria (em rigor, irmandade) foi e continua a ser a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, criada em 1498 pela mão régia de D. Leonor, rainha viúva de D. João II.
A grande distinção entre ambas as instituições medievais reside nos seus destinatários: enquanto as Confrarias estavam viradas para o seu interior – os confrades, que eram sempre profissionais do mesmo ofício –, as Misericórdias estavam abertas a todas as pessoas, sem qualquer discriminação de sexo ou profissões, classes ou condições sociais.
As confrarias dos nossos dias
Vive-se uma espécie de solidariedade gustativa, virada para a preservação dos sabores e paladares herdados dos nossos antepassados.
A capa ou gabão, o chapéu e a insígnia são os sinais mais marcantes dos confrades, preservando uma tradição que já vêm dos tempos medievais. Muito próprios são também os rituais que acompanham as suas reuniões ou “capítulos”.
Pois foi ao 30º aniversário e 2º Capítulo da Confraria Gastronómica do Leitão da Bairrada que eu e o meu confrade de escritório tivemos o prazer de assistir no passado sábado como convidados.
É do que vos proponho falar, aqui do soberbo Palace Hotel do Buçaco, paraíso terrestre onde teve lugar o evento.
Esta Confraria do nosso leitão congrega 33 fundadores, tudo gente dos concelhos de Oliveira do Bairro, Anadia, Águeda, Mealhada e Cantanhede, que vem estando na linha da frente pela criação da zona demarcada do leitão assado à moda da Bairrada. Como é bom de ver, nos seus objectivos estatutários está a defesa do nosso leitão assado e da sua confecção tradicional.
Foram dois os pontos altos do capítulo: a entronização de dois confrades - um de mérito e outro honorário - e a participação do nosso VIV’ARTE, sobre quem já dissemos muito AQUI. Aconselho mesmo um clique na azulada hiperligação para ficar a saber quase tudo sobre tão boa gente das nossas gentes.
No meio de tão cativante convívio, confesso que me seduziu especialmente a intervenção do famoso mestre de cozinha, Chefe Helmut Ziebell, entronizado como Confrade de Honra.
Nascido em 1939 numa pequena vila de Áustria, o Chefe descende duma família ligada às artes culinárias. O fascínio por Portugal e pela sua culinária acompanhava-o desde pequeno, pelo que acaba por fixar-se entre nós em 1964 como cozinheiro do Hotel Ritz, onde termina a carreira como chefe executivo. É o único cozinheiro em Portugal com um prédio com o seu nome – o Prémio Inovação Helmut Ziegell.
E eis como, quase sem querer, se fala das novas pides
Muito a propósito, lembrou o risco que corremos em perder o genuíno leitão assado, mercê da rigidez da legislação em vigor. Daí as perguntas que deixou no ar: que futuro terá a gastronomia tradicional portuguesa? Que será dos valores culturais dessa gastronomia?
Termino, lembrando que os regulamentos comunitários admitem uma flexibilidade das suas normas, chegando a apontar para as boas práticas de higiene em substituição da chamada “monitorização dos pontos críticos de controlo”.
Por exemplo, o Regulamento da Comunidade n.º 852/2004, relativo à higiene dos géneros alimentícios, admite que aquela flexibilidade “é também apropriada para permitir a continuação da utilização de métodos tradicionais em qualquer das fases de produção e em relação aos requisitos estruturais para os estabelecimentos.”
Daí que o legislador comunitário convide os Estados Membros a estabelecer normas orientadoras que tenham em conta as especificidades de cada um deles.
Mas Portugal sempre gostou de se armar em bom aluno e daí a subserviência com que aplica às cegas os regulamentos comunitários.
E como não gostamos de fazer trabalho de casa, normas orientadoras que tenham em conta as especificidades de cada região e a diferenciação entre pequenas, médias e grandes empresas, nem vê-las, quanto mais lê-las!
Leva tudo pela medida grande, à boa maneira da pidesca ASAE!
Por este andar, não há confraria gastronómica que nos valha…
30 de abril de 2007
Algumas considerações - locais - sobre a resposta ao inquérito de 1758
Informa ainda o documento "(...) Em dia dez de Agosto dia do dito martir São Lourenço acode muita gente de romagem a mesma cappella e tambem em dias diversos algumas pessoas particullares por terem ao dito Santo Martir por advogado das maleytas, e que levando-lhe uma telha de oferta tem fé de que lhes tira."
O documento transmite-nos ainda pelo punho de Thomé de Sacramento e Brittos, que no dia dez de Agosto se dirigiam muitas pessoas de romagem a capela, e que tendo fé em São Lourenço acreditavam que levando-lhe uma telha ele os protegia. Considerando que a conservação e restauro da Capela de São Lourenço estava a cargo dos moradores dos lugares acima referidos, poder-se-á concluir que a fé aliava-se aqui a necessidade de conservação e restauro da capela.
O dia dez de Agosto para além de dia de Romaria, era também dia de mercado (...) "Nesta freguezia não ha feira alguma senão somente dois mercados, hum que se faz no lugar de Bustos ao pé da Cappella do Martir São Lourenço em dez de Agosto e somente neste dia; e outro no lugar da Mamaroza junto a igreja della em vinte e oito de oitubro, dia do apostollo Sam Simão e também só neste dia, e ambos os dois mercados contam de coisas comestíveis."
4 de outubro de 2006
SILÊNCIOS: HOMENAGEM

Bustos esteve presente: a freguesia fez-se representar pelo Presidente da sua Assembleia, Mário Vitorino Reis Pedreiras (com coroa de flores) e ainda pelo Presidente da Junta, Manuel Pereira.
Registo a presença da Igreja de Bustos, na pessoa do juiz da confraria, Manuel Francês; de manhã, o Manuel Grangeia, juiz da irmandade, pedira-me desculpa por não poder estar presente no funeral, realçando de forma muito sentida a justeza da homenagem a um bustuense a quem se deve a construção da bonita igreja de Bustos.
Os homens simples são assim e não precisam das lições de doutores e engenheiros.
O reencontro com duas das filhas, netas e netos de Jacinto dos Louros não teve o sabor doce e alegre de domingo passado: foi amargo, triste e doeu muito.
Exaltemos a vida e vamos em frente, que se faz tarde!
*
Oscar Santos
15 de agosto de 2005
PROCISSÃO DE S. LOURENÇO: UM ACTO DE FÉ, DE TRADIÇÕES..e algumas contradições
Teria de remexer bem o meu baú das recordações de menino e moço para relembrar ao pormenor a Procissão de S. Lourenço e toda a sua parafernália de ritos e símbolos físicos.
Confesso que guardo melhor na memória o que chamávamos, nos princípios de 60, de “Santo Sacrifício da Saída da Missa”: era no adro da velha Igreja com inscrições setecentistas que ansiosamente aguardávamos a saída das beldades, sacrílego acto que mais não era do que o despontar da rebeldia de quem começava a conviver mal com tempos de tamanha contenção e fome da outra…
Mas ontem, confesso-vos, tirei a barriga de misérias. Soube-me bem reentrar nos meandros da antiquíssima tradição da procissão do padroeiro de Bustos, o nosso querido S. Lourenço, mais tarde consorciado ao também muito nosso Santo António, decisão tomada há uns 15 anos pelo Povo das festas e romarias por razões que julgo ligadas a regras de economia festeira.
Mas vamos ao que interessa: a profanada procissão do S. Lourenço:
Abriu a procissão a fanfarra dos Bombeiros Voluntários de Ílhavo, seguida dos guiões das Irmandades de Bustos (1), Mamarrosa (2) e Troviscal (1). Vinham a seguir os estandartes ou bandeiras das seguintes Irmandades: de S. Lourenço e de Santo António (ambas de Bustos), de S. Simão da Mamarrosa (2), de S. Bartolomeu do Troviscal (2) e as de S. Martinho da Amoreira da Gândara (2), estandartes estes que, como se viu, vinham desacompanhados do respectivo guião.
Uma falta que tenho pouca vontade de perdoar, como não sou de perdoar aos aguerridos vizinhos da Palhaça, ao que se diz zangados com a organização dos nossos festejos por razões que os cristãos deveriam ultrapassar ou, vá lá, resolver no segredo do confessionário.
Mas adiante, que a procissão não pode parar: é o ritmo que se perde e com ele o belo impacto que o ritual transmite aos nossos olhos e aos corações.
Atrás do S. Lourenço caminhavam solenemente os Arautos de Fátima, também apelidados de Oratórios de N.ª Sra. do 3º Milénio, companheiros estes que eram seguidos do estandarte em metal bem pintado do S. Miguel, quadro que data de 1966 e faz lembrar a iconografia ortodoxa. Desde há 3 anos que este padroeiro passou a acompanhar a procissão, que isto de solidificar a fé também se mede pela profusão dos seus ícones e água mole em pedra dura tanto bate até que fura.
O Orfeão de Bustos vinha logo a atrás do S. Miguel, a ponto de eu ter chegado a pensar que alguém tinha encontrado o novo guardião das cristalinas vozes dos nossos orfeonistas; o presidente Belinquete apressou-se a desmentir-mo ia a procissão a chegar ao recém inaugurado cruzeiro da Barreira.
A fechar a parte sacra da procissão e imediatamente antes do pálio debaixo do qual imperava o nosso Padre Arlindo, ladeado pelos seus 2 acólitos, vinha a cruz do Senhor. A excelente Banda de Música da nossa Mamarrosa encerrava o cortejo.
Ao invés da cruz, a sagrada custódia, essa, só sai nas procissões do Santíssimo Sacramento e sem os andores dos Santos. A Igreja tem as suas regras e apesar de alguma maleabilidade, há limites que não podem ser ultrapassados.
Que o diga o Povo da Barreira! Depois do seu S. Gregório ter participado em várias procissões (chegou a ser levado ao colo, sem direito a andor e até a entrar na procissão quando ela já estava no adro), este ano a Igreja não transigiu: o S. Gregório foi saneado, que ele nem beatificado ainda está, quanto mais santo, diz o Padre Arlindo e com razão.
A Barreira é que não esteve pelos ajustes: se o S. Gregório não vai à procissão, pois a procissão há-de vir ao S. Gregório!
Bastou-lhe esperar de pé, na base do novo cruzeiro da Barreira, bem rodeado de lindos e frescos cravos de vermelho-tinto!
Julgavam que levavam a melhor ao bom Povo da Barreira?
Estão “muito mal enganados”!
O S. Gregório pode não ter entrado na procissão, mas lá que foi ele a marcar o passo da dita, isso ninguém lhe pode negar!
E VIVAM OS SANTOS POPULARES do nosso encantamento!!




